Minha visita ao Habitat 67, em Montreal
04 agosto 2026 às 16h35

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Em 1967, ainda muito jovem e antes mesmo de ingressar na Escola de Arquitetura em Goiânia, tive a oportunidade singular de visitar o extraordinário Habitat 67, uma das obras mais marcantes da Exposição Universal de Montreal, a célebre Expo 67.
Naquele momento, talvez eu não tivesse plena consciência da importância histórica e arquitetônica daquilo que estava diante de meus olhos. Entretanto, a imagem daqueles módulos de concreto empilhados de forma ousada, criando terraços, jardins suspensos e espaços de convivência, permaneceu viva em minha memória. O conjunto, concebido pelo arquiteto Moshe Safdie, parecia materializar uma visão de futuro, demonstrando que a arquitetura poderia ser inovadora, humana e integrada ao meio urbano.
A Expo 67 representava o espírito de uma época marcada pela confiança no progresso, na tecnologia e na capacidade criadora do homem. Para uma futura estudante de arquitetura oriunda do Brasil Central, aquela experiência constituiu um contato precoce com as grandes discussões internacionais sobre habitação, urbanismo e qualidade de vida nas cidades.
Mais tarde, ao ingressar na Escola de Arquitetura em Goiânia, compreendi melhor a dimensão do que havia visto. O Habitat 67 já era reconhecido mundialmente como um laboratório arquitetônico que buscava conciliar a densidade dos edifícios urbanos com as qualidades da moradia individual. A proposta de unir privacidade, áreas verdes e convivência comunitária influenciou gerações de arquitetos e urbanistas em diversos países.
Hoje, ao recordar aquela visita, percebo que ela representou mais do que uma simples passagem por uma exposição internacional. Foi um encontro precoce com a arquitetura como instrumento de transformação social e cultural. O Habitat 67 permanece, para mim, como símbolo da criatividade, da inovação e da capacidade de imaginar cidades mais humanas.
Passadas tantas décadas, a lembrança daquela obra continua inspiradora. Entre as muitas experiências que marcaram minha trajetória, a visita ao Habitat 67 ocupa um lugar especial: foi um dos primeiros contatos com a arquitetura em sua dimensão mais universal, antecedendo minha formação acadêmica e contribuindo para ampliar meu olhar sobre a cidade, o espaço construído e o papel do arquiteto na sociedade.
Narcisa Abreu Cordeiro

Arquiteta e memorialista goiana.
Natural de Goiânia tomou posse em 11 de maio de 1994.
Bacharelou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UCG, especializando-se em Planejamento Regional pelo CNDU. Diplomou-se em Botânica pelo Depto. de História Natural da UCG. Realizou projetos na área de urbanismo, paisagismo e fotografia, sempre defendendo as áreas verdes de Goiânia em Seminários e Congressos.
ATIVIDADES CULTURAIS – Escritora, poeta, escultora, cantora e historiadora. Seu discurso de posse está inserido na 1ª Revista da AFLAG – 1993/1997. Como escultora, foi aluna da consagrada Profª. Ana Maria Pacheco. Realizou várias exposições em nível nacional e internacional. Foi coordenadora do “Museu de Escultura ao ar livre”, na Praça Universitária. É membro de treze instituições culturais no Brasil e exterior, incluindo a AFLAG, o IHGG, a União Brasileira de Escritores – Seção de Goiás, a Associação Internacional dos Art. Plásticos e o Instituo dos Arquitetos do Brasil. Tem inúmeros trabalhos publicados em jornais e revistas goianos. É verbete em vários dicionários lítero-culturais. Encontra-se no prelo seu livro “A Trajetória de uma Maga numa Região Mística do Brasil” em parceria com Chantal Dugué.
Obras publicadas:
- “In Totum”, poemas,1990;
- “Goiânia – Embasamentos no Plano Urbanístico Original”, em co-autoria com Normalice M. de Queiroz;
- “Goiânia – Evoluções do Plano Urbanístico”, que foram referenciais em vários planos de governos e na Faculdade de Arquitetura da UCG.
Música:
- LP “Narcisa”
- CD “Oráculo”, como compositora e soprano dramático.
A coluna Prosas em Artes é uma colaboração de Andréa Luísa Teixeira e Dani de Brito.
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