Com 4 nomes, a briga vai ser boa no PMDB

Os pré-candidatos do partido ao governo são Ronaldo Caiado, Daniel Vilela, Maguito Vilela e, claro, Iris Rezende, que, enquanto houver eleição, estará sempre no páreo

Ronaldo Caiado, Daniel Vilela, Maguito Vilela e Iris Rezende: nessa quadra de pré-candidatos do PMDB  divididos entre as alas irista e maguitista vai sair o nome para disputar a sucessão de Marconi Perillo em 2018 |

Ronaldo Caiado, Daniel Vilela, Maguito Vilela e Iris Rezende: nessa quadra de pré-candidatos do PMDB divididos entre as alas irista e maguitista vai sair o nome para disputar a sucessão de Marconi Perillo em 2018 |

Cezar Santos

Terminada a eleição municipal, chega aquele mo­mento em que todos dizem o que dizem todos todas as vezes que termina campanha municipal: começou a campanha para o governo. Ou, melhor ainda, algo no sentido de que a eleição municipal é o turno zero ponto um da sucessão estadual.

Portanto, estamos em pleno início de 2018 no que tange à sucessão de Marconi Perillo na cadeira de governador do Estado. Lembrando que o fato de o próprio tucano não poder ser candidato, é um fator a estimular alguns postulantes sob o argumento de que sem ele, a parada fica mais fácil — ou menos difícil, o que é verdade.

E pelo resultado em Goiânia, com a vitória do PMDB e de Iris Rezende, muitos dão como favas cotada que o partido sai na pole position para a corrida ao Palácio das Esmeraldas. Para certos analistas, incluídos aí muitos peemedebistas deslumbrados pela vitória de Iris, o PMDB já faturou o governo, ou quase, só falta chegar a hora de começar a campanha para que isso se confirme, tamanha a importância e o peso que a capital teria no jogo sucessório estadual.

É gente que esquece o seguinte: o grupo que vem ganhando as eleições ao governo desde 1998, há cinco eleições, não tinha a Prefeitura de Goiânia. Aliás, naquele ano, esse grupo tinha apenas duas dúzias das 246 prefeituras goianas, o restante era do PMDB e aliados, que também tinham o governo estadual, e mesmo assim… bem, a história é por demais conhecida.

Vamos então analisar o cenário do ponto de vista do PMDB, o vencedor da eleição na capital. As especulações se dão em torno de quais são os nomes do partido para a disputa. E o que se pode ver é que são quatro. São eles (não em ordem de maiores chances hipotéticas, mas pelo prosaico critério de ordem alfabética): Daniel Vilela, Iris Rezende, Maguito Vilela e Ronaldo Caiado.

E antes que alguém objete que o democrata Caiado não é peemedebista, lembramos que pelas regras eleitorais, ele pode passar a sê-lo até um ano antes da eleição. Portanto, o problema aí é contornável, considerando ainda que o ruralista poderia continuar no DEM, fazendo uma coligação.

Esses quatro nomes significam uma realidade curiosa no atual PMDB goiano, dividido entre as alas maguitistas e irista. Maguito e Daniel, pai e filho, são, como não poderia deixar de ser, os cabeças da ala maguitista. Caiado e Iris são os oponentes, naturalmente, os bambambãs da ala irista. Isso configura um detalhe inescapável: o embate dentro do PMDB será entre as duas alas. A que vencer lança o nome para a disputa.

Na ala maguitista, o deputado Daniel Vilela seria o grande trunfo de renovação em uma sigla que desde o longínquo ano de 1982 (há 34 anos!!!) vem disputando com praticamente apenas dois nomes — Iris Rezende e Maguito Vilela —, excetuando 1986, quando foi com Henrique Santillo. Nem se há de falar aqui na potencialidade que Daniel poderia ou não representar como candidato a governador, mas ninguém há de negar que seu nome seria um sopro de arejamento nesse aspecto.

Maguito Vilela quer que o filho seja o candidato do PMDB, e ao fortalecer seu grupo tem trabalhado nisso, inclusive verbalizando que é chegada a hora de Daniel. Mas, mesmo que não faça movimento mais brusco para si, se as condições se apresentarem positivas mais para ele que para Daniel, numa união partidária que não deixe muitos mortos e feridos pelo caminho, Maguito seria sim o candidato do PMDB em 2018. Seu caráter conciliador é cantado em prosa e verso e contaria pontos.

No grupo irista as coisas são mais complicadas. Ronaldo Caiado foi o primeiro a lançar a candidatura de Iris Rezende à Prefeitura de Goiânia, no dia seguinte à eleição de 2014, quando ele próprio se elegeu senador. Caiado deu ali o primeiro passo efetivo para sua candidatura ao governo. Se Iris ganhasse em 2016 — como de fato ganhou — ele, Caiado, teria dado o apoio a quem pode apoiá-lo em 2018 na corrida estadual.

As coisas aconteceram exatamente como Ronaldo Caiado imaginou. O ruralista se empenhou muito na eleição de Iris e, sem dúvida, agregou para a campanha vitoriosa do decano peemedebista. Caiado — é bom lembrar — e a ex-deputada Iris Araújo impediram que Iris aceitasse a oferta de Marconi Perillo para uma aliança na corrida à sucessão de Paulo Garcia.
Não se sabe se o apoio e empenho de Caiado para a eleição de Iris em Goiânia tenham garantido de antemão um apoio recíproco para a candidatura do ruralista em 2018. Mas o senador trabalhou duro nesse sentido e, mais que esperar, conta com isso. Se Ronaldo Caiado se viabilizar como candidato pelo PMDB, com o apoio da ala irista, não há dúvida, será fortíssimo na sucessão de Marconi Perillo.

Mas o problema para o senador democrata não é apenas consolidar e confirmar o apoio de Iris, mas também conquistar a ala maguitista, o que já são outros 500. Os maguitistas dificilmente aceitarão essa solução, que equivaleria a entregar de mão beijada o partido para Iris e Caiado e se conformar em ser coadjuvantes.

Outra pedra no caminho de Ronaldo Caiado é de natureza, de têmpera pessoal de Iris Rezende. Para além de retribuição, lealdade ou reconhecimento, o decano sempre foi e continuará sendo um animal político. Pode ser que o peemedebista até tenha dado a Caiado a palavra de que o apoiará em 2018. Mas, se o fez, foi nas condições políticas daquele 2014. No processo que transcorre a partir da eleição de Iris agora em 2016 até 2018, essas condições podem mudar.

E, caso as condições políticas se apresentem mais favoráveis a Iris do que a Caiado, ninguém tenha dúvida: o decano será o candidato do PMDB. O leitor pode dizer “Ah, mas durante a campanha pela Prefeitura de Goiânia, Iris disse várias vezes ‘vou cumprir os quatro anos de mandato para fazer a melhor gestão da história de minha vida’”. Ah, leitor, quantas vezes Iris disse que não seria candidato e depois foi?

Então, nem carece gastar tinta e papel para refutar esse argumento. Se o garboso cavalo passar arreado na frente de Iris, ele o monta e vai pra disputa e Caiado que se aperreie com seu raquítico DEM, sigla que está se desidratando mais a cada eleição.

Farpas
Na semana passada, em entrevista a uma rádio, o deputado José Nelto, uma das vozes mais estridentes do PMDB, disse que Iris não sai da prefeitura — “Eu renuncio ao meu mandato e não me candidato a mais nada, se o Íris sair antes”. Mas quem conhece José Nelto sabe que a palavra dele vale tanto quanto a de qualquer político. Portanto, Iris pode sair para se candidatar ao governo, Nelto não renuncia a nada e continua sendo candidato a alguma coisa ele já manifestou publicamente que vai disputar cadeira na Câmara Federal.

Outro sinal interessante foi emitido pelo deputado federal Daniel Vilela — e não custa lembrar que ele é presidente regional do PMDB —, também em entrevista à imprensa falada, em recado a Ronaldo Caiado. Daniel deixou claríssimo que ele está no páreo para ser candidato ao governo em 2018. Com o trunfo do apoio fechado da ala maguitista liderada pelo pai. O filho de Maguito não pronunciou o nome do senador democrata, mas ninguém tem dúvida de quem se trata.

Vai ser uma briga boa de ver, essa do PMDB para definir seu nome em 2018, entre as quatro possibilidades distribuídas nas alas irista e maguitista. Faíscas já começaram a reluzir e no ano que vem começam a virar chamas. O incêndio está anunciado.

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