Celina Leão remaneja R$ 139,7 milhões de outras áreas para pagar empresas de ônibus
25 agosto 2026 às 13h19

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A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), autorizou o remanejamento de R$ 139,7 milhões em recursos públicos para a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob). O valor será utilizado para o pagamento de empresas de ônibus que atuam no sistema de transporte coletivo da capital.
A medida foi formalizada pelo Decreto nº 49.056, assinado recentemente pela governadora. Para viabilizar o crédito suplementar, o Governo do Distrito Federal (GDF) cancelou dotações que estavam previstas para diferentes áreas da administração pública.
Entre os setores que tiveram recursos retirados estão o Metrô-DF, o Sistema de Limpeza Urbana, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-DF), o sistema penitenciário, a Cultura e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
O remanejamento ocorre em meio ao contingenciamento de despesas anunciado pelo próprio governo. Paralelamente, Celina Leão encaminhou à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) um projeto de lei que prevê a abertura de outro crédito suplementar, de R$ 508 milhões, destinado às empresas de ônibus.
Segundo a justificativa apresentada pelo governo, os recursos têm como finalidade garantir a “manutenção do equilíbrio financeiro” do sistema de mobilidade urbana.
Na prática, o GDF utiliza dotações originalmente destinadas a outras áreas para reforçar o caixa da mobilidade e assegurar o pagamento às concessionárias. A medida também busca evitar que o aumento dos custos de operação do transporte coletivo seja repassado integralmente aos usuários por meio das tarifas.
Governadora tornou-se sócia de empresário do transporte

O novo repasse ocorre em um contexto que já gerou questionamentos sobre a relação da governadora com empresários do setor de transporte público.
Em setembro de 2025, conforme revelou o portal UOL, Celina Leão tornou-se sócia de Edmundo Pinheiro, proprietário da Urbi Mobilidade Urbana, uma das concessionárias responsáveis pela operação do transporte coletivo no Distrito Federal e que mantém contratos com o GDF.
A sociedade foi estabelecida por meio da aquisição conjunta de um embrião de gado da raça Nelore, em negócio avaliado em aproximadamente R$ 500 mil.
A negociação ocorreu em 1º de setembro de 2025, durante um leilão realizado no Distrito Federal. Pelo modelo adotado, Celina e Pinheiro passaram a dividir a propriedade genética do animal, prática utilizada no mercado de pecuária de elite.
Celina nega relação entre negócio e contratos públicos
Na época, Celina Leão afirmou que a aquisição foi feita com recursos próprios e que o investimento passou a integrar seu patrimônio pessoal. A governadora também negou qualquer relação entre a sociedade com o empresário e os contratos mantidos pela Urbi com o governo distrital.
Segundo Celina, a operação observou as exigências legais e de transparência e não envolveu favorecimento administrativo.
Edmundo Pinheiro também afirmou que a sociedade com a governadora se restringe ao investimento no setor agropecuário e negou que a parceria tenha qualquer influência sobre os contratos da Urbi com o GDF.
Agora, a empresa aparece entre as concessionárias beneficiadas pelo conjunto de medidas adotadas pelo governo para reforçar os recursos destinados ao transporte coletivo do Distrito Federal.
Leia também: Celina Leão vira sócia de empresário do transporte público que mantém contratos com o GDF


