Fim da “taxa do agro” em Goiás é celebrado por produtores e parlamentares como alívio em meio à crise no campo
19 fevereiro 2026 às 19h14

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A decisão anunciada, nesta quarta-feira, 18, pelo governador Ronaldo Caiado (PSD) de antecipar para 2026 o fim da chamada “taxa do agro” foi recebida com entusiasmo por lideranças rurais e parlamentares goianos. Em meio ao aumento dos custos de produção, preços de venda em queda e falta de incentivos federais, o setor vê na medida um alívio imediato para agricultores e pecuaristas, além de reconhecimento da contribuição do agro à economia estadual.
A chamada “taxa do agro” em Goiás foi uma contribuição criada em 2022 para alimentar o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra). O objetivo principal era arrecadar recursos junto ao setor agropecuário para financiar obras de pavimentação e manutenção das rodovias goianas, melhorando a logística e o escoamento da produção agrícola.
Ao Jornal Opção, o deputado federal Daniel Agrobom ressaltou que a medida representa um alívio imediato para os agricultores e pecuaristas. “Achei que foi uma decisão muito acertada do governador Ronaldo Caiado, tem que parabenizar o governador por essa decisão, porque realmente os produtores estão precisando desse alívio. Estão plantando aí com custo alto, vendendo com preço baixo, e sem apoio nenhum do governo federal”, disse.

Agrobom destacou que a eliminação da taxa valoriza a produção e reduz o peso tributário sobre o setor. “É muito positivo porque, com certeza, valoriza o produto de quem produz. Você está deixando de pagar um imposto a mais, que acaba refletindo muito no bolso do produtor. Então, para eles, foi maravilhoso”, apontou.
O parlamentar reforçou que a decisão veio em “ótima hora” diante da desvalorização dos produtos e da ausência de políticas de incentivo por parte da União. “Os produtores estão muito felizes com essa decisão e não tenho dúvida que isso vem em boa hora porque os produtos estão muito desvalorizados. Os produtores estão já há três anos sem nenhum incentivo do governo federal. Então eu acho que o governador fez muito bem em aliviar esse imposto que estava sendo cobrado”, concluiu.
Presidente da Comigo, Antonio Chavaglia
Ao Jornal Opção, o presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), Antonio Chavaglia, lembrou que a taxa sempre foi considerada injusta pelos produtores. “O fim da taxa do agro era reivindicação já desde quando ela foi feita. Os produtores não conformaram com isso e o peso é cada dia maior. Com esses preços de produto tão baixos e o custo alto, a margem tá muito estreita”, contou.

“Qualquer coisa que tira… tirando a taxa aí, alivia um pouco mais pro produtor. Mas é uma taxa que a gente sempre considerou indevida, injusta, pela contribuição que o agro dá pro estado de Goiás. Então a gente se sente aliviado com essa tomada de decisão”, disse.
Chavaglia também ressaltou que a medida elimina multas consideradas indevidas. “Isso é positivo, porque também tá eliminando muitas multas indevidas que teve lá. Então isso tudo pode ajudar a aliviar, porque é muita multa indevida, irresponsável, até tomada de decisão incoerente”, apontou.
Sobre o impacto para o consumidor, ele disse que em sua visão não altera nada. “Não, a diferença não tem nenhuma. Porque a taxa do agro ela é descontada em cima da renda do produtor. Então, pro consumidor fica do mesmo preço. Não vai mudar nada pro consumidor. A única coisa é que o produtor vai ter um pouco mais de renda”, explicou.
Chavaglia concluiu reforçando que os produtores se sentem aliviados com a decisão, já que enfrentam margens cada vez mais estreitas devido ao custo elevado dos insumos e equipamentos. “A gente se sente aliviado, os produtores vão se sentir aliviados com essa tomada de decisão e poder ter um pouquinho de renda, que a renda tá difícil. As margens estão muito estreitas pelo custo dos insumos e máquinas e implementos, tudo isso. Então qualquer taxa que possa aliviar, isso é muito importante”, finalizou.
Deputada Marussa Boldrin (MDB-GO)
Ao Jornal Opção, a deputada federal Marussa Boldrin também avaliou a medida como fundamental para dar fôlego ao setor em um momento de grandes desafios. “O fim da taxa do agro chega em excelente hora. O produtor rural enfrenta aumento nos custos de produção, crédito mais caro e chuvas irregulares que comprometeram a produtividade em várias regiões. Esse alívio traz fôlego necessário para manter a atividade, preservar empregos e garantir estabilidade à economia goiana”, disse.

Marussa destacou ainda que a decisão foi embasada em dados técnicos coletados diretamente no campo. “A decisão foi acertadamente sensível ao setor e embasada em dados concretos. A Expedição Safra da Faeg, liderada pelo presidente Zé Mário, levantou informações técnicas diretamente no campo e apresentou ao governo a real situação enfrentada pelos produtores. Com base nessas evidências, o governo tomou uma medida responsável e alinhada à realidade do agro”, finalizou.
Presidente da Faeg, José Mário Schreiner
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, comemorou o anúncio do fim da taxa do agro e lembrou o papel da entidade na defesa dos produtores.

“O presidente da Faeg, José Mário Schreiner, esteve em diversas ocasiões com o governador Ronaldo Caiado apresentando dados técnicos e relatos concretos sobre as dificuldades mais diversas enfrentadas pelo setor produtivo goiano. Ao longo dessas reuniões, reforçou de forma direta a necessidade de encerramento da contribuição ao Fundeinfra, a chamada ‘taxa do agro’, diante do momento desafiador vivido pelos produtores rurais”, disse nota publicada pela entidade.
Na retomada dos trabalhos legislativos, o governador anunciou o fim da cobrança, atendendo ao pleito apresentado por José Mário em defesa do agro. “A decisão demonstra sensibilidade à realidade do campo e reforça a atuação firme e responsável da Faeg, na defesa permanente de quem produz e sustenta a economia goiana”, finalizou nota.
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