Dez partidos com representação na Câmara dos Deputados decidiram manter a articulação política em torno de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a eleição da presidência da Casa, marcada para fevereiro de 2027. O compromisso foi anunciado na terça-feira, 13, e estabelece uma base inicial de apoio à tentativa de reeleição do parlamentar.

A aliança reúne o Republicanos, União Brasil, PP, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD, organizados também em federações partidárias. Somadas, as legendas representam 252 deputados eleitos.

O grupo pretende utilizar essa composição para iniciar as conversas com outras bancadas e buscar apoio à permanência de Motta no cargo. A articulação ocorre antes da definição das candidaturas e da composição da próxima Mesa Diretora, responsável pela condução dos trabalhos legislativos durante o biênio 2027-2028.

A tentativa de recondução do atual presidente parte de uma base menor do que a reunida na eleição anterior. Em 2025, Motta chegou ao comando da Câmara com o respaldo de 18 partidos. Agora, dez legendas manifestaram disposição para seguir juntas na próxima disputa.

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O compromisso foi anunciado na terça-feira, 13, e estabelece uma base inicial de apoio à tentativa de reeleição do parlamentar | Foto: Presidência da câmara

Votação secreta pode alterar o resultado

Apesar do apoio anunciado pelas direções partidárias, a adesão das legendas não significa que todos os seus integrantes votarão em Motta. A escolha do presidente da Câmara ocorre por votação secreta, o que permite divergências entre a orientação das siglas e a decisão individual dos deputados.

A Casa tem 513 cadeiras, para vencer no primeiro turno, um candidato precisa alcançar a maioria absoluta dos deputados, equivalente a 257 votos. Caso nenhum concorrente obtenha esse número, a disputa segue conforme as regras regimentais.

Por isso, a aliança anunciada representa um ponto de partida para as negociações, mas ainda não assegura a reeleição. A candidatura dependerá da capacidade de ampliar o apoio entre parlamentares de outras legendas e de administrar as divergências dentro da própria base política.

Insatisfação de bolsonaristas preocupa aliados

Um dos desafios para Motta é a resistência de parlamentares alinhados ao bolsonarismo. Integrantes desse grupo têm demonstrado insatisfação com o presidente da Câmara, especialmente após sua declaração de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial de 2026.

O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), relatou ter sido informado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, sobre a oposição de deputados bolsonaristas à recondução de Motta.

Mesmo diante das resistências, Pereira considera possível negociar uma aproximação com esses parlamentares e construir um entendimento em torno do nome do atual presidente da Câmara.

A movimentação indica que a eleição da Mesa Diretora deverá envolver negociações para além dos partidos que já declararam apoio. A disputa também será influenciada pela reorganização das forças políticas após o primeiro turno das eleições deste ano.

PSD já havia sinalizado apoio

Antes do anúncio conjunto, o PSD havia manifestado apoio à reeleição de Motta na segunda-feira, 12. A posição antecedeu a reafirmação da aliança entre as dez legendas, que pretendem manter a atuação coordenada até a escolha da nova direção da Câmara.

A eleição está prevista para fevereiro de 2027. Até lá, os partidos terão de negociar a ampliação da base de apoio e lidar com eventuais candidaturas concorrentes. O resultado dependerá dos votos efetivamente obtidos no plenário, e não apenas do número de deputados vinculados às legendas que anunciaram apoio.

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