Aliança iniciada em 2014 pode ser decisiva nas eleições de Goiânia seis anos depois

Na primeira vez que se juntaram em chapa majoritária, foi Caiado quem precisou do apoio de Iris para se tornar senador. Em 2020, prefeito e governador tendem a retomar junção de forças 

Prefeito Iris Rezende (MDB) e governador Ronaldo Caiado (DEM) devem subir juntos em palanque caso emedebista seja candidato a reeleição | Foto: Jackson Rodrigues

Em 2018, o governador Ronaldo Caiado (DEM) e o prefeito Iris Rezende (MDB) deixaram de lado a aliança eleitoral firmada em 2014 e reforçada dois anos depois. O motivo era óbvio: o MDB tinha lançado candidato na corrida ao Palácio das Esmeraldas e não havia a possibilidade de dos dois dividirem o mesmo palanque. Seria uma traição do principal nome do partido, o político símbolo da sigla em Goiás.

Passada a votação de outubro daquele ano, governador eleito e o prefeito de Goiânia retornaram o bom contato e firmaram parceria administrativa. Algo esperado, já que em 2014 foi dado início a uma união eleitoral que, naquele momento, era mais vantajosa para Ronaldo Caiado, que se beneficiou da força nas urnas do emedebista e foi eleito senador. Depois, chegou a vez de Iris ganhar força em 2016 e voltar à Prefeitura de Goiânia com ajuda do DEM, partido presidido pelo então congressista.

O caminho está aberto para uma candidatura a reeleição na capital de Iris Rezende, que entra em 2020 no último ano de sua quinta gestão como prefeito de Goiânia. O presidente estadual do MDB, o ex-deputado federal Daniel Vilela, que disputou o governo do estado em 2018 com Caiado, não será um obstáculo na retomada da aliança eleitoral do chefe do Executivo municipal com o democrata. Como já disse em entrevista ao Jornal Opção, se tiver que estar ao lado do governador no palanque de Iris, o momento será uma prova da força e o reconhecimento da liderança que o prefeito representa em Goiás.

Tanto Caiado quanto Iris sabem que a aliança nas urnas em 2020 pode representar no mínimo mais dois anos de paz administrativa para os dois caso o emedebista seja reeleito prefeito de Goiânia. Ter o gestor da capital ao lado do governador é um alívio enorme para o Estado e a possibilidade de parcerias facilitadas para o município. Goiânia ganharia com a boa vontade na liberação de recursos estaduais.

Presidente estadual do MDB, ex-deputado federal Daniel Vilela diz ver possibilidade de Caiado no palanque de Iris como um reconhecimento da liderança do prefeito de Goiânia | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

É claro que outros bons nomes se apresentam na disputa, mas as pesquisas apontam que Iris largaria com ampla vantagem no início do primeiro turno. Pré-candidatos como o deputado federal Francisco Jr. (PSD), o secretário estadual de Indústria e Comércio, Wilder Morais (DEM), a vereadora Dra. Cristina Lopes (PL), a deputada estadual Adriana Accorsi (PT), o deputado federal Elias Vaz (PSB), o presidente da Câmara de Goiânia, Romário Policarpo (Patriota), o deputado estadual Major Araújo (PSL) e a coordenadora de Mulheres da Federação de Técnicos das Universidades e Institutos (Fasubra), Mariana Lopes (PSOL), sabem que entrar em uma campanha contra Iris não é uma tarefa fácil.

Impossível? Não. Mas bastante complicada. É tentar disputar voto a voto com um homem público que tem a marca de serviços prestados à capital e ao Estado nos últimos 60 anos. São 86 anos reconhecido por uma parcela considerável dos goianienses, que elegeram o emedebista vereador, prefeito em cinco eleições, deputado estadual, senador, duas vezes governador e que já ocupou os cargos de ministro da Justiça e da Agricultura. São poucos os políticos no Brasil com o currículo político de Iris.

Mas isso não ganha eleição. Estão em jogo a conclusão das muitas obras que a Prefeitura de Goiânia executa neste momento e a avaliação que o eleitor fará, por exemplo, da saúde municipal em outubro. Outros nomes, como Francisco Jr. e Cristina Lopes, pretendem apresentar uma alternativa de inovação e ideias contemporâneas. Quem vota no emedebista sabe o que esperar de uma administração do grande líder do MDB: dois anos de recuperação das finanças e a segunda metade da administração de ações e intervenções na cidade.

Quem percebeu o movimento e talvez tenha jogado bem com a aliança cada vez mais sólida entre Caiado e Iris foi o secretário Wilder Morais. O ex-senador do DEM é o único dos pré-candidatos a prefeito de Goiânia que foi às redes sociais para desejar feliz aniversário publicamente ao emedebista, que completou 86 anos no dia 22 do mês passado. Wilder é um dos cotados para assumir a vaga de vice-prefeito na chapa de Iris se o prefeito decidir disputar a reeleição.

Secretário estadual de Indústria e Comércio, Wilder Morais (DEM) pode jogar com pré-candidatura para ser vice em uma possível chapa de reeleição do prefeito Iris Rezende (MDB) | Foto: Lívia Barbosa/Jornal Opção

Até que o político do MDB defina sua situação eleitoral este ano, o jogo político de olho nas urnas em outubro segue indefinido. Todos os pré-candidatos sabem que serão duas corridas completamente diferentes disputar com Iris ou se lançar sem o prefeito na concorrência. E Caiado pode até sonhar com a continuidade da costura com o emedebista para 2022 se Iris conseguir se reeleger em 2020 em Goiânia.

É claro que tudo depende de um arranjo que não ocorreu em 2018: convencer Daniel Vilela a apoiar uma candidatura a reeleição do governador democrata em 2022. O presidente estadual do MDB pode surgir novamente como candidato do partido de Iris ao cargo hoje ocupado por Caiado. E no jogo de 2022 entram o acordo administrativo do PP do ex-ministro Alexandre Baldy, a permanência ou saída do senador Vanderlan Cardoso na sigla presidida por Baldy e o que o ex-deputado federal Vilmar Rocha (PSD) tem a oferecer para o congressista até a próxima eleição estadual.

O fato é que a eleição de 2018 ficou para trás. O caminho está aberto para que Caiado e Iris retomem a aliança que muitos torcem para que não se concretize no palanquem neste ano. 2022 é uma outra conversa, mas que começa a ser desenhada em outubro de 2020.

Senador Vanderlan Cardoso (PP) ainda deve definir permanência no partido do ex-ministro Alexandre Baldy ou ida para o PSD do ex-deputado federal Vilmar Rocha | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

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