O poder na República brasileira ainda é ocupado majoritariamente por homens brancos e de meia-idade ou mais. É o que mostram dados oficiais sobre o perfil histórico dos presidentes da República e a composição atual do Congresso Nacional, reunidos a partir de informações do governo federal, do Senado, da Câmara dos Deputados e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os números indicam que a representação política brasileira avançou pouco em diversidade. Ao longo das décadas, homens seguem como maioria nos principais cargos eletivos, enquanto diferenças regionais, econômicas, raciais e etárias ainda marcam a composição das instituições.

A Presidência

Na cadeira mais importante do Palácio do Planalto, a exclusão feminina e racial é histórica. Em toda a série de mandatos presidenciais levantados pelo governo federal — 37 governos e 38 mandatos (já que alguns vice-presidentes assumiram antes do fim do período) — o perfil se repete, com raras exceções.

  • Gênero: 37 homens e apenas 1 mulher ocuparam o cargo máximo do Executivo;
  • Cor/raça: 37 presidentes brancos e apenas 1 negro (considerando pretos e pardos). Não há registros de representantes de povos originários ou amarelos;
  • Origem regional: O Sudeste lidera com 20 mandatos, seguido pelo Nordeste (9), Sul (7) e Centro-Oeste (2). O Norte não registra presidentes oriundos da região.

Ao analisar a trajetória dos presidentes, observa-se a predominância de duas áreas: Direito e carreira militar. Segundo dados do Nexo, 19 presidentes tinham formação em Direito e nove tinham trajetória nas Forças Armadas. A idade também aparece como fator relevante: cerca de metade chegou à Presidência entre 52 e 62 anos.

Na história republicana, a distribuição dos mandatos também revela mudanças no cenário partidário. O PSD lidera com seis mandatos, seguido pelo PT (cinco). Na sequência aparecem ARENA/PDS (quatro) e PRP (três). PSDB, PTB, PRM e PMDB tiveram dois mandatos cada. Já PRN, PL, PRC e Partido Republicano Fluminense registraram um mandato cada.

Senado: PL tem maior bancada na 57ª Legislatura

No Senado Federal, a composição da 57ª Legislatura apresenta um cenário partidário distinto do Executivo. O PL tem a maior bancada, com 16 senadores, seguido pelo PSD, com 14. MDB e PT aparecem empatados, com nove parlamentares cada.

Também integram o plenário PSB (sete), PP (sete), Republicanos (seis), União Brasil, Podemos e PSDB (três cada), PDT (dois), além de Novo e Avante (um senador cada).

A distribuição regional segue lógica própria, já que cada estado elege o mesmo número de representantes. O Nordeste concentra 27 senadores, seguido pelo Norte (21). Centro-Oeste e Sudeste têm 12 cada, enquanto o Sul soma nove parlamentares.

Apesar disso, no recorte de diversidade, as desigualdades persistem:

  • Gênero: 66 homens e 15 mulheres;
  • Cor/raça: 59 parlamentares brancos, 20 pretos e pardos, 1 indígena e 1 não informado.
Homens ainda dominam o cenário político no Brasil | Foto: Reprodução

Câmara dos Deputados: diversidade partidária, concentração regional

Na Câmara dos Deputados, a atual legislatura (2023–2027) apresenta maior fragmentação partidária. O PL lidera com 97 deputados, seguido pelo PT (65). Na sequência aparecem União Brasil (52), PSD (48), PP (46), Republicanos (42) e MDB (38).

Também compõem a Casa Podemos (27), PSDB (18), PSB (17), PSOL (13), PCdoB (11), PDT (10), PV (6), Novo (5), Avante (5), Solidariedade (4), Rede (3), PRD (3), Cidadania (2) e Missão (1).

Na distribuição regional, o Sudeste concentra a maior bancada, com 179 deputados, reflexo do peso populacional. O Nordeste aparece em seguida (151), seguido pelo Sul (77), Norte (65) e Centro-Oeste (41).

Em termos de diversidade:

  • Gênero: 422 homens e 91 mulheres;
  • Cor/raça: 370 deputados brancos, 135 pretos e pardos, 8 indígenas ou amarelos e 1 não informado.

O perfil médio e o peso do patrimônio

Os dados declarados ao TSE indicam que a Câmara é formada majoritariamente por parlamentares acima dos 40 anos e com patrimônio elevado.

  • Patrimônio: 45% dos deputados declararam bens superiores a R$ 1 milhão. Desses, 26 informaram patrimônio entre R$ 10 milhões e R$ 100 milhões;
  • Idade: A faixa mais numerosa é a de 51 a 60 anos (24%), seguida por 61 a 87 anos (21%). Deputados com até 30 anos representam apenas 4,8%.

Considerando o conjunto dos dados, o perfil médio do deputado federal eleito em 2022 é o de um homem de 49 anos, casado, com ensino superior completo, branco e com patrimônio declarado de cerca de R$ 3 milhões, segundo informações da Justiça Eleitoral.

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