Cilas Gontijo
Especial para o Jornal Opção

O Partido Liberal (PL) será, a partir de 1º de fevereiro, o maior da Câmara dos Deputados, com 99 deputados federais. Portanto, será o “tanque” que puxará o chamado Centrão. No Senado, não será diferente: a legenda obteve na última eleição 13 cadeiras. Esse aumento tem uma explicação: são parlamentares que foram eleitos por se apegarem ou se identificarem com os princípios defendidos pelo ex-mandatário do País, Jair Messias Bolsonaro.

Prova disso, foi a eleição histórica do vereador de Belo Horizonte Nikolas Ferreira (PL-MG), o deputado federal mais bem votado do Brasil e da história de Minas Gerais, com  1.492.047 votos. Em Goiás, o PL foi o partido que mais elegeu deputados, quatro ao todo: Professor Alcides, Magda Mofatto, Daniel Agrobom e Gustavo Gayer, o segundo mais votado do Estado, com 200.586 votos. A legenda ainda conseguiu ocupar o único assento vago no Senado, com Wilder Morais.

Para a próxima legislatura, o cenário que se aponta no PL é para oposição radical ao governo do PT. Valdemar Costa Neto, presidente nacional da sigla, confirmou essa oposição ao gravar um vídeo na última terça-feira, 3, em que garantiu aos militantes da sigla e apoiadores de Bolsonaro que o PL fará uma oposição “certeira, verdadeira e responsável”. “Nossa vigília estará presente em todos os atos do atual governo e cobrará coerência entre o que se diz e o que se faz”, disse o dirigente.

O deputado eleito Gustavo Gayer deixou bem claro, que a possibilidade de aproximação do PL com Lula, “é zero”, garantindo que a legenda fará uma “oposição ferrenha” ao PT.

Ele ainda disse a esta reportagem, que a sua oposição à esquerda já dura muitos anos. “Venho desmentindo e expondo os desmandos, atrocidades e crimes do PT há quase dez anos. E, juntamente com outros excelentes parlamentares do PL, daremos continuidade a este trabalho também no Congresso”, ratifica. Para Gayer, Valdemar acertou ao afirmar, que a sigla fará uma oposição certeira ao PT.

Gustavo ainda argumenta que, mesmo não tendo tomado posse, já está trabalhando neste sentido. O deputado se refere à criação, pela Advocacia-Geral da União (AGU), de uma subpasta denominada Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia. “Em parceria com o deputado Luiz Ovando (pP-MS), apresentei, como coautor, um projeto de decreto legislativo (PDL) para impedir a criação dessa subpasta”, disse.

Gayer salienta que essa Procuradoria é o Estado criando uma “estrutura criminosa e inconstitucional para perseguir e calar qualquer pessoa que se oponha às ações do governo”. “Ações desse tipo só poderíamos esperar de um Estado totalitário e já está acontecendo em nosso País. Com certeza, esta será a primeira de muitas ações e assim que estiver oficialmente no mandato, entrarei com pedido de urgência para derrubar este decreto criminoso e ditatorial”, garante.

Recuo
Segundo o jornal Gazeta Brasil, na sexta-feira, 6, a AGU recuou e informou que a criação da subpasta está suspensa, ao menos por enquanto, e que passará por uma consulta pública. A nova estrutura tem recebido muitas críticas, inclusive no Congresso, pois há o temor que ela seja usada, segundo a oposição, para cercear a liberdade de expressão e se torne uma espécie de “Ministério da Verdade”.