Conta de resultado imprevisível

PT e Caiado podem ficar juntos em um só palanque nas eleições de Goiânia, mas só se a chapa do PMDB for puro-sangue

Afonso Lopes

Ronaldo Caiado (DEM): voltado para 2018

Ronaldo Caiado (DEM): voltado para 2018 / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Já foi muito pior. Há alguns anos, o senador Ronaldo Cai­ado, presidente regional do DEM e ferrenho opositor do governo Lula/Dilma, sequer aceitava discutir qualquer possibilidade de unir força com os petistas goianos nas disputas regionais. Os petistas devolviam a “gentileza” do veto com ênfase idêntica. Mas os tempos são outros. Caiado e o PT tem agora um aliado em comum, o PMDB de Iris Rezende, e um só adversário, o eixo político liderado pelo governador Marconi Perillo. So­mando tudo, o discurso mudou bastante. Tanto Caiado como lideranças do PT têm afirmado que po­derão conviver no mesmo palanque, nas eleições goianienses do ano que vem, numa coligação com o PMDB.

Iris Rezende: candidatura vista como “salvadora”

Iris Rezende: candidatura vista como “salvadora” / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Mas… nem tudo mudou tanto assim. Caiado não aceita que o candidato a vice de Iris seja um petista. Os petistas não querem nem cogitar a possibilidade de pedir votos para um vice do DEM. Nesse caso, a única forma de agradar aos dois lados é com uma chapa puro-sangue do PMDB, ou com um vice fora desse núcleo.

Problemas

Aparentemente, e no papel, a coligação seria feita sem maiores confusões, sem Democratas e sem PT na chapa de Iris. Só que levar os petistas a abrirem mão de uma candidatura, nem que seja a de vice-prefeito, na sucessão de Paulo Garcia, que é do PT, talvez seja um pouco mais complicado na prática. O partido convive internamente com correntes francamente minoritárias que são inclusive refratárias ao acordo goianiense com o PMDB de Iris. Esses setores deverão, naturalmente, colocar as cartas na mesa durante o processo de afunilamento sucessório do ano que vem.

Militância do PT pode complicar aliança  / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Militância do PT pode complicar aliança / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

No DEM, esse tipo de problema não existe. O partido não tem nem vereadores em Goiânia, e o único deputado estadual é o presidente da Assembleia Legislativa, Helio de Sousa, que tem muito mais interesse em sua própria região e cidade, Goianésia. Ele integra o grupo que era liderado pelo ex-governador Otávio Lage, adversário do PMDB, e é reconhecido no meio político pelo comportamento diplomático.

E no PMDB as coisas também podem se complicar, embora uma candidatura de Iris Rezende seja considerada salvadora. As eleições do ano passado geraram uma violenta crise nas relações internas, e o partido parece não ter ninguém com livre trânsito entre todos para botar água na fervura. Ao contrário, o partido está mais uma vez em DR – discutindo a relação – com possibilidade de expulsão de algumas de suas lideranças.

Importância

As fichas partidárias vão ser jogadas pesadamente na eleição de Goiânia por vários motivos. O principal deles é 2018, claro. Como foi reeleito no ano passado, o governador Marconi Perillo não poderá se candidatar novamente ao governo. E a base aliada não tem ninguém totalmente pronto neste momento para enfrentar candidatos oposicionistas de peso, como o senador Ronaldo Caiado, o deputado federal Daniel Vilela, além dos ex-prefeitos Vanderlan Cardoso, de Senador Canedo, e Antônio Gomide, de Anápolis. Vencer em Goiânia no ano que vem poderá abrir as portas para a base aliada conseguir, mais uma vez, vencer sem a presença direta de Marconi na disputa pelo Palácio das Esmeraldas.

A importância de Goiânia foi claramente percebida em 1998, quando Marconi impôs a primeira derrota no PMDB. Nion Alber­naz governava a capital na época, e se tornou um ponto avançado estratégico no crescimento da candidatura de Marconi. Foi a partir de Goiânia que nasceu a sensação geral de que o PMDB poderia ser derrotado. É exatamente esse mesmo efeito que está em disputa agora. O grupamento que ganhar em Goiânia fatalmente vai começar melhor em 2018. Não significa que a parada estadual será definida na eleição do ano que vem. Será apenas, e tão somente, um bom aperitivo para o lado vencedor, e uma péssima notícia para os derrotados.

De qualquer forma, o que há neste momento é a declarada intenção de DEM e PT unirem forças ao lado de Iris Rezende. Ambos os partidos tem claras intenções de ver a gentileza de agora recompensada em 2018. Mas essa é uma outra complicação que ainda está muito longe.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.