Discussão entre Balestra e Wilder é disputa interna por espaço político

A crise no partido envolve duas de suas principais lideranças, o deputado federal Roberto Balestra e o senador Wilder Moraes. A guerra entre os dois não deve transbordar para a base aliada

Roberto Balestra quer disputar o Senado, enquanto Wilder Morais, que já é senador, quer continuar sendo

Afonso Lopes

O mais longevo dos deputados federais de Goiás, Roberto Ba­lestra, é um histórico do PP estadual. Ele já foi praticamente tudo dentro do partido, inclusive presidente. Eleito para a Constituinte de 1988, e reeleito outras seis vezes, Balestra sempre foi uma das maiores lideranças do PP. Já o senador Wilder Moraes é um novato, não apenas no partido, mas também na política. Ele herdou o cargo como primeiro suplente do então senador Demóstenes Torres, e era filiado ao DEM. Ao assumir o restante do mandato, e quando percebeu que o deputado Ronaldo Caiado romperia com a base aliada estadual, ele ingressou no PP, recebendo de quebra a presidência estadual.

São eles os personagens da mais recente briga dentro do PP goiano. A história de pequenos conflitos no partido não é nova, e jamais teve grande significância interna.
Normalmente, todas as situações foram superadas sem traumas graves. O desentendimento atual entre Balestra e Wilder é resultado de uma perspectiva de espaço político em relação a 2018.

Candidaturas

Com sete mandatos na Câmara dos Deputados, Roberto Balestra tem pretensões em relação ao Senado. Isso não é novidade no planeta político estadual. O então suplente Wilder Moraes, empresário bem-sucedido, tomou gosto pelo mandato, e quer agora repetir a dose sendo ele próprio o protagonista da candidatura. Essa é a grande motivação do choque entre os dois.

Recentemente, na fase de articulação de sua candidatura, Wilder promoveu um grande encontro com integrantes da base aliada, inclusive com a presença do governador Marconi Perillo, em sua chácara, localizada nos arredores da capital. O encontro acabou se transformando numa espécie de avant première da candidatura dele à reeleição para o Senado. E foi exatamente por essa razão que Balestra reagiu, criando assim um climão pesado entre os dois.

Aparentemente, a guerra pelo espaço interno no PP não deve gerar conflitos suficientes para transbordar em direção à base aliada como um todo. Ou seja, dificilmente a disputa entre Balestra e Wilder vai levar o PP à fase de rompimento com a base, e muito menos algum tipo de renúncia ao grupamento como um todo. Balestra, vale o registro, é um dos pioneiros da grande união da então oposição ao PMDB, em 1998, que resultou na vitória de Marconi Perillo a governador. Apesar dos enguiços que acontecem ao longo dos tempos em toda relação política entre partidos aliados, o PP e a corrente majoritária da base aliada jamais foi seriamente abalada ou ameaçada. Provavelmente, também agora não será.

Por outro lado, essa disputa revela que o quadro geral dentro da ampla base que domina o cenário político-partidário estadual não terá costura simples. É possível identificar pelo menos cinco pretendentes ao Senado, diante da possibilidade de apenas uma vaga ser oferecida, já que há a consideração natural de que uma das duas vagas a serem disputadas nas eleições de 2018 estará disponibilizada, se for o caso, para o governador Marconi Perillo. A senadora Lúcia Vânia, do PSB, eleita em 2002 e reeleita em 2010, quer carimbar o passaporte para mais oito anos no Senado. No PSD, o ex-deputado federal Vilmar Rocha, que disputou e perdeu para o senador Ronaldo Caiado em 2014, diz que vai disputar o governo ou o Senado. Para o governo já existe a candidatura natural de José Eliton. Resta o Senado, portanto. No PR, a deputada federal Magda Mofatto trabalha desde a sua eleição visando o Senado. No ano passado, ela bancou o nome do também deputado Delegado Waldir a prefeito de Goiânia para se reforçar. Perdeu a aposta com a derrota de Waldir para Iris, mas sua pretensão de ser candidata a senadora não foi abalada. O presidente regional do PTB, deputado federal Jovair Arantes, completa essa lista, além, é claro, dos atuais “brigões” do PP, Balestra e Wilder.

Há, portanto, uma enorme tarefa de tessitura política na base aliada estadual para acomodação de tantos interesses políticos. Isso significa trabalho extra para aquele que deverá ser o candidato à reeleição ao governo, José Eliton — que deve herdar o Palácio das Esmeraldas após desincompatibilização do governador — e, principalmente, do grande fiador e referência eleitoral da base, o próprio Marconi Perillo.

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