Disputa pela Prefeitura de Goiânia segue cercada de desafios e incertezas impostos pela pandemia da Covid-19

Pré-candidatos e partidos correm contra o tempo na capital, sem saber quando será o primeiro turno, na tentativa de reorganizar as táticas de contato com o eleitor

Eleições Urnas eletrônicas - Foto Marcelo Camargo Agência Brasil

Enquanto o TSE passa por mudança de presidente e discute alternativas para a votação em meio ao crescimento dos casos de Covid-19, políticos e siglas fazem o que podem para organizar suas campanhas eleitorais | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) número 23.606, de 27 de dezembro de 2019, estabeleceu o calendário eleitoral de 2020. O primeiro turno da votação para prefeito e vereador está marcado para o dia 4 de outubro e, em caso de segundo turno, os eleitores voltarão às sessões para definir quem será o próximo chefe do Executivo municipal em 25 do mesmo mês.

Ao mesmo tempo, o TSE passa por troca de comando na segunda-feira, 25. Depois de 1 ano e 9 meses à frente da Corte, a ministra Rosa Weber passa a presidência do Tribunal Superior Eleitoral ao colega de Supremo Tribunal Federal (STF), o também ministro Luís Roberto Barroso. O magistrado terá a missão de discutir as possíveis mudanças nas datas da eleição.

Em entrevista transmitida pelo jornal Valor Econômico na sexta-feira, 22, Barroso citou possibilidades, como o escalonamento de horários na votação pro faixa etária, estender o funcionamento das sessões eleitorais até as 20 horas e até dividir os turnos em dois dias de votação com horário marcado.

Sem prorrogação de mandatos 

O futuro presidente do TSE adiantou que, caso haja a necessidade de adiar a data das eleições, o entendimento é parecido com o dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O três defendem que a prorrogação de mantados de prefeitos e vereadores não deve ser cogitada.

Pelo calendário publicado em dezembro, a Corte divulgará no dia 1º de junho a quantidade de eleitores aptos a votarem nos municípios. De acordo com dados de abril do TSE, Goiânia tem 974.580 pessoas com títulos eleitorais ativos nas nove zonas eleitorais da capital que poderão ir às urnas nos dias 4 e 25 de outubro.

Em 2018, o ministro Gilmar Mendes cedeu espaço a Luiz Fux, que presidiu o Tribunal até a chegada de Rosa Weber à presidência da Corte. Na gestão Fux, o TSE tentava começar a entender o que vem a ser o fenômeno das informações falsas publicadas e disparadas na internet, principalmente nas redes sociais e aplicativos de mensagem.

Weber, que estava à frente do Tribunal Superior Eleitoral durante a campanha daquele ano, demonstrou não tratar com a devida seriedade o problema das fake news. No ano seguinte, o próprio STF instaurou um inquérito, que juristas tratam como discutível, para apurar a produção e divulgação de informações falsas na internet contra ministros do Supremo.

Distanciamento social na campanha

Mario Rodrigues Grupom

Diretor do Grupom, Mario Rodrigues Filho diz que pré-candidatos têm feito pouca movimentação nos meses que antecedem a campanha eleitoral | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

2020 será a primeira oportunidade de verificar a importância da internet nas eleições municipais com mais ênfase. Principalmente porque a pandemia da Covid-19 impõe aos pré-candidatos e partido a obediência a orientações sanitárias de distanciamento social para não contribuírem com o aumento da transmissão da doença em atos de campanha.

O diretor da Grupom Consultoria e Pesquisas, Mario Rodrigues Filho, avalia que o período de pré-campanha, que vai até 15 de agosto, tem sido completamente esquecido por aqueles que pretendem se candidatar ao cargo de prefeito. “Até o momento, não temos visto movimentações de possíveis candidatos junto aos eleitores, somente em bastidores dos partidos.”

Para o diretor do Grupom, os pré-candidatos não têm conseguido se colocar como opção até aqui. “A indefinição do prefeito de Goiânia [Iris Rezende (MDB)], se vai ou não disputar, faz com que os demais interessados fiquem neutralizados, em ‘banho maria’, e, desta forma, nada acontece. Praticamente quase que a totalidade da população desconhece os nomes de quem vai concorrer”, observa Rodrigues Filho.

Corrupção e saúde

Segundo o responsável pelo instituto de pesquisa, os partidos têm se movimentado, mas falta ainda ação das “verdadeiras pedras do tabuleiro do xadrez político”. “Só devem movimentar-se quando houver poucas pedras e com pucos lances.”

Rodrigues aposta na corrupção como um dos grandes temas da disputa. “O eleitor percebe que foi enganado nestes muitos anos de campanhas passadas e vê em políticos sempre pessoas corruptas.” O diretor do Grupom aponta com segundo assunto a saúde. “Aí estará o ponto mais importante das campanhas: mostrar o ‘novo’ dentro do ‘novo’.”

Ter um histórico bom, com trabalho desenvolvido e coerência partidária pode ajudar o candidato, principalmente se for um nome conhecido, a entrar na disputa com boa intenção de votos. “O eleitor também observa se o candidato foi eleito para um mandato e já quer entrar em disputa para outro cargo e mandato.” Rodrigues observa que “fazer pesquisa bem elaborada é o melhor remédio para todos os candidatos”.

Universo digital?

Renato Monteiro publicitário agência Cantagalo - Foto Arquivo pessoal - outro tamanho

Publicitário Renato Monteiro afirma que boa parte dos políticos não está habituada ao universo digital | Foto: Arquivo pessoal

“A movimentação dos partidos ficou um pouco prejudicada com o surgimento da pandemia. Muito pelas restrições impostas pela própria situação, que gera empecilhos para reuniões e articulações políticas.” O publicitário Renato Monteiro, da agência Cantagalo, afirma que “boa parte dos políticos e seus partidos ainda não estão habituados ao universo digital”. Monteiro lembra que a internet possibilita fazer muita coisa em uma pré-campanha.

De acordo com o publicitário, a tendência é de que a disputa pela Prefeitura de Goiânia se consolide com um número maior de candidatos do que em 2016, quando o eleitor escolheu entre sete nomes.

“Isso deve ocorrer por dois fatores: o fim das coligações proporcionais e o financiamento público de campanha disponível. O financiamento tem forçado os partidos a lançar candidatos para ter acesso ao financiamento. E as candidaturas a prefeito também acabam impulsionando candidaturas a vereador.” Monteiro diz que os partidos têm focado na eleição do maior número possível de vereadores, o que garante bases para lançar candidaturas a deputado estadual e federal daqui quatro anos.

Saúde como prioridade

O publicitário vê na saúde o tema predominante da campanha em decorrência da pandemia. “Teremos um ambiente favorável para se radicalizar em políticas públicas de Saúde. Sobretudo na gestão do SUS [Sistema Único de Saúde] em todas as esferas.” Para Monteiro, as eleições de 2020 são uma oportunidade para que o padrão de atendimento à população seja mudado, o que eliminaria a ingerência política na saúde.

“Outra coisa necessária e urgente é o gerenciamento profissional dos Cais [Centros de Atenção Integrada à Saúde], quer seja de suas estruturas, quer na fiscalização ao atendimento, medicamentos, vacinas e outros insumos”, declara. A descentralização da gestão da prefeitura, promessa de campanha de 2016, deve ser retomada neste ano, de acordo com o publicitário.

Monteiro aposta no debate das demandas urbanas de Goiânia, como o transporte público, o trânsito, o meio ambiente e a educação em um cenário de vocação para o desenvolvimento da capital. “Goiânia pode ter um desenvolvimento sustentável ou se converterá à industrialização?”, indaga o publicitário.

Necessidade de experiência

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Para o secretário municipal de Administração, Agenor Mariano (MDB), o momento exige um político experiente como o prefeito Iris Rezende (MDB) para comandar o combate à pandemia | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Secretário municipal de Administração, Agenor Mariano (MDB) diz que o momento delicado imposto pela pandemia indica cada vez mais que o melhor caminho para o partido é aguardar que o prefeito Iris Rezende seja candidato a reeleição. Mariano afirma que a situação requer alguém com experiência, que está no trabalho de acompanhamento e combate à Covid-19. “Talvez, neste momento, a cidade precise muito mais de Iris do que o prefeito precisa da cidade.”

Agenor Mariano afirma que o MDB se preocupa em Goiânia exclusivamente com o combate ao novo coronavírus. “Temos de fazer o trabalho que a cidade precisa, o que gera credibilidade, sem pensar em eleição. Nem sequer abriu o prazo das convenções. A melhor resposta que o próprio partido e o prefeito podem ter é o bom trabalho realizado na prefeitura.” Para o secretário de Administração, outros pré-candidatos só podem fazer promessas de que serão bons gestores. “Iris tem a oportunidade de continuar a mostrar que é bom”, destaca.

De acordo com Mariano, o eleitor terá a oportunidade de ver nas ruas o que o prefeito tem feito pela capital. “Quando entrarmos na campanha, vamos mostrar o que encontramos, o que fizemos e, baseado no que realizamos, onde podemos chegar. A ideia é avançar mais”, explica. O integrante da gestão Iris diz que a educação na capital vai bem, a infraestrutura recebe as obras necessárias e o recapeamento da malha viária está em andamento. “A saúde teve dificuldades no início [da gestão], mas tem melhorado.”

Militância nas redes

Segundo Agenor Mariano, “quem fez tem condição de mostrar que fará mais”. A aposta do secretário é que as redes sociais sejam utilizadas para driblar as dificuldades em realizar uma atuação nas ruas. O secretário explica que a militância do MDB será utilizada na internet para divulgar as realizações da gestão Iris nas mídias digitais. “Sabemos que, mesmo que tenha arrefecido o avanço do novo coronavírus, estaremos em tempos de prevenção. Não poderemos fazer a campanha habitual de rua, mas exploraremos o fato de contar com o candidato mais competitivo”, pontua.

O secretário diz lamentar que seja feita qualquer discussão eleitoral durante a pandemia. Mariano afirma que há um “anseio popular” pela unificação dos pleitos municipais, estaduais e nacional. “Nem agora, em uma pandemia, que daria condições de migrar as eleições de 2020 para 2022, haverá o encontro das eleições. O dinheiro que será gasto com o Fundo Eleitoral, que a Justiça Eleitoral gastará para realizar as eleições, poderia ser todo transferido para combater a Covid-19.”

Foco na pandemia

Welington Peixoto 1 - Foto Marina Alice Câmara de Goiânia

Líder do prefeito na Câmara, Welington Peixoto (DEM) diz que partido precisa mostrar o trabalho do governo estadual e da prefeitura na campanha | Foto: Marina Alice/Câmara de Goiânia

Líder do prefeito na Câmara de Goiânia, o vereador Welington Peixoto (DEM), diz que o partido tem feito poucas discussões eleitorais neste momento pelo foco no combate ao novo coronavírus no governo. “Todos os auxiliares estão focados nas ações para conter o avanço da pandemia.”

Por enquanto, o Democratas segue sem novidade na capital. Se Iris Rezende for candidato a reeleição, o DEM apoia o prefeito. O nome próprio do partido, como já anunciado, seria o do deputado federal Zacharias Calil caso o emedebista não esteja na disputa.

“O foco principal da campanha será a saúde. Ficou ainda mais evidente que nosso sistema de saúde não estava preparado. Algo bom que ficará são os investimentos na saúde, o que ficará também de ensinamento, com postos de saúde e hospitais mais bem equipados, profissionais mais preparados e os governantes com olhar mais atento à saúde.” Peixoto diz que haverá uma mudança de foto. Enquanto 2016 foi pautado pela segurança pública, a saúde será o assunto mais debatido nas eleições, seguido do desemprego, de acordo com o líder do prefeito na Câmara.

Welington Peixoto defende a realização das eleições no início de 2021. “[Processo eleitoral] Está totalmente prejudicado. […] Nós que estamos no poder temos uma visibilidade maior. E aqueles que pretendem se candidatar, como farão para ficarem conhecidos? Só internet não é suficiente. Sabemos que é importante, mas não atinge toda população.”

O vereador afirma que o DEM precisa mostrar o trabalho realizado pelo governador Ronaldo Caiado. “O índice de mortes e contaminação é menor no nosso Estado pelo trabalho realizado pelo governo. O isolamento deu condições para que a rede pública de saúde recebesse os pacientes de forma mais adequada.” As ações realizadas pela gestão Iris, “com obras por todos os lados”, precisa ser explorada na campanha, segundo o líder do prefeito.

Reuniões virtuais

Adriana Accorsi - Foto Maykon Cardoso Alego

Com reuniões virtuais, a deputada estadual Adriana Accorsi (PT) diz acreditar que é possível chegar ao eleitor, mesmo com a ausências dos eventos presenciais | Foto: Maykon Cardoso/Alego

A deputada estadual Adriana Accorsi (PT) tem trabalhado com reuniões virtuais para debater as questões da cidade na pré-campanha. Com encontro semanais on-line, a parlamentar afirma que é possível discutir com a comunidade as demandas nas regiões de Goiânia. “A agenda está bastante movimentada, com participação grande da militância e da comunidade.”

Assim como as lives tomaram conta das redes sociais, a petista tem incluído na agenda participações em diversas conversas ao vivo transmitidas pelas mídias digitais. “Elegemos alguns assuntos como prioridade, como saúde, educação, transporte público e mobilidade, segurança e geração de empregos e renda.” A deputada afirma que trabalhará para construir propostas que visem a valorização dos trabalhadores da educação, ter a saúde com foco na pessoa, pautas de segurança comunitária e ações transversais em outras áreas.

Entre uma live e outra, Adriana Accorsi explica que a campanha será totalmente diferente, assim como já tem feito com as ações no período pré-eleitoral. “Vamos nos adaptar no PT. Realizamos reuniões e webinários para elaborar o plano de governo, lives com lideranças e pré-candidatos a vereador e vereadora. “Agora mesmo estamos realizando um webinário”, detalha a pré-candidata a prefeita, que conversou pela última vez com o Jornal Opção na manhã de sábado, 23.

Diálogo com lideranças

Virmondes Cruvinel - Foto Maykon Cardoso Alego

Deputado estadual Virmondes Cruvinel (Cidadania) explica que tem buscado o diálogo virtual com lideranças para elaborar soluções que serão apresentadas na campanha | Foto: Maykon Cardoso/Alego

O deputado estadual Virmondes Cruvinel (Cidadania) diz que a pré-campanha tem seguido uma boa frequência de ações semanais, que se misturam entre as discussões da revisão do Plano Diretor da capital com as reuniões com os pré-candidatos a vereador nas nove zonas eleitorais. O parlamentar afirma que tem utilizado a tecnologia para realizar encontros remotos.

“A saúde será nosso foco principal, área que temos defendido durante a pré-campanha nas nossas ações. A educação e a qualidade dos serviços públicos também estão entre as prioridades.” Virmondes explica que a ideia é incluir todas as questões da capital na proposta da cidade inteligente, um plano de aprimoramento dos serviços por meio da tecnologia. Mobilidade e transportes são outros temas que o deputado pretende abordar na campanha.

Na saúde, o parlamentar diz que é preciso priorizar os servidores que atuam na ponta da linha do atendimento. O deputado afirma que há uma necessidade de investimento nas especialidades clínicas para melhorar o serviço oferecido à população. “A prioridade às obras, que são necessárias, precisa ser remanejada para a saúde neste momento de caos. O prefeito poderia estar à frente de um trabalho de garantir acesso a internet para que haja a oferta do ensino a distância.”

Conversas com outros partidos

O pré-candidato a prefeito do Cidadania tem dialogado com outros partidos e a sociedade civil organizada para definir o nome de uma mulher como pré-candidata a vice-prefeita na chapa. “Tenho reunido um núcleo de pessoas por áreas e conselhos regionais para colher propostas e apresentar soluções. Neste primeiro momento, o trabalho de pré-campanha tem sido feito pelo contato remoto.” O deputado afirma que é preciso respeitar as orientações dos profissionais da saúde.

De acordo com Virmondes Cruvinel, o diálogo está aberto com o DC e o PV para avaliar a possibilidade de aliança na disputa para prefeito na capital, o que ampliaria os candidatos aliados nas chapas de vereador. “Procuro respeitar bastante os deputados que são pré-candidatos para manter o bom diálogo e buscar alianças casos haja alguma desistência até o início da campanha”, descreve.

Redes sociais serão reforçadas com um trabalho constante de interação, além de apresentar as propostas com qualidade nos debates. “Quero ter esses dois eixos como diferencial para enfrentar a máquina pública, que tem priorizado fazer recapeamento no lugar de investir em saúde neste momento.” O deputado diz que o partido tem orientado e capacitado os líderes de bairros e de segmentos para utilizar as ferramentas digitais, o que anteciparia as convenções, que devem ser realizadas em formato digital.

Vida digna às pessoas

Dra Cristina Lopes - Foto Alberto Cesar Maia Câmara de Goiânia

Vereadora Dra. Cristina Lopes (PL) diz que o plano de governo que está em construção apresentará proposta para uma nova e possível capital, mais digna para as pessoas | Foto: Alberto Cesar Maia/Câmara de Goiânia

“Desde que firmamos esta importante aliança, eu, a deputada federal Magda Mofatto e todo o PL começamos a trabalhar. Formamos uma chapa plural e preparada de candidatos e candidatas. Estamos fazendo reuniões virtuais com toda a chapa.” A vereadora Dra. Cristina Lopes (PL) afirma que serão lançados módulos de formação da chapa com material audiovisual e grupos de trabalho.

A pré-candidata do PL diz acreditar que os desafios impostos pelo distanciamento social foram vencidos com trabalho e dedicação do partido e de quem atua em sua pré-campanha. “Nossa campanha majoritária abordará principalmente os temas relacionados à garantia de vida digna para as pessoas. Desenvolvimento econômico, saúde pública e de qualidade, educação e cultura são alguns dos temas em que estamos debruçadas. Vamos pensar as melhores propostas e soluções para uma nova e possível Goiânia”, descreve.

Desenvolvimento humano

Dra. Cristina Lopes afirma que o desenvolvimento humano será “a tônica dessa nossa caminhada”. “Não se pensa uma cidade tão somente de forma setorial. É preciso garantir transversalidade no exercício de apontar caminhos e soluções para Goiânia.” Para a vereadora, primeiro é preciso garantir a vida digna às pessoas com oportunidades de trabalho e saúde pública de qualidade.

“Em seguida, deve-se garantir a segurança dessa vida através de investimentos na Guarda Civil Metropolitana (GCM), iluminação, câmeras e estímulo à presença de pessoas de bem na rua.” A parlamentar diz que as pessoas precisam de cultura para “fortalecer laços com a cidade” com ocupação dos espaços públicos. “Ocupar Goiânia com um novo projeto de cidade, que atenda às necessidades de todas as classes sociais e congregue pessoas em prol do melhor para o coletivo, é o nosso projeto.”

As ações de apoio e incentivo de mobilização da pré-campanha seguem a nova lógica mundial das atividades virtuais. Dra. Cristina diz que o impacto é imenso na pré-campanha, mas há de se considerar o fundamento do processo democrático de Direito que são as eleições. “Portanto sigamos o calendário.” A vereadora afirma que em qualquer crise as pessoas mais vulneráveis são as primeiras a perderem seus direitos. “Precisamos de mais amor às crianças, aos idosos, às mulheres”, destaca.

Enfrentar os problemas

Talles Barreto - Foto Maykon Cardoso Alego

Deputado estadual Talles Barreto (PSDB) afirma que Goiânia tem problemas urgentes que precisam ser encarados sem discursos bonitinhos | Foto: Maykon Cardoso/Alego

O deputado estadual Talles Barreto diz confiar na “larga experiência do PSDB em construir pontes entre o poder público e o interesse de cidadão”. A pré-campanha tucana a prefeito une as ações a mais de 70 pré-candidaturas a vereador nas diferentes regiões da capital, de acordo com o parlamentar. “Estão em contato com a população e nos  ajudam a desenhar o mapa de Goiânia sob o ponto de vista social, econômico e estrutural.”

O pré-candidato do PSDB afirma que há muito a ser feito por Goiânia. Talles Barreto descreve problemas que precisam ser solucionados na área social, a necessidade de se ampliar as oportunidades de trabalho e renda, além de priorizar obras no que “a cidade realmente precisa”. “Quem consegue imaginar que o trânsito vai melhorar depois de 3 ou 4 novos viadutos? De que valem estas obras isoladas se os corredores de ônibus não são capazes de tirar carros das ruas com um transporte de qualidade?”

Antecipação do trabalho

O parlamentar descreve que os tucanos têm antecipado ações de proteção aos lojistas da região da Rua 44, professores da rede pública, escolas da educação básica e motoristas do transporte escolar. De acordo com Talles Barreto, Goiânia precisa garantir o mínimo de atenção aos postos de saúde, aos novos desempregados, às pessoas que pedem ajuda nas ruas e às crianças que passam fome fora das unidades educacionais.

“Não vamos sossegar enquanto não tivermos para Goiânia um projeto sério de cidade, voltada para o ser humano.” O deputado afirma que serão estabelecidos compromissos pontuais e planejamento integrado para enfrentar os problemas dos bairros e da cidade. “Vamos estabelecer as metas, orientar os propósitos e principalmente fazer compromisso de liderar, caminhar à frente, puxar a carroça”, pontua.

Talles diz que não há espaço para “enrolação ou discurso de bonzinho cheio de amor para dar”. “O futuro das pessoas é agora. Os problemas estão na nossa porta.” O deputado afirma que a resposta para ultrapassar as dificuldades do contato direto impostos pela pandemia está no smartphone. “98% da população tem um na mão e quem não tem está lá na rua para todo mundo ver, pedindo, tentando, sofrendo. Vamos falar com as pessoas sobre os problemas das pessoas. Nada de projeto bonitinho com apelo emocional sem uma espinha dorsal. Não fala quem não tem o que dizer. Eu tenho.”

Meio ambiente e sustentabilidade 

Maria Ester CAU

Conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), Maria Ester de Souza (Rede) afirma que a necessidade dos encontros virtuais aumentaram quantidade de reuniões e eficiência do trabalho de pré-campanha do partido | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Conselheira do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Goiás (CAU-GO), Maria Ester de Souza (Rede) diz que o trabalho virtual tem facilitado a realização de reuniões na capital e em todo o Estado para estruturar as ações de pré-campanha. “Atraímos filiados há muito tempo na Rede que têm apostado nessa candidatura e nessa campanha”, destaca.

As ações da pré-campanha de Maria Ester, que pretende disputar a Prefeitura de Goiânia, e dos pré-candidatos a vereador têm se fortalecido em todo o Estado para a formação das chapas e estruturação do partido para as eleições. “Debatemos e estudamos as possibilidades de adiamento da eleição e de campanha virtual para fazer o trabalho mais transparente possível.”

Maria Ester explica que o momento não é de muita movimentação política e eleitoral, já que a população vive uma situação complicada por causa da pandemia. “O que temos de fazer é buscar um jeito de ajudar quem está na pior.” Para a campanha, a Rede dividiu o trabalho em coordenadores, que ficam responsáveis pelo planejamento estratégico para elaborar uma proposta de projeto para a cidade. A conselheira do CAU-GO diz que conta com o apoio de parte dos melhores professores universitários em sua pré-campanha, que a ajudam a discutir temas centrais para a capital.

Cidade pós-pandemia

“Um tema que é prioritário e une todas as ideias é o meio ambiente e a sustentabilidade, com uma chamada para o que será a cidade pós-pandemia. Conversamos sobre dois temas prioritários, que são a mobilidade e a habitação.” De acordo com a pré-candidata da Rede, o transporte coletivo é bastante discutido. “O problema que pode ser considerado nevrálgico na mobilidade são as distâncias que as pessoas têm de percorrer entre suas casas e seus locais de trabalho, o local de estudo, um hospital”, observa.

Sem tempo de TV na campanha, a aposta da Rede está no YouTube e nas redes sociais do partido e dos participantes da corrida eleitoral. Maria Ester lembra que o trabalho presencial é fundamental, porque a pessoa precisa não só ouvir o que um pré-candidato tem a dizer, mas ver quem fala. “Além de chegar aos locais em que não há internet.” Não se pode descartar o presencial, mas o virtual terá de ser bem utilizado, de forma equilibrada, segundo a conselheira do CAU-GO.

Duas pré-candidaturas

Francisco Júnor Vilmar Rocha Vanderlan Cardoso - Fotos Fábio Costa e Fernando Leite Jornal Opção

PSD, presidido por Vilmar Rocha (centro), definirá até a convenção quem será o candidato a prefeito de Goiânia: o deputado federal Francisco Júnior (esquerda) ou o senador Vanderlan Cardoso (direita) | Fotos: Fábio Costa e Fernando Leite/Jornal Opção

O PSD está na pré-campanha com dois nomes na disputa. De acordo com o presidente estadual do partido, o ex-deputado federal Vilmar Rocha, só depois será possível avançar nas discussões. “Primeiro vamos decidir se o candidato será o deputado Francisco Júnior ou o senador Vanderlan Cardoso quando nos reunirmos em junho.” Vilmar diz que há grande chance de o primeiro turno das eleições ser adiado para 15 de novembro ou 6 de dezembro. Mas lembra que isso depende da aprovação de uma emenda à Constituição.

Vilmar Rocha destaca o trabalho feito pelo deputado federal Francisco Júnior, que lançou em 2019 o programa “Chis da Questão“, com uma discussão sobre cidade inteligente. Até o momento, esse é o plano do PSD para Goiânia. Para o presidente do partido, é preciso dar uma enorme prioridade, reforço e estrutura à saúde básica na capital. “Considero que estamos razoavelmente bem na saúde hospitalar, porque temos uma rede pública de hospitais grandes e uma rede privada bem estruturada.”

Um dos exemplos citados pelo presidente do PSD é o Hospital do Servidor, da rede estadual de saúde, que entrou em funcionamento durante a pandemia como Hospital de Campanha para Enfrentamento ao Coronavírus (HCamp), com 200 leitos. Vilmar Rocha destaca a ociosidade ainda existente no Hugol [Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira] e os 600 leitos do novo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG).

De acordo com Vilmar Rocha, o atendimento oferecido nos Cais precisa ser nota dez. “É o primeiro atendimento ao cidadão. “Como sabe que o Cais funciona mal, a pessoa vai direto para os hospitais estaduais, como HGG ou Hugo. A saúde básica é fundamental e tem enorme espaço para melhorar e estruturar em Goiânia.” Outros dois pontos destacados são a melhoria do transporte coletivo e da educação básica.

O trabalho de campanha terá de ser feito pela internet. Vilmar Rocha destaca que as reuniões nas cidades goianas com pré-candidatos a vereador têm sido feitas por meio de plataformas virtuais. “Nas cidades menores, é possível fazer grandes discursos à população. Mas nas maiores cidades, o trabalho terá de ser feito pela internet.” Para o presidente do PSD, uma campanha bem feita e bem estruturada pelas redes sociais tem mais eficácia do que pela TV, que “tem um peso grande, mas é muito menor do que já teve no passado”.

“Chis da Questão”

O deputado federal Francisco Júnior desenvolveu o “Chis da Questão”, um programa que discute onde Goiânia tem errado e quais são as soluções. “Chis” significa “cidade mais humana, inteligente e sustentável”. O parlamentar explica que uma cidade inteligente não é uma cidade tecnológica. “A cidade inteligente é a cidade preparada na gestão para que as pessoas vivam melhor. Oferece um serviço melhor de transporte, de educação, de saúde, de sustentabilidade, de qualidade ambiental e cultural.”

Francisco Júnior diz que pretende apresentar um plano de governo focado na dignidade da pessoa. “Temos de entender a cidade de Goiânia a partir da dignidade das pessoas que vivem em todas as regiões. Essa pessoa tem um transporte digno? Tem um atendimento de saúde digno? Uma educação digna? Tem acesso ao mundo do Século XXI de forma digna? Tem inclusão digital?”, explica o deputado.

De acordo com o parlamentar do PSD, Goiânia precisa enfrentar o aumento da população de rua, a diminuição da perspectiva de emprego, a melhoria da limpeza da cidade. “Se não houver uma interferência de qualidade na condução da cidade, por mais que se faça buraco, trincheira – que não é ruim, é bom -, mas se não tiver um propósito de pensar a vida de quem vive aqui em todos os contextos, a cidade está fadada a ser um auxílio de outras cidades da Região Metropolitana.”

Hora do Executivo

Felisberto Tavares - Foto Antonio Silva Câmara de Goiânia

Vereador Felisberto Tavares (Podemos) diz que não há mais razão para seguir no Legislativo após oito anos como parlamentar e espera trabalhar mais por Goiânia como prefeito | Foto: Antonio Silva/Câmara de Goiânia

Com muitas críticas aos avanços considerados tímidos em diferentes áreas na gestão do Executivo municipal, o vereador Felisberto Tavares (Podemos) diz que chegou a hora de tentar trabalhar mais por Goiânia como pré-candidato a prefeito. Nos quase oito anos como parlamentar, Felisberto diz que pautas como de questões do meio ambiente, transporte coletivo e políticas voltadas para os idosos precisam avançar mais.

“Vamos discutir Goiânia a partir da experiência vivida em dois mandatos para colocar os temas em pauta. Um exemplo é o Plano Diretor, que é de 2007. Até hoje não passou pela reformulação que deveria ter ocorrido em 2017.” O vereador diz acreditar que é preciso criar um planejamento na capital para o desenvolvimento econômico de forma sustentável.

O parlamentar afirma que é preciso mais acompanhamento do poder público para dar organização à formação dos polos existentes na cidade instalados em bairros como Campinas e Norte Ferroviário. Felisberto propõe que a prefeitura incentive e ajude a orientar a formação dos setores econômicos da cidade, sem deixar que regiões sejam sufocadas por falta de infraestrutura.

“Todas as campanhas, não só a do Podemos, vão se dar mais pelas redes sociais. A TV também, mas o tempo é muito exíguo para debater as propostas.” O debate com a comunidade só seria possível se houvesse uma melhora no quadro de evolução do novo coronavírus, de acordo com o vereador.

“É preciso colocar Goiânia no ritmo da modernidade. As questões tecnológicas não podem ser ignoradas. Goiânia necessita de uma política mais atualizada, em sintonia com o que a sociedade requer. É hora de romper com a política tradicional.”

Educação, saúde e transporte

Paulinho Graus - Foto Antonio Silva Câmara de Goiânia

Vereador Paulinho Graus (PDT) quer priorizar a saúde, a educação e o transporte em sua campanha a prefeito de Goiânia | Foto: Antonio Silva/Câmara de Goiânia

O vereador Paulinho Graus (PDT) pretende usar na educação o legado deixado por Leonel Brizola. “Queremos iniciar a universalização das escolas em tempo integral e zerar a filas de vagas nos CMEIs [Centros Municipais de Educação Infantil].” De acordo com o pré-candidato, o PDT iniciou um estudo para avaliar o custo e as condições para melhorar a oferta do serviço municipal de ensino na capital.

O parlamentar diz que já há uma discussão com lideranças evangélicas para analisar a possibilidade de uso dos espaços físicos de 120 igrejas como CMEIs durante a semana. “As igrejas são utilizadas aos finais de semana e poucas vezes durante a semana. Queremos também conversar com lideranças católicas, espíritas e de outras religiões para propor parcerias de uso dos templos na oferta de educação infantil.”

Na saúde, Paulinho Graus lembra que propôs na Câmara de Goiânia a mostrar diariamente a lista das vagas de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “A população está vendo que no mundo inteiro as pessoas morrem por falta de leito de UTI e os governos não tiveram responsabilidade.” O vereador que aproveitar as ideias que deram certo e dar mais transparência ao sistema de vagas, com facilitação do acesso aos serviços de atendimento a saúde.

Novo contrato

Para o parlamentar, o contrato de concessão do transporte coletivo, que vence em 2027, não dá à prefeitura a possibilidade de exigir muito das empresas que operam nas linhas. “São contratos que favorecem as empresas e prejudicam a população.”

Como membro da Comissão de Transporte na revisão do Plano Diretor na Câmara, Paulinho Graus diz que apresentará uma emenda no projeto para que o novo contrato de exploração do serviço de transporte público exija a informação de rastreamento em tempo real do local do ônibus, o horário de chegada do ônibus ao ponto, ar-condicionado e internet nos veículos.

“Faltam quase 5 mil pontos de ônibus em Goiânia. O transporte começa no ponto de ônibus. A má qualidade do serviço começa na falta de um ponto para a pessoa esperar o ônibus passar.” Para fazer a campanha, Paulinho Graus diz acreditar que as ações ficarão restritas a conteúdo na TV, no rádio, na internet, além de carreata e discurso em carro de som para respeitar o distanciamento social.

Escolha em plenária

Manu Jacob - Foto Arquivo pessoal - tamanho site

Professora Manu Jacob foi o nome escolhido para ser a pré-candidata do PSOL em Goiânia na plenária de março, que incluía outro nome na disputa, o da servidora pública Mariana Lopes | Foto: Arquivo pessoal

O PSOL em Goiânia realizou a plenária de escolha da pré-candidata a prefeita no dia 7 de março. A professora Manu Jacob foi a escolhida para representar o partido na chapa majoritária na capital em disputa com a servidora pública Mariana Lopes. “O diretório municipal do PSOL e a coordenação de campanha têm se reunido periodicamente para pensar estratégias e construir um programa para Goiânia da forma mais coletiva possível.”

Manu afirma que o PSOL se reuniu virtualmente há três semanas para definir diretrizes de campanha com o foco no diálogo com a cidade, nas universidades, feiras, escolas e espaços públicos. “Só que a pandemia tem limitado nossa atuação para construir um programa juntamente com a comunidade. Fizemos uma reorganização de nossas mídias digitais, como Instagram, Facebook, Twitter e um site, com realização de lives com profissionais da cidade para discutir os problemas de Goiânia”, explica.

Discussões com a sociedade

De acordo com a pré-candidata, o momento requer discussões com profissionais da saúde, como médicos, enfermeiros e professores universitários para criar possibilidades de enfrentamento à Covid-19 de olho em um cenário de saída da crise sanitária. “Temos um debate acumulado no PSOL dos problemas que Goiânia enfrenta. Mesmo com a opção de fazer o debate com os setores da sociedade, o partido também vai apresentar algumas alternativas.”

Manu Jacob continua: “São prioridades, por exemplo, o transporte coletivo. É um problema crônico. Precisamos ter coragem para enfrentar o problema. É preciso abrir a caixa de Pandora. Não dá para priorizar lucro está se matando para ir trabalhar. Precisamos rediscutir a forma como o transporte coletivo se dá na nossa cidade”. Todas as discussões passarão pela construção da pré-campanha do PSOL, que foi batizada como “Uma Outra Goiânia Possível – A Vida Acima dos Lucros”.

Outra preocupação apontada pela professora é a falta de vagas nos CMEIs, que impossibilita as mães a procurarem um emprego. “Sempre lembrando que a vaga no CMEI é um direito da criança.” Manu diz que há uma necessidade de se discutir de forma séria e responsável a atuação da Guarda Civil Metropolitana, “que hoje cumpre um papel mais de Polícia Militar do que de proteção do patrimônio público”.

Violência

O debate da diversidade será feito de maneira responsável, segundo a representante do PSOL, com políticas voltadas à população LGBT e às pessoas em situação de rua. A violência contra mulheres e crianças é um ponto que preocupa a pré-candidata. “Os dados são muito expressivos.” Manu alerta para a necessidade de redução do feminicídio, inclusive o de mulheres negras. “Eu, enquanto mulher negra, é uma pauta que sempre estará presente nos meus discursos, que é o combate à violência e ao extermínio da juventude negra”, afirma.

Manu diz que o PSOL coloca como uma das preocupações os problemas agravados pela pandemia, como o desemprego e as questões de saúde. “O distanciamento social não é um problema na pré-campanha só para o PSOL. Estamos vivendo um momento atípico em que o Brasil está perto de virar o epicentro da pandemia e o governo federal adota uma postura negacionista da gravidade da Covid-19.”

Atualizada às 15h28 de terça-feira, 26 de maio

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