Conflito entre Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino evidencia desunião da direita brasileira

Ao sair em defesa de Bolsonaro, filósofo considerado guru do conservadorismo brasileiro rompeu com articulista de “Veja” e com o economista Rodrigo Constantino. Entrevero é claro sinal da cisão entre conservadores e liberais

No momento em que a população pede o fim de um governo de esquerda, principais pensadores de direita se desentendem nas redes sociais | Foto: Jaime Batista

No momento em que a população pede o fim de um governo de esquerda, principais pensadores de direita se desentendem nas redes sociais | Foto: Jaime Batista

Frederico Vitor

Não há mais como negar que o clima é de guerra na nova direita brasileira. Cinco dos maiores formadores de opinião do conservadorismo, do liberalismo e do libertarianismo protagonizaram uma verdadeira pancadaria virtual nas redes sociais. Tudo começou quando o filósofo Olavo de Carvalho saiu em defesa do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), quando este foi criticado, primeiramente pelo ativista do Movimento Brasil Livre (MBL) Kim Kataguiri e, na sequência, pelo colunista da revista “Veja”, Reinaldo Azevedo.

O autor do incêndio, Kim Kataguiri, usou o Twitter para criticar a visão nacionalista e intervencionista de Jair Bolsonaro e foi duramente atacado pelos seguidores do parlamentar. Foi aí que Reinaldo Azevedo entrou na história e fez críticas pesadas ao deputado, que também é capitão reformado do Exército. O articulista de “Veja”, no afã de ridicularizar Bolsonaro e seus seguidores, colocou em xeque a atuação do deputado durante o regime militar.

Em seguida, foi a vez de Olavo de Carvalho atacar Reinaldo Azevedo em defesa do parlamentar. O colunista de “Veja” retrucou, porém em vão. Foi aí que Rodrigo Constantino entrou no jogo ao publicar um artigo tentando apaziguar a situação. Mas já era tarde. O economista foi atacado por Olavo de Carvalho de forma virulenta. O filósofo, tido como boquirroto, apesar de dominar grande erudição literária, não “aliviou a mão” e soltou em sua conta no microblog impublicáveis xingamentos direcionados ao ex-articulista de “Veja”.

Diante deste evento, não poderia ser diferente a perplexidade geral dos respectivos seguidores das figuras envolvidas nesta contenda virtual. Até mesmo setores da esquerda, acostumados a serem alvos constantes de críticas ácidas vindas dos cinco personagens, ficaram surpresos com o conflito envolvendo os paladinos da nova direita brasileira.

Afinal de contas, qual é o significado por trás deste episódio? Estariam os setores da direita se fragmentando em grupos formados por conservadores, liberais e libertários? O que pregam tais correntes e qual é o grau de prestígio de cada uma junto à sociedade? Para buscar as respostas é preciso primeiramente conhecer os personagens envolvidos no entrevero deflagrado nas redes sociais. Ao traçar um breve perfil destas personalidades é possível extrair as ideias que cada qual defende e seus objetivos enquanto militantes e defensores de uma nova era política, ideológica e comportamental.

Conservador, Olavo de Carvalho é o pai da nova direita

Olavo de Carvalho: filósofo é um intelectual expoente do conservadorismo

Olavo de Carvalho: filósofo é um intelectual expoente do conservadorismo

Olavo de Carvalho é considerado o homem que ressuscitou a filosofia no Brasil e uma espécie de pai da nova direita intelectual brasileira. Os que o seguem dizem que, antes dele, a filosofia brasileira estava confinada às universidades. Paulista de Campinas, onde nasceu em 1947, tem 21 livros publicados e é autor de uma vasta obra filosófica, que inclui os livros “O Jardim das Aflições” e “Coleção História Essencial da Filosofia” (que vem acompanhado de DVDs com palestras do autor).

O polêmico “O Imbecil Cole­tivo: Verdades Inculturais Bra­si­leiras” é um best-seller que é uma coletânea de artigos publicados em jornais, com crítica aos intelectuais e formadores de opinião brasileiros. A obra “O Mínimo Que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota” também reúne 193 artigos do filósofo publicados entre 1997 e 2013, tratando dos mais variados temas.

Uma das principais ideias de Olavo de Carvalho é de que a consciência do indivíduo deve ser preservada do coletivismo representado pelo Estado, pelas instituições e meios de comunicação ou quaisquer grupos de opinião. É declaradamente um pensador de ordem conservadora, um católico apostólico romano fervoroso, que combate o comunismo e denuncia uma nova ordem mundial controlada por um pequeno grupo de privilegiados. Ele também denuncia o Foro de São Paulo. Segundo a visão do filósofo, o seminário internacional promovido pelo PT é na realidade uma convenção socialista com o objetivo claro de implantar regimes bolivarianos na América Latina, aos moldes da Venezuela, Bolívia e Equador.

Olavo de Carvalho vive nos Estados Unidos, de onde escreve para publicações como “Diário do Comércio” e o jornal online “Mídia sem Máscara”. Nos últimos tempos, sua fama ganhou mais impulso graças à internet, conseguindo angariar novos simpatizantes, principalmente entre os jovens. Seus vídeos contendo opiniões duras acerca de temas polêmicos como o casamento gay, aborto, legalização das drogas e religião, tornaram-se virais.

Além de críticas corrosivas, o filósofo aborda as questões citadas com sagacidade, na realidade, com frases de efeito recheadas de palavrões. Não raro sua participação em hangouts (videoconferência) com outras personalidades identificadas com o pensamento de direita, como o cantor e compositor Lobão e o comediante e apresentador Danilo Gentili.

Não é de hoje que a forma agressiva como Olavo de Car­valho adjetiva seus adversários ideológicos tem rendido desafetos. Um dos críticos do filósofo é o historiador Marco Antonio Villa, comentarista do Jornal da Cultura e da Rádio Jovem Pan de São Paulo. Em um vídeo disponível no site Youtube, o mestre em Sociologia e doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) tenta ridicularizá-lo perante a opinião pública ao lembrar que, no passado, antes de se tornar filósofo, Olavo de Carvalho teria sido astrólogo.

Nem por isso ele deixou de ser uma referência do pensamento conservador brasileiro e, a cada dia, cresce o número de seus seguidores. Em Goiânia, por exemplo, o professor de História Alexandre Seltz é um representante de suas ideias filosóficas. Da mesma forma de seu mestre, Seltz também usa a internet como instrumento de divulgação e disseminação de preceitos, valores e pensamentos conservadores propagados por Olavo de Carvalho.

Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino: os liberais

Reinaldo Azevedo: liberal nos moldes europeus, é crítico do deputado federal Jair Bolsonaro

Reinaldo Azevedo: liberal nos moldes europeus, é crítico do deputado federal Jair Bolsonaro

Reinaldo Azevedo pode ser considerado um liberal aos moldes europeus, ou seja, da mesma linha dos britânicos Winston Churchill e Margaret Thatcher e do primeiro-ministro alemão Konrad Adenauer. Apesar de no passado ter comungado com as ideias do ucraniano revolucionário comunista Leon Trótski, chegando a integrar as fileiras da Convergência Socia­lista, grupo que originou o PSTU, o colunista de “Veja” é um dos mais mordazes críticos do lulopetismo.

Conservador no sentido de defender a conservação das instituições existentes, ele não se considera um conservador no que diz respeito a comportamentos e às liberdades individuais. Do primeiro time de articulistas da revista de maior circulação do País, Reinaldo Aze­vedo representa uma parcela da direita que propõe a privatização de grandes estatais como Petrobrás e Banco do Brasil e aposta na valorização das liberdades individuais, além da diminuição da máquina estatal, defesa da propriedade privada e do livre mercado.

Rodrigo Constantino: economista carioca se identifica com o liberalismo da escola austríaca

Rodrigo Constantino: economista carioca se identifica com o liberalismo da escola austríaca

Já o economista Rodrigo Cons­tantino é um liberal clássico, mais próximo do liberalismo de John Locke, e de ícones da escola austríaca como Ludwig von Mises e Friedrich Hayek. Formado em Economia pela Pontifícia Uni­versidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, ele preside o Instituto Liberal e trabalhou no setor financeiro de 1997 a 2013. É autor de sete livros, tais como: “Prisioneiros da Liberdade”, “Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT”, “Egoísmo Racional: O Individualismo de Ayn Rand”, “Uma Luz na Escuridão”, “Eco­nomia do Indivíduo: O Le­gado da Escola Austríaca”, “Libe­ral com orgulho” e “Privatize Já”.

Rodrigo Constantino é defensor de ideias como a abolição de quaisquer formas de controle ou regulação do mercado, do fim do controle da vida privada dos indivíduos pelo Estado, pela liberdade irrestrita à iniciativa privada e à livre concorrência, defesa incondicional da propriedade privada e dos direitos individuais. Por conta destes princípios, que de certa forma deixam para um campo periférico questões comportamentais, ressaltando o materialismo em detrimento da esfera espiritual, a postura do ex-articulista de “Veja” e, atualmente blogueiro, entrou em rota de colisão com o conservadorismo de Olavo de Carvalho.

“A direita deveria se unir para combater um inimigo comum”

José Maria e Silva: “A direita padece do mal que a esquerda sofria antes do PT”

José Maria e Silva: “A direita padece do mal que a esquerda sofria antes do PT”

O jornalista e mestre em Socio­logia José Maria e Silva (ex-articulista do Jornal Opção), um observador atento dos movimentos da direita bra­sileira, afirma que este não era o momento para os direitistas deflagrarem uma guerra entre suas diferentes vertentes, em uma ocasião em que a esquerda representada pelo PT não esteve tão fragilizada.

Ele explica que a divisão na direita tem origem na deliberação do grupo mais radical dos conservadores, guiado por Olavo de Carvalho, que acreditava que era chegada a hora de aproveitar os movimentos de rua que levaram milhões de manifestantes às ruas, como ocorrido no dia 15 de março de 2015, para destituir todo o sistema político vigente no País.

Segundo José Maria e Silva, os setores liberais, como o de Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino, pensavam o oposto dos conservadores, isto é, defendiam que era preciso dialogar com a oposição, mesmo que isso significasse sentar à mesma mesa do PSDB, de linhagem socialdemocrata, e dos demais partidos da centro-esquerda moderada. Esta posição teria irritado Olavo de Carvalho e seus seguidores. O filósofo chegou considerar que os liberais teriam traído a vontade das ruas ao aceitarem abrir diálogo com quadros da oposição, como os senadores tucanos Aécio Neves e Aloysio Nunes.

De acordo com José Maria e Silva, o que ele classifica como incipiente direita brasileira padece de um mal que a esquerda sofria antes do aparecimento do PT. Ele explica que o Partido dos Trabalhadores teve a capacidade de abdicar de brigas decorrentes das diferentes interpretações do marxismo em prol de uma unidade partidária, principalmente contra um adversário externo. Noutras palavras, a legenda de Lula e da presidente Dilma Rousseff sempre abrigou contendas ideológicas à esquerda, porém nunca deixou de sinalizar ao público externo que a sigla não havia se tornado uma casa dividida ao ponto de suas correntes beligerantes derrubá-la.

“Inteligentemente, o PT se tornou uma espécie de guarda-chuva da esquerda, aceitando em seus quadros desde religiosos carolas, marxistas ateus e socialistas democráticos. Lá dentro as correntes internas se digladiam, mas o público externo que assiste as contendas enxergava tudo aquilo como o PT. A direita atual precisaria aprender isso com os petistas, ou seja, a briga entre o grupo de Olavo de Carvalho e os liberais acontece em um momento em que há um inimigo em comum muito maior para se combater, que é a esquerda que está no poder”, afirma.

20 respostas para “Conflito entre Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino evidencia desunião da direita brasileira”

  1. Epaminondas disse:

    Dá certa raiva em quem tem afinidades de direita esta coisa de chamar Olavo de Carvalho de “meu guru”. Muito se diz da sua enciclopédica bagagem, mas eu nunca acreditei que obter este tanto de cultura resultasse num pensador chulo e intransigente. Sempre cultivei a ingenuidade de pensar que o resultado de se ter cultura é expressão refinada dos pensamentos. Deixe que a ideia por detrás destes pensamentos que sejam fortes, não os adjetivos.

    Dos citados, acompanho (com baixa frequência) o Azevedo. Constantino é amalucado, vendo ameaças vermelhas por toda a parte. Se ele assiste um desenho animado ou joga um videogame com alguma menção esquerdista, bate o bumbo e diz que todos estamos tendo a mente lavada.

    O bacana é que mesmo eu sendo de direita, passei ao largo dessa treta. Sempre intuí que podemos muito bem ser de direita no Brasil, passando ao largo de Olavo ou Constantino. Estes dois não detém o monopólio do pensamento liberal.

    Sobre a ideia do José Maria e Silva, unir a direita para combater o PT é o exato problema que levou a atual crise: Unindo, se torna poderoso demais; poderoso, tende a “consertar” os problemas da sociedade, interferindo na vida dos cidadãos. Peraí, isto é o inverso dos ideias dos libertários. O problema é justamente alguma frente política ter mais poder do que as dos indivíduos, separadamente.

    Não devemos ter uma frente de direita no Brasil. Devemos ter não apenas três ou quatro gurus, mas milhares deles. Independentes. Por que é isto que supostamente, deveriam prezar.

    • Caireory disse:

      As pessoas ainda não entenderam que o Brasil está canceroso. Não deve haver diálogo com bandidos, corruptos, que cometem crimes de lesa pátria. O mal deve ser cortado pela raiz! Sentar à mesa com bandidos para dialogar? Putz! era só o que me faltava. INTERVENÇÃO MILITAR JÁ!!

  2. O próprio Reinaldo Azevedo se declara conservador, aos moldes britânicos sim, mas conservador. Não entendi porque esta reportagem o chama de liberal.

    Outra coisa: quando listam os livros do Constantino, faltaram os dois últimos.

    • Epaminondas disse:

      É com frequência que Azevedo defende estado mínimo. Isto é discurso liberal.

      • Sim, por isso poderíamos colocá-lo como um liberal-conservador. Não são excludentes. Jair Bolsonaro, conservador de outra linha, desafeto de Reinaldo Azevedo, atualmente também defende o estado mínimo.

      • Epaminondas disse:

        Já peguei textos do Reinaldo, por exemplo, defendendo design inteligente. É coisa de conservador, sem dúvida. Liberal-conservador é um rótulo que o descreve bem.

        Jair Bolsonaro é apenas um político mediocre, cavando qualquer oportunidade para angariar cacife eleitoral. No passado, por exemplo, defendeu o argumento que FHC foi entreguista do patrimônio público, no caso das privatizações.

      • Discordo que Bolsonaro seja medíocre. Com um pouco de boa vontade e atualização (veja discursos recentes dele), capaz de você mudar sua ideia sobre ele.

      • Epaminondas disse:

        Bolsonaro surfa no descontentamento com o PT. As únicas ideias que já o vi expressando flerta com o militarismo e conservadorismo religioso, coisas que batem de frente com a democracia laica. Acho que perdemos mais do que ganhamos com este tipo de ideia sendo amplificada.

        Se ele tem outras ideias além destas, ficaram escondidas de mim.

  3. José Roberto disse:

    Esquerda ou direita são simples rótulos ideológicos, mas o fato é que ambas as partes estão historicamente interessadas no poder, mas não é o poder pelo poder, mas o poder para angariar vantagens pessoais, egoísticas. O brasileiro, regra geral, não pensa em coletividade, não sabe o que é isso, apenas pensa, quando pensa, em levar vantagens pessoais. Quando o povo se aglomera em reivindicações, não o faz pensando, o povo age na emoção do oba-oba, sem reflexão (pode haver uma ou outra exceção). Enfim, o intelectual que usa de palavras de baixo calão chegou ao pode de não ter mais argumentos convincentes, e é fácil morar em outro país para analisar o Brasil, outra coisa é escrever para uma revista que paga apenas os artigos que lhe convém publicar, isso tem mais valor comercial que acadêmico, já o economista tem uma visão unilateral dos fenômenos sociais e políticos, portanto, não tem a palavra final por ser parcial nas observações. Do que resulta tudo isso? De uma birra intelectual de pessoas que não sabem na pele o que é desemprego, o que é fome, o que é miséria, essas coisas eles só conhecem na observação e muitas vezes em gráficos e estatísticas, mas não na realidade da vivência diária. Já a esquerda (se é que existe uma no governo brasileiro), não diz nada com nada, se admirou com um presidente analfabeto, ganancioso e que usou de discursos populares e costumes populares (o uso constante da cachaça foi um deles) para romper com a rota política direitista brasileira (ARENA e MDB da época e PMDB e PSDB hoje), e distribuindo o que não lhe pertencia para os seus familiares, tornou a família bilionária e o povo abestado. Particularmente descreio de tudo que se diz política, o Executivo está contaminado com corrupções, o Legislativo não fica por menos, e o Judiciário faz vergonha aqueles que tem uma mínima noção de direito, nunca o Brasil sofreu tanto com tantos ministros comprados pelos interesses do governo brasileiro. Basta agora que a mídia em geral pense em seu papel de “neutralidade” ou será que também ela está comprada pelas propagandas da Petrobrás, Caixa Econômica, Correios e tantas outras empresas usadas para silenciar os comunicadores? Pensemos nisso!

    • Epaminondas disse:

      Nada mais errado.

      Quem é de direita, não necessariamente almeja o poder. A corrente libertária, dentro do espectro da direita, deseja que o Governo tenha cada vez menos importância na vida dos cidadãos (Por isto, “libertários”). Não é anarquia, isto é uma outra coisa. Mas como nas precisas palavras da Margaret Thatcher, “precisamos de governos fortes e pequenos, e não grandes e fracos”.

      Enquanto a esquerda, prega tudo pelo estado, tudo dentro do estado, nada fora do estado. Numa contradição gritante, quer acabar com as classes sociais, massificando os indivíduos (e nos exemplos históricos, massificados na miséria) enquanto continua existindo uma classe previlegiada coligada ao governo.

      Há diferenças entre esquerda e direita, quando você olha direito. A ideia que ambos são iguais é porque aqui no Brasil, se convencionou dizer que as Ditaduras (Getulista e Militar) eram de direita (embora o estatismo eram dos mais esquerdista). E todo mundo odeia Ditadura. Logo, não temos estadistas ou políticos de direita no Brasil. Quando muito, paspalhos como Bolsonaro ou dublês de pastores.

      Ademais, o problema do Brasil é o inverso do que você propôs: Não é que não pensemos em coletividade, o ignorante político e econômico só pensa exatamente nestes termos. Vota em Lula em 2006 (Mensalão) ou em Dilma (Petrolão) achando que eles vão ajudar os pobres. O resultado é distinto. Como Ayn Rand nos avisou, há quase 60 anos atrás, todo conflito social e guerra foi motivado por intenções altruísticas, enquanto ninguém se sentiu impelido a participar de conflitos motivado por interesses egoístas.

      O problema é que tentando pensar na coletividade, nos deixamos levar pelo discurso da boa intenção. E quem aponta os erros da boa intenção, é classificado como “egoísta”, por isto não falam e se falam, não são ouvidos.

      • Eimanu Gomez Jardim disse:

        Pare de defender os liberais dizendo que eles nao almejam o poder e que pensar nos outros esta errado,isso e argumento rasteiro que so convence quem e da sua panelinha.A verdade e que países sociais democratas por pensarem na coletividade estão muito melhor que os países onde os liberais governaram.Margaret Tatcher baixou a qualidade de vida do povo inglês para satisfazer os ricos,trata-se da mais odiada figura na história recente da política européia.

      • Epaminondas disse:

        Você possivelmente está contaminada com a narrativa da esquerda, que coloca na culpa do “neoliberalismo” tudo que há de ruim no mundo. Então por vias tortas, conclui que o “neoliberalismo” e o “progressismo” (ou qualquer nome que a esquerda assuma) são antagonistas por estarem disputando o mesmo “prêmio”, o governo.

        A única parte razoável é o antagonismo. Mas o liberalismo não antagoniza as ideologias comunistas porque quer o Governo só para ele. Ele antagoniza porque ele não quer governo. Esquerdismos são necessariamente estatistas, aonde acham que o governo deveria cuidar de cada aspecto da vida do indivíduo — e não raro, pela história à fora, o Governo o fez através da força. E também não raro, embora dessem um bom pretexto (“Justiça social”) no final o Governo esmagou o indivíduo apenas para manter o regime autoritário.

        A narrativa de esquerda gosta de se dizer que está do lado das minorias. Mas a menor minoria que existe é o indivíduo. E é o liberalismo que defende que o indivíduo deve ser livre de um governo opressor que quer tutelá-lo com o seu peso em leis, regulamentos e força.

        (Lembrando: “Livre” é diferente de “irresponsável”)

        Você se equivoca dizendo que países com sócio-democracia está melhor do que países liberais. Países com alto índice de liberdade econômica (fruto do liberalismo) são os que tem melhor qualidade de vida e melhores serviços públicos. Porque basicamente, só se pode manter um programa social se há um mercado gerando tributos. Se der sorte, o governo é honesto e competente para conduzir o programa. No geral, ele não é. E infelizmente, no geral também, ele se mete a produzir divisas — mas só gera cabides.

        O governo é péssimo em fazer o que se propõe e o liberalismo sugere que se reduza o tamanho do governo para que ele seja mais eficiente e menos caro. E de quebra, se meta menos na vida dos indivíduos.

        E quanto a Thatcher, sem dúvida que ela tomou medidas duras. Que permitiram que a Inglaterra saísse de uma grave crise — causada em parte pelos custos da reconstrução da Segunda Guerra (provocada por um certo Partido Nacional-Socialista Alemão) e anos de políticas voltadas para a esquerda. Se ao invés de Thatcher tivessem dado uma guinada à esquerda, a Inglaterra seria como os dois últimos países do mundo com governança socialista/comunista: Coreia do Norte e Cuba. Países miseráveis do qual a Venezuela, com todo seu “socialismo do séc.XXI”, está tomando medidas antidemocráticas uma vez que o regime não consegue sequer suprir o país de insumos básicos.

      • Hudson Batista disse:

        28 anos depois que práticas neoliberais foram adotadas, a ONU resolveu analisar os resultados obtidos e medir seus efeitos nas populações dos países envolvidos. No livro “Flat World, Big Gaps”, editado por Jomo Sundaram, secretário-geral adjunto da ONU para o Desenvolvimento Econômico, e Jacques Baudot, economista especializado em globalização, os autores concluiram que a globalização e a liberalização, como motores do crescimento econômico e o desenvolvimento dos países, não reduziram as desigualdades e a pobreza nas últimas décadas. As políticas liberais adotadas não trouxeram ganhos significativos para a melhoria da distribuição de renda, pelo contrário, a desigualdade na renda per capita aumentou em vários países da OCDE – Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – durante essas duas décadas, sugerindo que a desregulação dos mercados resultou numa maior concentração do poder econômico. A liberalização do fluxo de capitais financeiros internacionais, que era apontada como uma maneira segura de fazer os capitais jorrarem dos países ricos para irrigar economias dos países pobres, funcionou exatamente ao contrário: “Houve uma enorme liberalização financeira e se pensava que o fluxo de capital iria dos países ricos aos países pobres, mas ocorreu o contrário”, observou Sundaram. Como exemplo, citou que os EUA recebem investimentos de países em desenvolvimento, mais especificamente dos bônus e das obrigações do Tesouro. E de outros setores.

      • Epaminondas disse:

        Torture os números e eles lhe dirão o que quiser. Não estou com vontade de ir atrás da ficha dos dois supracitados, mas desconfio — ingratamente, assumo — que são de esquerda.

        Não estou dizendo que estão mentido, mas meramente tentando provar os seus pontos de vista. É fácil desmontar este ponto de vista: Qual o sentido da imigração hoje em dia? Vamos excluir os refugiados de guerras — depois que os exércitos destroçaram não só o mercado local, mas qualquer chance de vida, refugiados vão para aonde puder, deste que seja longe. Mas outros povos, estão migrando hoje de onde para aonde?

        De países com baixos índices de liberdade de mercado para países com alto índice. Ou seja, fogem de países cujo o Governo é uma mão pesada pressionando a liberdade econômica para países aonde há esta liberdade. De países estatistas para países liberais. Que coisa, não?

        É mole desmoralizar meu argumento, mostrando fluxo migratório no sentido contrário, já que é esta beleza toda viver em países com mercados fechados. Fico aguardando exemplos. Nem precisa ser exemplos atuais. Ou deste planeta em particular.

        Sobre desigualdade, se num país de economia fechada você tem 10 mangos e o ricaço tem 100 mangos; mas num país de economia liberal você tem 1000 mangos e o ricaço tem 100 mil mangos, matematica e inquestionavelmente, o país de economia fechada é 10 vezes menos desigual que o país de mercado aberto.

        E o fluxo de capital saindo da periferia para os EUA, bom, quem não quer investir numa nação com um capitalismo tão robusto? Justamente por ser liberal? Magnatas e banco centrais de países sem liberdade econômica vão obviamente direcionar seus investimentos justamente nos EUA ou outros países com amplo mercado liberal.

        Não estou dizendo que o liberalismo econômico é o salvador da lavoura. Ainda há mazelas sociais para serem consertadas. Mas estou dizendo que comparativamente, mais pessoas tiveram mais bem estar em mercados abertos (liberais) do que em mercados fechados pela mão forte do estatismo.

  4. Jorge AN disse:

    Esse astrólogo escroto planta a discórdia por onde passa. Que fique de lição à direita: não se unam à embusteiros. Até da associação brasileira de Astrologia esse idiota conseguiu ser expulso.

  5. Antonio Mateus disse:

    Antonio Mateus

  6. Antonio Mateus disse:

    O Reinaldo hoje se posiciona muito bem. Porém, ele tenta desfazer do Olavo, mas é inegável, que o Reinaldo só rompeu mesmo com a esquerda, no sentido de enfrentá-la abertamente, depois que o Olavo tomou a dianteira e fez daquele leão, um gatinho. Os outros jornalistas ainda ficavam com receio de cometer um “pecado social” ao martelar o PT e sua turma. Tivemos poucos casos de enfrentamento. Por exemplo, na época do PNDH 4, quem se posicionou e denunciou aquela tentativa de implantação de uma ditadura socialista, foi o Yves Gandra Martins e o Boris Casoy repercutiu. Me parece que o Boris chegou até a perder o emprego. O Reinaldo Azevedo, está com ciúmes do legado do Olavo. Apesar de ter muitos defeitos, o Olavo liderou essa guerra contra esses petralhas. E não é verdade, Reinaldo. O Olavo pedia a cassação, impeachment de Dilma o tempo todo. Inclusive, se negava a reconhecer o governo da famigerada. Sejamos justos, voce seguiu o rebanho, mas o lider foi Aiatolavo.

    Outra coisa, o Olavo contribuiu para mudar o ambiente ideológico no Brasil criando grupos de estudos em política, desnudando a esquerda e a direita, fortalecendo o pensamento de extrema direita , para que fossem formados contrapontos de argumentos e posicionamentos políticos de maneira que o direitismo não fosse associado à ditadura militar. Quando foi ventilada a possibilidade de haver intervenção militar, o Olavo não descartou essa possibilidade inicialmente, só quando ele viu que o impeachment, de forma política estava caminhando para sua execução. Isso mexeu tanto com a esquerda, que o Jacques Wagner foi conversar com os generais do estado maior. O Olavo não estava errado, pois é só dar uma olhada na Venezuela, que era o nosso futuro, como presidente tem do seu lado, as forças armadas e o Supremo, para tira-lo do poder muito provavelmente haverá conflito armado.

    Ou seja, o Olavo teve muito mais visão e coragem , apesar de o Reinaldo ter à sua disposição muito mais veículos de comunicação. Reinaldo, “repeita januário mo fio”.

    • Rodney Randolfo Rezende disse:

      Vc tem razão, não é questão de ta deste ou daquele lado, nem é necessário ser um intelectual pra analisar ou entender, umas trocas de ideias dos simples mortais com disposição de entender dá pra ver a real.

      O Reinaldo Azevedo ou é ingenuo ou limitado ou mal intencionado, não estamos hoje e nem estivemos a alguns anos em um sistema de real democracia, as altas instancias do poder foram e são corrompidas pelas mais execráveis pessoas, o STF é uma corte politica e esta cúpula se torna ilegitima a prova é a força das primeiras instancias e como a cúpula do poder se mostra enfraquecida!

      Olavo como vc ilustrou teve papel importante e muito abrangente, quanto o Reinaldo Azevedo noticiava e dava opiniões o Olavo atuava em muitas frentes, livros, analises, aulas, um raio de alcance e abrangência que fazia produzia analises estratégicas, no final os que contribui não são dado a devido valor pela desqualificação de muitos que sentem ofuscados suas vaidades!

  7. Hugues disse:

    O articulista foi bem ‘bonzinho’ com o Olavo de Carvalho. Basta seguir por mais de dois meses este senhor para perceber que é um poço de incoerência, seja no âmbito filosófico quanto de sua conduta prática.

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