Ele vai voltar?

Uma carreira política meteórica foi subitamente interrompida em plena ascensão em 2012. Livre as acusações, o ex-senador Demóstenes Torres tem planos pessoais de voltar à política. Conseguirá?

Demóstenes Torres | Foto: André Correa/ AGPT

O ex-senador Demóstenes Torres, eleito em 2002 na sua estréia nas urnas, e reeleito em 2010, viu sua carreira política desmoronar completamente em 2012, quando teve mandato cassado pela esmagadora maioria do Senado.

Durante todo o processo, motivado pelas investigações contra atividades ilícitas de Carlinhos Cachoeira, ele sempre alegou que não praticou os crimes a ele atribuídos e, mais do que isso, que as supostas provas de seu envolvimento não tinham nenhuma validade jurídica. Pelo menos na segunda questão, o Supremo Tribunal Federal lhe deu razão, e anulou todas as provas. O mérito da ação não foi julgado, mas ele não tem qualquer dúvida de que o resultado, a sua absolvição, seria confirmado de qualquer forma.

Há elementos para se acreditar que Demóstenes foi vítima de uma grande trapaça política, e também do destino? Sim, há. Um levantamento minucioso realizado pelo Ministério Público Estadual constatou que o ex-senador, e procurador afastado das funções, não apresenta sinais de enriquecimento. Ao contrário, para o Ministério Público, o patrimônio de Demóstenes é inferior ao que seus salários poderiam acumular.

Defesa – Demóstenes igualmente tem outro ponto favorável, que ele destacou ao se defender da cassação de seu mandato: não existe nenhuma lei de autoria dele, ou relatada por ele, que provocou benefícios para o grupo de Carlinhos Cachoeira – o que derruba também a acusação de advocacia administrativa. Ainda assim, 56 senadores votaram a favor de sua cassação, e apenas 19 o apoiaram. Isso ocorreu em 11 de julho de 2012, e tornou-se inelegível por oito anos a contar da data do encerramento de seu mandato, que será no ano que vem.

Com a queda de todos os processos que existiam contra ele no Tribunal de Justiça de Goiás e no STF, além das investigações do próprio Ministério Público, Demóstenes ainda não encerrou a sua via crúcis pela recuperação plena de seus direitos políticos. A condenação pelo plenário do Senado continua valendo, e ele permanece inelegível até 2027. Essa, por sinal, é a nova fase da batalha que ele pretende concluir em breve: anular a sua cassação, já que ela foi totalmente balizada por provas ilegais.

Em conversas com amigos, ele tem se mostrado otimista e animado. Diz que vai buscar de todas as formas recuperar os seus direitos políticos. Nos planos imediatos, ele quer retornar ao Ministério Público para se aposentar. Ele só não pretende é se aposentar da vida política.

Mas, afinal, Demóstenes Torres, após um dos mais intensos e desgastantes massacres político-midiático da história do Senado brasileiro, terá condições eleitorais de retornar? Essa é uma grande dúvida. Como senador, ele acumulou prestígio suficiente para se tornar, no já distante ano de 2012, num dos principais nomes de oposição ao governo petista de Luiz Inácio Lula da Silva. Era ele o mais cotado dentre todos os opositores para disputar a Presidência da República em 2014. Mas, e agora, como o eleitor o verá?

O próprio Demóstenes não tem a menor ideia. Uma eleição para o Senado está praticamente descartada. O que ele tem mais levado em conta é a possibilidade de disputar a eleição proporcional, de deputado federal. Isso, claro, se o Senado lhe devolver o direito à vida pública. Ele igualmente não sabe em qual partido irá se filiar. Várias legendas já o convidaram, mas ele ainda avalia o quadro. Uma coisa está definida: ele será candidato dentro da chamada base aliada estadual. E a justificativa é direta e muito simples: esse é o lado em que ele sempre esteve.

Politicamente, Demóstenes Torres representa o pensamento moderno da direita brasileira, que não tem grandes opções pensantes. No Senado, sempre foi um duríssimo debatedor de ideias contra o pensamento majoritário petista e de toda a esquerda. Com experiência acumulada nos debates jurídicos durante sua vida no Ministério Público, ele tem grande escopo, inclusive cultural, que faz dele um ótico orador. Seu discurso é afiadíssimo, e tanto carrega nas cores da ironia como também no embasamento técnico.

Será que ele vai mesmo voltar? Muita gente começa a acreditar que sim, outra porção detestaria. Ele próprio está querendo voltar. Se conseguir, talvez não consiga jamais o mesmo protagonista de antes, mas é impossível imaginar que seja apenas mais um dentro do parlamento brasileiro.

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Isac Caires

Demóstenes ?
Será que não tem um ficha limpa por exemplo Marina Santana!!!

Renan Alexander Siqueira

Bom saber que Demóstenes Torres é uma pessoa inocente, que foi armação dos membros do PT para tirá a candidatura dele a Governo de Goiás em 2014, através de falsas provas, porque iá contra o candidato do PT ao Estado. Se voltar ele receber meu voto e meu trabalho voluntário. Pois o Ex – Senador foi único que aceitou meu projeto Lei para cria a Meia Passagem de ônibus para população de Entorno de Brasília que vão para colégio e faculdades do DF, porque a ANTT não regulamentou até hoje esse acesso de direito aos Estudante de Goiás. Precisamos de… Leia mais

Renan Alexander Siqueira

A matéria esclarecer que o Demóstenes Torres é inocente (Ficha Limpa). Mais um vítima da corrupção atual no governo e seus aliado da eleição de 2014.