Candidaturas estão definidas

José Eliton, Daniel Vilela e Ronaldo Caiado são os nomes; se o PT decidir formar chapa própria, Antônio Gomide é o mais provável

José Eliton, Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Antônio Gomide: os três primeiros estão praticamente certos e o último também pode entrar na disputa pelo Palácio das Esmeraldas

A sucessão estadual entrou num clima morno, como não poderia deixar de ser. Recesso de fim de ano, carnaval no mês que vem… O calendário eleitoral determina que as convenções para a escolha dos candidatos a presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e respectivos suplentes, deputado federal, deputado estadual (ou distrital) deverão ser realizadas entre os dias 20 de julho e 5 de agosto.

Então, depois do carnaval é que as conversas sobre alianças, coligações, formação de chapas começam de fato. Muitas vezes, as tratativas entram em enrosco e definições só são fechadas no dia mesmo da convenção.

Mas há uma certeza: três políticos estão fazendo campanha efetiva, em condições restritivas que impõem o nome de pré-campanha. Pelo que se viu nos meses anteriores, os goianos terão com certeza três nomes para escolher um deles e mandá-lo para ser inquilino do Palácio das Esmeraldas, a partir de 1º de janeiro de 2019.

São eles: José Eliton, do PSDB, pela chamada base aliada governista comandada pelo governador Mar­coni Perillo; Daniel Vilela, do MDB, principal partido de oposição ao go­verno; e Ronaldo Caiado, do DEM, o nome mais conhecido e que por isso mesmo lidera as pesquisas de intenção e votos realizadas até agora.

Como o leitor pode ver, o PT, que sempre teve presença importante nos pleitos estaduais, não foi citado. É que o partido ainda segue como incógnita. Não se decidiu se vai apoiar o MDB ou se lança chapa majoritária própria. No caso de resolver se lançar na aventura de candidatura solteira (ou quase isso, aliando-se a um ou outro nanico), os petistas não teriam dificuldades para escolher um nome. E o primeiro que salta à lembrança é o do vereador por Anápolis Antônio Gomide, ex-prefeito daquela cidade e que disputou o governo em 2014.

Então, o cenário pode ficar num um escopo de quatro opções: José Eliton, Daniel Vilela, Ronaldo Caiado e Antônio Gomide (ou outro petista) — lembrando que quase sempre dois ou três partidos nanicos lançam nomes pouco expressivos que no frigir dos ovos tanto faz disputarem ou não, o eleitor não toma conhecimento deles.

Os três definidos

José Eliton é vice-governador. Tem a vantagem da visibilidade que o cargo lhe proporciona naturalmente. Escolha do governador Marconi Perillo, que vai renunciar em abril para disputar uma cadeira no Senado (uma postulação nacional não está descartada), Eliton vem se preparando com afinco tanto para comandar o Estado no restante do atual mandato, como para disputar a reeleição em outubro.

O governo do Estado começou um rush de inaugurações e não resta dúvida de que José Eliton será o grande beneficiário dessa movimentação. Sem contar que ele liderou o Programa Goiás na Frente, de parcerias com as prefeituras para realização e obras definidas pelos próprios prefeitos. Eliton é sempre definido, mesmo por prefeitos dos partidos de oposição, como um político municipalista por excelência.

Daniel Vilela é deputado federal em primeiro mandato, o que não o impediu de assumir tarefas importantes na Câmara, o que lhe garantiu espaço, amizades e contatos importantes em nível nacional. É a esperança de renovação que seu partido tanto precisa. Em que pese isso, não ganhou unanimidade no MDB. O grande líder do partido, Iris Rezende, que comanda uma expressiva ala partidária, prefere apoiar Ronaldo Caiado.

Dessa forma, Daniel ainda tem a difícil tarefa de vencer a batalha interna no seu partido. Ele tem trunfos, claro. A juventude, a boa estampa, o preparo pessoal, a experiência política inequívoca — foi vereador, deputado estadual e é deputado federal —, mesmo na flor de seus 35 anos, são fatores que contam positivamente. A estirpe familiar também conta. Daniel aprendeu e segue aprendendo muito com o pai, Maguito Vilela, um dos políticos goianos mais experientes, homem de extrema cordialidade e agregador.

Ronaldo Caiado é o líder das pesquisas. Um dos três políticos goianos mais conhecidos (os outros são Iris Rezende e Marconi Perillo), é natural que ele pontue na frente nas pesquisas, antes que a campanha seja deflagrada efetivamente. Os problemas do democrata é que além de uma mensagem nada construtiva, raivosa, ele tem um partido que virou nanico em Goiás. O DEM perdeu suas figuras mais importantes ao longo dos últimos anos, insatisfeitas com a mão de ferro com que Caiado dirige a sigla, usada única e exclusivamente em seu próprio interesse.

Caiado busca desesperadamente o apoio do MDB. Sabe que só o DEM e mais duas ou três siglas nanicas sem nenhuma expressão não lhe possibilitarão competitividade. Sem o MDB, Ronaldo Caiado não terá sequer nomes para formar chapa proporcional de deputado estadual e deputado federal. O problema é que o democrata já avançou demais em seu projeto ao governo e recuar seria uma demonstração de fraqueza. Nesse sentido, tem a vantagem de estar no meio do mandato de senador, pode disputar o Palácio das Esmeraldas e, perdendo, volta ao Senado.

PT tem várias opções, mas o nome mais consistente é Gomide

Kátia Maria e Ceser Donisete: “Nossa prioridade é fazer um
palanque para Lula em Goiás”

PT pode se aliar ao PMDB, caso este não faça coligação com o DEM de Ronaldo Caiado. Mesmo que o partido se ressinta do apoio que em nível nacional os emedebistas deram à deposição de Dilma Rous­seff, os dirigentes petistas têm consciência da fraqueza da sigla em nível re­gional. Por isso, a possiblidade de co­ligação com o MDB de Daniel Vilela é real.

Ceser Donisete, um dos dirigentes petistas, informa que não houve ainda conversas mais aprofundada com o MDB, embora Daniel Vilela já tenha se reunido mais de uma vez com o ex-prefeito Antônio Gomide, com o deputado federal Rubens Otoni e os deputados estaduais da sigla. “A partir de fevereiro o PT vai se reunir e deliberar todas as possibilidades, de aliança ou de chapa própria. Vamos ver. Não fechamos as portas para ninguém, a não ser com Ronaldo Caiado, aí é impossível.”

No caso de chapa própria, que Donisete vê como perspectiva mais provável, ele lista nomes com possibilidades de disputar o governo. Começando com Antônio Gomide, que é mais conhecido. “O nome de Gomide é natural, afinal ele disputou a última eleição e teve mais de 10% dos votos, o que é significativo, e tem uma liderança muito importante em Anápolis”, diz.
Donisete amplia a lista: “Temos mais gente preparada, a Marina Sant’anna, que teve mais de 10% dos votos na eleição para o Senado. O deputado federal Rubens Otoni, nossos deputados estaduais, o professor Pedro Wilson, ex-prefeito de Goiânia, ex-deputado, que é muito respeitado. Temos vários outros nomes bons. O PT não tem nenhuma dificuldade em ter candidatura própria.”

O próprio Antônio Gomide endossa a lista, acrescentando ainda os dos professores Zé do Carmo e Neide Aparecida. “Mas não estamos preocupados com nomes agora. A partir de fevereiro começamos a discutir internamente se vamos apoiar algum partido ou se vamos com chapa própria. Em março devemos definir. A presidente Kátia Maria vai comandar esse processo”, diz Gomide.

Kátia Maria corrobora: “Por enquanto não pensamos em nomes, vamos discutir”, diz, acrescentando que o PT quer formar uma frente de esquerda para contrapor as candidaturas postas em Goiás e que a prioridade é mesmo a candidatura Lula da Silva. “Que­remos garantir um palanque para elegermos Lula mais uma vez.”

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.