Candidata a deputada estadual pelo Podemos, Larissa Lafaiete afirma que decidiu entrar na disputa eleitoral motivada pela própria trajetória como mãe atípica e pela experiência de acompanhar o filho, Augusto Lafaiete de Godoi Mangussi autista e artista plástico, 19 anos, diagnosticado com autismo nível 3 de suporte. Advogada e ativista na área dos direitos das pessoas com deficiência, ela relata ao Jornal Opção ter vivenciado situações de preconceito, capacitismo e dificuldades relacionadas ao acesso a terapias e à falta de uma rede de apoio para as famílias.

“Por meio dele, eu conheci as dores de outras mães, de outras crianças e de outros adolescentes. Vi a necessidade de buscar representatividade para os autistas, para a maternidade atípica e para a neurodivergência de uma maneira geral”, conta.

Segundo Larissa, a falta de representação de pessoas que conheçam tanto as demandas das famílias quanto a elaboração de políticas públicas é um dos motivos que a levaram à candidatura. Ela afirma ter participado, durante sua atuação como assessora parlamentar, da construção de mais de 48 projetos de lei relacionados às pessoas com deficiência. Entre as iniciativas citadas está a criação de uma coordenadoria especial voltada às mães atípicas.

“A gente precisa de representatividade e visibilidade para aprovação das políticas públicas, para fiscalização e para construção de políticas que realmente atendam às necessidades dessas pessoas”, diz.

Educação e inclusão

Na área da educação, Larissa aponta a capacitação de professores e profissionais de apoio como uma das principais medidas que pretende defender. Entre as propostas citadas estão a inclusão de conteúdos sobre autismo e outras deficiências na formação universitária de profissionais das áreas de saúde e educação, além de maior fiscalização das escolas.

Larissa defende o combate ao bullying e à violência contra estudantes com deficiência, a exigência do Plano Educacional Individualizado (PEI), o fortalecimento da rede de acolhimento às mães e a valorização dos professores de apoio.

“Precisamos de capacitação, fiscalização e políticas que garantam que essas pessoas tenham seus direitos respeitados dentro das escolas”, ressalta.

A candidata também relata que sua atuação na área ocorre mesmo antes de uma eventual chegada ao Legislativo. Segundo ela, já participou da construção de 14 projetos de lei e ajudou na criação de uma clínica voltada ao atendimento social. Larissa afirma ainda ter capacitado mais de 6 mil pessoas por meio de cursos e atividades de formação. Ela diz que também é procurada por mães de diferentes regiões do país e cita iniciativas e grupos de apoio que reúnem famílias com demandas semelhantes.

“Hoje eu sou procurada por mães do Brasil todo. Todos passam por problemas parecidos, principalmente pela falta de representatividade e de uma rede de apoio”, relata.

“Transformar nossa dor em luta”

Ao falar sobre a candidatura, Larissa destaca que pretende levar para a política a experiência acumulada na defesa das pessoas com deficiência e das famílias. Para ela, a atuação parlamentar deve estar ligada à criação, fiscalização e implementação de políticas públicas voltadas à inclusão e à garantia de direitos.

“Minha candidatura representa a luta de transformar a nossa dor em luta, em ação e em atitude, buscando mais dignidade humana e qualidade de vida para as pessoas com deficiência”, declara.

Ela também defende maior união entre mães atípicas para ampliar a visibilidade das demandas desse grupo. “Gostaria muito que as mães se unissem para que, juntas, pudéssemos mostrar que nossa necessidade é real e que nossa voz pode ser ouvida”, completa.

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