Confira ampla radiografia dos pré-candidatos a prefeito de Goiânia para 2020

Reportagem especial mostra quais são os pré-candidatos e resgata suas ideias para resolver os principais problemas da capital

A eleição que definirá quem vai comandar a Prefeitura de Goiânia a partir de 2021 já teve início nos bastidores. Partidos e pretensos pré-candidatos se movimentam porque sabem que o resultado elevará os grupos vitoriosos à condição de protagonistas na disputa para o governo estadual em 2022.

Grupos heterogêneos ensaiam caminhar juntos. Notícias que deram nó na cabeça dos eleitores, como em 2016, ocasião em que o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) sugeriu o então tucano Thiago Albernaz (hoje no SD) para ser vice-prefeito de Iris Rezende (MDB), já não devem causar estranhamento. Porque há uma corrente no MDB que defende uma composição com o PSDB, com Maguito Vilela na cabeça de chapa para 2020. Ao mesmo tempo, outra corrente quer uma chapa com MDB e DEM.

Nos últimos anos, Marconi Perillo e Maguito Vilela fizeram tantas parcerias administrativas entre os governos de Goiás e de Aparecida de Goiânia que os elogios trocados publicamente entre os dois provocaram “um puxão de orelhas” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo. Naquela ocasião, diziam analistas políticos, estava sendo criado um novo grupo político, até bem pouco tempo impensável entre tucanos e emedebistas. Falava-se do “Marmag”.

Não por acaso, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), enviou na quinta-feira, 10, carta aberta ao presidente estadual do MDB, Daniel Vilela, na qual pede o perdão para os dissidentes que apoiaram Ronaldo Caiado para o governo, no ano passado, e acabaram expulsos do partido. Experiente, o prefeito da capital sabe que, dividido, o partido pode apoiar a chapa com o PSDB, e inviabilizar um possível projeto dele à reeleição. Há quem aposte, porém, que o emedebista vilelista prefere compor com o PP do ex-ministro Alexandre Baldy e do senador Vanderlan Cardoso. Teme-se contaminar-se do intenso desgaste do tucanato.

Outra motivação para uma boa performance na disputa de 2020, sobretudo para os partidos com menor representatividade no Congresso Nacional, é cláusula de barreira, aprovada na “micro” Reforma Política. Em 2022, praticamente deixarão de existir as siglas que não alcançarem 3% dos votos para deputado federal e não tiverem eleitos para o cargo em 1/3 dos Estados, ou não alcançarem 11 deputados distribuídos em nove unidades. Sem acesso ao fundo partidário — uma das sanções —, a atividade política ficará inviável. Frise-se que empresas não podem fazer doação aos candidatos.

Nomes que podem estar nas urnas

Por declarações recentes e por pesquisas internas dos partidos às quais o Jornal Opção teve acesso, é possível apontar quais pretensos pré-candidatos fazem parte das pautas das conversas nas agremiações partidárias.

A reportagem apurou que, além de Iris Rezende, querem participar do pleito Adriana Accorsi (PT), Anselmo Pereira (PSDB), Bruno Peixoto (MDB), Doutora Cristina (PSDB), Eduardo Prado (PV), Elias Vaz (PSB), Fabio Sousa (PSDB), Francisco Júnior (PSD), José Vitti (PSDB), Maguito Vilela (MDB), Major Araújo (PRP), Romário Policarpo (sem partido), Talles Barreto (PSDB), Thiago Albernaz (SD), Virmondes Cruvinel (Cidadania) e Wilder Morais (DEM). E o senador Vanderlan Cardoso (PP)? Ele diz que não será candidato, mas há quem queira bancá-lo. O PP pode bancar Alexandre Baldy? Não está na ordem do dia, mas é sempre possível. O deputado federal Zacharias Calil é citado, mas não afirma que não será, em hipótese alguma, candidato.

Desta lista, alguns planejam trocar de partido como forma de viabilizar suas candidaturas. A reportagem apurou as maneiras com as quais essas movimentações estão sendo conduzidas. O Jornal Opção entrou em contato com os possíveis pré-candidatos, mas parte deles não retornou às ligações — ou, no caso do deputado estadual Eduardo Prado, questões partidárias ainda precisavam ser resolvidas antes de conceder a entrevista. Ele quer disputar, mas sente-se esvaziado no partido, que não permite que seja alçado à presidência regional.

Deputada Adriana Accorsi: PT ainda em definição do candidato | Foto: Foto Y. Maeda / Alego

Adriana Accorsi (PT)

A deputada estadual Delegada Adriana Accorsi disse ao Jornal Opção que colocou seu nome à disposição do Partido dos Trabalhadores. A parlamentar afirma que, no entanto, o partido ainda aguarda a renovação dos diretórios, entre setembro e outubro próximos, ocasião em que, segundo ela, a legenda irá apreciar o assunto.

Filha do ex-prefeito de Goiânia Darci Accorsi, Adriana lembrou que o partido tem em seus quadros outros “bons nomes”. Citou como exemplo, o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno e a ex-deputada federal Marina Sant’anna.

Adriana Accorsi consegue uma política diferenciada no PT. Segue as regras partidárias, mas circula com desenvoltura em vários segmentos da capital. É vista pela sociedade como uma petista light. Sua imagem de decência pessoal apaga, ao menos em parte, a imagem desgastada do PT.

Hoje, a delegada-deputada é unanimidade no PT. Foi a deputada mais votada do partido em 2018 — inclusive em Goiânia. Se brincar, é maior do que o partido na capital.

Anselmo Pereira: disputa pela indicação do PSDB com Talles Barreto | Foto: Alberto Maia / Câmara Municipal de Goiânia

Anselmo Pereira (PSDB)

O vereador Anselmo Pereira (PSDB) afirmou nesta sexta-feira (19/7) que é pré-candidato do partido à Prefeitura de Goiânia. O anúncio foi feito em reunião com os presidentes dos diretórios regional e metropolitano da legenda, Jânio Darrot e Eurípedes Jerônimo,

Anselmo tentará a indicação da legenda, juntamente com o deputado estadual Talles Barreto, que na última quarta-feira, 17, também teve o nome referendado por Jânio e Eurípedes. “Nosso partido tem bons nomes. Tenho visto surgir vários nomes, vereadores, deputado. Isso é muito bom. Significa que o PSDB está entusiasmado e sem entusiasmo não ganha uma eleição”, afirmou ao Jornal Opção.

Anselmo Pereira expôs suas credenciais para a disputa. “Trabalho nesta cidade há 38 anos, praticamente nove mandatos, já assumi por alguns dias a prefeitura”, enumerou.

Bruno Peixoto: disputa somente “com anuência” de Iris|Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Bruno Peixoto (MDB)

O deputado estadual Bruno Peixoto nunca escondeu o desejo de comandar a Prefeitura de Goiânia. Todavia, afirma que só entra na disputa interna do partido “com a anuência” de Iris Rezende. O parlamentar acredita que Iris Rezende será candidato à reeleição e que trabalhar com esta opção é prioridade para ele. Dizer isto é uma maneira de agradar o prefeito? Pode ser. Mas também realismo político: se decano emedebista disser que será candidato ninguém tem força para barrá-lo.

Perguntado se haveria disposição em disputar o pleito no caso de Iris Rezende optar por não ir à reeleição, respondeu categórico. “Sim. Conheço Goiânia, nasci em Goiânia, conheço os problemas da cidade e tenho propostas para soluções dos problemas”, aponta o deputado, que teria de enfrentar o grupo de Maguito Vilela para conquistar internamente a vaga.

Há quem argumente no partido que Bruno Peixoto não teria o apoio dos Vilelas — Maguito e Daniel — nem o de Iris Rezende.

Dra. Cristina: a procura de abrigo em outra legenda|Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Doutora Cristina Lopes (PSDB)

A vereadora Doutora Cristina Lopes chegou a discutir internamente no partido a possibilidade de colocar seu nome à disposição para o pleito. Afirmou ao Jornal Opção ter conversado com o presidente estadual do PSDB, Jânio Darrot, e com os ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton sobre o assunto.

Para a vereadora, que apoiou a eleição de Jânio Darrot para o comando do PSDB, a possibilidade de a legenda não ter candidato próprio para a disputa levou a pensar em deixar a sigla. Em declarações, Jânio Darrot afirmou que os tucanos terão cabeças de chapa em todos os grandes municípios goianos — que inclui obviamente a capital.

Doutora Cristina alega que o fato de o PSDB não ter lançado candidatura própria em Goiânia nos últimos pleitos pode inviabilizar sua candidatura. “Tenho muito temor de que politicamente haja esta escolha.” Por isso, explicou, estuda propostas feitas a ela para migrar para PSB ou PDT. No PSB, entretanto, os planos da vereadora podem chocar com os do deputado federal, Elias Vaz, de quem é amiga. O senador Jorge Kajuru, ex-PSB, apoia Elias Vaz. Mas ressalva que, se não for candidato, poderá apoiar Cristina Lopes.

Fábio Sousa (PSDB)

Fábio Sousa: “Não serei candidato pelo PSDB” | Foto: Divulgação / Agência Câmara

Outro tucano que pode figurar entre os pré-candidatos a prefeito é o ex-deputado federal Fábio Sousa. Candidatura que, no entanto, não deve ter o selo do partido. “Uma certeza tenho: não serei candidato pelo PSDB mais”, revela. A mágoa com a legenda tem a ver com o fato de ter sido preterido em outros momentos quando a discussão era pleito para o Paço Municipal.

Com apoio forte entre os evangélicos — é filho do líder da Igreja Fonte da Vida, o apóstolo César Augusto —, Fábio Sousa, que é pastor, ainda não tem uma sigla definida. Declarou que está conversando com presidentes de alguns partidos e que deve retomar as reuniões em agosto.

Há uma operação no PSDB para mantê-lo. Mas não será fácil. Porque, ao longo da história, Fábio Sousa considera que o partido sempre o vetou nas disputas para prefeito de Goiânia. Ele nunca foi prioridade.

Francisco Júnior: conversas serão retomadas somente no próximo semestre | Foto: Renan Accioly / Jornal Opção

Francisco Júnior (PSD)

Deputado federal em primeiro mandato, depois de ter sido vereador e deputado estadual, Francisco Júnior vem de uma disputa para prefeito de Goiânia, em 2016. Ao Jornal Opção, afirmou que, à época, enfrentou inúmeras dificuldades para viabilizar sua candidatura. Entre as principais, a dúvida se o PSD bancaria candidatura própria. Não ficou entre os mais bem votados, mas deixou a imagem de um postulante consistente e que tem ideias objetivas para gerir a capital goiana.

Em Brasília, aponta Francisco Júnior, pautas como as reformas da Previdência, a Política e a Tributária têm empurrado o projeto — leia-se as conversas a arranjos partidários — para o segundo semestre deste ano. Mas ele tem conversado vários políticos. O senador Vanderlan Cardoso, de quem é amigo, é um de seus principais interlocutores. Eles têm conversa com frequência, com a presença do presidente do PSD em Goiás, ex-deputado federal Vilmar Rocha.

Perguntado sobre a motivação a uma nova disputa ao Paço, Francisco Júnior sublinha: “Administrar a cidade é um projeto que eu trago comigo. Costumo dizer que entrei na política para isso”. Em relação à possibilidade de novos enfrentamentos para viabilizar a candidatura, frisa que o PSD tem convicção que deseja vê-lo na cabeça de chapa. “Em alguns momentos, até mais do que eu.” Ouvido pelo Jornal Opção, Vilmar Rocha confirma: “Francisco Júnior será o nosso candidato a prefeito de Goiânia. É definitivo e incontornável”.

José Vitti: retorno da “quarentena” das atividades políticas | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

José Vitti (PSDB)

O ex-deputado estadual José Vitti nutria, desde a eleição passada, desejo de comandar a capital. Ele afirma que está voltando de uma “quarentena” em suas atividades políticas, após o fim do mandato.

José Vitti revela que pretende entrar na disputa e que discute a viabilidade de seu nome. Uma parte do PSDB não leva seu nome em consideração, por avaliar que, em 2018, fez críticas “excessivas” ao grupo do ex-governador Marconi Perillo.

Para o ex-parlamentar, também empresário, seu perfil de gestor pode ser bem recebido pelos eleitores, tendo em vista a predileção por empresários verificada nos últimos pleitos no Brasil. Citou como exemplos os governadores de Minas Gerais e São Paulo, Romeu Zema (Novo) e João Doria (PSDB), respectivamente.

Sobre buscar espaço no PSDB para sua candidatura, afirmou que não sabe se vai permanecer na legenda. Em dezembro do ano passado, chegou a afirmar que deixaria o partido. José Vitti disse que, no entanto, caso não consiga aglutinar, apoiaria um nome “para ajudar a capital”. O ex-parlamentar carrega no currículo a presidência da Assembleia Legislativa e uma candidatura em 2018 como suplente de senador de Lúcia Vânia (Cidadania).

Um vereador e um deputado estadual sustentam que José Vitti não se firma como “líder” porque some dos prováveis liderados. “Ele conversa, articula e depois desaparece, sem nada dizer”, afirma um vereador, que, até pouco tempo, gostaria de apoiá-lo para prefeito.

José Vitti teria um convite para se filiar ao Cidadania, mas o partido ressalva que já tem pré-candidato — o deputado estadual Virmondes Cruvinel.

Major Araújo: filiação ao PSL e apoio do partido do presidente da República | Foto: Divulgação/Agência de Notícias da Assembleia Legislativa

Major Araújo

O deputado estadual Major Araújo (PRP, hoje Patriota) está de malas prontas para o PSL. No novo partido, que em Goiás é presidido pelo deputado federal Delegado Waldir Soares, o parlamentar já faz planos para o pleito. “Está tudo certo”, sublinhou. O Delegado Waldir confirma que Major Araújo será o postulante do partido em Goiás.

O parlamentar revela que a sigla, a mesma do presidente Jair Bolsonaro, pretende lançar candidatos em todas as capitais (O deputado Delegado Waldir acrescenta que o PSL vai lançar candidatos a prefeito em praticamente todas as cidades de Goiás). Segundo partido na Câmara dos Deputados (perde apenas para o PT), o PSL organiza evento nacional de filiações em 17 de agosto. A tendência é que, com as janelas partidárias, se torne o maior partido do país.

Talles Barreto (PSDB)

Talles Barreto: apoio dos diretórios regional e metropolitano do PSDB | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O deputado estadual Talles Barreto afirmou que, apesar de a legenda abrigar nomes de peso que poderiam estar na disputa, ele já trabalha um plano de governo. O líder do PSDB na Assembleia conta que tem se reunido com lideranças e potenciais candidatos a vereador para ouvi-los sobre um levantamento que está realizando sobre as demandas de Goiânia. “Estou com muita disposição.”

Para Talles Barreto, o partido tem bons quadros que também poderiam disputar a Prefeitura de Goiânia. Perguntado se José Vitti estaria entre esses nomes, classificou o ex-presidente da Assembleia como “grande parceiro” e que Vitti poderia ser resgatado pelo PSDB, já que declarou que pode deixar a legenda.

Na última quarta-feira (17/7), Jânio Darrot e Eurípedes Jerônimo, presidentes dos diretórios regional e metropolitano do PSDB, emitiram nota conjunta em que referendam Talles para a disputa em Goiânia.

Thiago Albernaz (SDD)

Thiago Albernaz: Neto de Nion, tem conversas com “time de deputados jovens”|Foto: Divulgação / Agência de Notícias da Assembleia Legislativa

Deputado estadual em primeiro mandato e ex-vereador, Thiago Albernaz vai trabalhar para que o partido seja cabeça de chapa, única possibilidade para ele entrar na disputa.

O parlamentar frisa que não pretende mais disputar cargo de vice-prefeito, como fez na chapa de Vanderlan Cardoso (PP) no pleito de 2016. Ser prefeito de Goiânia é o grande objetivo político de seu trabalho. Ele é neto de Nion Albernaz, que é considerado um dos melhores prefeitos da história de Goiânia.

Thiago Albernaz contou que participa de reuniões frequentes sobre o tema com os colegas de legislatura Vinicius Cirqueira (Pros), Henrique Arantes (PTB), Cairo Salim (Pros) e Rafael Gouveia (DC), a quem chama de “time de deputados jovens”. De acordo com o parlamentar, existe um pré-acordo segundo o qual, mesmo que seus partidos eventualmente lancem candidatura própria, eles apoiariam o membro do grupo que conseguir chegar ao segundo turno.

Vanderlan Cardoso (PP)

Vanderlan Cardoso: sem nada a perder, caso entre na disputa|Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

O senador Vanderlan Cardoso disputou a Prefeitura de Goiânia em 2016. Perdeu para Iris Rezende no segundo turno, mas carrega um recall dos 42,3% da preferência do eleitorado, com seus 278.074 votos válidos conquistados.

Entrevistado pelo Jornal Opção, Vanderlan Cardoso não admitiu que pode ser candidato a prefeito de Goiânia. Na prática, não tem nada a perder. Porque, se perder, permanece com o mandato de senador. Se ganhar, fortalece o PP.

Vanderlan Cardoso argumenta que está concentrado nas atividades do Congresso, que considera históricas neste mandato e que conversas sobre a Prefeitura de Goiânia serão tratadas apenas no início de 2020. “No momento certo, isso vai ser debatido”, pondera.

Para o senador, o carinho do eleitor com sua pessoa nos últimos pleitos está baseado no fato de ter realizado uma gestão bem avaliada, quando comandou a Prefeitura de Senador Canedo de 2005 a 2010.

Virmondes Cruvinel: apoio irrestrito do Cidadania|Foto: Marcos Kennedy / Agência de Notícias da Assembleia Legislativa

Virmondes Cruvinel (Cidadania)

O deputado estadual Virmondes Cruvinel diz que recebeu “total apoio” do presidente estadual do partido, o ex-deputado federal Marcos Abrão, para tocar sua candidatura ao Paço Municipal. “Ele tem dado todo estímulo para seguir com este projeto.”

Virmondes Cruvinel sugere que o fato de ter sido vereador em Goiânia indica que conhece bem a realidade do município. Afirma que conhece os problemas e estuda, desde algum tempo, as soluções para resolvê-los.

Presidente municipal do Cidadania, Virmondes Cruvinel afirmou que tem incentivado lideranças comunitárias, presidentes de associações e de entidades classistas para que sejam candidatos a vereador, com o objetivo de formar uma chapa competitiva.

O que fariam diferente do prefeito Iris Rezende

Iris Rezende | Foto: Alberto Maia

Os postulantes ao Paço Municipal ouvidos pelo Jornal Opção foram indagados sobre o que pensam sobre a atual administração municipal — comandada pelo emedebista Iris Rezende, de 85 anos — e estimulados a informar que políticas públicas então entre as mais importantes para os cidadãos goianienses.

Os entrevistados que sugeriram grandes intervenções, foram submetidos ao questionamento sobre como enfrentariam as dificuldades de caixa para implementar suas ideias, já que a crise econômica que se arrasta no Brasil há anos não tem data para ser vencida a curto prazo, na avaliação de economistas.

Adriana Accorsi (PT)

Deputada Adriana Accorsi defende que a administração deve ter a valorização do ser humano como parâmetro principal | Foto: divulgação

Adriana Accorsi afirmou que Iris Rezende demorou muito tempo para começar a governar Goiânia. A deputada lembra que, no início da gestão, o prefeito teceu críticas em demasia acerca de um suposto “déficit de caixa” em relação a seu antecessor, o ex-prefeito Paulo Garcia (PT), falecido em 2017.

“É uma estratégia que [o governador Ronaldo] Caiado está adotando agora também [contra os ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton]. É uma estratégia política conhecida, que tem gente que acha que é legítimo, mas a respeito da qual eu discordo.” De acordo com a petista, a prefeitura não realiza programas nas áreas social e para as crianças e adolescentes e deixa a desejar na área da saúde, como a dificuldade em encontrar atendimento pediátrico nos postos de saúde.

A parlamentar sugere que um plano de governo seu deveria ter um olhar de valorização para o ser humano e não para grandes obras físicas. Acerca das dificuldades de caixa em uma eventual administração, afirmou recear que a economia do País prejudique os futuros gestores municipais. Para a deputada, a política do governo federal fez uma opção “pelos ricos e pelo grande capital”. “A Reforma da Previdência prova isso.”

Anselmo Pereira (PSDB)

Para solucionar os problemas do transporte coletivo, Anselmo Pereira sugeriu um Plano Diretor da Região Metropolitana| Foto: Renan Accioly/Jornal Opção

Para o vereador Anselmo Pereira, a solução dos problemas da cidade está no planejamento. O parlamentar explica não haver diferença na gestão privada e pública. Buscou termos da Teoria da Administração para argumentar que um diagnóstico, com objetivo de planejar as ações em curto, médio e longo prazos.

Para a saúde, o vereador explicou que, por meio de parcerias público privadas (PPPs), “para que o atendimento ambulatorial seja de referência e descongestionar os hospitais de referência”, apontou.

Na educação primária, Anselmo Pereira afirmou querer trabalhar para que 100% das crianças de zero a seis anos e meio sejam atendidas pelas unidades de educação do município.

Acerca da solução para o caos no  transporte coletivo, sugeriu a criação de um plano diretor para a região Metropolitana, para que todos os municípios trabalhem em conjunto por uma solução. “Goiânia não pode ser vista de forma individualizada, mas sim dentro da região Metropolitana”.

Bruno Peixoto (MDB)

Intervenções para melhora da mobilidade urbana são defendidas por Bruno Peixoto | Foto: Renan Accioly

O deputado Bruno Peixoto afirmou que suas propostas para Goiânia são temas de sugestões ao prefeito Iris Rezende. De acordo com o parlamentar, a mobilidade urbana carece de novos modais, como os micro-ônibus, ciclovias e ciclofaixas. Ele explicou que o sistema de “vans inteligentes” em toda cidade, como as que iniciaram operação este ano, podem desafogar o trânsito e melhorar a mobilidade urbana.

Para o emedebista, a implementação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) poderia integrar-se ao BRT (Bus Rapid Transit), cujas obras foram retomadas na capital. A partir da travessia do bairro de Campinas, “fazendo a ligação da Leste-Oeste pela Marginal Cascavel”, explica. Defende a construção de um hospital municipal e a realização de atendimentos médicos domiciliares, similares aos realizados pelo Programa de Saúde da Família (PSF), mas com a distribuição de medicamentos nas residências. Na prática, tudo aquilo que seu aliado Iris Rezende não está fazendo em Goiânia.

Acerca da maneira como melhorar a capacidade financeira da prefeitura para realizar investimentos, disse ter Iris Rezende como exemplo. Bruno Peixoto destaca o que considera um trabalho eficaz de redução de despesas — o que, segundo ele, deixou superavitárias as contas da prefeitura. O parlamentar sugere a criação de polos confeccionistas — que praticamente já existe e abastece a Rua 44 e adjacências — e a venda de áreas da administração municipal que estão ociosas.

Doutora Cristina (PSDB)

Mudança geral no sistema de transporte público: bandeira da Dra. Crtistina | Foto: Edilson Pelikano

Doutora Cristina afirma que a principal falha na gestão de Iris está no fato de, segundo a vereadora, “não valorizar o ser humano”. Aponta falhas nos atendimentos dos Cais e no sistema de regulação que, segundo a parlamentar, teriam prejudicado a execução das cirurgias eletivas e a realização de exames médicos. “Esse desrespeito ao ser humano, à vida, à saúde é o que mais me fez mal”, declara, que foi integrante da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Saúde, instaurada na Câmara Municipal. Criticou obras das trincheiras, como a que está em execução na Rua 90. “No mundo, ninguém faz mais trincheira para resolver problema de mobilidade.”

A vereadora defende a mudança geral no sistema de transporte público. Doutora Cristina contesta o atual modelo em que as gratuidades são rateadas pelos usuários que pagam pelas passagens. A administração municipal, defende, deve investir no custeio junto com outros municípios da Região Metropolitana. Para a parlamentar, é injusto o modelo em que um usuário que se desloca poucos quilômetros dentro da cidade pague o mesmo valor do de outro que mora em outra cidade.

Fábio Sousa (PSDB)

Investir em empreendedorismo para gerar empregos é a aposta de Fábio Sousa | Foto: Pedro Ventura /Agência Brasília

Questionado acerca da administração de Iris Rezende, Fábio Sousa afirmou fazer um “balanço equilibrado”. Para o ex-parlamentar, “o prefeito tem se esforçado dentro das limitações mas não chega perto de ser o Iris de antigamente”.

O ex-deputado afirmou que, para administrar Goiânia em tempos de crise, enfrentaria o desafio com criatividade, cortando gastos supérfluos e fazendo a economia municipal girar —“aumentando receita sem aumentar impostos”.

De acordo com Fábio Sousa, investimentos em empreendedorismo, nos micro e pequenos negócios e no turismo de negócios auxiliariam no aquecimento da economia e no consequente aumento da arrecadação.

Francisco Júnior (PSD)

Turismo religioso poderia ser melhor aproveitado, afirma Francisco Júnior | Foto: Igreja Videira/Divulgação

O deputado federal Francisco Júnior afirma que falta à gestão de Iris Rezende eficiência em alguns pontos da administração. Citou problemas de mobilidade urbana e o déficit de vagas nas creches, que atinge 9 mil crianças. O parlamentar apontou falhas em questões ambientais que, de acordo com ele, são decorrentes da política de reciclagem estabelecida pela capital. “A cidade está quente, ventilada, e inundando a cada chuva.”

De acordo com o parlamentar, o Plano Diretor de 2007, coordenado por ele quando foi secretário de Planejamento de Iris, deveria ter sido implantado, mas careceu de leis que o fizessem sair do papel. Francisco Júnior disse que o município poderia aproveitar melhor a capacidade na atração de eventos turísticos. Lembrou que a cidade sedia grandes eventos religiosos de vários credos, mas que não consegue reter os turistas para continuarem a estadia na capital por mais dias. De acordo com o parlamentar, o transporte público carece de credibilidade e investimentos para subsídios da passagem. Argumentou que os cidadãos optariam por deixar os carros em casa se o transporte fosse mais confortável e pontual, com uma frota “flexível” e demandada por aplicativos de celular.

Para o custeio da prefeitura em tempo de retração econômica, o deputado afirmou que as chamadas Parcerias Público Privadas (PPPs), aliadas a outras ações, ajudariam na gestão. Ele afirma que a cidade já ocupou 5º lugar em eventos de negócios e que a rede de hoteleira está ociosa pela falta de uma política pública na área do turismo.

José Vitti (PSDB)

Congresso deveria rediscutir o pacto federativo, sustenta José Vitti | Foto: Divulgação / Agência Câmara

Para o ex-deputado José Vitti, Iris Rezende acertou em acumular recursos para fazer as obras em um segundo momento. Pontuou que, no entanto, a cidade carece mais do que intervenções para que cresça de maneira sustentável. Argumenta que Goiânia, mesmo com as obras que estão sendo edificadas, irá encontrar dificuldades em dois ou três anos.

“Não vai ser isso que vai resolver”, afirmou em relação às recentes obras da prefeitura — como as trincheiras. Vitti sustenta que a falta de médicos nos Cais é um grande gargalo da administração atual.

O ex-parlamentar comenta que só há um caminho para superar as dificuldades geradas pela crise que impedem investimentos: a revisão do pacto federativo e uma reforma tributária, em que os municípios passariam a receber uma fatia maior dos tributos arrecadados no País. “Não tem milagre. Sem recursos, não há como fazer melhorias.”

Major Araújo (PRP)

Cobrança aos prefeitos de outras cidades dos atendimentos realizados em Goiânia: bandeira de Major Araújo | Foto: Divulgação

Major Araújo assinala que a estratégia de Iris em economizar no início do mandato para, depois, realizar obras, sacrificou a população. Afirma que o prefeito não atacou os principais problemas de Goiânia, “que são crônicos e demandam mais investimentos”. Citou como principais problemas o transporte público, segurança pública, saúde e educação.

O deputado anota que enfrentaria parte do problema da mobilidade urbana reativando a utilização dos trens de passageiros, por meio da linha férrea que corta a capital em direção a Senador Canedo. Major Araújo diz que pretende voltar com o projeto de construir um metrô na capital. Perguntado sobre o alto custo das obras e sobre qual era a saída para o financiamento, explica que abriria concorrência para que empresas privadas investissem no setor.

Para Major Araújo, grande parte dos problemas da saúde em Goiânia está atrelada ao fato de a cidade receber pacientes de todo o Estado. Problema que, segundo ele, seria resolvido com a cobrança pelo atendimento junto às prefeituras dos municípios que “enviam” as pessoas para o atendimento na rede pública municipal. O parlamentar aponta o que considera serem caminhos para fazer uma gestão com recursos escassos. Disse que hierarquizar a prioridade dos gastos é uma boa ideia. “Há serviços que, em uma escala de prioridade, poderiam ficar para outro momento.”

Talles Barreto (PSDB)

Militarização das escolas municipais deve figurar no Plano de Governo de Talles Barreto|Foto: Divulgação

Perguntado sobre a avaliação que faz da administração de Iris Rezende, o deputado estadual aponta a saúde como um dos principais gargalos. Classifica a situação atual dos cais como “abandonados” — um verdadeiro “caos” — e reclamou da qualidade do transporte público.

O deputado argumenta que as grandes cidades do Brasil têm projetos de mobilidade que estão sendo catalogados e debatidos por um grupo coordenado por ele, cujos resultados serão apresentados no segundo semestre. “Vamos dar uma alternativa ao modelo que aí está.” Revelou que pretende militarizar algumas escolas públicas municipais, com objetivo de melhorar a disciplina dos alunos — e aumentar a segurança dos corpos discente e docente — em bairros estratégicos com altos índices de violência.

Talles Barreto afirma que, para colocar em prática os projetos citados, buscará parcerias em outras esferas de governo e vai pleitear linhas de crédito. “O gestor nada consegue se ficar só esperando receita municipal. Dificilmente conseguir atingir objetivos mais amplos — exceto pagar a folha.”

Thiago Albernaz (SD)

Indústrias podem ser atraídas com desburocratização, afirma Thiago Albernaz | Foto: Divulgação

O deputado Thiago Albernaz relata que o município vive um “momento de muita burocracia, de muita liturgia”. Para o parlamentar, a administração atual não entende os anseios da sociedade porque não dispõe de ferramentas tecnológicas que aproximem o prefeito das demandas de maneira rápida e eficaz. “Vão chegar ao final do ano com dinheiro em caixa, com obras faraônicas, mas sem um pediatra no posto de saúde, sem vagas nos Cmeis.”

O deputado afirma ter aprendido com o ex-prefeito Nion Albernaz, seu avô, a máxima segundo o qual, antes de gerar receita para obras, tem de gerar cidadania e bem-estar. Disse pretender trazer para a questão da cidade-inteligente para o debate público. “Uma Goiânia que, de fato, venha atender essa nova geração, esse novo processo que está por vir.”

Perguntado sobre como administrar Goiânia sem depender apenas da arrecadação de impostos municipais, o deputado explica que criaria um ambiente de segurança jurídica para atrair novos investimentos. O parlamentar avalia que, com empresas que se sintam encorajadas a fazer parcerias com o setor público, Goiânia atrairia investidores para a construção de parques tecnológicos, ambientes de negócios, e fomentaria parcerias público privadas (PPPs) com o poder público municipal.

Vanderlan Cardoso (PP)

Instalação de regionais da prefeitura em oito locais da cidade para otimizar os serviços | Foto: Arquivo / Jornal Opção

Ao comentar a gestão de Iris Rezende, o senador afirma que o prefeito sempre foi bom administrador, mas que deixou muito a desejar na última gestão. Vanderlan Cardoso argumenta que faltam ações para melhorar a vida dos cidadãos, por exemplo nas áreas de saúde e educação. Disse estranhar o fato de Iris Rezende afirmar ter dinheiro em caixa, mas anunciar um empréstimo de R$ 700 milhões para realização de obras.

De acordo com Vanderlan Cardoso, um projeto apresentado por ele na eleição passada previa a divisão administrativa da cidade em oito regionais, uma espécie de subprefeituras. Nestes locais estariam previstos polos de desenvolvimento para melhorar a geração de emprego e renda e para que os cidadãos trabalhassem mais próximos de suas residências.

O senador afirma que, a partir da proximidade entre os locais de residência e trabalho, haveria diminuição do fluxo de automóveis na cidade — o que melhoraria o trânsito —  e também da quantidade de passageiros no transporte coletivo. Com as administrações regionais, segundo Vanderlan, seriam reduzidos os custos de manutenção da cidade, a partir da diminuição dos tempos de deslocamentos da frota da prefeitura, otimizando a manutenção dos bairros, como podas, coleta de lixo, limpeza e manutenção de praças e jardins.

Virmondes Cruvinel (Cidadania)

Tecnologia é necessária para agilidade na gestão, defende Virmondes Cruvinel | Foto: Divulgação

De acordo com o deputado estadual Virmondes Cruvinel, pontos negativos na gestão de Iris Rezende marcam sua gestão, como a saúde. A pasta é alvo de críticas desde quando o prefeito iniciou o último mandato, no início de 2017, por conta da superlotação e da falta de médicos nos cais da capital. O parlamentar aponta também a indisposição da secretária Fátima Mrué em atender os vereadores e deputados que o procuram para falar de demandas.

O deputado considera ser urgente a necessidade de descentralização da gestão por meio da instalação de subprefeituras — ou a utilização de mais ferramentas de tecnologia, como aplicativos para smartphones. Acerca de políticas para mobilidade urbana, Virmondes Cruvinel defende a utilização de mecanismos eletrônicos para o controle de horários do transporte coletivo, para aplicação em semáforos “inteligentes”, e incentivo à utilização de veículos não poluentes como bicicletas. O parlamentar cita também a implantação de polos regionais em pontos estratégicos da cidade, onde os cidadãos trabalhariam nas proximidades de suas residências, além de auxiliar na diminuição do fluxo de carros em Goiânia, o que também diminuiria a quantidade de pessoas em trânsito no transporte coletivo.

Como forma de administrar a prefeitura durante a crise econômica, Virmondes Cruvinel sugere a busca de mecanismos de incentivos para as empresas para se desenvolverem, o fomento às parcerias público privadas (PPPs), com investimentos nas áreas esportiva, da educação e na infraestrutura. Para o parlamentar, diminuir a quantidade de cargos, enxugar a máquina e estimular a formação de consórcios entre municípios para execução de obras também seriam formas de administrar com poucos recursos.

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