Anápolis chega aos 119 anos de emancipação política, comemorados em 31 de julho, consolidada como uma das cidades que mais impulsionam o desenvolvimento econômico do Centro-Oeste e um dos principais polos industriais do Brasil. Ao longo das últimas décadas, o município transformou sua posição estratégica em vantagem competitiva, atraindo grandes investimentos e fortalecendo cadeias produtivas que hoje abastecem mercados em todo o país.

Reconhecida nacionalmente pelo Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), a cidade construiu uma economia diversificada, mas tem na indústria seu principal diferencial. O município abriga um dos maiores polos farmacêuticos brasileiros, responsável por parcela significativa da produção nacional de medicamentos, além de um consolidado parque automobilístico e de uma estrutura logística que reúne rodovias, ferrovia, porto seco e aeroporto de cargas, fatores que ampliam sua competitividade e atraem novos empreendimentos.

A fábrica da Caoa, em Anápolis, iniciou a produção nacional do SUV Uni-T, fruto da parceria com a montadora chinesa Changan, marcando uma nova fase de expansão da unidade. O projeto contará com R$ 5 bilhões em novos investimentos, que se somam aos R$ 3 bilhões aplicados desde 2023, totalizando R$ 8 bilhões. Além de reforçar a estratégia de fortalecimento da indústria automotiva no Brasil, a iniciativa deve impulsionar a economia goiana com a modernização do parque industrial, geração de empregos qualificados e expansão da cadeia de fornecedores voltada à produção de veículos flex e eletrificados.

Assim como Anápolis, o DAIA celebra seus 50 anos com novos investimentos industriais, regularização fundiária e obras de infraestrutura. Inaugurado originalmente em 9 de novembro de 1976, o polo marca seu cinquentenário vivendo um período de expansão econômica na região.

Às vésperas do aniversário, os indicadores econômicos confirmam a força desse processo de desenvolvimento. Com Produto Interno Bruto (PIB) superior a R$ 20 bilhões, expansão industrial e novos investimentos anunciados para os próximos anos, Anápolis reforça seu protagonismo na economia goiana e nacional, tendo o DAIA como principal motor do crescimento e da geração de emprego e renda.

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A fábrica da Caoa, em Anápolis, iniciou a produção nacional do SUV Uni-T | Foto: Reprodução

PIB evidencia força da indústria na economia de Anápolis

O Produto Interno Bruto (PIB) de Anápolis alcança R$ 20,4 bilhões, tendo como principais pilares os setores de serviços (51,5%) e indústria (33,8%), que juntos respondem por mais de 85% da atividade econômica do município. A Administração Pública representa 13,6% da economia local e a agropecuária participa com 1,1%. O desempenho resulta em um PIB per capita de R$ 51,2 mil, reforçando a posição de Anápolis entre as principais economias de Goiás.

Economia diversificada e vocação industrial

De acordo com o secretário municipal de Economia de Anápolis, Marcelo Olímpio Carneiro Tavares, o município possui uma economia fortemente baseada nos setores de serviços e indústria, com pequena participação da agropecuária, consolidando-se como um dos mais importantes polos industriais do Estado de Goiás.

“O Município de Anápolis tem sua economia baseada fortemente em serviços e indústria, com pequena participação da agropecuária, formando um importante polo industrial do Estado de Goiás. Não obstante estar alicerçado como polo industrial, vem se tornando importante polo logístico, não apenas dos produtos aqui industrializados, mas também, devido ao seu posicionamento estratégico, um importante centro de distribuição”, destaca Marcelo Olímpio Carneiro Tavares.

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Marcelo Olímpio Carneiro Tavares: “o município possui uma economia fortemente baseada nos setores de serviços e indústria” | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

DAIA impulsiona desenvolvimento econômico

Segundo o secretário, Anápolis se consolidou como um dos principais polos industriais do Centro-Oeste, tendo no Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), inaugurado em 1976, o principal motor desse desenvolvimento.

“O DAIA transformou Anápolis de um município de passagem para um polo industrial de relevância nacional, traduzindo esse crescimento em empregos, arrecadação e desenvolvimento sustentável”, afirma Marcelo Olímpio Carneiro Tavares.

Expansão industrial e logística

Atualmente, o DAIA abriga mais de 200 empresas, com destaque para os segmentos farmacêutico, alimentício, químico, automobilístico e, mais recentemente, para o setor de logística estratégica.

Conforme Marcelo Olímpio Carneiro Tavares, a estrutura multimodal do distrito tem atraído empresas que necessitam de agilidade na distribuição de produtos para todo o país. O secretário ressalta ainda que o DAIA vem recebendo investimentos constantes, como o anunciado recentemente pela CODEGO, por meio do DAIAPLAM (Plataforma Logística Multimodal), empreendimento com potencial para receber mais de 100 novas indústrias e gerar até 30 mil novos empregos diretos e indiretos.

Codego projeta nova era para o DAIA

O Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) é responsável por cerca de 41% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, com geração estimada de R$ 7,8 bilhões em 2026, consolidando-se como o principal motor da economia anapolina. Além disso, concentra entre 70% e 80% da produção e dos empregos industriais, responde por mais de 70% das exportações da cidade e sustenta de 30% a 40% da arrecadação municipal ligada à atividade econômica. As informações são do presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), Luiz Antônio Oliveira Rosa.

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Luiz Antônio Oliveira Rosa: “o DAIA foi o grande divisor de águas na história econômica de Goiás” | Foto: Divulgação

Segundo Luiz Antônio Oliveira Rosa, a criação do DAIA marcou uma transformação histórica para Goiás e para Anápolis. “O DAIA foi o grande divisor de águas na história econômica de Goiás. Transformou um estado historicamente dependente da produção agrícola em uma potência industrial e fez de Anápolis uma cidade pujante, líder na geração de empregos e uma das maiores economias municipais do Estado”, afirmou.

Polo farmacêutico e logística impulsionam crescimento

De acordo com o presidente da Codego, a consolidação do distrito ocorreu em diferentes etapas, com destaque para a instalação das indústrias farmacêuticas no início dos anos 2000, impulsionadas pela Lei dos Genéricos. Ele também ressaltou que a infraestrutura logística, formada pelo Porto Seco Centro-Oeste, pelas ferrovias Norte-Sul e Centro-Atlântica, pelas rodovias federais e pelo Aeroporto de Cargas, tornou o DAIA um dos mais competitivos polos industriais do país. “Criamos um complexo logístico capaz de reduzir significativamente o tempo de trânsito alfandegário e aumentar a competitividade das empresas instaladas em Anápolis”, destacou.

Expansão e indústria do futuro

Luiz Antônio Oliveira Rosa afirmou que a Codego trabalha para preparar o distrito para uma nova etapa de desenvolvimento baseada na Indústria 4.0, na inovação e na sustentabilidade. Entre as iniciativas estão estudos para implantação de redes inteligentes, tecnologias como gêmeos digitais e telemetria, além da integração com universidades da região para fomentar pesquisa aplicada. Paralelamente, o programa DAIA Expansão amplia a área do distrito para receber cerca de 100 novas empresas, com potencial de gerar até 30 mil empregos diretos e indiretos, além da modernização da infraestrutura de água, esgoto e logística.

Próximas décadas

Para os próximos anos, o presidente da Codego afirma que a meta é transformar o DAIA no parque industrial mais sustentável e integrado da América do Sul, com foco na atração de investimentos estrangeiros, energias renováveis e fortalecimento da integração entre aeroporto, porto seco e ferrovias. Ao celebrar os 119 anos de Anápolis e os 50 anos do distrito, Luiz Antônio Oliveira Rosa reforçou que o futuro do município continuará ligado ao crescimento do parque industrial. “Não há como falar da grandeza de Anápolis sem celebrar a força do maior distrito industrial de Goiás. O futuro da cidade passa pelo DAIA, e estamos construindo um distrito preparado para liderar as próximas cinco décadas”, concluiu.

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O programa DAIA Expansão amplia a área do distrito para receber cerca de 100 novas empresas | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Ambiente favorável aos investimentos

O desenvolvimento industrial de Anápolis vive uma nova perspectiva de crescimento após um período de expansão mais lenta em comparação a municípios vizinhos. Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA), Luiz Cláudio Ledra, a combinação entre mudanças na gestão pública, maior diálogo entre as instituições e a redução da burocracia cria um ambiente mais favorável para novos investimentos. “Anápolis nunca deixou de crescer, mas agora deve voltar a crescer com muito mais força, retomando seu protagonismo na economia goiana”, afirma.

Segundo Ledra, um dos principais entraves para a atração de indústrias era o excesso de burocracia, situação que, segundo ele, começou a ser revertida com a atuação conjunta da Prefeitura, da Codego e da ACIA. A regularização das escrituras das áreas do Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) e a simplificação dos editais do DAIAPlam também aumentaram a confiança dos investidores. “Hoje as empresas encontram mais apoio e segurança para se instalar em Anápolis”, destaca.

Polo logístico e expansão industrial

A localização estratégica continua sendo um dos maiores diferenciais competitivos do município. Além do Porto Seco e da forte presença do setor farmacêutico, Anápolis reúne cerca de 150 indústrias de grande porte no DAIA, que deverá passar por expansão. O projeto também prevê espaço para pequenas e médias empresas, enquanto a Prefeitura estuda a criação de uma nova área industrial municipal para atender à crescente demanda por investimentos.

O fortalecimento do parque industrial tem reflexos diretos na economia local. A expansão das empresas movimenta hotéis, restaurantes, supermercados, prestadores de serviços e o mercado imobiliário, especialmente na região do DAIA. O distrito também permanece como o maior empregador da cidade, oferecendo oportunidades de trabalho qualificadas, principalmente nos segmentos farmacêutico e automotivo, que devem ampliar a geração de empregos com novos investimentos.

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Luiz Cláudio Ledra: “Anápolis deixou de ser a cidade do ‘não’ para se tornar a cidade do ‘sim’ ” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Apesar da força da indústria, Ledra ressalta que Anápolis possui uma economia diversificada, sustentada também pelo comércio e pelo setor de serviços, ambos em expansão. Ele atribui esse crescimento à simplificação dos processos para abertura de empresas e ao diálogo entre o poder público e as entidades empresariais. “Anápolis deixou de ser a cidade do ‘não’ para se tornar a cidade do ‘sim’. Hoje quem quer empreender encontra mais facilidades e um ambiente favorável aos negócios”, afirma.

Na avaliação do presidente da ACIA, a expansão do DAIA e a chegada de novas indústrias deverão impulsionar novamente o Produto Interno Bruto (PIB) do município e fortalecer toda a cadeia econômica. “Nossa missão é garantir um ambiente cada vez mais competitivo para que empresários e indústrias invistam em Anápolis. Com a união entre poder público, entidades e setor produtivo, a cidade tem tudo para retomar seu protagonismo industrial.

CDL destaca força econômica de Anápolis

Na avaliação do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Anápolis, Luiz Miguel Mendes, a localização estratégica, a chegada da ferrovia e a tradição no comércio e na indústria foram determinantes para consolidar o município como referência no desenvolvimento econômico do Estado.

Tradição industrial

Segundo Luiz Miguel Mendes, Anápolis acumula marcos históricos que reforçam sua importância para a economia goiana. A cidade sediou a primeira beneficiadora de café, a primeira indústria de beneficiamento de arroz e o primeiro polo atacadista de Goiás. Nos últimos dez anos, o crescimento foi impulsionado principalmente pelos setores automotivo e farmoquímico, ampliando a oferta de empregos e fortalecendo a economia local. “Anápolis sempre teve um crescimento exponencial e está preparada para uma nova fase de expansão, com indicadores positivos”, afirma.

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Luiz Miguel Mendes: “o crescimento foi impulsionado principalmente pelos setores automotivo e farmoquímico” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Desafios e retomada

Apesar da evolução, Mendes observa que o ritmo de crescimento ficou abaixo do registrado por outros municípios goianos nos últimos anos. Para ele, isso ocorreu porque gestões anteriores priorizaram áreas como saúde, educação e assistência social, deixando o desenvolvimento econômico em segundo plano. “Estamos otimistas com a atual gestão, que demonstra disposição para investir em infraestrutura e criar condições para atrair novas indústrias e ampliar os investimentos na cidade”, destaca.

Comércio e infraestrutura

O presidente da CDL ressalta que o fortalecimento da indústria impacta diretamente o comércio e o setor de serviços. Nesse contexto, a entidade tem atuado junto ao poder público na busca por melhorias estruturais, como o projeto de requalificação do Centro de Anápolis. “Nosso papel é dialogar com o poder público para que a cidade ofereça infraestrutura adequada ao comércio. Melhorar mobilidade, estacionamento e segurança é fundamental para que o consumidor volte a comprar em Anápolis”, enfatiza.

DAIA como motor econômico

Mendes destaca que o Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) permanece como o principal polo gerador de riqueza do município. Embora a cidade mantenha um importante segmento atacadista, é o distrito industrial que concentra o maior faturamento e a principal fonte de arrecadação. Atualmente, cerca de 25 mil pessoas trabalham no DAIA e vivem em Anápolis, movimentando o comércio local e fortalecendo toda a cadeia econômica.

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Mendes: “estamos otimistas com a atual gestão, que demonstra disposição para investir em infraestrutura e criar condições para atrair novas indústrias: Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Menos burocracia

Na avaliação da CDL, outro fator importante para estimular novos investimentos é a redução da burocracia. Mendes afirma que houve avanços significativos na abertura e regularização de empresas, especialmente nos setores de comércio e serviços, com processos mais ágeis e adoção de alvarás provisórios. “Hoje, praticamente não existem grandes entraves burocráticos para esses segmentos, o que favorece o ambiente de negócios e contribui para o crescimento econômico da cidade”, conclui.

Anápolis busca retomar força industrial

O desenvolvimento industrial de Anápolis, impulsionado pela criação do Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), transformou a cidade em um dos principais polos econômicos de Goiás. No entanto, segundo a presidente da Câmara Municipal, Andreia Rezende, a última década foi marcada por uma desaceleração econômica que fez o município perder posições no ranking estadual do Produto Interno Bruto (PIB). “Anápolis teve um boom de desenvolvimento com o DAIA, mas nos últimos anos enfrentou uma estagnação que exige uma reação conjunta para retomar o crescimento”, afirma.

De acordo com a parlamentar, a recuperação passa pela união entre Prefeitura, Câmara Municipal, entidades empresariais e Governo de Goiás na formulação de políticas públicas voltadas à atração de novos investimentos. Andreia destaca a atuação da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), que, segundo ela, já viabilizou a instalação de duas novas empresas no município, contribuindo para o reaquecimento da economia local.

A presidente da Câmara aponta três fatores principais para a perda de competitividade de Anápolis: incentivos fiscais mais atrativos oferecidos por municípios concorrentes, como Rio Verde, Catalão e Aparecida de Goiânia; falhas no primeiro edital do DaiaPlam, considerado pouco atrativo para investidores; e os impactos da reforma tributária, que reduziram benefícios antes concedidos às empresas instaladas na cidade. “Precisamos de uma resposta imediata para recuperar a capacidade de atrair novos empreendimentos”, ressalta.

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Andreia Rezende: “o DAIA continua sendo o principal motor da economia anapolina” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Andreia também cita o programa Prospera Anápolis, iniciativa da Câmara que reuniu propostas encaminhadas aos governos municipal e estadual para fortalecer o ambiente de negócios. Segundo ela, o novo edital do DaiaPlam oferece condições mais competitivas, com redução no custo dos terrenos e incentivos destinados à instalação de novas empresas, incluindo grandes centros de distribuição e operações de comércio eletrônico.

Para a presidente do Legislativo, o DAIA continua sendo o principal motor da economia anapolina e peça estratégica para garantir empregos e crescimento sustentável. “O DAIA é o pulmão econômico da cidade. Com a localização privilegiada, a infraestrutura logística e a articulação entre Prefeitura, Câmara, entidades e Governo de Goiás, Anápolis tem condições de voltar a ser uma referência industrial para o Estado e para o país”, destacou.

Anápolis fortalece ambiente para indústrias

A Prefeitura de Anápolis tem intensificado ações para fortalecer o desenvolvimento industrial do município por meio da aproximação com entidades empresariais, da desburocratização de processos e da atração de novos investimentos. Segundo o secretário municipal de Indústria, Comércio e Agricultura, Kim Abrão, a atual gestão retomou o diálogo com instituições como ACIA, CDL, Fieg, Codego e o Governo de Goiás, criando um ambiente mais favorável para empresas e empreendedores. “Fizemos essa reaproximação e o trabalho tem sido muito frutífero para a cidade”, afirmou.

Entre as principais medidas, o secretário destaca a presença permanente da Secretaria dentro do Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), considerado o maior distrito industrial do Centro-Oeste, onde cerca de 35 mil pessoas trabalham. O objetivo é agilizar demandas das empresas, como licenciamento, uso do solo e alvarás. Kim Abrão também ressaltou o avanço do Daiaplan, área de expansão do distrito que ficou paralisada por mais de uma década e agora conta com cerca de 160 lotes disponíveis. Segundo ele, entre 30 e 40 empresas já demonstraram interesse em se instalar no local, que possui infraestrutura completa. “Conseguimos destravar o Daiaplan e tornar o edital mais acessível aos empresários”, disse.

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Kim Abrão: “a qualificação da mão de obra é uma das prioridades da gestão” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

O secretário afirmou ainda que Anápolis vive um momento de forte atração de investimentos privados. De acordo com ele, estão previstos aproximadamente R$ 10 bilhões em investimentos nos próximos anos, incluindo R$ 5 bilhões da Caoa e cerca de R$ 2 bilhões destinados ao polo farmacêutico. Uma fábrica de gases industriais, com investimento estimado em R$ 150 milhões, deverá ser inaugurada ainda este ano como a primeira empresa instalada no Daiaplan. Paralelamente, a Prefeitura vem acelerando a abertura de empresas, permitindo que negócios de baixo risco sejam formalizados em até 24 horas. “Estamos fazendo um trabalho muito efetivo de desburocratização para facilitar a vida do empresário”, destacou.

Kim Abrão também ressaltou que a qualificação da mão de obra é uma das prioridades da gestão. Em parceria com empresas e instituições, o município promove cursos de capacitação e feirões de emprego para atender à demanda crescente da indústria, especialmente do setor farmacêutico. Além disso, a administração municipal trabalha em projetos para implantar novos distritos industriais voltados principalmente às pequenas empresas, ampliando as oportunidades de geração de emprego e renda.

Para o secretário, a localização estratégica de Anápolis, aliada ao Porto Seco, à malha rodoviária, à ferrovia e ao futuro aeroporto de cargas, coloca o município entre os principais polos logísticos e industriais do país. Ele reforçou que o DAIA é o maior gerador de empregos da cidade e continuará sendo peça fundamental para o desenvolvimento econômico. “A indústria é o presente e o futuro de Anápolis.”

Goiás produz 22% dos medicamentos do país

Goiás responde atualmente por cerca de 22% da produção nacional de medicamentos e tem na agilidade da Superintendência de Vigilância Sanitária (SUVISA) um dos principais diferenciais para o fortalecimento do polo farmacêutico instalado em Anápolis. A avaliação é do presidente executivo do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas no Estado de Goiás (Sindifargo), Marçal Henrique Soares, que destaca o papel da estrutura estadual para consolidar o setor no Estado.

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Marçal Henrique Soares: “Goiás responde atualmente por cerca de 22% da produção nacional de medicamentos” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Segundo Marçal Soares, o polo conta hoje com 14 indústrias em Anápolis, sendo 12 instaladas no Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) e duas na cidade. Dessas, apenas cinco foram fundadas por empresários anapolinos. “A evolução do polo ocorreu principalmente pelos incentivos fiscais estaduais, como o Fomentar, o Produzir e, atualmente, o Pró Goiás, além da coragem e da ousadia dos empresários que acreditaram no setor e enfrentaram os desafios econômicos e regulatórios”, afirma. Ele acrescenta que a especialização na fabricação de medicamentos genéricos também foi decisiva para o crescimento da indústria farmacêutica goiana.

O dirigente destaca ainda que a rapidez nos processos conduzidos pela SUVISA fortaleceu a competitividade do Estado. “Nossa SUVISA é a única vigilância sanitária estadual certificada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o que garante mais agilidade e segurança para o setor”, ressalta. Segundo ele, como os alvarás sanitários e ambientais das empresas instaladas no Daia são de competência estadual, esse diferencial se tornou estratégico para a expansão da produção.

Marçal Soares informa que diversas empresas seguem investindo em modernização, ampliação da capacidade produtiva e aquisição de equipamentos de alta tecnologia, com projetos previstos até 2030. No entanto, alerta que parte das indústrias também avalia expandir operações para Manaus devido às dificuldades encontradas para ampliar unidades em Anápolis.

“O DAIAPlan chegou tarde. Muitos empresários precisaram de novas áreas e não conseguiram. A demora na regularização das escrituras e a burocracia acabaram comprometendo novos investimentos”, destaca.

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O DAIA celebra seus 50 anos com novos investimentos industriais | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Na avaliação do presidente do Sindifargo, a reforma tributária representa um dos maiores desafios para a indústria goiana nos próximos anos, ao extinguir os incentivos fiscais que ajudaram a interiorizar o desenvolvimento industrial.

“Precisamos construir um ambiente amigável de negócios, com segurança jurídica, agilidade na concessão de licenças e diálogo permanente com o setor produtivo. Os investidores hoje escolhem onde aplicar seus recursos e Goiás precisa oferecer vantagens competitivas para manter e atrair novas indústrias”, enfatizou.  

Empresa anapolina amplia produção no DAIA

A trajetória da BRG Geradores reflete o avanço do desenvolvimento industrial de Anápolis nas últimas décadas. Instalada no Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) há mais de 20 anos, a empresa familiar, fundada na própria cidade, vem registrando crescimento contínuo. “Desde que entrei na empresa, em 2014, tivemos bons momentos de expansão. Na época éramos cerca de 80 a 100 funcionários e hoje somos aproximadamente 450 colaboradores. O crescimento não foi só nosso, mas de várias empresas do distrito, gerando empregos e desenvolvimento para a cidade”, destaca Bruno Martins, gerente de produção da BRG Geradores.

Em 2023, a empresa inaugurou uma nova ampliação da fábrica, resultado de investimentos da ordem de R$ 40 milhões, destinados ao aumento da capacidade produtiva. Atualmente, a BRG fabrica entre 100 e 120 geradores por mês, superou a marca de mil equipamentos produzidos no ano passado e trabalha com a meta de alcançar cerca de 1.400 unidades anuais, acompanhando o crescimento da demanda nacional.

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Bruno Martins: “desde que entrei na empresa, em 2014, tivemos bons momentos de expansão” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

A atuação da BRG se estende a todo o Brasil, com filiais e empresas do grupo em diferentes estados, além de exportações para países como Paraguai e Argentina. Segundo Bruno Martins, embora o mercado nacional concentre a maior parte dos negócios, a empresa também investe na formação de mão de obra para suprir a escassez de profissionais qualificados, mantendo parcerias com o Senai e promovendo cursos próprios voltados à capacitação de técnicos para manutenção de grupos geradores.

Para o gerente, a localização estratégica de Anápolis é um dos principais fatores que impulsionam o crescimento industrial da cidade e da própria empresa. “A posição geográfica facilita tanto o recebimento de matérias-primas, que vêm principalmente das regiões Sudeste e Sul, quanto o escoamento da produção para todas as regiões do país. Essa logística eficiente é um diferencial importante para o desenvolvimento da indústria instalada no DAIA”, afirma.

Indústrias geram emprego e desenvolvimento

Para quem vive a rotina das indústrias instaladas no Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), o complexo representa muito mais do que um polo produtivo. Na avaliação dos trabalhadores, o distrito é responsável por ampliar as oportunidades de emprego, garantir melhores salários e contribuir diretamente para o crescimento econômico e a qualidade de vida da população.

Natural de Anápolis, a auxiliar de limpeza Fernanda Pires, de 45 anos, trabalha em uma indústria do setor de alimentos para animais e afirma que o DAIA é fundamental para a empregabilidade no município.

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Fernanda Pires: “as condições de trabalho são melhores e a empresa valoriza mais o funcionário” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

“Para a sociedade é muito bom, porque é onde dá muito trabalho para muita gente. É onde encontra serviço a todo momento”, afirma.

Segundo Fernanda, além da oferta constante de vagas, as indústrias proporcionam melhores salários e valorização dos trabalhadores. Ela relata que um profissional da limpeza consegue receber, em média, R$ 2,3 mil líquidos por mês, remuneração superior à encontrada em outros segmentos da cidade.

“As condições de trabalho são melhores e a empresa valoriza mais o funcionário. Com certeza faz diferença.”

Moradora de Anápolis desde o nascimento, Fernanda também percebe a evolução econômica do município ao longo das últimas décadas.

“É visível que a cidade melhorou bastante. Eu acredito que esse crescimento tem ajudado a melhorar a qualidade de vida da população.”

Oportunidade para quem chega de fora

Natural do Pará, Francisco Marcelo Eufrásio dos Santos, de 27 anos, escolheu Anápolis justamente pelas oportunidades oferecidas pelo parque industrial. Segundo ele, uma visita à cidade foi suficiente para decidir mudar de estado.

“Acabei vindo visitar, gostei e fiquei para trabalhar. Aqui é muito bom de trabalhar, tem muito emprego e os salários são muito bons.”

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Francisco Marcelo Eufrásio dos Santos: “A empresa dá oportunidade para quem quer cresce” | Foto: Oyagy Vieira/Jornal Opção

Atualmente, Francisco atua como conferente de estoque e destaca que as empresas do DAIA oferecem oportunidades tanto para quem está iniciando a carreira quanto para quem deseja crescer profissionalmente.

“A empresa dá oportunidade para quem quer crescer. Você pode entrar como jovem aprendiz e ir conquistando espaço. Anápolis é uma cidade que oferece oportunidade demais, com muita geração de emprego.”

Na avaliação dos dois trabalhadores, o Distrito Agroindustrial de Anápolis segue sendo um dos principais motores da economia local, reunindo empresas que impulsionam a criação de empregos, aumentam a renda da população e atraem trabalhadores de diferentes regiões do país em busca de melhores oportunidades.

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