Parte 3: quase metade da Alego será renovada; veja quem são os 19 novos deputados estaduais
10 outubro 2026 às 21h00

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Quem são os novos deputados estaduais de Goiás e o que pretendem fazer nos próximos quatro anos? A pergunta ganha relevância diante do resultado das eleições de 2026, que levará 19 novos nomes à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Dos 41 parlamentares eleitos, 22 conseguiram renovar seus mandatos, enquanto aproximadamente 46% das cadeiras passarão a ser ocupadas por deputados que não integram a atual composição da Casa.
Por trás dos números estão trajetórias políticas distintas. Alguns eleitos já passaram por prefeituras, câmaras municipais e outros espaços de poder. Outros construíram suas candidaturas a partir da atuação em determinadas regiões ou da identificação com segmentos específicos do eleitorado. Agora, terão em comum a responsabilidade de representar os goianos no Legislativo estadual.
A renovação também desperta expectativas sobre os rumos da Assembleia. A entrada de novos parlamentares poderá alterar a composição das forças políticas, influenciar a discussão de projetos e abrir espaço para diferentes posicionamentos em relação ao governo de Daniel Vilela (MDB).
A relação com o Executivo será um dos principais pontos de atenção. Embora a filiação partidária ofereça pistas sobre possíveis alinhamentos, ela não é suficiente para determinar como cada deputado deverá atuar. As alianças construídas durante as eleições, as demandas das bases eleitorais e os interesses políticos individuais também poderão pesar nas decisões.
Para ir além dos números apresentados pelas urnas, o Jornal Opção procurou os 19 novos integrantes da Assembleia e conseguiu ouvir 16 deles. Nas entrevistas, os parlamentares falaram sobre suas trajetórias, os grupos que contribuíram para suas eleições, as bandeiras que pretendem defender e a relação que esperam estabelecer com o governo estadual.
O conteúdo será apresentado em quatro reportagens. Nesta terceira parte, o leitor conhecerá os posicionamentos de Coronel Edson Raiado (PSD), Marquinho do Gayer (PL), Cardoso (Republicanos) e Keke da Vulkanic (Mobiliza).
A reportagem também tentou contato, ao longo da semana, com Romário Policarpo (Cidadania), Kátia Maria (PT) e Paulin Vai Nele (PRD), mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para que os três parlamentares apresentem suas posições.
Coronel Edson Raiado (PSD)

Eleito deputado estadual por Goiás pelo PSD, o coronel Edson Raiado afirma que pretende construir um mandato com atuação em todo o Estado e independência em relação ao governo. Com trajetória construída nas forças de segurança, o parlamentar eleito diz que suas principais bandeiras serão a segurança pública, a proteção de mulheres, crianças e adolescentes e a defesa de trabalhadores e setores produtivos.
Raiado conta que sua trajetória começou longe da política e foi marcada por dificuldades. “Minha trajetória não começou na política. Começou na dificuldade, no trabalho e na luta pela sobrevivência”, afirma. Segundo ele, a infância próxima a um lixão e o trabalho desde cedo ajudaram a formar os valores que pretende levar para a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
“Fui um menino que cresceu próximo ao lixão, trabalhou desde cedo e aprendeu dentro de casa que caráter, palavra e coragem não são negociáveis”, diz. Antes de ingressar na política, Raiado passou pela Guarda Municipal, Polícia Penal e Polícia Militar. Na corporação, atuou em unidades operacionais como a Rotam e o Comando de Operações de Divisas (COD), além de outras forças especializadas, até chegar ao posto de coronel.
“Minha escola foi a rua. Aprendi a conhecer Goiás não pelos gabinetes, mas pelas estradas, pelas comunidades e pela realidade do nosso povo”, afirma. Apesar de ter uma ligação política mais forte com Goiânia, especialmente com a região Noroeste, e o Entorno do Distrito Federal, com destaque para Águas Lindas de Goiás, o deputado eleito afirma que não pretende restringir sua atuação a uma determinada região ou categoria profissional.
“Minha base política será todo o Estado de Goiás. Tenho uma ligação especial com Goiânia, a região Noroeste, Águas Lindas e o Entorno do Distrito Federal, mas recebi apoio de todas as regiões. Não quero ser deputado de uma cidade ou de uma categoria. Quero ser a voz de quem trabalha, produz, protege e muitas vezes não é ouvido pelo poder público”, acrescenta.
Segurança e proteção de vítimas
Entre as prioridades do futuro mandato, a segurança pública aparece como principal bandeira. Raiado afirma que pretende defender a valorização dos profissionais das diferentes forças de segurança, além de medidas que garantam segurança jurídica para quem atua no combate ao crime.
“Tenho três prioridades muito claras. Primeira: segurança pública. Valorizar os profissionais de todas as forças de segurança, garantir segurança jurídica para quem combate o crime, fortalecer a integração entre as instituições e enfrentar o avanço das organizações criminosas”, afirma.
A segunda prioridade será a proteção de mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência. Para isso, Raiado pretende trabalhar pela criação de uma rede integrada de atendimento. “Não podemos aceitar que vítimas de violência sejam abandonadas pelo Estado. Quero trabalhar por uma rede integrada de proteção, acolhimento e responsabilização dos agressores”, diz.
A terceira frente será voltada à defesa de trabalhadores e setores produtivos. O deputado eleito cita o agronegócio, pequenos empreendedores, CACs, motociclistas profissionais e vigilantes entre os grupos que pretende representar. “Não entrei na política para defender privilégios. Entrei para enfrentar problemas que muitos conhecem, mas poucos têm coragem de resolver”, afirma.
Centro de atendimento
Logo no início da legislatura, Raiado pretende apresentar uma proposta para a criação de um Centro Integrado de Atendimento à Mulher, à Criança e ao Adolescente, especialmente destinado às vítimas de violência. A ideia é reunir em um mesmo modelo serviços policiais, psicológicos, médicos, jurídicos e de assistência social.
“Quero um modelo que reúna, de forma articulada, atendimento policial, psicológico, médico, assistência jurídica e proteção social”, explica. Para o parlamentar eleito, a proteção das vítimas precisa ir além do atendimento inicial. “Não adianta retirar uma mulher de uma situação de violência se ela não tem onde morar, como sustentar seus filhos ou condições de reconstruir sua vida”, afirma.
Ele também defende mudanças no atendimento a crianças vítimas de abuso para evitar que elas sejam submetidas a novos constrangimentos durante o processo. “Minha prioridade é transformar a proteção das vítimas em política pública efetiva, e não apenas em discurso”, diz.
Raiado reconhece que a proposta dependerá de articulação com o Executivo, previsão orçamentária e integração entre diferentes instituições. “Sei que um projeto dessa dimensão exige diálogo com o Executivo, previsão orçamentária e articulação entre instituições. Estou preparado para construir esse caminho”, afirma.
Relação com o governo
Sobre a relação com o governador eleito Daniel Vilela (MDB), Raiado afirma que pretende manter uma postura independente. Ele diz reconhecer o trabalho desenvolvido em Goiás durante a gestão de Ronaldo Caiado (PSD), principalmente na área de segurança pública.
“Tenho respeito pelo governador Daniel Vilela e reconheço o trabalho desenvolvido em Goiás durante a gestão de Ronaldo Caiado, especialmente na segurança pública”, afirma. O deputado eleito diz que apoiará medidas que considerar positivas para o Estado, mas pretende se posicionar quando discordar do governo.
“Não tenho dificuldade em caminhar ao lado do governo quando o objetivo é melhorar a vida da população. Vou apoiar aquilo que for bom para Goiás. E, quando entender que alguma medida precisa ser corrigida, vou ter independência e coragem para me posicionar”, afirma.
Segundo Raiado, sua postura não será de oposição sistemática nem de apoio automático ao Executivo. “Não pretendo fazer oposição por oposição, muito menos ser alguém que concorda com tudo. Passei minha vida cumprindo missões. Agora recebi uma missão das urnas”, afirma.
“Minha lealdade é com Goiás. Minha independência não está à venda”, completa. Sobre a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa, Raiado afirma que o cargo não está entre seus objetivos pessoais neste momento. O parlamentar diz que pretende primeiro conhecer a dinâmica da Casa, construir relações e apresentar resultados.
“Estou chegando à Alego com a responsabilidade de aprender a dinâmica legislativa, construir boas relações e, principalmente, apresentar resultados”, afirma. Ele ainda não declara apoio a nenhum nome para o comando da Assembleia.
“Vou participar das conversas com responsabilidade, ouvindo os colegas e avaliando os nomes que possam contribuir para uma Assembleia forte, independente e comprometida com Goiás”, diz. “Não estou chegando à Assembleia procurando cadeira de comando. Estou chegando para cumprir a missão que o povo me deu”, acrescenta.
Apoios na campanha
Raiado atribui sua eleição ao apoio de diferentes grupos e lideranças. Entre os nomes citados estão Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Gracinha Caiado, além de prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias. “Tenho gratidão ao governador Ronaldo Caiado, ao governador Daniel Vilela, à Gracinha Caiado e a todas as lideranças que acreditaram na nossa caminhada”, afirma.
Apesar dos apoios políticos, ele destaca a participação de eleitores e grupos que, segundo ele, não tinham histórico de envolvimento em campanhas. “Mas faço questão de destacar algo: nossa campanha teve uma força muito grande que veio das ruas, das redes sociais e de pessoas que nunca haviam participado de uma campanha política”, diz.
Raiado cita profissionais da segurança pública, trabalhadores, empresários, produtores rurais, motociclistas, CACs e famílias entre os grupos que apoiaram sua candidatura. “Nossa maior liderança foi o povo. Não foi uma estrutura política que construiu nossa história. Foi a confiança de milhares de goianos”, afirma.
Para o fim do mandato, Raiado afirma que pretende ser lembrado pelos resultados, e não pelo número de discursos feitos na tribuna. “Quero chegar ao final dos quatro anos podendo olhar nos olhos de cada goiano e dizer que honrei a confiança recebida”, afirma.
“Não quero ser lembrado pela quantidade de discursos que fiz na tribuna, mas pelos problemas que ajudei a resolver”, acrescenta. Entre os resultados que pretende alcançar, ele cita novas leis, fiscalização do poder público, valorização dos profissionais de segurança e avanços na proteção de mulheres e crianças.
O deputado eleito também promete manter um gabinete aberto à população. “Quero um gabinete de portas abertas, que escute as pessoas, cobre os gestores e acompanhe a aplicação do dinheiro público”, afirma. Raiado diz que a experiência nas forças de segurança influenciará sua atuação parlamentar.
“Passei minha vida combatendo criminosos. Agora minha missão é enfrentar a burocracia, os privilégios, a omissão e tudo aquilo que impede Goiás de avançar”, declara. “Não entrei na política para mudar minha vida. Entrei porque acredito que podemos mudar a realidade de muitas pessoas”, afirma.
Ao resumir a expectativa para o mandato, o coronel eleito diz que pretende manter os princípios que, segundo ele, orientaram sua trajetória. “E uma coisa eu garanto: o mandato não vai mudar meus princípios. São os meus princípios que vão conduzir o mandato”, conclui.
Marquinho do Gayer (PL)

Eleito deputado estadual por Goiás pelo PL com mais de 31 mil votos, Marquinho do Gayer afirma que pretende fazer da fiscalização do dinheiro público a principal marca de seu mandato na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Em entrevista ao Jornal Opção, ele disse que pretende acompanhar a aplicação dos recursos públicos, inclusive das emendas parlamentares que destinar, e afirmou que não será um “deputado de cabresto” na relação com o governo estadual.
Marquinho também afirmou que não pretende se limitar à apresentação de projetos durante os quatro anos de mandato. Segundo ele, a prioridade será verificar se os recursos públicos estão sendo corretamente aplicados e acompanhar obras e ações do poder público.
“Eu acho que, hoje, o maior problema do nosso Estado é a falta de fiscalização. E quando eu falo fiscalização, é em todas as áreas. É saber para onde o nosso dinheiro está indo, onde os nossos impostos estão sendo gastos”, afirmou.
O deputado eleito disse que saúde, educação e segurança continuarão sendo temas importantes, mas avaliou que a fiscalização é uma atribuição essencial do Legislativo. Ele afirmou ainda que pretende criar uma equipe para acompanhar a aplicação das próprias emendas parlamentares.
“Do momento que eu receber uma solicitação via ofício até o empenho dessa emenda, a gente vai estar fiscalizando”, declarou. Para Marquinho, Goiás precisa de menos atuação política baseada em interesses circunstanciais e de mais parlamentares comprometidos com um propósito de longo prazo.
“Eu acho que é isso que o nosso Estado precisa: é menos politiqueiros e mais políticos. Políticos de missão”, disse. Marquinho do Gayer contou que sua trajetória política começou dentro da própria Alego. Antes de chegar ao plenário como deputado eleito, ele trabalhou como estagiário na Assembleia.
Em 2014, passou a integrar a coordenação da campanha do então deputado federal Delegado Waldir. Depois, atuou como chefe de gabinete dele no Congresso Nacional. Segundo Marquinho, foram cerca de 12 anos de experiência no Congresso, além de aproximadamente dois anos de atuação na Assembleia Legislativa.
Em 2022, passou a trabalhar com Gustavo Gayer (PL), que naquele ano foi eleito deputado federal. Marquinho participou da pré-campanha e da campanha e, depois da eleição, assumiu a chefia de gabinete do parlamentar. “Estou retornando para onde eu comecei. Comecei como estagiário e, agora, Deus está abençoando, estamos voltando como deputado estadual”, afirmou.
Natural de Palmeiras de Goiás, Marquinho disse que vive em Goiânia desde os 13 anos. A Região Metropolitana foi, segundo ele, onde obteve sua votação mais expressiva. Apesar disso, afirmou que não pretende estabelecer uma única região como base política.
“Eu não tenho uma região pré-definida para poder ser o deputado daquela região”, afirmou. Ele destacou ainda que foi eleito sem o apoio formal de prefeitos ou vereadores, o que, na avaliação dele, lhe dá liberdade para atuar politicamente em diferentes municípios.
115 municípios percorridos
Durante a campanha, Marquinho afirmou ter percorrido 115 municípios de Goiás em uma caminhonete. Ele atribuiu o resultado eleitoral tanto ao trabalho realizado durante a campanha quanto ao apoio de lideranças da direita. O deputado eleito citou especialmente Gustavo Gayer (PL) e o deputado federal por Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL).
“Eu reconheço a força do Gustavo. Hoje é o maior líder político que nós temos dentro da direita no Estado de Goiás e Brasil”, afirmou. Marquinho também disse ter sido o candidato apoiado por Nikolas Ferreira em Goiás. Segundo ele, a combinação entre os apoios políticos e o trabalho de campanha contribuiu para os mais de 31 mil votos obtidos.
“Gastamos a sola da botina também: percorri 115 municípios em cima de uma caminhonete, conversando com as pessoas, falando das nossas propostas”, relatou. Sobre a relação com o governador Daniel, eleito no primeiro turno, Marquinho afirmou que pretende manter uma postura de diálogo.
Durante a campanha, ele apoiou Wilder Morais para o Palácio das Esmeraldas, mas disse que, encerrado o processo eleitoral, é necessário deixar as disputas de lado e trabalhar em favor da população. “Passou a eleição, temos que descer do palanque político, sentar e conversar”, afirmou.
Marquinho classificou como “amistosa” a relação que pretende manter com o governo, mas ressaltou que não pretende votar automaticamente com o Executivo. “Eu não vou ser deputado de cabresto. Projetos que chegarem lá e forem contra a minha coerência, contra aquilo que eu acredito, não vão ter meu voto”, declarou.
Por outro lado, disse que apoiará propostas do governo que considerar benéficas para a população. “Se forem projetos que vêm beneficiar a população goiana, ele pode ter certeza que vai ter meu voto, meu empenho e minha dedicação”, afirmou.
“Quero ser mais fiscalizador e menos legislador”
Marquinho também afirmou que não pretende priorizar a apresentação de projetos apenas para aumentar o número de propostas protocoladas na Assembleia. Segundo ele, antes de criar novas leis, será necessário analisar projetos que já estão em tramitação.
Ele afirmou que há milhares de projetos paralisados na Alego e defendeu a análise daquilo que já foi apresentado antes da criação de novas propostas. A estimativa de que seriam mais de 20 mil projetos paralisados foi apresentada pelo próprio deputado eleito na entrevista. “Se eu precisasse passar quatro anos sem apresentar um projeto, eu passaria, porque projeto nós temos muito, é o que te falei: o que falta hoje é fiscalização daquilo que nós já temos”, disse.
Marquinho afirmou ainda que não pretende apresentar propostas de baixo impacto. “Eu não vou apresentar projeto para mudar nome de rua, mudar nome de passarela. Você pode ter certeza que os nossos projetos vão ser projetos que vão impactar a vida do povo goiano”, declarou. Ao falar sobre o legado que pretende deixar ao final dos quatro anos, Marquinho voltou a destacar a fiscalização.
Segundo ele, o eleitor deve ter condições de saber como os recursos públicos são utilizados e quais são os motivos para eventuais atrasos em obras. “Eu quero de fato que as pessoas entendam que dá para você ser deputado e estar próximo da população”, afirmou.
O parlamentar eleito disse que pretende acompanhar desde a destinação de recursos até a execução das obras e ações financiadas com dinheiro público. “A principal bandeira e o que eu vou deixar de legado para a população é eles entenderem para onde cada centavo vai do imposto. Cada obra, por exemplo, que está parada, as pessoas vão saber o motivo pelo qual elas estão paradas”, afirmou.
Marquinho também disse que não pretende fazer do mandato um caminho para uma nova candidatura. “Eu quero, de fato, que os quatro anos do meu mandato deixem um legado para a população. Eu não penso em reeleição. Isso é consequência daquilo que você construir”, declarou.
Ao resumir a postura que pretende adotar na Alego, o deputado eleito afirmou que quer concentrar sua atuação na fiscalização, além da função tradicional de elaborar leis. “A função principal de um deputado hoje é legislar, mas é fiscalizar também. Só que o pessoal foca muito só na legislação e deixa a segunda função principal, que é a fiscalização, muito de lado. E eu, pelo contrário, eu quero ser mais fiscalizador e menos legislador”, afirmou.
Cardoso (Republicanos)

O deputado estadual eleito por Goiás Cardoso (Republicanos) afirma que pretende atuar nos 246 municípios goianos, sem concentrar o mandato em uma única região. Em entrevista ao Jornal Opção, ele apontou o esporte, a proteção às mulheres, as ações sociais e o fortalecimento das comunidades como prioridades para a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).
“Eu quero poder contribuir com todo o Estado”, afirmou. Segundo ele, a proposta é exercer um mandato de alcance estadual, embora reconheça que muitos parlamentares adotam uma atuação regionalizada. Cardoso, de 49 anos, disse que sua entrada na política ocorreu após uma decisão de seu grupo político.
Ele afirma que acumula quase quatro anos de atuação na coordenação do grupo e cerca de 30 anos de trabalho com pessoas e ações sociais. “Tenho trabalhado muito em prol do povo, das pessoas”, declarou. O deputado eleito destacou iniciativas voltadas ao desenvolvimento humano, às famílias e à juventude.
Entre as principais bandeiras do futuro mandato, Cardoso destacou o incentivo ao esporte, especialmente às artes marciais e ao jiu-jítsu. Segundo ele, a intenção é ampliar o acesso às modalidades e criar condições para a formação de novos atletas. “Eu acredito na ferramenta do esporte para a ressocialização. Acredito que o esporte tem um poder de transformar vidas, de unir famílias”, disse.
O parlamentar afirmou que já mantém contato com pessoas ligadas às artes marciais e pretende transformar a pauta em ações práticas no primeiro ano de mandato. A proposta inclui ampliar o acesso ao esporte nas comunidades e aproximá-lo da educação, com iniciativas nas escolas.
“Eu acho que é fundamental para que, degrau após degrau, a gente possa ver um desenvolvimento do esporte e fazer o nosso Estado de Goiás uma referência”, afirmou. Cardoso também defendeu o incentivo a diferentes modalidades esportivas. Para ele, Goiás tem condições de ampliar sua participação no cenário nacional e formar novos atletas de destaque.
Apesar de já apontar áreas prioritárias, o deputado eleito reconheceu que ainda não definiu projetos específicos para apresentar no início da legislatura. Ele atribuiu a ausência de propostas detalhadas ao foco na campanha eleitoral, que classificou como difícil e marcada por viagens pelo Estado.
Apoio ao governo Daniel Vilela
Cardoso confirmou que pretende integrar a base do governador eleito Daniel Vilela (MDB). Ele afirmou que já apoiava o político durante a campanha e defendeu a continuidade da gestão iniciada pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). “Vamos trabalhar junto com o nosso governador Daniel”, declarou.
Na avaliação do deputado eleito, a segurança pública de Goiás é uma referência que pode servir de exemplo para outras áreas da administração estadual. Ele também citou o projeto de transformação do atual Hospital Estadual de Urgências de Goiás (Hugo) em uma unidade de referência no atendimento à saúde da mulher, após a transferência dos serviços para as novas instalações.
“Com certeza, isso já é uma decisão que já tomamos, que a gente vai ser base e trabalhar junto para fortalecer mais o nosso Estado”, afirmou. Sobre a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa, Cardoso descartou, neste momento, a possibilidade de colocar o próprio nome na disputa.
Ele afirmou que pretende concentrar os esforços iniciais na formulação de políticas públicas. “É o meu primeiro mandato, estou entrando agora. Quero primeiramente investir toda a minha energia, toda a minha força em políticas públicas para beneficiar as pessoas, para impactar mesmo a vida do cidadão”, disse.
O deputado eleito afirmou que já foi procurado por alguns dos nomes que articulam a disputa pelo comando da Casa. Segundo ele, está disposto a conversar com os interessados, mas ainda não decidiu quem apoiará. “Vamos conversar, ouvir e apoiar o que for melhor para o governo e para o nosso Estado”, declarou. Questionado sobre a possibilidade de anunciar apoio a algum candidato à presidência da Alego, Cardoso foi direto: “Não, ainda não. Não tem definição de nome não”.
Keke da Vulkanic (Mobiliza)

Eleito deputado estadual por Goiás, Keke da Vulkanic (Mobiliza) afirma que pretende concentrar seu mandato na saúde, no transporte público e no abastecimento de água em Águas Lindas de Goiás e na Região Metropolitana do Entorno do Distrito Federal.
Em entrevista ao Jornal Opção, ele disse que vai cobrar do governador eleito Daniel Vilela (MDB) a abertura do Hospital Estadual de Águas Lindas para atendimentos de urgência e emergência. Segundo Keke, a unidade de saúde foi aguardada pela população por mais de 20 anos, mas ainda não funciona com atendimento de portas abertas.
Atualmente, conforme o parlamentar eleito, os pacientes dependem de regulação para conseguir atendimento. “É um elefante grande. É uma obra que esperamos por mais de 20 anos para agora, pronta, não funcionar de porta aberta”, afirmou. “A primeira pauta que a gente vai atrás é essa daí”, acrescentou.
Keke disse que pretende cobrar o compromisso de Daniel Vilela de ampliar o atendimento na unidade. O deputado eleito afirmou que conhece o governador desde 2016 e mantém uma relação próxima com ele, mas ressaltou que pretende atuar de acordo com as demandas da população.
“O principal lado que a gente vai ter é o do povo, igual eu sempre fiz aqui em Águas Lindas. Vamos cobrar o que é necessário para a população. O que for certo, vamos apoiar; o que for errado, vamos estar fora”, declarou. Além da saúde, o abastecimento de água está entre as prioridades anunciadas pelo futuro deputado.
Ele citou Águas Lindas de Goiás, Girassol (distrito de Cocalzinho de Goiás) e Santo Antônio do Descoberto como localidades que enfrentam problemas recorrentes de fornecimento. De acordo com Keke, a falta de água é especialmente grave em determinados períodos do ano. Ele também questionou a cobrança feita aos consumidores quando o abastecimento não ocorre regularmente.
“Não tendo água na torneira, o ar que sai das torneiras faz com que o relógio gire, e a população acaba pagando a conta mais alta sem ter água na torneira”, afirmou. Como medida para enfrentar o problema, o parlamentar eleito pretende cobrar a construção de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) na região da barragem do Descoberto.
Segundo ele, a estrutura permitiria bombear água para os reservatórios e reduzir o risco de desabastecimento nos períodos mais críticos. A proposta deverá integrar a agenda de cobranças do deputado junto ao governo estadual. Keke não detalhou, durante a entrevista, o cronograma de execução da obra nem os custos estimados.
Subsídio para o transporte público
O transporte público também deverá ocupar espaço na atuação parlamentar. Keke defende uma articulação entre os governos de Goiás, do Distrito Federal e federal para buscar uma solução para os custos enfrentados pelos trabalhadores que vivem na Região Metropolitana do Entorno.
Ele compara a situação com a da Região Metropolitana de Goiânia, onde, segundo afirmou, o Estado subsidia parte da passagem dos passageiros. “Lá na Região Metropolitana de Goiânia, o Estado paga a metade da passagem para o trabalhador. E aqui em Águas Lindas, na Região Metropolitana do Entorno, a gente paga a passagem inteira do bolso”, disse.
Para o deputado eleito, a diferença de tratamento precisa ser revista. “Se tem subsídio para lá, tem que ter para cá”, declarou. A proposta, segundo ele, é buscar uma solução conjunta entre os governos para reduzir o peso das tarifas no orçamento dos trabalhadores que dependem diariamente do transporte público para se deslocar até o Distrito Federal.
Questionado sobre como pretende se posicionar na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Keke evitou antecipar uma adesão automática à base governista ou uma postura de oposição a Daniel Vilela. O parlamentar eleito afirmou que mantém diálogo com o governador, mas condicionou o apoio às decisões do Executivo ao conteúdo das medidas adotadas.
A declaração indica que a atuação do deputado deverá ser definida a partir das pautas que considera prioritárias, especialmente as relacionadas à saúde, ao abastecimento de água e ao transporte na região onde concentra sua base eleitoral. Sobre a eleição para a presidência da Alego, Keke disse que ainda não foi procurado por candidatos interessados em obter seu apoio.
Ele afirmou que pretende discutir o assunto com os outros dois deputados eleitos pelo Mobiliza e com a direção partidária. “Temos o discernimento de caminhar junto com o partido e a bancada, que foram os três eleitos do Mobiliza, juntamente com a direção do partido”, afirmou.
Keke atribuiu sua vitória eleitoral à mobilização de um grupo de amigos e ao apoio do ex-prefeito de Águas Lindas Hildo do Candango. Segundo ele, a campanha enfrentou resistência de integrantes da classe política local. “Nós ganhamos a eleição aqui em Águas Lindas contra tudo e contra todos. Foi contra todos os vereadores, contra o prefeito, contra todos os secretários, contra os suplentes, contra os que perderam, contra a classe política inteira da cidade”, declarou.
O deputado eleito afirmou que seu grupo era formado principalmente por amigos sem atuação política e destacou que obteve a maior votação do Mobiliza e a maior votação para deputado estadual no município. Ao projetar os quatro anos de mandato, Keke disse que pretende apresentar resultados para os eleitores por meio de cobranças e articulações com os governos estadual, distrital e federal.
“A gente vai entregar muito trabalho. Vamos trabalhar para melhorar a saúde aqui de Águas Lindas e da Região Metropolitana do Entorno, que é uma região que tem sido muito esquecida”, afirmou.
Continua…
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