O governo federal sinaliza para o retorno do programa “Mais Médicos”. Como ocorreu nas gestões petistas anteriores, ele deve funcionar com a contração de profissionais estrangeiros. Até o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, a maioria dos quadros médicos era formada por cubanos.  

O deputado federal Ismael Alexandrino (PSD), que é médico, disse ao Jornal Opção ser “favorável à descentralização de médicos”. Ele completou que: “No entanto, na forma que o ‘Mais Médico’ está sendo planejado, priorizando os médicos estrangeiros sem diploma ou médicos formados no exterior sem validação do diploma, é completamente equivocado e injusto. Isso porque têm inúmeros brasileiros com diploma no Brasil, e milhares de outros estudantes se formando todos os semestres”, aponta.

Alexandrino reforça a necessidade da validação de diplomas do estrangeiro para que se enquadre no programa planejado pelo atual governo. “Priorizar a contratação de pessoas formadas no exterior sem que haja a validação do diploma é uma medida completamente equivocado”, crítica. Para ele, a certificação dos diplomas precisa ser feita não pelo Ministério da Educação (MEC) — como se pretende –, mas pelo Conselho Federal de Medicina [CFM], que tem uma capacidade mais criteriosa para avaliação da formação profissional dos médicos.

Em relação aos profissionais formados fora do país, ele garante que não se opõe a atuação deles. “Não tenho nada contra quem se formou fora do Brasil, desde que valide seu diploma aqui. Em qualquer país sério do mundo é assim”, compara.

Na Câmara dos Deputados, Ismael Alexandrino antecipa que pretende abordar o tema. “Pretendo levantar esta pauta, não de forma belicosa, mas chamando a consciência para a quantidade de médicos que o Brasil também forma. Esse é o razoável, pois se tem médico recém-formado — que é visão do programa — que não quer se mudar para longe, tudo bem, mas ele tem um diploma brasileiro. Agora se for o caso de quem se formou no exterior, que seja feito o revalida”, cobra.

O deputado propõe meios para que haja a descentralização do atendimento médico e que municípios mais afastados passem a contar com os profissionais. Segundo o parlamentar, ser médico precisaria ser carreira de Estado. “Assim, conseguiríamos que os recém-formados que querem optar por uma estabilidade e uma carreira faça um concurso e vá para uma região mais longínqua, geralmente, onde não tem médicos. Mas com uma segurança de carreira de Estado, o profissional se sentiria incentivado a ir para essas regiões mais distantes. Hoje há uma vinculação precária nos contratos feitos com prefeituras, e nem sempre é respeitado. Isso gera insegurança para o médico e acaba tirando o interesse de trabalhar fora dos grandes centros, ressalta.