Greve na educação: nova proposta para servidores administrativos deve ser apresentada na próxima segunda, 24
20 agosto 2026 às 12h49

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Um novo acordo entre a Prefeitura de Goiânia e os servidores administrativos da educação em greve deve ser discutido nos próximos dias e apresentado à categoria até a próxima segunda-feira, 24. A expectativa foi apontada pela vereadora Ludmylla Morais (PT) após o debate sobre a paralisação chegar ao plenário da Câmara Municipal nesta quinta-feira, 20.
Segundo Ludmylla, uma nova rodada de negociações entre representantes dos servidores e da Prefeitura deve ocorrer ainda nesta quinta-feira, 20, ou na sexta-feira, 21. A intenção é construir uma proposta que permita levar novidades à categoria na segunda-feira, quando os trabalhadores poderão deliberar sobre os próximos passos do movimento.
A greve começou nesta semana e envolve exclusivamente os servidores administrativos da educação. De acordo com Ludmylla, a categoria reivindicava inicialmente um novo plano de carreira, cuja atualização é aguardada desde 2011.
O vereador Wellington Bessa (Mobiliza), líder do prefeito na Câmara, afirmou que a Prefeitura apresentou, pela primeira vez em 15 anos, uma proposta de atualização da tabela salarial dos servidores administrativos. Segundo ele, a proposta já foi encaminhada ao sindicato.
“Hoje nós já temos uma proposta e temos, obviamente, o intuito de melhorar, de avançar nesse aspecto”, afirmou Bessa.
A vereadora, no entanto, afirma que a proposta apresentada não atende à reivindicação da categoria. Segundo ela, a legislação aprovada em 2011 foi cumprida até 2016, mas a diferença entre o reajuste pelo IPCA e o ganho real do salário mínimo provocou uma defasagem nos vencimentos e o congelamento da carreira.
Diante da dificuldade das negociações, os servidores autorizaram, em 3 de agosto, que o sindicato apresentasse como alternativa uma atualização da tabela. Conforme Ludmylla, a categoria abriu mão, naquele momento, da reivindicação inicial por um novo plano de carreira para tentar chegar a um acordo.
A Prefeitura apresentou uma proposta, mas, segundo a vereadora, reduziu o percentual inicialmente discutido e propôs parcelar até 2030 uma recomposição de 12% entre níveis e de 2% entre letras. O prazo foi considerado excessivamente longo pelos servidores.
Bessa reconheceu que a proposta apresentada pela Prefeitura não é a ideal. “É o ideal? Óbvio que não. Nós sabemos a necessidade de valorizar ainda mais os servidores”, afirmou. Para ele, porém, a apresentação de uma nova tabela representa um avanço depois de 15 anos sem atualização.
“Hoje já temos uma tabela e temos que trabalhar o caso e verificar se a gente consegue uma melhoria dessa tabela”, disse.
Ludmylla afirma que a categoria também tem buscado flexibilizar a pauta. Segundo ela, os servidores inicialmente reivindicavam uma tabela equiparada à do quadro geral da Prefeitura e, posteriormente, aceitaram discutir apenas uma recomposição.
Na terça-feira, 18, representantes dos servidores participaram de uma audiência de conciliação no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). Segundo Ludmylla, a reunião terminou sem acordo após uma série de impasses.
O desembargador Augusto Ventura determinou que a comissão de negociação voltasse a se reunir entre esta quinta e sexta-feira para tentar encontrar uma solução. Ludmylla afirmou que representantes dos trabalhadores já discutiram alternativas com a Prefeitura nesta quinta-feira e que uma nova rodada pode ocorrer ainda hoje ou amanhã.
A expectativa, segundo ela, é levar uma nova proposta aos servidores na segunda-feira, 24, para que a categoria decida sobre os próximos passos da greve.
Divergência não impede negociação
Apesar das diferenças sobre a proposta, Bessa afirmou que não considera que os servidores estejam agindo de forma intransigente. “De modo algum. Eu vejo os servidores cansados também, necessitando dessa atualização”, disse.
Para o vereador, a negociação deve continuar por meio de propostas e contrapropostas. Ele defendeu que o debate não seja transformado em um confronto entre servidores e Prefeitura.
“Não é hora de estar construindo muro. É hora, sim, de construir pontes e todo mundo abraçar uma causa que é tão justa”, afirmou Bessa.
Ludmylla, por sua vez, disse esperar uma demonstração de “boa vontade” da Prefeitura para que as negociações avancem. Segundo ela, a categoria tem flexibilizado suas reivindicações e agora aguarda uma nova sinalização do Executivo.
“Agora está nas mãos da Prefeitura e nós esperamos que o bom senso prevaleça”, afirmou.
Impacto nas escolas
A paralisação envolve os servidores administrativos efetivos da educação. Segundo Ludmylla, são mais de 5,8 mil servidores efetivos e mais de 3,6 mil temporários na área administrativa, embora a greve seja dos efetivos.
A vereadora destacou que esses profissionais atuam em funções como atendimento nas escolas, organização de documentos, limpeza, alimentação escolar e acompanhamento de crianças da educação infantil e estudantes com deficiência.
A Justiça determinou a manutenção de pelo menos 70% do efetivo durante a greve. Ludmylla afirmou que a categoria tem cumprido a determinação, mas relatou reclamações sobre a situação das unidades, principalmente em relação à limpeza.
Bessa defendeu que o processo de negociação continue sem que a atividade da Prefeitura seja “demonizada”. Segundo ele, houve avanços na valorização dos servidores nos últimos cinco anos e novos avanços podem ocorrer por meio do diálogo.
Enquanto as negociações continuam, a expectativa é que uma nova proposta seja construída nos próximos dias e levada aos servidores na segunda-feira, 24. Caberá à categoria decidir sobre a continuidade ou não da paralisação.
Leia mais: Greve dos servidores da Educação de Goiânia começa nesta segunda com 70% do efetivo


