Veja as estratégias dos coordenadores das campanhas dos quatro candidatos mais bem colocados ao governo de Goiás
12 setembro 2026 às 21h00

COMPARTILHAR
As campanhas dos quatro candidatos mais bem colocados na disputa pelo governo de Goiás apostam em estratégias diferentes para conquistar o eleitor, ampliar a intenção de voto e transformar preferência em voto efetivo.
Enquanto Daniel Vilela (MDB) investe na força da campanha de rua, na mobilização da militância e na apresentação dos resultados da atual gestão, Wilder Morais (PL) reforça sua identidade de candidato de direita e aposta na trajetória pessoal para criar identificação.
Marconi Perillo (PSDB), por sua vez, tenta recuperar a força política a partir do legado de seus governos, do confronto com os adversários e da comunicação digital.
Já Luis Cesar Bueno (PT) concentra esforços na associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na tentativa de conquistar eleitores indecisos. A corrida em busca de votos para definir quem vai ocupar o Palácio das Esmeraldas e o Palácio Pedro Ludovico Teixeira está a todo vapor.
O Jornal Opção ouviu os coordenadores das quatro campanhas para entender como cada candidatura pretende enfrentar os desafios da eleição e quais ferramentas considera mais importantes para chegar ao eleitor. As estratégias passam pela televisão, redes sociais, carreatas, mobilização partidária, contato direto, vídeos, discursos emocionais, apresentação de propostas e exploração da trajetória política dos candidatos.
Apesar das diferenças, há uma constatação comum: fazer campanha atualmente exige combinar os métodos tradicionais com novas formas de comunicação e segmentação do eleitorado.
As estratégias também foram analisadas pelo professor de Ciência Política da Universidade Federal de Goiás (UFG) e diretor-executivo da Métrica Viabilidade, Guilherme Augusto Batista Carvalho. Para ele, as redes sociais transformaram a dinâmica eleitoral, mas não substituíram outras formas de contato com o eleitor.
O cientista político avalia que as campanhas se tornaram mais complexas, exigindo planejamento, pesquisas qualitativas, capacidade de segmentação e inovação. Ao analisar os quatro candidatos, ele aponta acertos, riscos e limitações nas estratégias adotadas e afirma que parte das campanhas goianas ainda repete fórmulas utilizadas na década passada.

Wilder reforça imagem de candidato de direita
A campanha de Wilder Morais (PL) aposta na combinação entre a trajetória pessoal do candidato e propostas para áreas como saúde, segurança e trabalho para ampliar sua presença na disputa pelo governo de Goiás. Segundo a assessoria de comunicação, a estratégia é apresentar ao eleitor as dificuldades enfrentadas por Wilder desde a infância e relacioná-las à forma como ele enxerga a política. “A campanha vai apresentar a história de vida junto com as propostas para saúde, segurança e trabalho”, afirma a equipe.
Comunicação integrada
A estratégia de comunicação combina televisão, redes sociais e presença nas ruas. De acordo com a assessoria, os diferentes canais serão utilizados de maneira integrada, adaptando os temas aos formatos de cada plataforma. “A televisão permite apresentar a candidatura e desenvolver uma ideia; as redes sociais ajudam a manter essa conversa; na rua, o candidato escuta, responde e percebe o sentimento da população.” A equipe também pretende transformar demandas e questionamentos encontrados nas visitas em conteúdo para outros meios.

Nas redes sociais, a campanha busca enfrentar a fragmentação do público com conteúdos que tenham compreensão própria e, ao mesmo tempo, façam parte de uma comunicação mais ampla. A orientação é relacionar os temas políticos ao cotidiano da população e permitir que o eleitor tenha acesso a informações mais aprofundadas por outros canais.
Vídeos e entrevistas também são considerados importantes para aproximar Wilder do público, especialmente por meio do relato de experiências pessoais. “A história de vida do Wilder, as dificuldades que enfrentou, os problemas de saúde, mostram como é o olhar dele para a vida e para a política”, diz a assessoria.
Direita e contato direto
Um dos obstáculos apontados pela campanha é o menor tempo de propaganda eleitoral gratuita, resultado da decisão de Wilder de não buscar alianças com partidos que não estivessem alinhados à direita. Apesar disso, a assessoria afirma que o candidato mantém boa relação com os eleitores e apresenta baixa rejeição em comparação com os demais concorrentes.
A campanha também pretende explorar a identidade do candidato como representante da direita, utilizando a marca do PL e o número 22 para facilitar o reconhecimento da candidatura. “Wilder tem uma posição de direita assumida, e a identidade visual ajuda a pessoa a reconhecer essa candidatura”, afirma a equipe.

A estratégia inclui ainda a manutenção de mecanismos tradicionais de campanha, como visitas, carreatas, panfletagem, bandeiras, santinhos e músicas, em conjunto com as ferramentas digitais. Segundo a assessoria, esses recursos continuam relevantes para gerar contato, visibilidade e lembrança da candidatura.
Para alcançar eleitores desconfiados da política ou que afirmam não pretender votar, a equipe diz que pretende apostar em informação, transparência e liberdade de escolha. “Cabe a qualquer candidatura apresentar informações que possam ser conferidas, explicar suas propostas e responder a perguntas com clareza”, afirma a assessoria de Wilder Morais.
Marconi aposta em legado, redes sociais e proposta de futuro
A campanha de Marconi Perillo (PSDB) ao governo de Goiás estruturou sua estratégia em três frentes: defesa do legado do ex-governador, comparação com as gestões de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela e apresentação de um novo programa de governo. Segundo a assessoria de comunicação da campanha, a primeira etapa busca desconstruir o que considera uma imagem negativa construída contra Marconi.
“Nenhum político foi tão investigado em Goiás como Marconi. Reviraram sua vida, a de sua família e de seus auxiliares, quebraram todos os sigilos e não encontraram nada”, afirma a assessoria, que sustenta que o atual governo teria dado ao tucano um “atestado de honestidade e ficha limpa”.

Na segunda frente, a campanha pretende explorar a comparação entre os governos de Marconi e a atual administração estadual. A assessoria afirma que programas e projetos existentes em Goiás teriam sido criados nas gestões do tucano e posteriormente alterados em nomes e identidade visual. O discurso também mira a situação fiscal do Estado. “Marconi pagou, durante seus governos, a dívida do Estado rigorosamente em dia. Caiado deu calote e elevou nossa dívida de R$ 18 bilhões para R$ 30 bilhões durante seus mandatos”, afirma a equipe de comunicação. A terceira frente é a apresentação de um programa de governo baseado em cinco eixos, com a promessa de retomada do crescimento econômico e social de Goiás.
Redes sociais e contato direto
Com pouco tempo disponível no horário eleitoral, a campanha aposta principalmente nas redes sociais e no contato direto de Marconi com a população. De acordo com a assessoria, o candidato visitou 228 municípios goianos nos últimos 90 dias, em uma agenda voltada à escuta de demandas, apresentação de realizações de seus governos e construção de compromissos para um eventual novo mandato.
A estratégia digital, segundo a equipe, busca estabelecer uma comunicação mais direta com o eleitor. Televisão, carreatas e materiais tradicionais, como santinhos, bandeiras, panfletos e jingles, continuam presentes, mas têm papel considerado secundário. “Essas ações ainda fazem parte dos métodos de se fazer política em Goiás, mas normalmente não rendem votos. Impressionam mais pelo volume de materiais e pessoal nas ruas”, avalia a assessoria.
A campanha também aposta na trajetória política de Marconi e em depoimentos espontâneos de eleitores para reforçar uma comunicação de caráter mais emocional. A equipe afirma que o legado do tucano, construído ao longo de quatro mandatos como governador, é utilizado como principal argumento para apresentar uma perspectiva de futuro. “Quem já fez é que tem condições de fazer novamente”, afirma a assessoria, ao defender que Goiás estaria diante de uma escolha entre a continuidade de um modelo considerado seguro e uma alternativa classificada pela campanha como marcada pela “inexperiência e incompetência”.
Os debates também são considerados estratégicos, principalmente porque, segundo a equipe, os trechos das participações dos candidatos acabam posteriormente transformados em conteúdo para as redes sociais.

Verde e amarelo e aproximação com os jovens
A mudança visual da campanha também faz parte da estratégia de comunicação. Embora o azul e o amarelo continuem predominantes nos materiais de Marconi, o verde foi incorporado para reforçar, em conjunto com o amarelo, as cores da bandeira de Goiás. A assessoria nega que a escolha tenha como objetivo principal uma aproximação com discursos de caráter patriótico e afirma que a intenção é valorizar a identidade goiana.
“A ideia foi destacar as cores da bandeira de Goiás, tanto que em nosso material aparecem as estrelas que estão em nossa bandeira”, explica. Para alcançar eleitores que demonstram descrença na política ou desinteresse pelo processo eleitoral, Marconi também pretende usar a própria trajetória como argumento, especialmente junto aos jovens. “A omissão é a melhor forma de manter o que está aí”, avalia a campanha, que diz querer estimular a participação política da juventude.
Luis Cesar mira indecisos e amplia estratégia
A campanha de Luis Cesar Bueno ao governo de Goiás aposta na divulgação dos resultados de administrações do PT no Estado e na associação do nome do candidato ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar seu alcance entre os eleitores. Segundo Miguel Tiago, coordenador da campanha, a estratégia é mostrar obras e serviços realizados pelo partido e reforçar que o PT tem resultados concretos a apresentar. “Uma das estratégias é mostrar exatamente o que o PT já fez para o Estado de Goiás”, afirma.

Nome e presença na comunicação
Outro desafio apontado pela coordenação é tornar Luis Cesar mais conhecido entre os eleitores goianos. Ex-deputado por quatro mandatos e ex-vereador, o candidato ainda busca ampliar sua visibilidade. Com o período de campanha considerado curto, a equipe pretende explorar televisão, rádio e outros veículos de comunicação, além das redes sociais. “Vincular o nome do Luis Cesar ao nome do Lula e, ao mesmo tempo, divulgar que o Luis Cesar é o candidato do PT no Estado de Goiás” está entre as prioridades, segundo Miguel Tiago.
A campanha também procura combinar os meios tradicionais com ferramentas digitais para alcançar diferentes públicos. Miguel Tiago afirma que Luis Cesar reconhece a necessidade de modernizar a comunicação e conta com uma equipe responsável pelas redes sociais e novas tecnologias.
A participação da juventude do PT também é destacada como parte da estratégia, com jovens atuando nas redes e viajando pelo Estado em atividades de campanha. Para o coordenador, o candidato tem demonstrado disposição para ouvir orientações e incorporar métodos mais contemporâneos de comunicação.
Foco nos indecisos
Embora não descarte panfletagem, bandeiras, santinhos e outras ações tradicionais, a campanha avalia que esses recursos já não são suficientes para demonstrar força eleitoral. O foco, segundo Miguel Tiago, deve estar na consistência das propostas e na capacidade de estabelecer uma comunicação direta com o eleitor. Entre os temas que a campanha pretende explorar estão os investimentos realizados pelo PT em Goiás, ações do governo federal e questões relacionadas à segurança pública, incluindo o avanço do crime organizado e dos golpes digitais.

A estratégia para conquistar eleitores indecisos, brancos e aqueles que ainda não escolheram candidato é baseada em um discurso de conciliação e rejeição ao confronto político. “Esse é o eleitor que nos interessa, porque quase sempre é esse que define a eleição”, afirma Miguel Tiago. A campanha pretende transmitir uma imagem de harmonia e paz, evitando confrontos com adversários e buscando reduzir a polarização. A expectativa da coordenação é superar os 15% tradicionalmente obtidos pelo PT em disputas pelo governo de Goiás e crescer na reta final, com a possibilidade de levar a eleição para um segundo turno.
Schreiner destaca força das ruas na campanha de Daniel
Coordenador-geral da campanha de Daniel Vilela (MDB) ao governo de Goiás, José Mário Schreiner afirma que a principal estratégia neste momento é intensificar a presença do candidato nas ruas e ampliar o contato direto com o eleitor. Segundo ele, a campanha trabalha em todas as frentes e mantém a expectativa de vitória ainda no primeiro turno. “A estratégia é pau na máquina! Trabalhar, trabalhar e trabalhar um pouco mais. Sem descanso!”, afirma Schreiner. Ele destaca a atuação da militância em carreatas, bandeiraços, redes sociais, rádio, televisão e ações no interior do Estado. “Tem trabalho duro em todas as frentes. Nossa militância está animada e 100% engajada para dar visibilidade ao Daniel.”

Redes sociais e contato pessoal
Schreiner avalia que televisão, redes sociais e campanha de rua cumprem funções diferentes e precisam atuar de forma integrada. Enquanto a propaganda apresenta a trajetória e as propostas do candidato, as plataformas digitais permitem uma comunicação mais segmentada com diferentes públicos. Já o corpo a corpo, segundo ele, continua sendo fundamental. “Na rua é arrastão, é massa, volume, animação!”, afirma. O coordenador diz ainda que a campanha pretende mobilizar prefeitos, vereadores e demais lideranças aliadas para ampliar a presença de Daniel em Goiânia, na Grande Goiânia, no Entorno de Brasília e no interior. “Vamos ocupar Goiás inteiro apresentando o projeto do Daniel, que é, sem dúvida nenhuma, o melhor projeto e que prepara e projeta o Estado para o futuro.”
Comunicação busca diferentes públicos
Para Schreiner, a comunicação política mudou com o crescimento das redes sociais, exigindo mensagens direcionadas a públicos específicos. Ele cita jovens, trabalhadores, servidores públicos, mães, mulheres, cristãos e empreendedores como segmentos que possuem demandas próprias. “A plataforma de governo do Daniel contempla todos os segmentos e a rede social possibilita esse diálogo direto”, afirma. Apesar da força do ambiente digital, ele ressalta que a campanha não renuncia aos mecanismos tradicionais. “A rede social possibilita impulsionar a mensagem com rapidez e abrangência. Mas o diálogo cara a cara faz toda a diferença.” Na avaliação dele, esse contato é um dos diferenciais da campanha, que aposta em uma militância “superior em volume, animação e convicção”.
Confiança é decisiva para o eleitor
Schreiner também atribui importância à espontaneidade de Daniel Vilela e ao contato pessoal na construção de confiança junto ao eleitor. Para ele, vídeos e estratégias digitais são relevantes, mas não substituem a capacidade de transmitir empatia. “Consolidar uma ideia, um projeto, um candidato, impõe, na minha visão leiga, mostrar empatia, o que gera confiança. Confiança é fundamental numa eleição de governador”, diz. Segundo o coordenador, Daniel possui uma característica que favorece esse processo. “Daniel tem um carisma muito próprio, que deixa no eleitor uma marca de enorme sinceridade e de real preocupação com o bem-estar das pessoas. Para isso ele não precisa de treinamento, está na alma do Daniel.”
Participação eleitoral
O coordenador também defende a importância dos debates entre os candidatos, por considerar que esses momentos permitem ao eleitor comparar propostas e posicionamentos. “Há o confronto das ideias, quem tem a melhor proposta, aquele que consegue se expressar melhor”, afirma. Schreiner também faz uma defesa da participação política diante do eleitor que demonstra descrença ou intenção de não votar. Para ele, a política continua sendo o principal instrumento para a sociedade enfrentar conflitos e definir seus caminhos. “Se abster do processo político, da escolha eleitoral, significa deixar o vizinho e o colega de trabalho escolher por ele o seu futuro”, conclui.

Cientista político analisa estratégias das campanhas
As eleições em Goiás apresentam uma dinâmica diferente daquela observada em 2018, principalmente pelo avanço das redes sociais e pelas mudanças nas regras eleitorais. Para Guilherme Augusto Batista Carvalho, professor de Ciência Política da Universidade Federal de Goiás (UFG) e diretor-executivo da Métrica Viabilidade, as plataformas digitais ganharam espaço como ferramentas de comunicação, mas ainda não determinam, sozinhas, a escolha do eleitor. “As redes sociais mudaram bastante a dinâmica de como se faz política, mas elas, por si só, também não constituem o arco central pelo qual o eleitor define seus votos”, avalia.
Campanhas mais complexas
Outro fator destacado pelo cientista político é a mudança na lógica eleitoral provocada pela Emenda Constitucional 97, de 2017, que acabou com as coligações proporcionais. Segundo Guilherme, a alteração aumentou a disputa dentro dos próprios partidos e elevou a importância da obtenção de votos, da identificação ideológica e da prestação de serviços. Ele afirma que, embora 2018 tenha sido marcado por forte renovação, as eleições seguintes favoreceram candidatos já conhecidos, especialmente aqueles com acesso a recursos partidários ou que conseguiram ampliar sua presença por meio da entrega de serviços associados às emendas orçamentárias.
Na avaliação de Guilherme, as campanhas atuais precisam combinar diferentes ferramentas, como carreatas, materiais impressos, conteúdos digitais e estratégias direcionadas a públicos específicos. Em eleições majoritárias, como a disputa pelo governo de Goiás, a comunicação precisa alcançar um eleitorado amplo e exige diferentes equipes atuando simultaneamente. O especialista também destaca o avanço da inteligência artificial, que já permite a criação de “eleitores sintéticos” para simular preferências e testar estratégias. “As campanhas se tornaram complexas, muito mais complexas, mas tendem a ficar mais”, afirma.
Sobre a comunicação adotada pelos candidatos ao governo, Guilherme avalia que Daniel Vilela (MDB) aposta em uma estratégia simples, baseada na divulgação de feitos da administração, números e na associação constante com seu principal padrinho político. Já Wilder Morais (PL), segundo ele, investe em vídeos emocionais, mas corre o risco de exagerar nesse recurso. “Apostar em vídeos emocionais é sempre uma tática boa, mas isso não pode ser feito à exaustão, porque, senão, a campanha fica brega”, afirma. Para o professor, qualquer estratégia deve ser testada por meio de pesquisas qualitativas antes de ser adotada de forma ampla.

Críticas a Marconi e Luiz César
Em relação a Marconi Perillo (PSDB), Guilherme observa que o candidato dispõe de pouco tempo de televisão e, por isso, concentra esforços no ambiente digital, com uma comunicação marcada pelo confronto. Na avaliação dele, porém, a estratégia pode produzir efeito negativo. “Quanto mais ele afirma essa estratégia, mais a rejeição aumenta”, afirma.
Sobre Luiz César Bueno (PT), o cientista político considera que a campanha está excessivamente vinculada à imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Não é ele fazendo campanha, é o Lula”, diz. Para Guilherme, apresentar-se como um representante direto de Lula seria uma estratégia equivocada por tentar transferir uma dinâmica nacional para uma disputa que possui características próprias no cenário local.
Falta de inovação
Guilherme também critica o que considera uma excessiva utilização de modelos tradicionais nas campanhas eleitorais em Goiás. Segundo ele, estratégias adotadas no Estado ainda deixam de incorporar experiências internacionais e novas ferramentas de pesquisa, tecnologia e comunicação. “A gente está replicando modelos da década passada”, afirma. Ele defende que coordenadores de campanha acompanhem inovações utilizadas em outros países e diferencia a atuação de um marqueteiro da função de um estrategista eleitoral. Para o professor, campanhas majoritárias exigem profissionais capazes de analisar diferentes áreas e compreender experiências eleitorais além do Brasil.
Para Guilherme, o eleitor demonstra cansaço diante da repetição das mesmas fórmulas a cada eleição, enquanto as redes sociais, que poderiam representar uma inovação, acabam funcionando apenas como novos canais para conteúdos semelhantes aos já utilizados. Ele ressalta que elementos como cores, vídeos emocionais e outras ferramentas podem influenciar a comunicação, mas precisam ser avaliados por pesquisas qualitativas e grupos focais. “Você tem que saber a medida, você tem que saber o quanto, para conseguir usar os recursos que você tem à sua disposição de forma racional”, afirma. Na visão dele, campanhas eficientes dependem menos de fórmulas prontas e mais de planejamento, pesquisa, inovação e capacidade de compreender diferentes perfis de eleitores.
Leia também:
Confira os favoritos dos partidos na disputa por uma vaga na Alego


