O não envolvimento direto e constante do governador Marconi Perillo na definição de candidaturas a prefeito pela base aliada não significa distanciamento político-eleitoral

Afonso Lopes

O governador Maroni Perillo não vai participar das eleições municipais deste ano, devendo se concentrar somente nos afazeres da administração do Estado. A frase faz algum sentido para quem percebe que todas as atitudes no mundo político visam exatamente a agitação política dentre os vários grupos que objetivam constantemente alcançar ou manter o poder através das urnas? Certamente, não. E, a despeito do entendimento que se pode ter da tal frase, o fato de que o governador não pretende se envolver diretamente no processo de escolha dos candidatos a prefeito dos partidos que fazem parte da base aliada nem da luta pela conquista do voto do eleitor, está muito longe de significar omissão no processo eleitoral deste ano. A questão central é que o principal estrategista político da base, o próprio Marconi, além de seu staff mais próximo, sabem que essa ajuda é muito mais efetiva se ele se mantiver focado na administração do Estado, principalmente num momento em que a crise empurra as finanças públicas brasileiras para uma situação de permanente alerta vermelho.

Base contra base

Além do apelo ao eleitor ser muito mais ativo com o Palácio das Esmeraldas concentrado, mesmo em um ano de disputa eleitoral, há inúmeras outras questões que obrigam o governador a se manter neutro nas questões domésticas da base aliada. Na maior parte das cidades do interior, a eleição de prefeito vai se definir entre dois ou até mesmo três candidatos de partidos pertencentes à base de sustentação do governo. Ou seja, qualquer um deles que conseguir ser eleito vai significar exatamente a mesma coisa: a vitória da base aliada. Então, por que interferir num processo que acaba sendo muito importante para a oxigenação interna da enorme base partidária montada por Marconi ao longo do tempo? Esse foi o erro, inclusive, cometido pelo maior partido oposicionista, o PMDB, a falta de renovação ou de fortalecimento das bases municipais.

Alguns oposicionistas, ávidos por motivação, garantem que o Palácio das Esmeraldas percebeu um enorme mau humor do eleitor por causa das dificuldades administrativas e a solução é “esconder” Marconi como principal inspirador das muitas correntes partidárias da base.

Não se sabe exatamente como esses opositores chegaram a essa conclusão. Por pesquisas científicas é que não foi. Todos os indicativos feitos pelos institutos para consumo interno não apenas do governo como de alguns partidos da base revelam exatamente um quadro oposto a esse pintado pela oposição. De maneira geral, o eleitor sabe que o desempenho do governo é aquém do que ele esperava, mas tem entendimento majoritário de que as dificuldades não surgiram no Estado, mas como reflexo da crise econômica que assola o País.

É exatamente nesse entendimento da população que está a outra ponta da opinião pública. Se a situação administrativa é preocupante o suficiente para se exigir atenção em tempo integral do governador Marconi Perillo, e vem sendo tratada exatamente com esse grau de atenção desde o final de 2014, numa antecipação do vendaval que veio depois, durante o ano de 2015, o eleitorado majoritariamente quer ver o governo concentrado na tarefa administrativa, e não na luta do varejo atrás do voto.

Mas não é temerário “abandonar” a eleição deste ano, que servirá de lastro para a disputa estadual de 2018? Esse é o ponto: o Palácio entende que não há abandono, e que ajuda muito mais mantendo uma firme postura de vigilância e equilíbrio fiscal do que passando a imagem de que a eleição é mais importante do que administrar. E esse não envolvimento direto no processo de definição de candidaturas está longe de significar omissão política, mas mostra a dimensão que a base aliada estadual conseguiu ao longo das últimas eleições, permitindo assim uma participação muito mais objetiva do principal cabo eleitoral do grupamento, que é o governador Marconi Perillo. O Palácio monitora com lupa a situação política e a perspectiva eleitoral em cada cidade, e vai construindo o formato ideal de intervenção sem criar falsas expectativas de que está em curso campanha eleitoral do próprio governador.

De fundo, esse posicionamento estratégico do ponto de vista eleitoral é resultado direto do amadurecimento político do governo como um todo. E atende positivamente e de forma absoluta também uma impressão negativa que o eleitor sempre tem e teve dos políticos em geral, de que ao terminar a eleição tem início o procedimento para a próxima disputa. Este ano, o Palácio será muito mais discreto, e pode fazer isso porque construiu uma hegemonia que permite essa situação. E também porque agindo assim a ajuda aos candidatos da base tem resultados muito mais práticos. Os tempos do “vote neste” ou “vote naquele” envelheceram. É coisa do passado. A meta é concentrar na administração, interferir politicamente nos momentos decisivos e receber o voto como resultado desse trabalho. l