Centro de Goiânia é a marca de uma cidade que cresceu desordenadamente, mas que pode ser recuperada

Análises mostram que a região central da capital tem capacidade para receber mais habitantes, o que prova: expansão urbana é um erro e a solução para o caso é mais fácil do que se pensa

Centro de Goiânia visto do alto: região pode ser melhor aproveitada, sobretudo com mais moradores

Centro de Goiânia visto do alto: região pode ser melhor aproveitada, sobretudo com mais moradores

Marcos Nunes Carreiro

Como morador de uma cidade, o leitor pode achar que a conhece em completude, principalmente se nasceu e cresceu nela. Tal pensamento, não raro, pode resultar em afirmações erradas, sobretudo com relação a grandes capitais, como Goiânia. Isso acontece porque, de tão ambientado ao local, é comum que o olhar de uma pessoa já não veja os detalhes que formam a cidade; detalhes que precisam ser enxergados para que a cidade seja, de fato, entendida.

Discutir Goiânia como um todo pode resultar em equívocos, visto que a cidade, embora não tenha a mesma quantidade de habitantes de São Paulo, cresceu além do previsto. Ao abranger um vasto território, a capital goiana se tornou uma metrópole que para ser entendida precisa ser analisada em suas variadas partes. Nesse contexto, o objeto de análise desta reportagem é o Setor Central (ao qual chamaremos Centro, com letra maiúscula), coração modificado da cidade.

Existem alguns conceitos que podem ajudar na compreensão daquilo que se pretende. Comecemos pelo macro: de tão plural, Goiânia é capaz de promover uma constante e intensa concentração de pessoas em locais específicos, deixando outros de lado. Isso faz, por exemplo, que a densidade média urbana da capital esteja muito além da ideal. Por densidade urbana entende-se a relação entre a população e uma determinada área. Esse cálculo é geralmente feito em habitantes por hectare (10 mil m²).

A densidade média ideal, segundo os especialistas, é de 300 habitantes por hectare. E qual é a densidade média goianiense? 30 habitantes por hectare. Isso acontece porque a cidade foi sendo espalhada ao longo dos anos e criando locais com baixíssimo adensamento, enquanto outros o têm além da medida — caso de Jardim Goiás e Setor Bueno, cuja média chega a 600 habitantes por hectare.

Atribui-se os dois fenômenos — expansão desnecessária e adensamento exagerado — à especulação imobiliária. Contudo, a responsabilidade também pode ser delegada às gestões e legislaturas municipais, pois os projetos que aumentam o território da cidade são aprovados pelos vereadores da cidade, muitos deles ligados ao setor imobiliário. É devido à ausência de planejamento? Não. Tanto que existe um plano diretor. O que falta é cumpri-lo.

Planejamento é uma palavra que não faltou para Goiânia, pois muito antes da Constituição Federal de 1988 e do Estatuto da Cidade de 2011 já existiam planos diretores para a capital. E foram cinco: o primeiro, de 1938, foi elaborado por Attilio Corrêa Lima e Armando Augusto de Godói, e serviu até os anos 1950; o segundo, de Luis Saia, não foi aplicado, mas foi desenvolvido entre 1959 e 1962; o terceiro foi pensado pelo arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, de 1967 a 1969; o quarto foi desenvolvido pela empresa Engevix Engenharia S.A. e aprovado em 1994.

O último, aprovado em 2007, foi de responsabilidade da Secretaria Municipal de Planejamento, sob consultoria do arquiteto e urbanista Luiz Fernando Cruvinel Teixeira, o Xibiu. As informações — retiradas da dissertação de mestrado defendida em 2011, na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), por Cáritas Roque Ribeiro — dão conta dos planejamentos feitos para a cidade. Mas também contam a história de desordenamento da cidade.

Ribeiro relata: “Apesar de sua origem planejada, Goiânia não conseguiu manter o projeto original, por causa dos conflitos sociais, econômicos e políticos. Em 1947, aprovou-se uma Lei Municipal de Código de Edificações (na qual constavam a Lei de Zoneamento e a Lei de Loteamento) que passava para a iniciativa privada a obrigação da infraestrutura e saneamento básico dos loteamentos. Contudo, com a pressão dos donos de terras e empreendedores imobiliários, o poder público cedeu e revogou as obrigações, exigindo apenas a locação e abertura das ruas”.

E esse processo se arrasta até os dias atuais. Ou seja, a grande questão é: Goiânia sempre sofreu com as pressões do ramo imobiliário e expandir a cidade de forma desordenada foi e continua sendo um erro. Um erro que tem gerado problemas ao longo dos anos. Para citar o óbvio: uma (des)mobilidade urbana. Para pontuar o não óbvio: a deterioração cultural e material de seu centro histórico.

A expansão só seria necessária se não houvesse vazios urbanos na cidade. Contudo, o último levantamento feito pelo Instituto de Desenvolvimento do Centro-Oeste (ITCO), em 2008, mostrou que existiam 100 mil vazios urbanos na cidade. Na região central são poucos, mas existem vários prédios e casas em situação de subutilização. Exemplos clássicos são dois prédios na Rua 2: um na esquina com a Avenida Araguaia e outro na esquina com a Avenida Goiás. Eles refletem o afastamento da população dessa região e a consequente deterioração dos patrimônios do local.

O leitor pode pensar: “Ora, mas o Centro é cheio de gente todos os dias”. Sim, todos os dias úteis durante o horário comercial. E a noite e nos fins de semana? Apenas os moradores utilizam a região. Quem passeia — veja bem: passeia — pelo Centro descobre situações e pessoas interessantes, além de várias placas de aluguel e venda de residências. Isso porque, embora o número de moradores tenha aumentado nos últimos anos, eles ainda são poucos.

Tanto é que a Associação de Moradores do Centro tinha, inclusive, a intensão de promover a construção de casas populares na região central de Goiânia como forma de atrair as pessoas e, assim, fazer com que o local fosse constantemente frequentado. Além disso, com o aumento da população, seria possível conseguir a revitalização e a requalificação do setor. O poder público, entretanto, não levou o projeto a sério.

Isto é, mesmo que a população do Centro tenha aumentado, ainda há espaço na região para algum adensamento. Não falamos de verticalização, até porque isso não é permitido, mas de uma melhor utilização do espaço que hoje está parado. Os prédios da Rua 2 são apenas um exemplo. Há vários outros.

Quem mora na região não pretende se mudar

Tadeu Arrais, professor do Instituto de Estudos So­cio­ambientais (Iesa) da Univer­sidade Federal de Goiás (UFG), dá a dica sobre o perfil dos moradores da região central de Goiânia: “Historicamente, os centros das grandes cidades começam a ser lugares degradados. Surge daí a ideia de gentrificação. O Centro de Goiânia não passou pelo processo de gentrificação, ainda bem, mas tem uma população em grande parte idosa, que sai pouco de casa”.

Vem daí a ideia de que o Centro não é habitado, o que não é verdade. Nos últimos anos, o setor tem passado por uma “reabitação”, sobretudo de jovens e adultos com família em formação. Veja os relatos:

Warley de Castro Pereira

Empresário Warley de Castro Pereira com sua mulher Angely e seu filho caçula, Samuel

Empresário Warley de Castro Pereira com sua mulher Angely e seu filho caçula, Samuel

“Moramos aqui há aproximadamente cinco anos e nos mudamos para o Centro por uma questão de qualidade de vida. Por exemplo: antes, se saíssemos do trabalho às 18h15, chegávamos em casa por volta das 19h30, mesmo de carro próprio. O que mais influenciou nossa mudança para o Centro foi isso. Outro fator importante é que tínhamos a concepção de que o valor dos imóveis era mais barato nos bairros que na região central. Mas descobrimos que não. Os imóveis do Centro, apesar de antigos, têm boa estrutura, são grandes e com preços menores.

Além disso, há a tranquilidade. Apesar de que quando nos mudamos o policiamento fosse melhor, a região é muito mais tranquila do que nos bairros. No meio da semana é bastante movimentado, mas a noite e nos fins de semana parece uma cidade do interior do Estado: as pessoas saem para caminhar e passear com os animais de estimação ou ficam sentadas conversando. Há também várias atividades culturais gratuitas no Bosque dos Buritis, por exemplo, e atividades esportivas também, como no Centro de Excelência. E sobram vagas. Se não bastasse é tudo perto. Só uso o carro para levar minha filha mais velha na escola.”

Ailton Santos da Cruz

Ailton Santos: “Minha qualidade de vida melhorou muito depois que me mudei”

Ailton Santos: “Minha qualidade de vida melhorou muito depois que me mudei”

 

“Moro no Centro há dois meses. Antes morava no Garavelo. Morava de aluguel e precisei me mudar. Como já trabalhava na região central, achei melhor me mudar para cá. Nos bairros mais distantes há a especulação imobiliária, o que aumenta muito o valor dos imóveis tanto para aluguel quanto para a compra. No Centro encontrei um imóvel melhor do que eu morava e com preço igual. Assim, fico perto do trabalho e morando com uma qualidade melhor.

Além disso, aqui tem a vantagem de ser tudo perto. Se precisar de um cartório, de um banco ou de uma loja, você encontra a poucos minutos. Agora, posso também fazer caminhada, pois antes eu já chegava em casa tarde e cansado e lá não tinha um local apropriado para a prática de atividades físicas. Aqui há os bosques. Então, minha qualidade de vida melhorou muito.”

Walacy da Silva Neto

Walacy da Silva Neto: “Morar no Centro é olhar pela janela e esperar algo acontecer”

Walacy da Silva Neto: “Morar no Centro é olhar pela janela e esperar algo acontecer”

“Namorei o centro de Goiânia desde o dia que mudei para a cidade. Vindo de Itaberaí, a 100 km da capital, mudei para o Setor Leste Vila Nova; de lá para o Setor Bela Vista e depois para o Setor Bueno. Sempre namorando, de longe, o Centro. Sempre vivendo boa parte do meu dia pela Rua 3 e Avenidas Tocantins e Anhanguera. O Centro permite muito mais do que proximidades entre um barzinho legal e outro. Tem os acontecimentos, como olhar pela janela da minha casa (que dá para a Rua 9) esperando alguma coisa “explodir”. Sempre acontece algo no Centro.

Para mim, falar do Centro é apelar para o clichê. A multidão de pessoas, a possibilidade de lugares e as duas fases do dia (enquanto tem sol e depois que não tem) que apresentam puramente do que se trata a nossa capital. Isso porque durante o dia o Centro se movimenta, se agita, grita pela janela e pelos auto-falantes do carro de som. O sol parte e, durante a noite, um enorme silêncio às vezes cortado apenas pela sirene de uma ambulância ou de um carro da polícia. Agora que moro no Centro, vivemos eu e ele uma lua de mel.”

É preciso “devolver” o Centro à população goianiense

“Um dia, estava na porta do Iphan esperando uma colega e passou um senhor. Ele parou para conversar comigo e me perguntou se eu conhecia o nome de uma planta que há perto de onde eu estava e disse a ele o nome pelo qual eu conhecia. Achei linda a delicadeza de uma pessoa perceber que a árvore estava colorida e ficar lá contemplando por um longo tempo. Imagino que a qualidade de vida desse senhor deve ser extraordinária”.

A fala é de Salma Saddi Waress de Paiva, superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Goiás, e diz respeito a como a população se relaciona com a cidade, sobretudo com o Centro, que deveria ser a principal referência de memória de Goiânia, mas que perdeu essa função ao longo dos anos em prol da funcionalidade única dos serviços que são prestados no local, como comércio e bancos.

Superintendente do Iphan, Salma Saddi de Paiva: “Precisamos ter ações voltadas para o patrimônio de Goiânia” | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Superintendente do Iphan, Salma Saddi de Paiva: “Precisamos ter ações voltadas para o patrimônio de Goiânia” | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Nesse aspecto, Salma diz algo essencial: “Qual a cidade que nós queremos? Isso parte do poder público. As pessoas aderem a essa proposta. A iniciativa de ONGs existe, mas é um tanto tímida, porque essas pessoas lutam com muita dificuldade. Precisamos é de atitudes. Ter ações voltadas para a questão do patrimônio de Goiânia. A qualidade de vida passa por essas questões”.

Ou seja, promover a “ocupação” do Centro não é apenas uma questão de adensamento imobiliário, mas também cultural. E atrair a população para estar presente na região a noite e nos fins de semana faz com que a memória da cidade seja preservada: tanto a imaterial — relacionado aos saberes, à habilidades, às crenças etc. — quanto a material — os locais, os prédios, os becos. Mas isso só será alcançado quando todos os órgãos públicos (federais, estaduais e municipais) se unirem em prol desse objetivo.

Um exemplo: a própria reforma da Praça Cívica trabalha para este sentido. Ao retirar os veículos do local, a revitalização irá devolver à Praça o seu caráter de civilidade, de memória, atraindo as pessoas de volta para a região. Salma conta que o Iphan, parceiro da Prefeitura na revitalização da Praça, recebeu um prédio no local e que o trabalho do instituto será no sentido de que as pessoas possam sempre visitar o local, seja para ver uma exposição ou assistir a um documentário na hora do almoço. “Essa história de que as pessoas não têm bom gosto não existe. Todo mundo gosta do que é bom e bonito, mas nem todos têm acesso à cultura. É uma questão de oportunidade”, afirma.

Funcionalidade

Beatriz Otto de Santana, arquiteta, urbanista e coordenadora técnica do Iphan em Goiás, aponta outro fator importante em relação ao centro da capital. A pulverização dos serviços públicos para diversos locais da cidade: Prefeitura, algumas secretarias de Estado e de município, assim como a Assembleia Legislativa, Ministério Público, Tribunais de Contas etc.

Arquiteta e urbanista Beatriz Otto: “O Centro precisa ter ocupações à noite, principalmente moradia, para que não seja cada vez esvaziado” | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Arquiteta e urbanista Beatriz Otto: “O Centro precisa ter ocupações à noite, principalmente moradia, para que não seja cada vez esvaziado” | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Para ela, isso faz com que a região vá perdendo sua característica de centro cívico e promove o esvaziamento do local, sobretudo porque o comércio também perdeu força ao longo do tempo, principalmente com o surgimento dos shoppings. “Assim, quando termina o horário de expediente, morre a vida. Então, o que deve ser buscado é ter um uso misto. O Centro precisa ter ocupações a noite, principalmente moradia, para não esvaziá-lo. Ou seja, o Centro é da população, mas pode ser usado por mais pessoas ainda, com essa possibilidade de uso contínuo”, relata.

Dessa forma, a questão é: se as pessoas tiverem incentivos para frequentar o Centro, elas o usarão. E a partir do momento que as pessoas querem conhecer, o local se preserva melhor. E o que poderia fazer as pessoas quererem conhecer a região? Beatriz dá uma ideia: o aproveitamento de duas grandes intervenções de mobilidade urbana que passarão pelo Centro: o BRT Norte-Sul e o VLT Leste-Oeste.

Os projetos estão prontos e estão sendo analisados pelo Iphan — análise necessária, uma vez que o traçado original da cidade é patrimônio histórico e não pode ser modificado. Assim, os projetos passam pelo instituto que, atualmente, aguarda o envio dos projetos executivos com os ajustes que foram apontados nos pareceres técnicos. Contudo, o parecer o Iphan é restrito à área tombada, tanto que a obra do BRT já começou, embora ainda muito distante da região central.

Voltemos à ideia de Beatriz: “Teremos grandes plataformas de embarque e desembarque. Assim, porque não associar essas plataformas ao conhecimento da cidade? Por exemplo, a estação que será construída em frente ao Grande Hotel, ao invés de se chamar estação 37, por exemplo, pode ser denominada Estação Grande Hotel. Isso já reforça a identidade do local. É possível também colocar mapas com sugestões de percursos a pé para conhecer os locais e prédios importantes na região”.

Reavivando os becos de Attilio Corrêa Lima

O Centro de Goiânia esconde segredos. O leitor talvez desconheça as vielas e becos que existem atrás dos prédios da Avenida Goiás e que se espalham por vários outros locais na região do traçado original da cidade. Se co­nhecer, talvez seja porque já estacionou seu carro em alguma deles.

O atual Secretário Municipal de Direitos Hu­manos e Políticas Afir­mativas, Pedro Wilson, quando foi prefeito de Goiânia (2001-2004) encabeçou um projeto chamado Goiânia Cara Limpa, que revitalizou o centro da capital dando a ele o aspecto paisagístico que tem hoje. O principal objetivo do projeto era justamente o de atrair a população para o local.

Uma das partes desse projeto era a de conceder às vielas e becos do local — que são muitos — um caráter mais cultural, para que eles não se perdessem apenas como estacionamento durante o dia e local de consumo de drogas a noite. “As vielas surgiram, segundo o desenho original de Attilio Corrêa Lima, para que caminhões entregassem mantimentos para as casas e lojas. Hoje, são estacionamentos e estão desaparecendo”, diz.

Assim, segundo o ex-prefeito, a intenção do Cara Limpa era transformá-las em centros de cultura popular, de gastronomia. “As pessoas não vêm mais para o Centro. Elas passam pelo Centro. É preciso ter atividades, como incentivo de grupos de rock e serestas para atrair as pessoas, principalmente nos fins de semana”, relata. O beco atrás do Grande Hotel, por exemplo, fica praticamente inutilizado durante a maior parte do tempo a não ser para servir de estacionamento. Às vezes, há alguma programação nos fins de semana.

A questão de usar melhor essas vielas e becos, patrimônio histórico e memorial de Goiânia, não é retirar sua útil função de estacionamento durante o dia — até porque a cidade carece de locais para estacionar sua enorme quantidade de carros — mas promover usos contínuos. Um caso a ser citado como exemplo é o Beco da Codorna, localizado entre as Avenidas Tocantins e Anhanguera, que foi reavivado neste ano pela iniciativa de um artista.

Eduardo “Aiog” Fernando: “É preciso que mudemos os aspectos dos becos do Centro. Eles têm muito potencial para atrair as pessoas”

Eduardo “Aiog” Fernando: “É preciso que mudemos os aspectos dos becos do Centro. Eles têm muito potencial para atrair as pessoas”

A reportagem foi procurar Eduardo “Aiog” Fernando no Beco da Codorna, onde se localiza a Upoint Streetart, galeria de arte criada e mantida pelo artista desde o início do ano. Ele relata que existe um grupo organizado de grafiteiros em Goiânia que sempre usou os becos do Centro para pintar e que um dia, grafitando o Beco da Codorna com esse grupo, ele percebeu que havia um espaço para alugar.

— Aluguei sem saber bem o que fazer com o imóvel. Eu passava os dias aqui e com a vontade de transformar seu visual, pois o ambiente era um pouco mais carregado com tinha aquela imagem geral dos becos, de abandono. Dessa forma, surgiu a ideia de fazer uma associação que juntasse os artistas. Foi assim que fizemos o Festival Beco, em abril, que reuniu quase 70 grafiteiros com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e mudamos o caráter do local.

— Quantas pessoas passaram por aqui nos dias do evento?

— Foram três dias de evento. Passaram por aqui entre três e quatro mil pessoas. Veio gente de toda a cidade e hoje o beco é praticamente um ponto turístico. Tem artistas do Brasil inteiro que veem coisas na internet e vêm aqui conversar com a gente. Já vieram até “gringos” aqui. Além disso, também temos uma galeria de arte que está aqui permanente com exposições de telas. E as pessoas vêm.

A associação, que ainda está sendo formada, promove eventos constantes no local que, de dia é estacionamento, mas a noite vira ponto de cultura popular. E, por meio dessa inciativa, o Centro vai se reavivando.

Durante o dia, o Beco da Codorna tem função de estacionamento. Mas a noite e nos fins de semana, a cultura invade o local

Durante o dia, o Beco da Codorna tem função de estacionamento. Mas a noite e nos fins de semana, a cultura invade o local

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