“Lula aprendeu a falar sobre esse assunto depois que ensinamos a ele”, diz Caiado sobre terras raras
09 maio 2026 às 18h00

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O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), não poupou críticas ao encontro entre o presidente Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorrido nesta semana, em Washington. Para o político, o interesse repentino do Palácio do Planalto pelas terras raras, elementos essenciais para a tecnologia global, é fruto de um “aprendizado tardio” provocado pelo protagonismo de Goiás no setor. “O Lula acordou e aprendeu a falar desse assunto depois que nós ensinamos para ele”, disparou Caiado durante coletiva de imprensa realizada durante o encontro “Pra Frente Goiás”, em Rio Verde.
O político, que é pré-candidato à Presidência da República, classificou a postura de Lula como “fragilizada”. Segundo Caiado, o petista tentou usar a pauta mineral como um aceno de simpatia para tentar fazer Trump desistir da ideia de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
“Veja a que ponto nós estamos chegando: um presidente da República ser porta-voz do narcotráfico para pedir, pelo amor de Deus, para o Trump não incluir o narcotráfico como terrorista aqui em nosso país. É isso que é”, afirmou o governador, minimizando a repercussão das promessas feitas na reunião bilateral.
Caiado também defendeu que a estratégia de Goiás com as terras raras é muito mais sofisticada do que a apresentada pela União. Ele criticou o modelo de apenas “abrir o mercado”, defendendo a transferência de tecnologia e a industrialização local.
“O que eu quero é ampliar nossa capacidade de não estar exportando material bruto. Não podemos ser um eterno exportador de Pau-Brasil como fomos na época da Colônia”, comparou. Ele citou os memorandos de entendimento que o Governo de Goiás já firmou com o Japão e os Estados Unidos como exemplos de como o Estado já avançou visando à criação de uma cadeia de valor completa, que inclui a separação e o refino dos minérios.
Relembre o embate
O embate entre Caiado e Lula sobre o subsolo goiano não é novo, mas ganhou contornos de guerra diplomática nos últimos meses.
A polêmica subiu de tom no mês passado, quando o presidente Lula criticou publicamente os acordos diretos de Caiado com empresas e governos estrangeiros, afirmando que o até então governador de Goiás estaria “vendendo o Brasil” e invadindo a competência da União.
Caiado, por sua vez, rebateu dizendo que, enquanto o governo federal patina na burocracia, Goiás entrega segurança jurídica e atração de investimentos para a região mais carente do Estado, o Nordeste Goiano.
Por que o tema explodiu agora?
Com a volta de Donald Trump à Casa Branca e sua política de “tarifação total”, o Brasil tenta usar as terras raras como um trunfo para negociar isenções comerciais. Para Caiado, no entanto, Lula está “queimando” esse trunfo ao misturar a pauta estratégica com a agenda de segurança pública e a defesa de interesses que, segundo ele, não representam o povo brasileiro.
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