80% dos casos de Covid-19 em Rio Verde são de funcionários da BRF, diz prefeito

Indústria, que voltaria a funcionar na sexta-feira, 19, adiou retorno para segunda, 22, por determinação da prefeitura após crescimento de casos entre trabalhadores

BRF Rio Verde 2 - Foto Reprodução TV Anhanguera

Sete empresas começaram a testar 15 mil funcionários no início de junho, o que levou ao fechamento das indústrias em Rio Verde pelo aumento no número de casos de Covid-19 | Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Rio Verde tinha 385 casos confirmados da Covid-19 no boletim do dia 7 de junho. 13 dias depois, a cidade do Sudoeste goiano atingiu um número 12,51 vezes maior de pessoas com o novo coronavírus. A alta de 1.251,42% nas confirmações veio no sábado, 20, com 4.818 infectados no município. As mortes pela doença passaram de quatro para 25, um crescimento de 625% nos óbitos em que a causa foi a Covid-19.

Desde 8 de junho, quando as confirmações do Sars-CoV-2 saltaram de 385 para 641, sete indústrias de Rio Verde pararam de funcionar. A maior parte dos novos casos de Covid-19 na cidade estava entre os trabalhadores dessas empresas, entre elas a BRF. Daquele total, 256 eram colaboradores das fábricas.

Com o crescimento de casos, a prefeitura antecipou o feriado do aniversário da cidade – 5 de agosto – para a quarta-feira, 10. Isso deu a Rio Verde uma pausa nas atividades econômicas, com as pessoas em casa, por cinco dias. O feriado antecipado se juntou à data de Corpus Christi, celebrada na quinta-feira, 11.

Morte de funcionário

Mas no domingo, 14, um funcionário da BRF morreu por Covid-19. De acordo com a indústria, o trabalhador tinha 36 anos e fazia parte do grupo de risco. Afastado por problemas de saúde desde abril, o funcionário faleceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de Rio Verde.

A BRF, que tem 8,5 mil funcionários, e outras seis grandes empresas instaladas na cidade resolveram testar seus 15 mil trabalhadores. Antes da testagem nos pátios dessas indústrias, Rio Verde tinha apenas 1.443 pessoas que tinham sido submetidas a testes.

Com os resultados divulgados até sábado, o município passou a ter 10.920 habitantes com exames liberados. São 4.818 casos confirmados de Covid-19, 6.102 descartados e outros 2.046 pessoas com suspeita do novo coronavírus que aguardam exames.

Aumento da testagem

Paulo do Vale prefeito de Rio Verde 2 - Foto Reprodução Instagram

Prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale (DEM) afirma que vai acompanhar evolução dos casos de Covid-19 na indústria para liberar retorno dos funcionários | Foto: Reprodução/Instagram

Pelo total de testes com resultados divulgados até o momento, Rio Verde passou a ter 4,63% dos 235.647 habitantes examinados. A tendência é que o número de confirmações de casos da Covid-19 continue a subir, já que mais de 4 mil testes ainda aguardam liberação do laudo.

Antes da morte do funcionário da BRF, a prefeitura chegou a autorizar a volta do funcionamento da indústria com 50% dos trabalhadores na sexta-feira, 19. Há um acordo entre a gestão municipal e as sete maiores empresas para que os testes RT-PCR sejam aplicados em todos os 15 mil empregados.

“A reabertura da BRF ficou para segunda-feira, 22, porque tem de apresentar os exames positivos. Na segunda-feira, a BRF retoma suas atividades, com um detalhe: com aquelas pessoas que testaram positivo e que já estão no critério de cura”, detalha o prefeito Paulo do Vale (DEM). De acordo com o democrata, “só vão voltar os funcionários que já estão imunizados, não têm o risco de transmitir o vírus para ninguém e de contrair novamente a doença”.

Planejamento da volta

Paulo do Vale diz informa que a prefeitura iniciou o planejamento de capacitação da equipe de saúde para o enfrentamento seguro do novo coronavírus, de acordo com as determinações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), no final de fevereiro.

Na sexta-feira, o prefeito assinou um novo decreto – número 1.193/2020 -, que prevê a retomada das atividades econômicas não essenciais com estabelecimento de regras de distanciamento social e medidas de prevenção. “O retorno das atividades econômicas é baseado em curva epidemiológica, enquete realizada na quinta-feira, 18, de prevalência na população, que houve uma diminuição em relação à enquete anterior, feita no dia 4 de junho.”

De acordo com Paulo do Vale, o retorno nos próximos 30 dias, a partir de segunda, terá 14 dias de abertura e 14 de retomada das restrições. A ideia é seguir o período máximo de incubação do vírus em cada etapa.

Contato com empresas

Rio Verde testagem funcionários indústrias junho 2020 - Foto Reprodução TV Anhanguera

Sete maiores empresas instaladas em Rio Verde resolveram testar seus 15 mil funcionários com exames RT-PCR | Foto: Reprodução/TV Anhanguera

O prefeito descreve que as indústrias com registro de grande número de casos da Covid-19 em Rio Verde têm mantido boa relação com a gestão municipal. “Quando você conhece o inimigo e sabe que ele tem um período de incubação dentro da pessoa, conversamos com as empresas, mostramos como seria a estratégia. As empresas concordaram em pagar os exames”, afirma.

A escolha pelo teste RT-PCR foi pela possibilidade de identificar o vírus na pessoa “a partir do terceiro dia até o 18º dia da infecção”. “A partir da coleta, todos os funcionários foram orientados a ficar em isolamento social até a saída dos resultados. E assim permanecem até completar 14 dias.”

72 horas depois, os trabalhadores são submetidos a exame clínico. “Por critérios clínicos estabelecidos, aqueles positivos que não apresentarem sintomas retornarão às suas atividades, principalmente na BRF”, descreve o prefeito. A empresa tem informado que segue as orientações da saúde municipal e aguardará o momento considerado mais seguro para voltar a funcionar.

Isolamento dos positivos

De acordo com Paulo do Vale, o aumento de casos confirmados diariamente não causa preocupação porque a maioria dos resultados positivos está entre os funcionários da BRF. “São pessoas que já estão em isolamento social e que cumprem o que foi determinado. Quem deu positivo tem que ficar em isolamento juntamente com seus contatos diretos.”

Na quarta-feira, 17, Rio Verde chegou a uma taxa de 53 teste a cada grupo de mil habitantes, com 12.503 exames aplicados. Dos 15.049 casos confirmados de Covid-19 no Estado, a cidade representa quase um terço dos resultados positivos. “Fomos atrás do vírus, identificamos esse universo de vírus, principalmente na BRF. A partir da coleta, todos os funcionários foram orientados”, observa Paulo do Vale.

O número detectado até o momento de infecções atingiu 60% do quadro de funcionários da BRF. Outro critério adotado para a reabertura das atividades econômicas e o retorno da indústria é a quantidade de curados. No boletim de sábado, dos 4.818 confirmados com a doença, 2.384 apareciam listados como recuperados.

80% dos casos de Rio Verde

BRF Rio Verde - Foto Reprodução TV Anhanguera

De acordo com Paulo do Vale, 80% dos casos confirmados do novo coronavírus em Rio Verde são de funcionários da BRF | Reprodução/TV Anhanguera

“A BRF representa mais de 80% dos positivos identificados em Rio Verde.” O prefeito destaca que ter uma única indústria com uma quantidade tão alta de casos acompanhados, isolados e recuperados, seria uma forma de evidenciar o acerto da estratégia adotada na cidade.

Paulo do Vale destaca que Rio Verde segue o que deu certo em outro países, que é ir atrás do vírus por meio da testagem com o exame RT-PCR, “para não deixar o coronavírus chegar com os pacientes nas portas dos hospitais”.

A cidade inaugurou o Hospital Municipal de Campanha, votado par a Covid-19, no dia 27 de abril. Foram aplicados R$ 2 milhões de recurso municipal para a abertura de cem leitos. “Construímos uma unidade Covid no Hospital Municipal com 35 leitos de UTI, que foram capacitados com 30 respiradores. E agora mais 30 respiradores com o envio do Ministério da Saúde.”

Reaproveitamento da estrutura

“Toda a estrutura que foi colocada será reutilizada quando a unidade cumprir sua função de hospital de campanha. São salas modulares que serão utilizadas na educação para aumentar o número de salas nas escolas públicas, aumentar o número de enfermarias no hospital e o mobiliário será destinado às Unidades Básicas de Saúde (UBSs)”, explica o prefeito.

A prefeitura estabeleceu multa de R$ 180 para quem sair na rua sem máscara, com reincidência em R$ 360. Para o comércio, se o funcionário estiver sem máscara, o estabelecimento será multado no dobro do valor. No caso de festas e reuniões que gerem aglomerações, a multa segue em R$ 3 mil e R$ 10 mil se for reincidente.

A reabertura de segunda-feira é parecida com as regras que valiam até o dia 8 de junho. De 6 a 19 de julho, Rio Verde voltará a restringir o funcionamento das atividades. “A solução está na atitude de cada cidadão de respeitar e entender como que atua o vírus. Sair o estritamente necessário de casa, com máscara, guardar o distanciamento, usar álcool em gel, o álcool 70% e evitar aglomerações. Essa é a melhor medida para poder conviver com o vírus”, pontua.

Goianésia vê casos confirmados do novo coronavírus mais do que dobrarem em 19 dias

Hisham Hamida secretário municipal Saúde Goianésia - Foto Reprodução Instagram

Secretário de Saúde de Goianésia, Hisham Hamida diz que município do Vale do São Patrício tem casos de Covid-19 monitorados | Foto: Reprodução/Instagram

No dia 1º de junho, Goianésia, no Vale do São Patrício, tinha 49 casos confirmados da Covid-19, três mortes causadas pela doença, 82 pessoas com suspeita de terem sido infectadas pelo novo coronavírus e 308 supostos contágios descartados. 19 dias depois, no sábado, 20, a cidade registrou 110 exames positivos, 175 suspeitas do novo coronavírus e 565 casos descartados. As mortes se mantiveram em três.

O número ainda é baixo comparado com outras cidades, como Rio Verde. Mas o crescimento de casos confirmados em Goianésia chegou a 224,48% em menos de 20 dias. A quantidade de pessoas testadas com o novo coronavírus mais do que dobrou no município no mês de junho.

Enquanto Rio Verde tem hoe 4,63% da população testada e com resultados emitidos, Goianésia só atingiu a marca de 0,94% dos 70.084 habitantes examinados. No sábado, foi iniciada a segunda fase do inquérito epidemiológico na cidade em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), o que deve ampliar a cobertura de testagens na cidade.

Testagem aumenta

Mesmo com a ainda baixa testagem, de 1º a 20 de junho, a quantidade de exames aplicados e com laudo liberado aumentou 186,27%. Goianésia é a única cidade goiana com menos de 100 mil habitantes em Goiás a realizar o inquérito epidemiológico, de acordo com Bruna Lauanne Borges, coordenadora do Núcleo de Educação Permanente e Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde.

“O objetivo do inquérito é avaliar qual é a prevalência da doença no município. Foi realizado o sorteio de 450 lotes. No lote é sorteada a residência. E dentro dessa residência, é sorteada a pessoa que será pesquisada. O sorteio garante que não haja nenhum critério para a escolha da pessoa”, explica a coordenadora.

Bruna Lauanne diz que os dados da primeira fase aguardam conclusão da compilação para que a estatística seja divulgada. De acordo com os números parciais, a primeira fase do inquérito epidemiológico, com 450 pessoas sorteadas, das quais 364 compareceram, em que um dos testes apresentou problema. “Dos 363 testes realizados, tivemos cinco positivos. Isso nos diz que, na primeira fase, temos uma prevalência da doença de 1,3% na população.”

Organização dos exames

Os testes incluídos nas fases do inquérito epidemiológico são feito com local, data e horário agendados. “O objetivo da organização dos testes é para que consigamos evitar tumulto para não colocar ninguém em risco por se deslocar para a unidade”, afirma Bruna. A coordenadora relata que os 119 profissionais de saúde que participaram da primeira fase foram testados, sem qualquer resultado positivo para o novo coronavírus na equipe.

Os outros municípios que realizam o inquérito epidemiológico em parceria com a UFG são Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Luziânia, Valparaíso de Goiás e Itumbiara. Dos 110 casos confirmados, Goianésia tem 11 pessoas com a doença. 93 constam como recuperados e três morreram.

O primeiro óbito com Covid-19 como causa da morte foi confirmado em 22 de abril, o segundo no dia seguinte e o terceiro em 29 de abril. A Secretaria Municipal de Saúde tem hoje uma morte ainda tratada como suspeita de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). A pasta aguarda o laudo do Laboratório de Saúde Publica Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO) para saber o que causou o óbito.

Notificação de casos

A prestação de contas por meio de entrevista é feita semanalmente em Goianésia às sextas-feiras. O secretário municipal de Saúde, Hisham Hamida, aproveitou a oportunidade para reforçar o pedido para que os moradores da cidade fiquem em casa e só saiam para fazer na rua o que for “estritamente necessário”.

“Todos os casos que passaram por atendimento na rede pública ou privada, seja em consultório clínico ou hospitais, entram no nosso boletim. Toda semana reforçamos com um ofício para todos os estabelecimentos com relação à obrigatoriedade. Se você que está nos assistindo souber de algum estabelecimento ou profissional que não está notificando por favor denuncie para que possamos tomar as medidas cabíveis”, alerta o secretário.

Hamida relata que a Secretaria Municipal de Saúde tem recebido muitas denúncias de aglomerações ocorridas em Goianésia: festas, amigos reunidos para jogar truco, confraternizações e festa junina. “Não é brincadeira. O número de suspeitos tem aumentado.” No dia 1º de junho, eram 82 os casos suspeitos de Covid-19. No sábado, a pessoas com sintomas da doença subiram para 175.

Mais suspeitos nas usinas

Assim como em Rio Verde, os casos suspeitos começaram a aumentar nas indústrias. “[Surgiram] nas grandes indústrias, principalmente nas usinas, que agora começaram a testar os seus profissionais. Inclusive já notificamos várias delas por não seguirem as recomendações de distanciamento, com profissionais internamente não utilizarem máscara”, explica o secretário de Saúde.

De acordo com Hamida, há casos de funcionários de usinas que têm utilizado a máscara no queixo. “Recebemos denúncia com vídeo, com foto. Já tomamos a providência. Com isso, tem aumentado o número de suspeitos.” O secretário afirma que as empresas começaram a fazer o trabalho de testagem dos funcionários agora, algo que a pasta teria recomendado que fosse aplicado no início da pandemia.

“Agora começou [a aparecer casos suspeitos], temos trabalhado na conscientização. Cresceu o número de suspeitos, mas se você observar, o número de descartados [recuperados] tem acompanhado esse crescimento também”, aponta o titular da Saúde de Goianésia.

Funcionamento do comércio

Na 3ª edição do Guia de Prevenção da Covid-19, publicado pela Secretaria Municipal de Saúde na sexta-feira, 12, Goianésia precisa seguir regras para o funcionamento do comércio. A liberação das atividades econômicas na cidade do Vale do São Patrício, com exceção da proibição de aglomerações na Lagoa Princesa do Vale, é bem mais permissiva do que em outros municípios.

Há a permissão para o funcionamento de bares e academias, com horários e atendimentos específicos. Os bares, restaurantes e hamburguerias podem receber clientes das 11 às 14 horas e das 18 às 23 horas. “Fica permitido o funcionamento para as lanchonetes, sorveterias e açaiterias até às 23 horas”, determina o guia.

“Não queremos multar. Nossa intenção não é [aplicar] multa. A intenção nossa é que possamos voltar, dentro da normalidade da Covid-19, da maneira menos traumática possível, sem fechamento de comércio”, enfatiza o secretário de saúde.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.