Cerca de um ano depois de eleger a maior bancada da Câmara dos Deputados, o PL vive um movimento de debandada de seus filiados. As principais motivações são as aproximações do partido com o governo do presidente Lula (PT) e as disputas internas para as eleições municipais de 2024. Até o momento, cinco deputados federais já deixaram o PL ou negociam a desfiliação. Outros parlamentares, inclusive lideranças regionais, também avaliam a possibilidade de sair do partido.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, está entre os articuladores da campanha de Lula à reeleição. Essa aproximação desagradou parte dos parlamentares do partido, que se identificam com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As disputas internas para as eleições municipais de 2024, no entanto, também contribuem para o movimento de debandada.

O PL é um partido com forte presença nos interiores do país. Nas eleições municipais de 2020, o partido elegeu 230 prefeitos. Apesar disso, as disputas internas entre as diferentes alas do partido tem dificultado a definição de candidaturas fortes para as eleições municipais de 2024.

Na semana passada, o deputado federal Ricardo Salles (PL-SP) engrossou a lista de nomes de saída da legenda. Encorajado por Bolsonaro, Salles vai tentar a sorte nas eleições municipais de São Paulo. Já os deputados Yury do Paredão (sem partido-CE) e João Maia (PP-RN) deixaram o PL nos últimos meses, com anuência de Valdemar, após se aproximarem do governo Lula.

Cabo Gilberto (PL-PB) e seu grupo político divergem da candidatura do ex-ministro Marcelo Queiroga à prefeitura de João Pessoa pelo PL e planejam construir um palanque bolsonarista alternativo na cidade. Ele vive ainda uma rixa com o deputado federal Wellington Roberto (PL-PB), aliado de Valdemar, que se aliou ao governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB).

“Pedi ao presidente (Valdemar) para ser expulso do PL. Vamos aguardar a definição do Salles, a quem estou muito alinhado, mas também estamos avaliando outros partidos”, afirmou Gilberto ao Globo. Além do Patriota, outra negociação possível é com o União Brasil.

A deputada federal Magda Mofatto (Patriota-GO), se desfiliou do PL em março, após atritos com o ex-deputado Major Vitor Hugo e com o senador Wilder Morais (PL-GO), que assumiram o diretório goiano da sigla com aval de Bolsonaro e Valdemar.

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