Covardia

É a classificação que se dá para atitudes de quem precisa justificar suas próprias incongruências ao tentar denegrir o correto

Imagem: reprodução

Patrícia Moraes Machado

Não há nada mais infantil na atitude de um homem do que utilizar o já sabido método do deslocamento de culpa. Nestas eleições que estamos vivenciando, então, parece ser peça motriz de quase todos os personagens. Princi­pal­mente daqueles que vivem como parasitas e na expectativa de assim seguir, aliás, como sempre foram, de quem possa se tornar o próximo governador de Goiás.

Impressiona como a prática política em nosso Estado continua sendo a mesma, quando o País, e Goiás não é uma ilha, de ações sem nenhum propósito de avanço. Por aqui ainda se vive a prática do terror, da perseguição, da ameaça. Uma verdadeira falta de respeito para com o tempo do conjunto, ou seja, da sociedade, como para si próprio, porque em nada costuma acrescentar.

Falar de perseguições que sofreu no passado ou de palavras que vêm do além é fácil quando o objetivo é construir sua própria biografia sustentada nestes dois pilares. Difícil é admitir a geração de filhos para serem entregues ao poder; o conluio com o poder na tentativa de fechar jornais no passado; é perder a identidade jornalística ao ficar 16 anos defendendo um projeto como sendo o melhor para Goiás e o PT para o Brasil, e logo na simples e ligeira percepção de uma virada na página da história escrever tudo às avessas. Que brilhante jornalismo é esse que não sustenta suas próprias escolhas e só sabe se manter na sua própria vitimização?

Há quase três anos, na disputa pela Prefeitura de Goiânia, o Jornal Opção, como assim o faz em todas as campanhas eleitorais durante os seus já quase 43 anos de história, se posiciona. Define, claramente, qual a sua linha editorial em relação aos candidatos colocados em cada pleito. Como também fazem todos os grandes jornais europeus e americanos (e, no Brasil, pelo menos a “CartaCapital”). Não há nada de amoral e antiético nisto. Muito pelo contrário, isto é sim o posicionamento mais correto a se assumir diante de um embate que irá definir o futuro de um Estado ou de um país. E tendo o jornal como seu fundamento ajudar a informar o eleitor para que o mesmo forme a sua própria opinião, costumamos fazer este trabalho com inquestionável capacidade, admitida até mesmo por aqueles que recebem as nossas críticas. Donos da verdade? Jamais, tampouco vítimas do processo político. Somente nos posicionamos, e procuramos apresentar a verdadeira notícia e, por se tratar de um jornal analítico, interpretá-la, sem pretensão dogmática. Tanto que podemos receber processos pelo peso da nossa caneta, ops, pelo peso do nosso teclado, mas jamais por escrever inverdades.

Voltando às eleições de 2014 para a Prefeitura de Goiânia: o Jornal Opção alertou, em vários artigos de análise e reportagens, quanto ao prejuízo de Iris Rezende para a capital goiana. Junto com Iris Rezende, concorrera Vanderlan Cardoso, que, sem sombra de dúvida, faria uma gestão inovadora para a capital. Condizente com o seu perfil atual, e suas demandas para o futuro. Mas, alimentado pela política pequena e confundido pelo certeiro marketing do hoje prefeito Iris Rezende, o eleitor se apequenou no seu po­der de decisão ao acreditar que Vanderlan Cardoso seria submisso a Marconi Perillo, então governador.

Naquela eleição já se sabia do inevitável desgaste que o então governador Marconi Perillo e seu grupo sofriam devido aos seus 16 anos à frente do governo de Goiás; o Brasil também já vivia o desmanche petista; daí a onda dos mitos e salvadores brotarem como mágica. E junto, seus seguidores que insistem em pensar nosso Estado, e consequentemente a nossa política, de maneira rasa e rasteira.

Rasa porque negar o legado do líder tucano Marconi Perillo para Goiás é o mesmo que rasgar a história de nosso Estado. E aqui não se está fazendo um jornalismo piegas, porque, segundo alguns críticos, o Jornal Opção estaria recebendo fortunas para escrever um artigo como este. Não, definitivamente, não é este o objetivo. Negar Marconi Perillo é negar o Crer, Huapa, Hugol, UEG, Bolsa Universitária, projetos sociais que se tornaram referência em todo o País. É negar, sim, que Goiás passou a interferir diretamente na política nacional e fomentou a nossa economia. É negar que o Brasil ainda passa por uma das maiores crises financeiras de sua história, e que Goiás permanece de pé. Há alguns ou vários senões a serem feitos? Lógico, mas daí dizer que foram anos perdidos é um erro de seus adversários políticos e de quem utiliza as páginas de seus jornais alterando a sua própria história por conveniência.

A este papel o Jornal Opção, definitivamente, não irá se submeter. Temos uma história de coerência e reiteração do nosso papel como veículo de comunicação que sempre se balizou em defesa de projetos de governo que fossem melhores para o Estado de Goiás. Para nós, Goiás e seus cidadãos estão acima de partidos e ideologia.

Por tudo aqui escrito é que, nesta eleição, o jornal definiu mais uma vez sua linha editorial. O que não quer dizer que somos contrários ao senador Ronaldo Caiado (DEM), como seus recém-amantes — sim, amantes, já que trocam de lado em suas defesas viscerais de acordo com suas necessidades imediatas — tentam vender para os quais, no momento, trabalham.

Não há dúvida que o senador Ronaldo Caiado é um político relevante da nossa história e que merece o reconhecimento pelo seu trabalho em defesa dos interesses de Goiás em Brasília. No entanto, nem mesmo ele consegue enumerar ações diretas para beneficiar a sociedade goiana. Fala somente de ações genéricas que foram aprovadas no Senado ou na Câmara, e que levaram benefícios gerais para a nação, mas em particular para Goiás apenas alguns recursos para três ou quatro hospitais. Mas isso não o desabona. O que se deve questionar são as poucas vezes em que Ronaldo Caiado esteve nas páginas dos jornais com projetos e realizações — e não com ataques. O que se deve analisar é a distância com que Ronaldo Caiado sempre esteve de Goiás no intervalo de cada eleição. O que se deve comparar é a consistência da proposta de cada um dos candidatos ao governo de Goiás. E esse comparativo deve ser feito sem a emoção futebolística que a militância, os recém-adesistas e os novos amantes da mídia tentam impor para um debate que irá definir o futuro de nosso Estado para no mínimo quatro anos.

Goiás já passou pelo conflito dos Caiados contra os Ludovicos; irismo contra marconismo; e agora estamos vivendo mais uma eleição carregada pela mesma motivação: a derrota de um inimigo (que deveria ser tratado como adversário) — e não um projeto para Goiás. Reduzir a disputa pelo governo de Goiás à conquista de um objetivo pessoal pode se tornar um grande erro, porque irá levar o eleitor a confundir a sua escolha e incorrer no mesmo prejuízo que hoje vivencia o goianiense com a gestão de Iris Rezende.

Os dinossauros e os camaleões, pelo visto, estão à solta.

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