Com lives e atuação forte nas redes, pré-candidatos mostram que campanha em Goiás já começou

Numa época em que o isolamento social é indicado como prevenção ao coronavírus, pré-candidatos transformam as redes sociais em “campos de batalha”

Pré-candidatos recorrem às redes sociais visando atingir possíveis eleitores | Foto: Divulgação

Na última semana, a deputada estadual Delegada Adriana Accorsi, pré-candidata à Prefeitura de Goiânia pelo PT, participou de uma live transmitida pelas redes sociais com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e os pré-candidatos petistas às prefeitura de Anápolis, Rio Verde e Cidade de Goiás. Na mesma semana, o pré-candidato e atual prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, do MDB, também participou de uma live com o comediante de stand up Arthur Carvalho, onde tiveram uma conversas descontraída sobre Aparecida e suas peculiaridades.

Adriana Accorsi e Gustavo Mendanha são exemplos de uma política que está se adaptando a um ano de eleição marcado por uma lamentável pandemia e pela força da internet. Mas eis que surge o questionamento: estaria a pré-campanha, no contexto das redes sociais, se transformando numa campanha antecipada?

Segundo o site Business Insider, o Instagram registrou um aumento de 70% no uso de lives (transmissões ao vivo) – tanto para transmissão quanto para o consumo. O professor de psicologia Chris Ferguson, da Stetson University, explicou ao Business Insider que “as pessoas estão recorrendo às telas e à tecnologia para saciar suas necessidades sociais que, por ora, não podem ser saciadas no mundo real”.

O fenômeno parece não passar despercebido pelos pré-candidatos às eleições municipais deste ano, que recorrem às redes sociais para falar de projetos, serem entrevistados ou entrevistar, fazer bate-papo com seguidores e assim por diante.

O pré-candidato à Prefeitura de Rio Verde pelo PSDB, Clailton Filho, de apenas 21 anos, por exemplo, alia a facilidade natural de sua geração para o trato com as redes sociais aos impeditivos impostos pela pandemia de promover grandes atos públicos, como passeatas e reuniões de maior dimensão, e publica frequentemente em suas redes sociais vídeos em que fala sobre suas intenções para com o Município e seus projetos.

Publicação de Clailton Filho | Foto: Instagram

Num banner publicado no Instagram, o jovem assume a condição de pré-candidato e conclama a população para uma caminhada metafórica conjunta. “É com muito orgulho que começamos hoje uma nova etapa em nossa pré-campanha. Contamos com o apoio de todos! Vamos juntos nessa caminhada para o bem de nossa querida Rio Verde e dos Distritos”, escreveu.

O deputado estadual do PRTB e pré-candidato à Prefeitura de Senador Canedo, Julio Pina, também está usando a força das redes sociais a seu favor. Além da postagem frequente de fotos com apoiadores e aliados políticos, Pina procura divulgar frequentemente entrevistas e programas dos quais participa, com o objetivo de potencializar o alcance de suas propostas.

Na última semana, o parlamentar usou as redes sociais para divulgar sua participação em um programa de Senador Canedo, onde, segundo o próprio Pina, ele falaria sobre suas propostas para o município. “Boa tarde, gente! Hoje estaremos no programa Alô Canedo, apresentado por Leno Silva e Patrícia Soares. Quero convidar todos vocês a participarem comigo. Falaremos sobre nossas propostas para senador Canedo. Vamos juntos! Por uma cidade Inteligente, Humana e sustentável”, publicou.

Afinal, as redes sociais podem ser usadas como ferramenta de promoção do pré-candidato?

A resposta é: sim, podem. Segundo o artigo 36-A da Lei 9.504, “não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido explícito de voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos” e atos “que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, inclusive via internet”. O especialista em Direito Eleitoral e analista do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Alexandre Azevedo, explica melhor.

Conforme Azevedo, os pré-candidatos podem tranquilamente falar que são pré-candidatos, discorrer sobre seus projetos políticos e enaltecer a própria figura. Porém, “o que eles não podem fazer de jeito nenhum é pedido expresso de voto”.

Até mesmo simples enquetes nas redes sociais podem ser uma armadilha nesse caso. Segundo o especialista, está liberado ao pré-candidato participar de pesquisas e enquetes virtuais, mas não de pedir aos internautas que votem nelas. “Outra pessoa colocar o nome dele na enquete é tranquilo, sem problemas. O que ele não pode é sair pedindo voto, dizendo ‘vote aqui na enquete’. Parece estranho, mas isso pode induzir um juiz mais rigoroso de que ele está pedindo voto”, detalha.

 

Alexandre Azevedo | Foto: TRE

“A lei foi uma mãe para a pré-campanha. O que não pode é o pedido expresso de voto. Lives e vídeos estão liberados. Até outdoor, por exemplo, que não pode na pré-campanha e nem na campanha, eles [os pré-candidatos] contornam e colocam a imagem deles com felicitações como do Dia das Mães, dos Pais e etc. Aí sim, pode”, esclarece.

O período destinado às convenções partidárias e à definição sobre coligações é de 31 de agosto a 16 de setembro, e propaganda eleitoral oficial, com pedido de voto, somente a partir de 26 de setembro. Azevedo relata que a “pré-campanha é muito parecida com a campanha” em termo de proibições, mas ainda há distinções. “O pré-candidato não pode, por exemplo, ostentar o número da candidatura durante a pré-campanha”, diz.

O poder da internet em período eleitoral

Estar online hoje é imprescindível. Os setores da sociedade estão cada vez mais digitais e no meio político não é diferente. Para o publicitário e proprietário da empresa de comunicação e marketing Mind Digital, João Paulo Teixeira,  a internet, que já era tida como essencial, ganhou ainda mais ênfase com a pandemia do novo coronavírus

De acordo com Teixeira, a tendência ao isolamento social como meio de prevenção à Covid-19 faz com que pré-candidatos recorram de forma contínua à força das redes sociais. “A campanha de vereador era feita praticamente em reuniões e atos públicos de rua. Comícios, carreatas, passeatas e assim por diante. Como os índices de Covid aumentando cada dia mais, essas ferramentas estão cada vez mais difíceis”, explica.

João Paulo Teixeira | Foto: Arquivo pessoal

“Ninguém mais quer receber centenas de pessoas em casa pelo risco da contaminação. Então ela [a internet], que já era importante, se tornou mais importante ainda depois que chegou a pandemia”, relata Teixeira.

Porém, o publicitário alerta: num meio em que estar online é quase regra, é preciso se destacar. “Todos os políticos estão percebendo a necessidade de irem também para a plataforma digital. E isso acaba equalizando as forças. Ela é fundamental, mas todos estão fazendo isso. Então é preciso encontrar um meio, um caminho de diferencial”, conclui.

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