Derrota de Iris no diretório não renova o partido

Afastar Iris do poder interno é o maior efeito da acachapante vitória da chapa maguitista, com mais 70% dos votos, na eleição do novo diretório estadual

Afonso Lopes

Dentre os grandalhões da política partidária de Goiás, o PMDB tem hoje o mais jovem presidente regional. A chapa encabeçada pelo deputado federal Daniel Vilela “tratorou” os iristas representados pelo ex-presidente e ex-prefeito de Bom Jardim Nailton Oliveira, ao receber nada menos que 73% dos votos. É a primeira vez que isso acontece desde 1982, quando Iris Rezende assumiu a rédea no partido. Nem no período em que o Estado foi governado por Henrique Santillo (falecido), entre 1987 e 1990, e por Maguito Vilela, entre 1995 e 1998, Iris foi destronado. Isso agora é passado.

Ainda assim, a eleição de Daniel está longe de representar uma renovação nas relações internas do PMDB estadual. Ao contrário, o método, inclusive esse que resultou em vitória, é exatamente o mesmo adotado ad aeternum pelo próprio Iris. O comando mudou de mãos sem que isso tenha representado alguma forma de oxigenação interna.

Basta observar a relação de candidaturas do PMDB ao governo do Estado nos últimos 22 anos para perceber que trocar iristas por maguitistas por si só não oxigena as ações internas. Só houve espaço para Iris Rezende e Maguito Vilela na disputa pelo governo. Daniel é filho de Maguito, e nada mais é, politicamente, do que o prosseguimento dessa importante linhagem política. E sua vitória agora abre, sem dúvidas, a possibilidade de ele próprio vir a ser o candidato do partido em 2018. Ou ele, ou o pai dele.

Oxigenação

Desde meados da década de 1990 o PMDB fala sobre renovação interna. Já se percebia desde então que o jeito de se fazer política internamente precisava mudar. Durante toda aquela década a palavra da moda peemedebista era oxigenação. Mas sempre ficou apenas no auê. E o que era “velho” naqueles tempos, continua arcaico atualmente.

O PMDB jamais cedeu espaço para seus aliados. Nesse ponto, o partido é uma caixa hermeticamente fechada em seu próprio eixo orbital. Os demais partidos servem tão somente para compor forças, e não para protagonizar. Mesmo recentemente, quando abriu mão de candidatura a prefeito de Goiânia para o PT, de Paulo Garcia, em 2012, foi por falta de alternativa. Paulo estava em processo de reeleição e Iris se resguardou para a disputa estadual de 2014. E ao apoiar a candidatura do senador Ronaldo Caiado, do DEM, foi igualmente por não contar com nenhum outro nome em condições de disputa, além do fato de que o partido precisava acrescentar na coligação que visava o governo.

Para ficar num clássico exemplo de antagonismo, essa situação do PMDB é exatamente outra quando comparada ao PSDB. Em Goiânia, por exemplo, o partido deixou de lançar candidato próprio a prefeito desde 2000. Nesse período, apoiou o PP duas vezes e o PTB em uma. No governo estadual, além das quatro vitórias de Marconi, na única vez que ele não foi candidato, o partido entregou a bola e o jogo de camisa para o PP.

A troca de comando do PMDB estadual, portanto, com a saída de iristas e a entrada triunfal de maguitistas pela porta da frente, escancarada por votação massacrante, representa muito mais do a possibilidade de renovar, ou oxigenar, o partido internamente. Mostra uma necessidade que vai se fazer perceber cada vez mais intensamente nos próximos anos.

O partido terá que forçosamente mudar a forma do debate interno a fim de favorecer o surgimento de novas lideranças, inclusive aquelas não alinhadas com um ou outro grande grupo. Em tese, essa é a única forma de o PMDB goiano conseguir sobreviver sem a enorme e protetora presença, que se tornou incômoda, de Iris Rezende. Se não conseguir mudar a estrutura de poder interno, o PMDB terá mudado a idade do líder, mas será menor do que a sombra daquele que sempre esteve à sua frente.

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