População idosa cresce 91% e Goiânia cria novo modelo de atendimento para quem tem mais de 60 anos
18 agosto 2026 às 15h18

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Com um crescimento de 91,4% da população idosa entre 2010 e 2024, Goiânia lançou, nesta terça-feira, 18, uma nova estratégia para organizar e integrar o atendimento às pessoas com 60 anos ou mais. A Linha de Cuidado da Saúde da Pessoa Idosa prevê a capacitação de médicos, enfermeiros, apoiadores institucionais e gestores, além da integração dos serviços públicos de saúde e assistência social voltados a essa população.
Atualmente, Goiânia possui 245.250 pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 16% da população da capital. Diante desse crescimento, foi identificada a necessidade de estabelecer uma política interinstitucional que reúna assistência social, Ministério Público, Conselho Municipal do Idoso, Prefeitura e universidades.
Durante o lançamento da nova linha de cuidado, também foi realizado o Seminário Viva 60+, que abordou o uso da Caderneta da Pessoa Idosa como ferramenta de acompanhamento, a avaliação multidimensional, a prevenção de quedas e o monitoramento especializado da saúde.
O prefeito Sandro Mabel participou do evento e destacou a importância de oferecer um atendimento integrado à população idosa. “O idoso é uma pessoa que tem que ter um tratamento consciente, feito todo de uma vez”, afirmou.
Mabel também chamou atenção para o envelhecimento da população brasileira e a necessidade de adaptar as políticas públicas a essa mudança no perfil etário. “O Brasil está deixando de ser um país de jovens para ser um país com mais idosos. Se eu não me engano, a partir de 2035, nós seremos mais idosos do que jovens. Então, você precisa ir mudando as políticas. A Prefeitura está preocupada com isso, fazendo essa trilha aqui para cuidar melhor da nossa população de idosos”, disse.
Atendimento integrado
A gerente de Atenção aos Ciclos de Vida da Secretaria Municipal de Saúde, Kelcy Anne, explica que uma das principais mudanças previstas com a implementação da linha de cuidado é a definição mais clara do percurso que o paciente idoso deve seguir dentro da rede pública de saúde.
“Nós vamos ter profissionais mais preparados para encaminhar corretamente esse idoso, reduzindo a peregrinação ou a falta de assistência para eles. A partir da linha de cuidado, a gente tem esse desenho muito bem estabelecido em todos os pontos da rede, desde a atenção primária até a rede especializada”, explicou.
Kelcy Anne, gerente de Atenção aos Ciclos de Vida da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia | Foto: Tiago Vechi
Segundo a gerente, a integração entre os serviços também permitirá identificar com mais facilidade possíveis falhas na assistência e carências de profissionais em diferentes pontos da rede.

“Dessa forma, a gente consegue identificar, por exemplo, uma falha de assistência ou de quantitativo de recursos humanos em qualquer ponto da rede, em qualquer momento, a partir da linha de cuidado”, afirmou.
Da atenção primária ao atendimento especializado
A atenção primária terá papel central no acompanhamento da população idosa. A proposta é que as unidades básicas funcionem como porta de entrada para identificar as necessidades de cada paciente e realizar os encaminhamentos necessários.
Nos casos em que houver necessidade de cuidados de maior complexidade, o paciente será direcionado para a rede especializada ou para os serviços de urgência.
“Quando ele tem algum comprometimento maior, vai para a rede especializada ou para a rede de urgência. Por exemplo, nós temos o Centro de Referência de Assistência em Saúde da Pessoa Idosa (Craspi), onde ele consegue ter essa assistência especializada”, explicou Kelcy.
A proposta é que a integração entre os diferentes pontos da rede reduza a peregrinação dos idosos em busca de atendimento e permita que cada paciente seja encaminhado de acordo com suas necessidades.
Além da área da saúde, a linha de cuidado busca aproximar outros serviços responsáveis pela garantia dos direitos da pessoa idosa. Dessa forma, situações que ultrapassem a assistência médica poderão ser direcionadas aos órgãos responsáveis, ampliando a proteção e o acompanhamento dessa população.
A expectativa é que, com profissionais capacitados e um fluxo de atendimento definido, os serviços consigam acompanhar de maneira mais integrada uma população que vem crescendo rapidamente na capital.
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