Com atos de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) previstos para este domingo, 8, a Esplanada dos Ministérios está fechada “para garantia da segurança e atuação das forças de segurança”. Segundo reportagem do portal Poder 360, Brasília amanheceu sob tensão a respeito de qual o rumo que as manifestações de bolsonaristas radicais vai tomar.

Na véspera, chegaram à capital federal cerca de 80 ônibus com manifestantes contrários ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro da Justiça, Flávio Dino, autorizou o uso da Força Nacional para salvaguardar a região da Esplanada. O objetivo dos manifestantes é ficar em frente ao Congresso cantando palavras de ordem contra o governo Lula, contra o STF, pedindo intervenção militar para uma troca da administração federal.

O acampamento em frente ao quartel-general do Exército, que já dura mais de 2 meses, continua, apesar de esvaziado. Ali, faixas pedindo intervenção federal e palavras de ordem contra Lula são constantes. Dezenas de pessoas desembarcaram de ônibus interestaduais perfilados no Eixo Monumental, perto de um dos acessos ao QG, com barracas e grande quantidade de mantimentos.

Em um dos acessos, aos gritos de “agora é tudo ou nada”, integrantes do movimento incentivavam a entrada de carros particulares para engrossar o acampamento montado no local. O problema se acentuou nas últimas 48 horas. Em São Paulo, no centro da cidade, bolsonaristas buzinando e gritando “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão” ocuparam as ruas do centro de São Paulo no final da tarde de sexta-feira, 6. Mais tarde, no começo da noite, também na sexta-feira, manifestantes conseguiram bloquear por algum tempo a principal via de acesso ao aeroporto de Congonhas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ordenou no sábado, 7, a desobstrução da área ocupada por bolsonaristas em frente a um batalhão do Exército em Belo Horizonte (MG), com ameaça de multa de R$ 100 mil a um dos líderes do movimento.

Também no sábado (7.jan), chegaram informações para as autoridades nacionais de segurança de que bolsonaristas radicais tinham a intenção de bloquear refinarias em São Paulo e no Rio de Janeiro, com o objetivo de causar uma disrupção no abastecimento de combustíveis no país. Esses movimentos foram contidos. Mas na semana que vem medidas mais drásticas podem, eventualmente, ser tomadas para garantir a segurança de áreas consideradas vitais para funcionamento do país.

Flávio Dino publicou a portaria em que autorizou o uso da Força Nacional na Esplanada dos Ministérios, com atuação da corporação prevista até esta segunda-feira, 9. São cerca de 400 homens disponíveis para o fim de semana.

O governo Lula preferiu até agora ir reduzindo o limite de circulação desses manifestantes, na expectativa de que os acampamentos fossem se esvaindo naturalmente. Isso ainda não ocorreu. Por isso, a Força Nacional foi acionada. Na semana que vem, os Ministérios da Justiça e da Defesa devem avaliar a situação para desenhar a estratégia a ser seguida.