A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está em processo de instauração na Câmara dos Deputados. A proposta foi apresentada pela oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tenta responsabilizar os líderes por invasões de terra.

No entanto, para a deputada federal Delegada Adriana Accorsi (PT), o debate no colegiado será a oportunidade de apresentar o outro lado do movimento. “Nós vamos participar dela [CPI do MST], porque entendemos que é uma tentativa de criminalizar o movimento social. O movimento é legítimo”, defende.

Accorsi enfatiza que o MST é produtor de alimentos no país. Ela cita que durante a pandemia de Covid-19 a produção do movimento proporcionar a alimentação de milhares de famílias. “O movimento traz uma proposta de alimento orgânico, de alimento produzido de forma coletiva e que nós entendemos que tem um papel importante na economia brasileira”, afirma. Acerca de invasões de propriedades, a deputada ressalta que a atuação precisa ser “dentro da Lei”.

Invasões de terras

Recentemente, a deputada federal Marussa Boldrin (MDB) assinou dois requerimentos de urgência para votação de projetos que defendem os proprietários de imóveis rurais de invasões. Um deles obriga a retirada de invasores imediatamente e o outro tipifica as invasões como terrorismo. “Invasão de terras é crime e deve ser tratado como terrorismo”, opina.

Sobre o assunto, Delegada Adriana Accorsi salienta que o debate no Congresso Nacional é importante para o país. “É natural. Ela [Marussa Boldrin] defende um setor da sociedade. Do qual ela faz parte. Esse é um diálogo que tem que haver entre os setores. A Lei cita que sendo um local improdutivo, a Justiça tem que avaliar se não é o caso dele ser desapropriado, paga tudo corretamente, dentro da legalidade e ser transformada em agricultura familiar. Então isso está dentro da Lei, da Constituição Federal”, acentua.