Saiba quem é Paulo Figueiredo, neto do último presidente da ditadura que provocou crise no PL com fala machista
01 julho 2026 às 11h31

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O cenário político e os bastidores internos do Partido Liberal (PL) foram estremecidos nos últimos dias após as fortes declarações de teor misógino proferidas pelo influenciador e jornalista bolsonarista Paulo Figueiredo. Em uma transmissão realizada em suas redes sociais, Figueiredo criticou abertamente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e afirmou que “mulher, em geral, vota muito mal, principalmente as solteiras”. A fala aprofundou a crise pública que envolve o clã Bolsonaro e a cúpula do PL, resultando, inclusive, no afastamento temporário de Michelle da presidência do PL Mulher.
Mas quem é a Paulo Figueiredo e porque ele mantém tamanha influência sobre o eleitorado de direita no Brasil, a ponto de balançar as estruturas do maior partido de oposição do país? O Jornal Opção te explica agora.
O DNA da Ditadura
Para compreender a trajetória de Paulo Figueiredo, é preciso olhar para a história do Brasil. Ele é neto do general João Baptista Figueiredo, o último presidente do regime militar brasileiro (1979–1985). Seu avô ficou conhecido historicamente por comandar o processo de abertura política e por assinar a Lei da Anistia em 1979, que permitiu o retorno de exilados políticos ao mesmo tempo em que blindou militares e agentes do Estado contra punições por crimes de tortura e violações de direitos humanos.

Carregando o sobrenome de peso histórico, Paulo Figueiredo consolidou sua imagem pública muito atrelada à defesa do legado familiar e a uma visão revisionista e elogiosa do período em que os militares governaram o país.
Antes dele se consolidar como uma das principais vozes do ecossistema de mídia da direita brasileira, Figueiredo trilhou caminhos no mercado imobiliário de luxo. Ele chegou a ser sócio do empresário e atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na construção do Trump Hotel, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Em entrevistas passadas, ele afirmou manter uma “relação amistosa” direta com o magnata americano.
Essa parceria, contudo, também atraiu problemas com a Justiça. Em 2019, Figueiredo chegou a ser detido temporariamente em Miami sob a suspeita de integrar um suposto esquema de pagamento de propinas a dirigentes do Banco de Brasília (BRB) para conseguir fundos destinados justamente à construção do empreendimento hoteleiro carioca.
Ascensão e queda na mídia brasileira
O salto definitivo de Paulo Figueiredo para a grande audiência ocorreu em 2020, quando ele foi contratado como comentarista político pela rádio Jovem Pan. Com um discurso agressivo contra a esquerda brasileira e alinhamento irrestrito ao então governo de Jair Bolsonaro, ele rapidamente se transformou em um dos maiores fenômenos de audiência da emissora.
A sua passagem pela Jovem Pan, no entanto, terminou de forma conturbada. Em 2021, diante das tensões e pressões editoriais, ele foi afastado e demitido no início de 2023. Na época, Figueiredo já se encontrava sob a mira de investigações do Ministério Público Federal e do Judiciário por suspeita de disseminação sistemática de desinformação.
A situação jurídica de Paulo Figueiredo agravou-se drasticamente após as eleições de 2022 e os eventos antidemocráticos que culminaram nos atos de 8 de janeiro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia formal contra o jornalista por propagação de desinformação golpista.
Segundo relatórios e investigações do Supremo Tribunal Federal (STF), ele é apontado como peça central de um núcleo de influenciadores encarregados de inflamar e incitar integrantes das Forças Armadas a aderirem a uma insurreição militar para reverter o resultado das urnas.
Diante disso, o ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a sua prisão preventiva e ordenou o cancelamento de seu passaporte brasileiro. Como reside na Flórida, nos Estados Unidos, Figueiredo não pôde ser detido pelas autoridades brasileiras e passou a figurar formalmente como foragido da Justiça. Recentemente, ele tem atuado nos bastidores da política internacional junto a deputados como Eduardo Bolsonaro, tentando articular pressões políticas a partir de Washington contra as ações do Judiciário brasileiro.
A fala misógina e o impacto no PL

O episódio mais recente, onde usou dados demográficos das eleições americanas para justificar sua tese de que mulheres casadas apenas “acompanham o voto do marido” e que as solteiras “votam muito mal” por historicamente preferirem candidatos de esquerda, recolocou o jornalista no centro do debate nacional.
Mais do que uma crítica isolada, os ataques contra Michelle Bolsonaro e o braço feminino da legenda expôs publicamente as fraturas ideológicas e a disputa pelo controle da narrativa que agora corroem a unidade da oposição no Brasil.



