Daniel é o novo, mas não consegue unir o seu PMDB

O jovem deputado federal é, em tese, a renovação tão ansiada no partido, mas está longe de ser unanimidade como pré-candidato ao governo e sofre resistências principalmente dos prefeitos das maiores cidades comandadas pela sigla

Deputado federal Daniel Vilela: pré-candidato do PMDB é elogiado
pelos peemedebistas, mas não é unanimidade entre os correligionários

O PMDB goiano tem uma das maiores estruturas e o maior número de filiados no Estado. São mais de 40 prefeituras (só perde para o PSDB), sendo 8 entre as 20 maiores cidades. Por essa razão, dizem muitos de seus integrantes, não pode abrir mão de ter a cabeça de chapa na sucessão estadual. Um dos que pregam essa tese é o próprio presidente do partido, o jovem deputado federal Daniel Vilela.

Ex-prefeito de Aparecida Maguito Vilela: ele já foi mais incisivo sobre o PMDB ser cabeça de chapa

E Daniel saiu à frente como pré-candidato do PMDB ao governo. Com a influência do pai, o ex-governador Maguito Viela, uma boa parte do comando partidário “fecha” com Daniel, um jovem político que, em tese, significa a renovação do partido, que nas últimas cinco eleições só teve dois nomes na disputa estadual, Iris Rezende e o próprio Maguito.

Aliás, Maguito já defendeu que PMDB ‘brigue’ apenas pela vaga de candidato a governador — que ele reiteradamente diz ser do filho — ao fazer alianças com outros partidos de oposição ao governo para compor a chapa que vai disputar as eleições no ano que vem. E chegou a defender que o PMDB deve ter apenas o governo, sendo a vice e o Senado para outros partidos aliados.

O problema é que Daniel Vilela ainda não conseguiu unir o PMDB em torno de seu nome. E não fe­chou porque há outro nome na jo­gada, o do senador Ronaldo Caiado, do DEM. Caiado é também pré-candidato ao governo, num trabalho que começou no dia seguinte à vitória para o Senado, em 2014, numa cam­panha em aliança com o PMDB.

Senador Ronaldo Caiado: o líder democrata conta com a simpatia de uma ala importante do PMDB

O líder ruralista quer a continuidade dessa aliança no ano que vem, com ele, Caiado, na cabeça de chapa. O PMDB é crucial para o líder do Democratas, partido que se tornou nanico em Goiás, com pouca capilaridade no interior e praticamente sem representatividade. Caiado tem nas pesquisas de intenção de votos, que ele lidera, um trunfo importante para amarrar a aliança com o PMDB.

E aqui, é bom fazer um pequeno um mergulho na história. Desde 1998, o PMDB goiano vem perdendo as eleições para o governo estadual. São cinco derrotas seguidas e, em 2018 completam-se 20 anos de alijamento contínuo do poder no Estado. O grande “culpado” por essa situação, não há dúvidas —e nem os peemedebistas contestam —, tem nome: Marconi Perillo.

À frente de uma ampla coalizão, o tucano venceu as quatro eleições em que enfrentou diretamente o PMDB (1998, contra Iris Rezende; 2002, contra Maguito Vilela; e 2010 e 2014, ambas novamente contra Iris Rezende) e em 2006 “carregou nas costas” a pesada candidatura de Al­cides Rodrigues (então no PP), que bateu Maguito Vilela. No ano que vem, o “terror” Marconi Perillo não poderá disputar o governo e mui­tos peemedebistas acreditam que agora o partido poderá reaver o poder.

Peemedebistas já se manifestaram no sentido de que o nome governista colocado para a disputa no ano que vem, o vice-governador José Eliton, não é “pesado” como Alcides Rodrigues. Pelo contrário, reconhecem que se trata de um político também jovem e com domínio técnico absoluto dos programas e ações do governo estadual, o que muito o ajudará na campanha.

Nesse sentido, se a oposição não trabalhar direito, com Eliton apoiado por Marconi Perillo, o tucano-chefe poderá, mais uma vez, emplacar seu aliado, batendo os peemedebistas pela sexta vez consecutiva. O resumo dessa situação é que a oposição, e dela o PMDB é o principal partido, não pode errar.

Daniel Vilela tem o apoio de uma boa parte da sigla, a exemplo do prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha, sucessor de Maguito. Mas outra parte não “fechou” com o deputado. E o pior, que nessa parte estão prefeitos de cidades importantes, ou seja, cabos eleitorais fundamentais para sedimentar a pré-candidatura que depois se tornará candidatura efetiva. Estão nesse time Adib Elias (Catalão), Paulo Vale (Rio Verde), Ernesto Roller (Formosa) e o decano Iris Rezende (Goiânia), que nunca escondeu sua preferência por apoiar o projeto majoritário de Ronaldo Caiado.

Quando questionados, nenhum desses prefeitos admite claramente que é contra a candidatura de Daniel Vilela, pelo contrário, até louvam a capacidade e a juventude do deputado e diz que ele tem condições de disputar, de vencer e, nesse caso, fazer um bom governo.

Mas eles dizem ou deixam a entender claramente que Ronaldo Caiado tem mais condições de construir a vitória contra o candidato governista que terá o apoio de Marconi. Na semana passada, o jovem prefeito peemedebista de Turvânia, Fausto Maria­no, saiu a público para ma­nifestar sua preferência pelo senador democrata, em longa entrevista ao “Diário da Manhã” (trecho no quadro ao lado).

Prefeitos peemedebistas pró-Caiado

Adib Elias (Catalão)

O PMDB tem um grande pré-candidato, que é Daniel Vilela. Poucos deputados conseguiram, em apenas três anos, trafegar com tanta desenvoltura em Bra­sília como ele. É correto, íntegro, foi vereador, foi deputado estadual, agora é federal, então tem tudo para ser um grande candidato a governador.

Mas defendo que as oposições têm de seu unir, senão corre o risco de perder mais uma vez. Independentemente de ser Ronaldo Caiado ou Daniel Vilela, temos de sentar e ver o nome melhor, aglutinar forças. Se fizermos isso vamos ganhar a eleição, mas temos de estar juntos, PMDB, DEM e outros partidos de oposição. Se for Daniel, eu vou ficar muito alegre. Se for o Caiado, não tem problema, nós queremos é ganhar a eleição. Aliás, o senador sugeriu formarmos um colegiado para escolher o nome. Se Daniel estiver melhor, Caiado vai pegar na mão dele.

O que não podemos neste momento é um ficar falando mal do outro, isso não agrega. Não podemos errar. Não é brinquedo, estamos enfrentando um governador que sabe jogar o jogo político, é experiente, uma águia na política. Se errarmos de novo, ele ganha outra vez.
Temos um grupo de prefeitos de cidades maiores que querem esse entendimento, estamos participando como medidores. Queremos que Daniel e Caiado se sentem e analisem o que é melhor e continuemos juntos. Nossa divisão só interessa ao atual governo.

Ernesto Roller (Formosa)

Foto: Fernando Leite

Vejo no Daniel todas as qualidades, se não visse eu já te­ria dito. Mas política não depende apenas da vontade pessoal. Ele tem todo o direito de querer ser candidato a governador, mas ninguém é candidato de si mesmo.

Nunca dei declaração pró-Caiado, mas também não fiz menção desairosa a ninguém. Em recente encontro do PMDB vi pessoas atacando o senador. Não se constrói política agredindo as pessoas. E digo que não se pode desconhecer a força que é o senador Caiado na política em Goiás. Ele é uma referência nacional.

Caiado ajudou o PMDB, ajudou Iris a ser prefeito de Goiânia em 2014. Ele esteve com o PMDB no Estado inteiro, inclusive aqui em Formosa, e ele tem me ajudado muito. Cobrar fatura de Caiado agora é coisa de menino, de quem não dialoga e quer ganhar as coisas de mão beijada. E tem mais: Caiado foi o único homem que nos últimos 20 anos conseguiu derrotar a estrutura de Marconi Perillo. E é isso que queremos de novo.

O que sempre defendi é a definição na hora certa e de forma conjunta entre não só o PMDB e o DEM, mas também dos outros partidos de oposição, no compromisso de um projeto comum. O nome seria o próximo passo a ser dado entre os próprios pré-candidatos. Política é arte de agregar. Defendo o diálogo. É preciso conversar e aí podem até surgir outros nomes. E nesse particular, posso dizer que vi muitas tentativas de diálogo com o deputado Daniel, que sempre se recusou a isso. Esse é um fato e sou testemunha. Até aqui, Daniel tem se recusado a conversar.

Não adianta o PMDB ter cabeça de chapa e perder a eleição. Nos últimos 20 anos, o PMDB sempre teve cabeça de chapa e perdeu. Esse discurso é estúpido. Mais importante que ser cabeça de chapa é a construção de uma ampla aliança com apelo popular.

Paulo Vale (Rio Verde)

Daniel tem o meu apoio como pré-candidato do PMDB ao governo. Mas eu prego a união das oposições e que até março nos reu­namos, e se Da­niel foi o melhor nome para ganhar a eleição, então que seja ele. Eu jamais disse que ele não seria um bom nome.

Além da pesquisa quantitativa, a qualitativa também é importante para ajudar a definir o nome, para sabermos o perfil de candidato que a população está querendo. E para sentirmos o desejo dos eleitores nas cidades.

O que não podemos é perder a eleição. E a oposição tem tudo para vencer em 2018. Daniel precisa do senador Caiado, e o senador também precisa do apoio do Daniel. Temos de nos unir. Quanto à cabeça de chapa, não acho que deve ser necessariamente do PMDB. E não estou prejulgando que Daniel Viela não tenha condições, repito que o considero um bom nome, é novo, moderno.

Mas para ganharmos a eleição, temos de unir a oposição e, principalmente, contarmos com o senador Ronaldo Caiado. Que não deve nada ao PMDB, porque ele também ajudou o partido quando fez aliança e ganhou para o Senado.

Temos de nos unir, nos despir de vaidades, nos reunirmos num colegiado para a escolha do melhor nome, e aquele que tiver condições de ganhar a eleição será o cabeça de chapa. Não podemos fechar questão agora, no final do ano. Em março vamos definir. Pode ser Daniel, pode ser Caiado, pode ser um terceiro nome. Seja quem for, temos de fazer uma frente de oposição para ganhar o governo. Não podemos nos dividir, lançar dois nomes, aí não vai funcionar. Se fizermos isso, será derrota de novo.

Fausto Mariano (Turvânia)

Na minha opinião, sem sombra de dúvida, o senador Ronaldo Caiado é o pré-candidato mais preparado. Constata-se isso pela sua experiência como deputado federal por vários mandatos, por ser senador da Repú­blica, por sempre ter sido um dos po­líticos mais influentes e respeitados do Brasil, pela sua honestidade, ética como tem pautado suas ações, coerência, por apresentar um forte, verdadeiro e coeso discurso de oposição, pro possuir rara história de política ilibada e sem manchas de corrupção, pela vasta experiência em Brasília, por debater qualquer tema sociopolítico e econômico do Estado de Goiás e do Brasil, por estar realizando encontros com partidos de oposição e não somente com o Democratas, demonstrando espírito de grupo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.