Cenário à Prefeitura de Goiânia começa a ganhar novos contornos

Início de pré-campanha deixou mais nítido o quadro ao pleito municipal na capital. Partidos e postulantes a prefeito se articulam e as dúvidas em relação às pré-candidaturas vão se desfazendo

O princípio da pré-campanha à Prefeitura de Goiânia está repleto de eventos que permitem ao eleitor ter uma visão mais clara do cenário. Os partidos que devem protagonizar as eleições municipais deste ano se mobilizam na realização de prévias ou em torno de um consenso sobre um nome para representá-los nas urnas.

O PSDB, sigla do governador Marconi Perillo, e o PT do prefeito Paulo Garcia caminham para a realização de prévias. Já PMDB, PSB e PTB estão com seus pré-candidatos definidos.
A grande incógnita do mo­mento é em relação ao deputado federal Waldir Soares. O pré-candidato anunciou na semana passada que não disputará as prévias do PSDB, sinalizando que vai deixar a legenda. Com a retirada do parlamentar que foi recordista de votos à Câmara dos Deputados em Goiás nas eleições de 2014, o caminho está aberto para o deputado federal Giuseppe Vecci. Antes, porém, o ex-secretário estadual de Planejamento passará por prévia juntamente com outro pré-candidato, o vereador e presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Anselmo Pereira.

Já no PT, o cenário ainda é incerto em razão do número de quadros que postulam a vaga de pré-candidato oficial do partido à Prefeitura de Goiânia. Tudo indica que as correntes internas não chegarão a um consenso em torno de um nome, o que leva à questão a ser resolvida por meio de prévias. Os deputados estaduais Luis Cesar Bueno, Humberto Aidar e Adriana Accorsi, e a ex-deputada federal Marina Sant’Anna, postulam a oficialidade de candidatos do PT a prefeito.

Fora do eixo das tradicionais legendas, o PTB capitaneado pelo deputado federal Jovair Arantes ressuscitou Luiz Bitten­court do ostracismo político e o confirmou como pré-candidato à Prefeitura de Goiânia. O ex-deputado federal que passou boa parte de sua vida política no PMDB volta à cena com a estampa de “fato novo”. Já o PSB que, atualmente, é presidido em âmbito estadual pela senadora Lúcia Vânia, tem como pré-candidato o empresário Vanderlan Cardoso.

Apresentado este cenário, o eleitor já tem uma clara ideia do que esperar nos próximos meses até o início oficial da campanha. Pode ocorrer que algumas peças deste xadrez sejam retiradas do tabuleiro ou substituídas por outro. Em linhas gerais, não há muitas dúvida do que esperar.

PSDB: saída de Waldir Soares aproxima Giuseppe Vecci da condição de candidato

Waldir Soares desiste de prévias no PSDB. Pré-candidato negocia com diversos partidos; Pré-candidato Giuseppe Vecci participará de prévias no PSDB com vereador Anselmo Pereira

Waldir Soares desiste de prévias no PSDB. Pré-candidato negocia com diversos partidos; Pré-candidato Giuseppe Vecci participará de prévias no PSDB com vereador Anselmo Pereira | Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção

O fato que marcou a semana no meio político em Goiânia foi a formalização da desistência das prévias pelo pré-candidato Wal­dir Soares. O ato também é interpretado como uma saída do parlamentar do PSDB, partido em que ele se elegeu deputado federal em 2014 com 274.625 votos — a maior votação já alcançada por um político goiano à Câmara dos Deputados.

Na realidade, Waldir sempre se posicionou contrário à realização de prévias. Para ele, sua expressiva votação tornaria desnecessário que ele disputasse a indicação com colegas de partido que têm menos de 1% das intenções de votos nas pesquisas. O delegado de polícia lembra que marca mais de 20% em todas elas. Na oficialização de sua abdicação das prévias, Waldir divulgou uma nota elencando 22 motivos — coincidentemente o número do PR, sigla com a qual negocia sua filiação — que o levou tomar para tal decisão. Na realidade a carta é uma crítica direcionada à cúpula do partido, in­cluindo Marconi.

Mesmo com o recuo, o parlamentar declara: “Sou 100% pré-candidato à Prefeitura de Goiânia.”, diz. Sobre seu desligamento do PSDB, Waldir afirma que assim que chegar o período da janela partidária vai consumar a saída. Segundo ele, há dezenas de legendas em negociação para a sua vinda e todas com perspectivas de alçá-lo à condição de pré-candidato. “Há vários partidos com convites formais para que eu migre. Com exceção do PT, Psol, PCdoB, PCB e Rede, as demais siglas me convidaram”, diz.

Já o deputado federal Giuseppe Vecci vai participar de prévias, marcadas para o próximo dia 21 de fevereiro. Em busca de apoio, ele considera salutar que os integrantes do partido venham a discutir propostas e projetos para Goiânia. “Estamos há 16 anos sem ocupar a Prefeitura de Goiânia. E o PSDB tem demonstrado a sua prática exitosa e moderna na gestão pública e precisamos mostrar isso novamente”, afirma.

Para o pré-candidato, as prévias e as discussões internas que o PSDB tem promovido, como os debates, confirmam o preparo do partido para administrar Goiânia. “O partido vive um momento muito rico. As prévias animam a militância, que tem a oportunidade de apresentar suas ideias e demandas”, afirma.

PMDB: oficialização de Iris como pré-candidato em abril

Iris Rezende é unânime no PMDB para tentar novamente o Paço Municipal | Fernando Leite/Jornal Opção

Iris Rezende é unânime no PMDB para tentar novamente o Paço Municipal | Fernando Leite/Jornal Opção

Não há dúvidas: o ex-prefeito Iris Rezende é o pré-candidato do PMDB à Prefeitura de Goiânia. O partido é unânime em aclamá-lo sem que haja maiores discussões ou prévias. O que resta ao partido é traçar uma diretriz de formação de aliança, que será fundamental para os planos de retorno do líder peemedebista ao comando do Paço Municipal. Porém, uma coisa é certa: o PMDB não terá a companhia do PT no pleito deste ano.

De acordo com o vice-prefeito Agenor Mariano, confirmada a vontade do decano peemedebista em disputar mais um pleito em Goiânia, a legenda começará a trabalhar um plano de governo que, em suas palavras, tratará da “re­construção” da cidade. “Na ver­­dade, em nosso entendimento, a cidade precisa ser reconstruída”, afirma.

Em relação à formatação de alianças, Agenor Mariano diz que Iris será o grande influenciador na escolha de aliados. O vice-prefeito não adianta e tampouco nomeia as siglas, mas é possível deduzir que o SD, do ex-deputado federal Ar­mando Vergílio e o DEM do senador Ronaldo Caiado possam caminhar juntos com o PMDB outra vez, a exemplo de 2014.

Agenor Mariano projeta que, até abril, o partido se manifeste em relação a oficialização da candidatura de Iris e sobre a formação de alianças. “Enquanto Iris não declarar publicamente que é candidato, naturalmente, os outros partidos estarão receosos em tratar sobre alianças. Mas até abril essas definições estarão acontecendo”, afirma.

PT: Luis Cesar Bueno, Adriana Accorsi, Humberto Aidar e Marina Sant’Anna

Adriana Accorsi é a nova estrela em ascensão no PT em Goiânia; Luis Cesar Bueno tem a seu favor amplas bases eleitorais na capital

Adriana Accorsi é a nova estrela em ascensão no PT em Goiânia; Luis Cesar Bueno tem a seu favor amplas bases eleitorais na capital | Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção

Com início do período pré-eleitoral, a sigla que detém o poder na capital tem quatro pré-candidatos ao Paço Municipal: Luis Cesar Bueno, Adriana Accorsi, Hum­berto Aidar e Marina Sant’Anna. Como já relatado na edição 2118 do Jornal Opção, o clima de disputa é in­tenso e o nome petista para sucessão de Paulo Garcia poderá ser escolhido por meio de realização de prévias — caso não haja consenso em relação a quem vai defender as cores do PT na corrida pelo Paço Municipal.

Como a convenção do partido está prevista para julho, ainda há muita coisa para acontecer. Até lá as lideranças das diversas tendências orgânicas que compõem o partido poderão sentar e definir um quadro, com o intuito de evitar fissuras maiores que possam vir por meio de uma votação interna. Entretanto, todos os que se apresentam como pré-candidatos não estão dispostos a abrir mão do projeto eleitoral a prefeito.

Marina Sant’Anna é o nome do Movimento Cerrado, tendência do PT; Humberto Aidar quer romper com o legado de Paulo Garcia no Paço | Fotos: Jornal Opção

Marina Sant’Anna é o nome do Movimento Cerrado, tendência do PT; Humberto Aidar quer romper com o legado de Paulo Garcia no Paço | Fotos: Jornal Opção

Luis Cesar Bueno foi vereador por dois mandatos e está em seu terceiro na Assembleia Legisla­tiva. Com forte apelo eleitoral em Goiânia, ele acredita que reúne todos os predicados para defender a supremacia política do partido na capital. Adriana Accorsi é uma estrela em ascensão e no pleito de 2014 foi eleita deputada estadual com mais de 43 mil votos (31 mil somente em Goiânia). Por ser delegada de polícia, seu perfil atende os eleitores interessados em políticas públicas voltada à segurança pública, um dos maiores gargalos que afligem a sociedade.

O deputado estadual Hum­berto Aidar é o pré-candidato que faz críticas a atual administração. Há várias legislaturas na As­sembleia Legislativa, o parlamentar tem a seu favor as bases ligadas à Igreja Católica. Já Marina Sant’Anna tenta consolidar seu nome com apoio da tendência (Movimento Cerrado) ligada ao ex-prefeito Pedro Wilson. De qualquer forma, o eleitor goianiense saberá quem será o candidato do PT em junho.

Vanderlan Cardoso e Luiz Bittencourt: terceira e quarta vias

Vanderlan Cardoso foi o primeiro a oficializar a sua pré-candidatura; Luiz Bittencourt retorna à cena política como pré-candidato do PTB 

Vanderlan Cardoso foi o primeiro a oficializar a sua pré-candidatura; Luiz Bittencourt retorna à cena política como pré-candidato do PTB

O primeiro pré-candidato anunciado à Prefeitura de Goiânia para o pleito deste ano foi Vanderlan Cardoso (PSB). Animado pela votação expressiva conquistada na capital nas eleições de 2014 — 171 mil votos (24,30%) —, o empresário, que é ex-prefeito de Senador Canedo, vislumbra em Goiânia uma nova experiência administrativa no poder Executivo municipal, desta vez à frente do maior orçamento do Estado.

Além de ter cedido espaço da presidência da legenda em favor da senadora Lúcia Vânia, por enquanto, Vanderlan tem o apoio do PPS do deputado federal Marcos Abrão e do PSC — sigla “controlada” pelo pré-candidato. Provavelmente, o PRP, partido em que o publicitário e ex-secretário estadual da Fazenda, Jor­celino Braga, exerce grande influência deverá integrar a aliança do projeto socialista à Prefei­tura de Goiânia.

Já o PTB do deputado federal Jovair Arantes aposta suas fichas no pré-candidato Luiz Bitten­court. O ex-deputado federal — ex-presidente da Assembleia Legislativa de Goiás e do Con­selho Re­gional de Engenharia e Agronomia (Crea-GO) — não é um neófito em eleições municipais em Goiânia. Ele já concorreu à Prefeitura em duas oportunidades: em 1992 pelo PDC e em 1996 pelo PMDB. Ambos os pleitos foram ganhos por Darci Accorsi e Nion Albernaz, respectivamente.

Repaginado e recém-saído de um hiato de cinco anos de afastamento da política, Luiz Bittencourt pode ser considerado um candidato de terceira ou quarta via, apesar de pertencer a um partido que compõem a base aliada do governador Marconi. Poderia ele integrar a vice ou a cabeça de chapa de uma ampla frente governista? É possível. Mas pelo conteúdo de seu discurso e entrevistas, ele dá sinais que não espera compor a vice de ninguém. Mais: continua gastando a “sola do sapato” com objetivo de agregar força a sua pré-candidatura que já tem feito muito barulho.

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