Agronegócio mostra força e projeta alta no PIB goiano

Resultado da agricultura durante os dois anos de pandemia pode garantir crescimento de 4,5% na economia do Estado

Em termos de crise sanitária, pouco a pouco a normalidade parece voltar ao Brasil. Assim se cria um ambiente de pós-pandemia em que os economistas reavaliam as expectativas de mercado  a partir de diversas variáveis econômicas, coletadas de diferentes fontes. Neste cenário o agronegócio tem se despontado como um dos setores que mais rapidamente se rearticulou diante da crise sanitária e do recente conflito no leste europeu. Estados, como Goiás, que possuem suas economias atreladas a agropecuária tendem a se despontar e ocupar novas posições no ranking do PIB Brasileiro.

O Produto Interno Bruto de Goiás (PIB) no período da pandemia (2020/2022) deve crescer 4,5% na comparação com 2019, ano anterior ao da crise sanitária provocada pela Covid-19. A informação é da MB Associados e foi divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo. Esse percentual vai colocar o Estado na terceira posição nacional, atrás apenas de Mato Grosso do Sul (4,9%) e Tocantins (4,7%). No mesmo período, o PIB do país irá registrar crescimento de apenas 0,5%.

Segundo a MB Associados, o crescimento maior do PIB de Goiás, Mato Grosso do Sul e Tocantins no período de pandemia se confirmará graças ao avanço dos preços das commodities atreladas ao agronegócio. No ano de 2019 o PIB goiano cresceu, oficialmente, 2,2%, somando R$ 208,6 bilhões, o que determina três anos consecutivos de resultados positivos após quedas em 2015 e 2016.

Os dados da MB Associados confirma a valorização das commodities na pandemia e apontam que as projeções foram puxadas para cima em estados cuja economia estão atreladas ao agronegócio –  aso de Goiás. Relatório publicado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), do final de 2021, aponta que a valorização desses ativos ocorre em razão da recuperação das atividades econômicas globais à medida que os países avançam em seus esforços de vacinar as populações e, subsequentemente, removem as restrições de deslocamento. 

Em relação ao PIB brasileiro, em 2020, primeiro ano da pandemia, houve uma forte queda de 3,9%, mas cresceu em 2021 (4,6%), conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A MB projeta estagnação desse resultado em 2022, com expectativa de variação nula, o que promoverá um leve avanço de 0,5% nos três anos de pandemia no Brasil frente a 2019. 

No acumulado de 2020 a 2022, pelo menos 15 unidades da Federação (14 estados mais o Distrito Federal) devem apresentar variação superior à do PIB brasileiro, sempre de acordo com a MB Associados. Considerando-se os desempenhos do agronegócio e da economia brasileira até o momento, a participação do setor no PIB total deve se manter em torno de 30% no ano, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Tiago Mendonça, confirma que o agronegócio performou melhor que o restante da economia durante a pandemia, fato que garante a Goiás destaque. “O agro é essencial. Garante segurança alimentar. Em alguns segmentos, como carne bovina e soja, a demanda aumentou. Exportamos mais. A taxa de câmbio também colaborou para os resultados. As vendas externas do agronegócio goiano somaram US$ 5,4 bilhões em 2019 e cresceram nos anos seguintes: US$ 6,4 bilhões em 2020 e US$ 7,2 bilhões em 2021. Ou seja, não paramos durante a pandemia. Pelo contrário, aceleramos. Estes são números gerais”, diz.

Pesquisadores do Cepea indicam que o segmento primário (agricultura) manteve o destaque, com o excelente resultado do PIB impulsionado pelo elevado patamar real dos preços agrícolas. Mesmo diante de avanço dos custos com insumos Goiás vai garantir destaque na produção e pode avançar na posição entre os estados produtores. “Além das exportações, que já citei, o VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) de Goiás deve sair de R$ 76,3 bilhões em 2019 para R$ 108,8 bilhões em 2022, segundo estimativa do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Já a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que Goiás terá safra recorde de 30,4 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2021/2022. Com o resultado, Goiás deve passar da quarta para a terceira posição no ranking nacional de maiores produtores. A expectativa, portanto, é muito otimista”, enfatiza Tiago Mendonça.

Titular da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), Joel Sant’Anna Braga Filho, destacou que o resultado projetado par ao PIB goiano ocorre em razão da força e crescimento das atividades econômicas de Goiás. “Já esperávamos esse resultado positivo do nosso PIB. Não será nenhuma novidade se, no fechamento dos números, Goiás pular para a parte alta do pódio”, aponta. 

Janela de oportunidades

No começo deste mês foi realizado em Rio Verde a Tecnoshow Comigo. O evento que já é consolidado no setor de agronegócios, movimentou R$ 10,6 bilhões em comercialização. O evento, de maneira geral representa se trata de oportunidades para os produtores conhecerem de forma rápida e conveniente todas as novidades que a indústria de máquinas e equipamentos tem a oferecer para o incremento da atividade produtiva, tanto para agricultura quanto para a pecuária. Mas também e um dos exemplos de que Goiás está demonstrando estar na vanguarda quando se fala em agropecuária. 

Para o economista Aurélio Troncoso, que acompanhar os movimentos do setor com especial atenção, Goiás está aproveitando uma janela de oportunidade para assumir um posto que vai garantir riquezas ao estado. “O nível de tecnologia que tinha na Tecnoshow é fenomenal. Essa tecnologia vai aumentar a produção e a produtividade das commodities brasileiras. Então nós estamos nos preparando tecnologicamente também para melhorar nosso setor, melhorar o nosso produto e fazer com que estejamos  cada vez mais competitivos”, analisa. 

Com o forte aumento nos preços das commodities e a igualmente forte depreciação cambial, os preços em reais das commodities dispararam nos últimos dois anos. A renda do setor agropecuário, que historicamente ficava em torno de R$ 600 bilhões por ano saltou em 2021 para R$ 1 trilhão e vai subir mais em 2022. “Quando a gente fala que o agronegócio pode dar um salto, é algo que já vem acontecendo. Goiás está evoluindo muito e não é necessariamente pelo problema da Rússia. O estado está se destacando porque o agronegócio está melhorando. Durante a pandemia foi o único que não parou”, opina o economista Aurélio Troncoso. 

Balança comercial 

O agronegócio apresentou resultados significativos em 2022. As exportações no setor atingiram US$ 8,82 bilhões em janeiro deste ano, valor recorde para o período. O valor representa um incremento de 57,5% em relação aos US$ 5,60 bilhões exportados em janeiro do ano passado. O resultado foi influenciado, sobretudo, pelo aumento do volume exportado, que cresceu 32,3%.

Os dados do Ministério da Economia, com tratamento da Gerência de Inteligência de Mercado da Seapa revelam que o agronegócio goiano exportou 1,9 milhão de toneladas de produtos e faturou US$ 1,2 bilhão (em valor FOB) em março de 2022. O montante representou 84,5% do faturamento total do Estado com vendas externas no terceiro mês do ano.

O produto que dominou a pauta exportadora do agronegócio goiano em março foi o complexo soja, com US$ 968,8 milhões (80,7%), seguido por carnes (13,8%), complexo sucroalcooleiro (1,9%), couros, produtos de couro e peleteria (1,4%) e demais produtos de origem animal (0,8%). Fibras e produtos têxteis (0,4%), produtos oleaginosos à exceção da soja (0,2%), café (0,2%), cereais, farinhas e preparações (0,2%) e outros (0,3%) vieram na sequência.

Ao todo, 109 países compraram produtos agropecuários goianos em março. A China respondeu por 71,4% dos negócios, ou seja, US$ 857,1 milhões. Entre os dez maiores clientes ficaram também: Tailândia (2,8%), Países Baixos (2,7%), Taiwan (2,3%), Índia (1,9%), Vietnã (1,8%), Estados Unidos (1,5%), Indonésia (1,3%) e Coreia do Sul (1,3%).

No primeiro trimestre deste ano, agronegócio goiano comercializou 3,7 milhões de toneladas de produtos com outros países e faturou US$ 2,4 bilhões (em valor FOB). Na comparação com o primeiro trimestre de 2021, o crescimento foi de 44,9% em peso e de 78,3% em valor FOB.

“Estamos vendendo mais e melhor, aproveitando as oportunidades oferecidas pelo mercado internacional, mas também fazendo a nossa parte com muita competência. Este resultado é muito importante porque significa dinheiro novo entrando para gerar riqueza e movimentar a economia”, examina Tiago Mendonça.

Uma resposta para “Agronegócio mostra força e projeta alta no PIB goiano”

  1. Muito bom. ´E melhor ainda é saber que tais resultados vêm dos próprios agricultores e pecuaristas, pois nosso paiseco não tem administração pública federal em termos de administração, planejamento e políticas públicas. Temos um maluco no poder central, e diversos asseclas a seu serviço, como o que se chama de ministro da economia (Guedes). Pena que os ruralistas, salvo poucas excessões, crêem que a melhora no ambiente advem do maluco no poder central.

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