Covid-19 já deu mais de R$ 10 milhões em prejuízo para o turismo em Goiás, estima associação

Setor de Turismo é um dos mais impactados pela disseminação do novo coronavírus no mundo. Municípios goianos param a atividade

Parque Estadual de Terra Ronca, em São Domingos (Go), é um dos mais belos destinos turísticos da América Latina / Foto: Reprodução

O setor turístico é um dos mais impactados em todo o mundo com a propagação da Covid-19. Com o decreto 9.637, publicado no Diário Oficial do Estado na última terça-feira, 17, o Governo de Goiás estabeleceu diversas regras para o funcionamento de estabelecimentos. Com isso, diversos atrativos para turistas, como feiras livres, restaurantes, clubes, polos comerciais, parques de belezas naturais, entre vários outros locais estão com seu funcionamento suspenso nos próximos dias.

Em meio aos decretos do governador, os diversos municípios do Estado também publicaram regras para regulamentar o funcionamento de todo tipo de estabelecimentos nos próximos dias. Com isso, o Turismo em Goiás deve ficar estagnado, no mínimo, pelos próximos 15 dias. Com a dinâmica da doença, especialmente no Brasil, que ainda não atingiu o pico da disseminação do SARS-COV-2, o prazo pode sofrer diversas alterações.

Hotéis

De acordo Fernando Carlos Pereira, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiás (Abih), o trade turístico foi o maior impactado pela doença, tanto no Brasil como no mundo. “A nossa noção é em nível do trade em Goiás. Já passou de R$10 milhões de prejuízo neste período de aparecimento da doença, incluindo hotéis, bares e restaurantes, eventos cancelados, agências de turismo (que tiveram reservas canceladas)”, informou. “Todo o trade está fazendo a campanha para que esses clientes não cancelem, mas remarquem para um futuro breve. Que se programem novamente para vir passear em nosso Estado e aquecerem o turismo”, falou.

Sobre as expectativas em cima de quanto tempo o setor ficará parado, o presidente da Abih se mantém positivo. “Estamos otimistas. Se Deus quiser, será breve, com o comportamento de todos nós, atendendo as reivindicações do governo para que esse vírus não contagie mais gente. Ainda temos um período aí de 20 a 30 dias do pico, mas se nós nos comportarmos quietinhos em casa, curtirmos a família e os parentes, filhos, esposa, mãe, pai… Depois retomamos e o turismo vai voltar com força. Isso é o que repassamos aos nossos clientes, para que remarquem para um futuro próximo”, falou.

Desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil, as reservas já sofreram o baque. “A estimativa, no começo da semana, era de 60% de cancelamentos e adiamentos. Agora já chegamos na casa de 80%. Provavelmente, conforme for o decreto do fechamento geral, incluindo hotéis e pousadas, aí não terá como, será 100%. Estamos preocupados com isso, por isso essa campanha do trade. A rede hoteleira é uma rede de comunicação, porque nossos turistas entram em contato para saber como está a questão das reservas e do destino turístico e damos essas informações no contato com o turista”, disse ao Jornal Opção.

No entanto, a paralisação do turismo não significa que os trabalhos da associação estão parados também. “A Abih criou de medidas de prevenção e controle do coronavírus no meio de hospedagem. Apresentamos aos hotéis todos esses cuidados, tanto com os hóspedes quanto com os colaboradores, na higiene e tudo. O procedimento está bem assimilado. Apresentamos para a Equipe de Vigilância Sanitária do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância e Saúde, que nos atendeu muito bem, fez a análise do documento, chancelou com o logo e disponibilizamos esse material para toda a rede e todos que tiverem interesse em acessar sobre esse material de orientação.”

“Já foi feita reivindicação, tanto em nível municipal, estadual quanto federal de crédito para capital de giro, redução monetária de alíquota, mediação junto ao Procon por uma política mais solidária de negociação, em caso de cancelamento”, citou Fernando sobre as alternativas buscadas para ajudar o setor.

Turismos suspensos

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi um dos primeiros a comunicar a suspensão das atividades. Em nota, publicada na terça-feira, 17,  foi informado que o local ficaria fechado por uma semana, com possibilidade de prorrogação deste prazo.

“A determinação foi feita pelo Presidente da República e informada pelo Ministério do Meio Ambiente por meio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. É válida para todas as Unidades de Conservação Federais com o intuito de minimizar riscos de contaminação e disseminação do Coronavírus”, disse a nota do parque.

Em Caldas Novas, a prefeitura determinou o fechamento dos clubes da cidade por 15 dias. Além dos clubes, foram canceladas as aulas, suspensas as feiras, visitas em presídios e o fechamento de shoppings e polos comerciais. O decreto passou a valer na última quinta-feira, 19.

Procissão do Fogaréu, em Goiás, foi cancelada pela primeira vez em mais de dois séculos | Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Além de Caldas Novas, diversas outras opções tradicionais do turismo goiano estão sendo canceladas ou adiadas como prevenção à contaminação pelo novo coronavírus. O Governo de Goiás determinou a suspensão do sorteio de barracas para a festa do Divino Pai Eterno. Ainda não há previsão de quando será retomado. Já a Procissão do Fogaréu teve seu primeiro cancelamento documentado em séculos de evento. A festa, que aconteceria na segunda semana de abril, existe desde 1745, e não tinha histórico de suspensão da agenda. Todos as celebrações vinculadas à Semana Santa da Cidade de Goiás ficam canceladas, de acordo com a Organização Vilaboense de Artes e Tradições (OVAT).

São Simão

Em São Simão, a prefeitura decretou o fechamento do local de camping às margens dos lagos. “Estamos seguindo à risca os decretos. Tivemos uma reunião nesta semana com o prefeito, o promotor e a segurança pública. Quanto à visitação aos lagos de São Simão, a praia é grande e, por isso, não tem barreiras de fechamento, mas a PM irá fiscalizar aglomerações de pessoas. Se houver, vão pedir para se retirarem das margens do lado. A área de camping, que recebe turistas para acampamentos, estará completamente fechada. Não haverá acesso. É questão de bom senso. Temos uma preocupação grande com a saúde de todos”, informou a secretária de Turismo e Meio Ambiente de São Simão, Danila Soares.

“Algumas pessoas têm nos ligado, interessadas em vir para a área de camping. Conseguimos fecha-la, está trancada por uma determinação do MP. Elas ligam e explicamos que, quando passar essa situação, a praia irá funcionar normalmente no decorrer do ano. Nosso decreto de São Simão foi firmado até 17 de abril. Pessoas querem vir para o feriado. Estamos indicando que elas não precisam vir. Vão se deparar com locais, bares, a própria praia que tem bares ao redor, todos fechados”, afirmou a secretária.

Danila fez questão de frisar que a polícia realizará fiscalização em toda a cidade para averiguar se há bares, restaurantes ou outras aglomerações de pessoas pela cidade. “Elas serão mandadas para casa”, concluiu.

Pirenópolis

Em Pirenópolis, a prefeitura suspendeu o funcionamento de hotéis e proibiu excursões e passeios pelos pontos naturais da cidade, como cachoeiras, rios e parques. Para o prefeito João do Léo, a medida é extrema, mas precisou ser tomada. “Cabe a nós tomas as providências antes que a situação piore”, afirmou a um veículo da capital.

Em Rio Quente, as atividades turísticas também ficam suspensas pelos próximos 15 dias, com possibilidade de aumento desse período. “Neste momento importa a questão da vida. Não é uma brincadeira, vivemos um caos que já está instaurado no mundo. As precauções tem que ser tomadas conforme decisão do governador. Poucos empreendimentos ficarão abertos mediante a situação que estamos vivendo. É necessário como prevenção. A decisão é para 15 dias, mas não sabemos ainda se isso vai ocorrer dentro desse prazo. É um tempo de observação, de ver como isso tudo vai se resolver no Brasil”, informou a secretária de Turismo do município, Rita de Cássia.

“O ministro de Turismo já se viabilizou nas questões trabalhistas e quanto a linhas de crédito, para que a gente sofra o menor impacto possível. A gente sabe que vai haver necessidade muito grande. O ministro já está trabalhando nesse sentindo. É nessa linha que vamos buscar conhecimento e levar aos empresários quais caminhos para que se tenha impacto menor”, falou ao Jornal Opção.

“Esse é um dos piores momentos vividos. Nosso município sofre bem rápido, por se tratar de uma cidade turística. Recebemos 1,6 milhão de turistas por ano. Nossos empregos são todos voltados para o turismo. Esse caos já chegou em nosso município, mas no que tiver dentro da nossa possibilidade vamos fazer para prevenir e conscientizar a necessidade de isolamento social. O primeiro momento é evitar o alastramento. O segundo é trabalhar essas linhas de melhorias para sofremos esse impacto ao mínimo”, afirmou.

A Goiás Turismo informou ao Jornal Opção que todos parques nacionais também estão fechados. Isso também engloba o Parque Nacional das Emas. Já quanto aos parques estaduais, o possível fechamento está sendo avaliado pela Semad, mas a agência já comunicou o fechamento do Parque Estadual de Terra Ronca.

Medidas para conter o impacto

O impacto neste setor deverá ser grande. Para tanto, a Goiás Turismo apresentou algumas medidas que serão tomadas para reduzir os prejuízos. “O turismo é um dos setores mais afetados em todo o mundo. Ainda não temos um levantamento no Estado porque a crise é recente. O Observatório do Turismo, da Goiás Turismo, está monitorando o cenário. A crise compromete o futuro de mais de 60 mil trabalhadores, que têm atividades associadas ao Turismo”, comunicou a agência.

“A recomendação da Goiás Turismo é para que os empresários cumpram o decreto do governador. A autarquia vai disponibilizar, de imediato, R$15 milhões em linhas de crédito específicas para o trade. A previsão é liberar, já na próxima semana, os recursos para capital de giro de bares e restaurantes. As linhas de crédito irão para pagamento de funcionários. No segundo momento, outros segmentos também serão beneficiados, entre eles, organizadores de eventos e meios de hospedagens”, assegurou.

“A autarquia negocia a liberação de mais R$10 milhões para as empresas ligadas ao Turismo. Goiás Turismo também busca negociação de dívidas das empresas e a não corte de água e energia. Outras ações, junto com o Ministério do Turismo, estão sendo discutidas”, informou.

Orientações aos empresários do setor turísticos são disponíveis por teleatendimento, pelo número (62) 3201-8139 e 3201- 8150. “A Goiás Turismo tem divulgado a campanha, realizada pelo trade turístico, que recomenda aos turistas que apenas adiem a viagem. A campanha “Não Cancele. Remarque. A Pandemia passa. O turismo não!” é para que os viajantes não desistam dos sonhos”, afirmou a autarquia.

 

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