2016 está logo ali

No calendário “civil”, novas eleições somente dentro de longos dois anos. No calendário “político”, as articulações começam já

Afonso Lopes

Nada mais estranho para o planeta “civil” do que a lógica do tempo no mundo político. As eleições deste ano terminaram há cerca de um mês apenas, mas já tem muita gente preparando o terreno a ser trilhado nas disputas municipais de 2016. Em tese, é uma antecipação absurda. Na prática, não é, não. O que acontece é que o calendário eleitoral das eleições de 2016 começa a correr o tempo exatamente em 2015. Mais precisamente, em outubro. Em outras palavras, terminadas as festividades de Natal e ano-novo deste ano, vão ser nove meses de gestação para as candidaturas se posicionarem partidariamente. É o que diz a lei em relação ao prazo de filiação para candidatos concorrem nas eleições.

Os prazos estão marcados no calendário político. Para a população, o dia 2 de outubro de 2016, neste momento, não quer dizer absolutamente nada, a não ser para quem faz aniversário nessa data. E mesmo para os aniversariantes, muito mais relevante seria 2 de outubro do ano que vem. Pois será nesse dia, em 2016, que os goianienses e todos os demais eleitores das cidades de Goiás e do Brasil vão às urnas para escolher prefeitos e vereadores. E pelas regras em vigor, o prazo para se filiar termina um ano antes, portanto, no início de outubro de 2015.

Dúvidas

E há muito trabalho pela frente para aqueles que desde já se encontram em condições de disputar realmente o cargo de prefeito de Goiânia, e não apenas participar para marcar posição. Primeira­men­te, é necessário montar o quadro político mais agradável do ponto de vista partidário, sem perder de vista a competitividade eleitoral.

Vanderlan Cardoso, do PSB, por exemplo, é um dos nomes mais comentados nos meios políticos do Estado como um dos prováveis candidatos a prefeito da capital. E sua cotação é alta por conta da votação que ele conseguiu nas eleições para governador. Portanto, não há dúvida de que se ele realmente confirmar sua candidatura, será um concorrente forte. Dai em diante, porém, há uma montanha de dúvidas e problemas.

Inicialmente, ele terá que evitar em 2016 o que ocorreu agora em 2014, quando faltou base partidária. Será que em nível municipal Van­derlan conseguirá juntar partidos e formar uma boa coligação mesmo estando dentro do PSB? Ou ele vai optar por um caminho mais simples, em que possa usufruir de uma estrutura partidária maior e com melhor poder de fogo?

Numa sinuca bem maior está o PT do prefeito Paulo Garcia. Reeleito em 2012, mesmo que ele se recupere plenamente de todos os desgastes acumulados nestes dois primeiros anos de mandato, ele não poderá se candidatar novamente. O problema é que o PT, neste momento, tem dois bons nomes, os deputados estaduais Humberto Aidar e a delegada Adriana Accorsi, para apresentar numa possível mesa de negociação com os demais partidos, especialmente o parceiro desgarrado PMDB. Sozinho, o caminho é sempre muito mais difícil. Mas como convencer os peemedebistas a novamente apoiar um candidato do PT como ocorreu em 2012 a duras penas? Na época, o diretório metropolitano do PMDB brigou com a direção estadual, leia-se Iris Rezende, e formou dissidência. Por outro lado, os petistas vão se entregar numa coligação tendo o PMDB como cabeça de chapa sem ao menos tentar manter a principal prefeitura de Goiás no comando do partido?

Na base aliada estadual comandada pelo governador Marconi Perillo há uma certeza absoluta, a de que haverá uma ótima chance de vencer as eleições em Goiânia, especialmente se a administração de Paulo Garcia não conseguir deslanchar pra valer, e uma porção de dúvidas. Em primeiro lugar, fica estampada a hierarquia do momento. Desde 2000, quando indicou a então deputada federal e hoje senadora Lúcia Vânia como candidata à sucessão do também tucano Nion Albernaz, o PSDB não lança candidato à cabeça de chapa. Natural­men­te, é hora de o partido do go­vernador reivindicar a oportunidade de disputar a eleição com nome próprio. O problema é convencer os demais partidos aliados. Aparen­te­mente, esses partidos acabam co­brando um preço pelo apoio que dão ao governador nas eleições es­taduais. E esse preço até hoje foi pa­go sem maiores problemas pelos tu­canos, que se tornaram caudatários do processo eleitoral goianiense.

Fora essa questão, que não é tão simples, há o fato de que o partido não tem nomes indiscutíveis para a disputa. Tecnicamente, se esse for o caminho, o presidente da Agetop, Jaime Rincón, e o ex-golden boy do segundo mandato de Marconi, José Paulo Loureiro, são amplamente favoritos. O primeiro tem todas as condições de se apresentar como um bem-sucedido tocador de obras. O segundo, como um autêntico coringa especial no campo administrativo. Ou seja, quando bem trabalhadas, são características que podem receber forte apoio popular.

Se a opção for meramente eleitoral, surgem nomes como o do deputado estadual recém-eleito Mané de Oliveira, campeão absoluto de votos nas eleições deste ano, além dos deputados federais Fábio de Souza e João Campos. Rapida­mente, e sem piscar, foi possível citar cinco potenciais candidatos a prefeito de Goiânia no PSDB. Fácil resolver isso já que é questão interna? Talvez, sim, mas como convencer o PTB de Jovair Arantes ou o PSD de Vilmar Rocha a apoiar um desses tucanos?

Todas essas dúvidas e questões vão ser debatidas durante nove meses e devem estar plenamente resolvidas, inicialmente, dentro do campo de vista partidário, no início de outubro de 2015. Em resumo, não são os políticos que apressam o calendário, é a política que não para nunca. l

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