Ao longo dos meses, cada pesquisa eleitoral evidencia algo que parte da direita parece se recusar a enxergar por puro ego: as chances de Flávio Bolsonaro (PL) vencer são tão altas quanto o seu índice de aprovação. Esse cenário não o favorece. A cada novo escândalo ou “bola fora” durante a pré-campanha, o senador se distancia ainda mais da parcela do eleitorado indeciso, considerada decisiva em qualquer disputa eleitoral.

Os demais pré-candidatos ao Palácio do Planalto no campo da direita também não empolgam. Alguns acumulam alto índice de desconhecimento e rejeição, como Renan Santos (Missão) e o ex-governador Romeu Zema (Novo). Outros nomes parecem ainda menos competitivos, como Cabo Daciolo (Mobiliza) e Augusto Cury (Avante). Além de pouco conhecidos nacionalmente, ambos nunca exerceram cargos no Poder Executivo.

O que sobra, e pode ser um perfil combativo tanto nas pesquisas quanto nos debates, é o ex-governador de Goiás por dois mandatos consecutivos, Ronaldo Caiado (PSD). Além da experiência no Executivo e no Legislativo, Caiado chega à disputa com o respaldo de uma gestão bem avaliada em Goiás, trânsito entre governadores e prefeitos e capacidade de dialogar com partidos que dificilmente embarcariam em uma candidatura mais ideológica.

As pesquisas eleitorais também apontam sinais positivos. Os cenários de segundo turno indicam que Caiado apresenta competitividade crescente, o que sugere que sua pré-campanha está no caminho certo. O principal desafio, contudo, continua sendo ampliar seu alcance nacional para entrar definitivamente na disputa. O maior obstáculo ainda é a própria permanência de Flávio Bolsonaro na corrida, que acaba limitando o crescimento de outros nomes da direita.

Caso Flávio chegue ao segundo turno, o cenário pode representar um duro golpe para qualquer estratégia da direita de retomar a Presidência. Levantamentos recentes, como o da BTG/Nexus, indicam que uma disputa entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda resultaria em vitória do petista por quatro pontos percentuais.

Entre as razões apontadas para esse desempenho estão os impactos da nova rodada do tarifaço e episódios recentes da pré-campanha, como a divulgação de uma foto ao lado de Luiz Phillipi Mourão, apontado como “sicário” da milícia privada ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro.

No mesmo levantamento, Caiado aparece como o nome da direita que mais se aproxima de Lula em um eventual segundo turno, com diferença inferior a dois pontos percentuais.

Essa leitura também é compartilhada por cientistas políticos. Em entrevista ao Estadão, Antonio Lavareda afirmou apostar no crescimento de Caiado com base em levantamento da RealTime Big Data. “Não é desprezível a hipótese de que o eleitor pode desertar do Flávio e pular para outro nome de direita que tenha capacidade explícita de derrotar o presidente Lula no segundo turno, como o Caiado.”

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