Como começar a investir na bolsa de valores

Especialistas explicam como funciona o mercado de ações

Foto: Reprodução

No Brasil, a cultura de investimentos na bolsa ainda é pequena devido à crença de que a atividade envolve altos riscos e que seria voltada somente para pessoas com alto poder aquisitivo. No entanto, o mercado de ações não é tão complicado como parece e pode ser uma boa alternativa para quem está insatisfeito com os lucros obtidos em investimentos de renda fixa.

Para ajudar quem deseja obter rendimentos mais vantajosos que a poupança, mas ainda tem medo de começar a investir no mercado de capitais, conversamos com a economista sênior na Bolsa de Valores do Estado de São Paulo (Bovespa), Greice Guerra explica um pouco mais sobre esse universo que vem se popularizando no Brasil.

“A bolsa no Brasil sempre causou medo, mas isso vem sendo desmistificado. Viemos de uma cultura hiperinflacionária, em que o investimento bom e seguro era a poupança. Com a estabilização do real a taxa de juros em leve queda, deu-se espaço para vários novos investimentos, como fundos de previdência e a bolsa, que apareceu timidamente. Hoje, a taxa Selic está estabilizada em 6,5% e deve continuar neste patamar até o primeiro semestre do ano que vem. Caso aumente um pouco, acredito que ela alcance 8%”, sublinha.

Com essa taxa, a economista explica que é muito difícil ter rentabilidade com investimentos em renda fixa. Nesse cenário, a bolsa de valores aparece como uma excelente opção para investimento. Para ela, a tendência é que a sociedade aposte cada vez mais no mercado de capitais. E, com atenção e estudo, os brasileiros perceberão que é possível ter uma rentabilidade maior em menos tempo.

Como investir no mercado financeiro

Economista Greice Guerra | Foto: Reprodução

Após começar a estudar o assunto e entender a bolsa de valores, o investidor deve procurar um banco de varejo ou banco de investimento para a abertura de uma conta. Nesta etapa, Greice Guerra alerta que é preciso verificar se a corretora está filiada à B3 (BM&F Bovespa) para garantir o suporte e fiscalização da instituição escolhida pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM).

Depois, é preciso estar disposto a correr riscos “por se tratar de um mercado volátil”. A especialista explica que, caso a pessoa tenha um perfil extremamente conservador, ela deve pensar bem antes de entrar nessa atividade.

“Porque às vezes a pessoa não tem resiliência e disciplina para esperar o mercado se recuperar e o mercado externo estabilizar para conseguir recuperar um possível prejuízo. A pessoa tem que estar disposta a correr alguns riscos maiores ou menores. Por isso os objetivos devem ser levados em conta. Avaliar quanto tempo e para que ela quer investir seu dinheiro. E, principalmente, por quanto tempo o dinheiro poderá ficar preso. É preciso ter muita disciplina. Essa é a principal diferença em relação à poupança, tesouro direto e outras aplicações menos voláteis”, apontou a especialista.

Greice também explica que é preciso estudar o negócio todos os dias, acompanhar as agendas e cenários político e corporativo. Assim, o investidor desenvolve a capacidade de escutar a notícia e formatar o que determinado acontecimento pode acarretar de positivo e negativo no mercado financeiro. “Ou ela estuda ou contrata um gestor de uma corretora. E, ainda assim, eu aconselho que o dono do ativo acompanhe esse movimento para desenvolver um feeling.”

Diversificar os investimentos também é consenso entre os especialistas, que não recomendam aplicar todo o capital em uma única empresa. A opção mais indicada é montar uma “pizza” de diversos setores. Alguns menos vulneráveis e outros mais. “Porque se perde aqui e ganha ali. Isso é essencial, pois nossa bolsa não é independente”, ressalta Guerra.

Muitas vezes acontecimentos em todo o mundo influenciam as empresas no Brasil, fazendo com que as ações e o índice Bovespa caia um pouco. Dentro do próprio País, a greve dos caminhoneiros também fez com que o índice caísse, movimentando o mercado.

Bovespa

Para Greice Guerra, a Bovespa é uma bolsa “muito boa”, com forte credibilidade nacional e internacional, além de ser “extremamente promissora”. “Quando o mercado oscila demais, ela trava os negócios para evitar a queda. Isso aconteceu no episódio da delação da JBS para evitar a fuga de capitais e danos aos gestores nacionais e internacionais. A Bovespa é extremamente responsável. Mas, ainda assim, o investidor deve estar atento. Às vezes vou dormir muito tarde porque quero acompanhar tudo o que acontece aqui e no mercado asiático que tem 12 horas de diferença.”

“Não existem certezas na bolsa aqui no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Disciplina é a palavra-chave, pois centavos fazem a diferença. A expressão time is money é verdadeira, pois em segundos tudo muda. A delação da JBS, greve dos caminhoneiros e outros acontecimentos mundo afora são exemplos claros de que a análise do contexto é fundamental no mercado de capitais”, explicou a economista ao pontuar que a atuação neste mercado trabalha questões importantes como disciplina e educação financeira.

Trader

Letícia Gouveia e seu professor Frederico Carvalho | Foto: Reprodução

A trader profissional Letícia Gouveia, de 23 anos, defende que investir na Bolsa de Valores não é um bicho de sete cabeças, que dá pra começar com um investimento pequeno, mas que, para garantir o sucesso nos negócios, é necessário muito estudo.

“A bolsa é para todo tipo de pessoa, independente da condição financeira, formação e estilo de vida. Ela serve para os mais diversos objetivos, seja complementar a renda, fazer uma viagem futura ou garantir a aposentadoria. Qualquer um pode se encaixar na bolsa de valores”, afirma Letícia.

A profissional sempre teve curiosidade sobre o mundo dos investimentos e, após se formar em Engenharia de Produção em 2017, procurou um curso introdutório para entender mais sobre o tema. “O estilo de vida que a bolsa proporciona é uma das coisas que mais chamaram minha atenção. Você pode montar seu horário e trabalhar de qualquer lugar do mundo”, disse a trader.

Letícia também treinou por alguns meses em contas de simulação e fez aulas particulares antes de adquirir confiança para atuar no mercado. Em junho deste ano, ela decidiu que queria mergulhar de cabeça na bolsa e deixou seu emprego em horário integral, passando a trabalhar meio período. Em agosto, ela conseguiu deixar sua antiga profissão e se manter com os rendimentos provenientes da sua atuação como trader e ministrando aulas para quem quer ingressar no mundo dos investimentos.

A jovem especialista indica a participação dos novos investidores em mesas proprietárias, que são empresas onde os traders que estão estudando operam os recursos da instituição e, no final do mês, os lucros são divididos. “Começamos com um processo de imersão com quem deseja aprender e, quando as pessoas adquirem experiência, começam a atuar na conta real. Esse estudo é essencial. Investir em conhecimento para depois investir na bolsa. Para quem está começando também existem bons canais e criadores de conteúdos na internet, mas é preciso peneirar esse vasto material.”

Riscos

Para Letícia, a questão dos riscos é simples: “Na bolsa, o risco e o ganho são proporcionais. Os investimentos que têm um risco baixo rendem menos, enquanto os de maior risco rendem mais. O chamado day trade, que são aquelas operações intra day, feitas no decorrer do dia, rendem bastante e, por isso, envolvem muito risco. Particularmente, esse é o investimento que eu mais gosto”, explicou a trader, que também investe capital em fundos de investimento imobiliários, considerado mais conservador, que rende em média 1,5% ao mês.

Ela afirma que o fundo citado rende um pouco mais que o tesouro direto, tem risco baixo e que traz mais segurança ao investidor. De acordo com a trader, essa é uma opção boa para quem está começando.

Balanço do ano de fundos e de mercado de capitais

De acordo com balanço de 2018 divulgado pela Associação brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as operações com títulos de renda fixa movimentaram R$ 189,1 bilhões até novembro, o maior volume dos últimos sete anos.

Já os fundos imobiliários mantiveram o crescimento dos meses anteriores e registraram R$ 11,2 bilhões até novembro, ultrapassando o total captado no ano passado inteiro, que foi de R$ 9,4 bilhões.

As pessoas físicas continuam ampliando a participação nesses produtos: do total emitido, 60,2% ficou com esses investidores — no mesmo período do ano passado, era de 54,4%. Os fundos multimercados e de ações tiveram, juntos, captação líquida de R$ 57,5 bilhões, o que representa 90% do total alcançado entre janeiro e novembro de 2018.

“O resultado reflete o movimento dos investidores por diversificação das carteiras, que ocorreu principalmente no primeiro semestre, na busca por rentabilidades maiores”, afirmou o vice-presidente da Anbima, Carlos André.

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TIAGO RODRIGUES RIBEIRO BARBOSA

Mt bom

TIAGO RODRIGUES RIBEIRO BARBOSA

Adorei