Após a sanção parcial do projeto que prevê a criação de um Centro Canábico pelo prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), o vereador e autor da proposta, Lucas Kitão (Mobiliza), afirmou que a previsão é que as primeiras audiências para discussão do projeto ocorram a partir de 27 de abril. A proposta é que o espaço funcione como um centro de atendimento integral, indo além da distribuição de medicamentos, com oferta de serviços em áreas como psicologia e nutrição.

Em entrevista ao Jornal Opção, o parlamentar disse que o projeto está na fase de definição do local, elaboração de notas técnicas junto à Secretaria Municipal de Saúde e planejamento orçamentário. Ele ressalta que houve a autorização para a criação do equipamento, mas não a sua implementação imediata.

Kitão explica que a implantação do centro pode ocorrer por meio de decreto, sem necessidade de nova legislação, desde que os ajustes técnicos e administrativos sejam concluídos. “O prefeito vetou a dependência exclusiva da administração para implantação. Isso pode ser feito via decreto, e não necessariamente por novas leis. Nesse ponto, comemoramos a sanção da criação do instituto que é o principal”, disse.

Atendimento

O atendimento deve seguir as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), com prioridade para pessoas inscritas no Cadastro Único. Do mesmo modo, patologias com maior potencial terapêutico para uso de cannabis medicinal devem ser priorizadas.

Diferentemente de uma unidade básica de saúde, a gestão do Centro Canábico deverá envolver tanto o poder público quanto entidades da sociedade civil.

O financiamento, por sua vez, deve vir majoritariamente de emendas parlamentares, recursos de ministérios, parcerias com a iniciativa privada e organizações do terceiro setor. A expectativa do vereador é firmar um acordo ainda em 2026 para viabilizar a instalação do espaço.

“Nosso objetivo é tirar esse projeto do papel ainda este ano. Sabemos que, por ser ano eleitoral, os trâmites tendem a ser mais lentos, mas acreditamos na viabilidade. A ideia é também garantir recursos para iniciar a execução em 2027.”

Segundo Kitão, a luta pela cannabis medicinal em Goiânia começou em 2018, quando a cidade se tornou a primeira capital a garantir por lei a entrega gratuita desses medicamentos. O vereador destaca que o maior desafio foi vencer o preconceito e o desconhecimento por meio da ciência. “Ainda existe desconhecimento e preconceito em relação à cannabis, mas a ciência tem superado isso. A prova disso é que o nosso projeto foi aprovado por unanimidade na Câmara Municipal”, conclui.

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