É Iris. Ou nada

A sucessão de Goiânia fica em compasso de espera para saber se o decano peemedebista será ou não candidato

Afonso Lopes

Setores peemedebistas conseguiram derrotar as tropas iristas na disputa pelo comando do diretório estadual do partido. É a tentativa de começar a construir uma possibilidade de futuro diante de um fato inexorável: Iris Rezende, mais cedo ou mais tarde, vai parar de atuar politicamente. Mas quando isso vai acontecer? Talvez nem o próprio Iris saiba responder a essa pergunta.

Em alguns momentos, é certo que ele pensou em pendurar as suas famosas chuteiras de goleador político. Ele próprio já falou sobre isso, em 2002, quando sofreu a segunda derrota de sua vida, na disputa por uma das duas vagas para o Senado. Candidato à reeleição, Iris foi superado por Demóstenes Torres e por Lúcia Vânia. No início de 2003, ao terminar seu mandato, foi “tocar lavoura” em sua fazenda. E estava disposto a ficar por lá muito mais tempo, mas não suportou ficar longe da “lida” dos votos. Um ano depois, em 2004, voltou para ser eleito prefeito de Goiânia.

Referência

É verdade que Iris Rezende já não mantém a mesma popularidade de outros tempos, mas é líder fácil em qualquer pesquisa pré-eleitoral em Goiânia, que sempre foi a sua principal base. Mais do que líder nas pesquisas, ele é a referência que extrapola o PMDB e envolve todo o mundo político goianiense. Nesse sentido, candidato ou não, ele não tem sucessor. Pelo menos, não ainda, ao contrário do que ocorreu no diretório estadual.

Sua figura é tão emblemática que a própria sucessão de Paulo Garcia passa a girar em torno de Iris Rezende ao ponto de se observar um período sabático nas movimentações partidárias, e até entre os pré-candidatos, à espera de sua decisão de disputar a Prefeitura de Goiânia mais uma vez. Ou não se candidatar, possibilidade de vez ou outra é ventilada tanto por peemedebistas como por opositores a ele.

Dentro desse campo de visão ma­cro da situação de Iris, a dúvida não deixa de ser pertinente. Iris sempre se lançou candidato como se estivesse se sacrificando pelo PMDB, quando na realidade usava o partido e suas estruturas. Desta vez, ao contrário, é o PMDB que verdadeiramente precisa dele. Não há alternativa para o partido em Goiânia este ano. Ou vai com Iris, em sua grande aposta, ou fica fora do jogo.

E talvez aí esteja um aspecto que tem torrado alguns neurônios políticos de Iris. Se ele não for candidato, não há nenhum outro nome no PMDB que consiga congregar ao ponto de o partido liderar naturalmente uma boa coligação. Mas se ele resolver ir à luta, vai ter que erguer sua própria máquina eleitoral.

Além desse fator, também pesa a incerteza sobre o resultado da cam­panha. Embora favorito, ele ho­je é bem menos favorito que em outras eleições. Ou seja, não se­rá uma eleição fácil, ou com fa­cilidades. O PT, por exemplo, que precisa ser descartado en­quanto aliado para evitar uma contaminação extremamente negativa por causa da péssima imagem do governo de Paulo Garcia, que foi seu vice, certamente vai mirar a jugular dele, Iris, durante toda a campanha.

E não vai ser apenas o PT que agirá contra Iris na campanha como ex-amante desprezada. A vizinhança toda vai centrar fogo no peemedebista porque, se candidato, é óbvio que será ele o cara a ser batido, o líder a ser superado. Esse é um tipo de equação de campanha sempre com solução complexa. Se reagir bem, com uma campanha inteligente e bem estruturada, é possível que ele atravesse os piores momentos sob ataque e saia do “corredor polonês” muito mais fortalecido. Essa é a única alternativa que existe para Iris: sobreviver ao terreno minado da campanha com fortalecimento. Se, ao contrário, chegar do outro lado aos trancos e barrancos, aos pandarecos eleitoralmente, o fantasma da derrota poderá voltar a assombrá-lo.

Se ele tem essas duas perspectivas, os seus concorrentes são previsíveis em seus discursos, embora não exatamente previsíveis quanto ao sucesso ou não na campanha. O deputado Waldir Soares, por exemplo, tende a centrar numa comunicação de fácil interpretação. Luiz Bittencourt, embora com bom potencial de agressividade eleitoral, representa, juntamente com Giuseppe Vecci, candidatura mais tecnicamente preparada para o debate. Vanderlan Cardoso fica no meio termo, sem conseguir atingir o povão nem o eleitor que exige um discurso realmente embasado e moderno. Por fim, dentre os nomes mais cotados nos grandes partidos, há o bom-mocismo do deputado estadual Virmondes Cruvinel, e a incógnita da petista Adriana Accorsi, que pode ter que carregar a cruz partidária não apenas federal, com os desgastes do governo Dilma Roussef, mas também, e talvez ainda mais pesada, a municipal, em razão da má imagem de Paulo Garcia.

É um jogo que, ao menos no papel, embola tudo, mas a bola sempre passa pela chuteira de Iris. Se for para a campanha com a sua velha e primorosa inspiração eleitoral, certamente poderá confirmar sua vitória. Se errar, por menor que seja esse erro, terá que torcer para não ser goleado.

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