Sócios de Virginia Fonseca na Wepink passam a ser investigados por suspeita de lavagem de dinheiro ligada à ‘Japa do PCC’
30 julho 2026 às 10h12

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Os empresários Samara Martins e Thiago Stabile, sócios de Virginia Fonseca e do empresário chinês Chaopeng Tan na empresa de cosméticos Wepink, passaram a ser investigados pela Polícia Civil de São Paulo (PCSP) no inquérito que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC”. Em 16 de julho, o delegado Renato Mazagão Junior determinou diligências para localizar o casal.
Eles deveriam ter comparecido à Divisão Especializada de Investigações Criminais de Santos para prestar esclarecimentos sobre uma suposta “empreitada criminosa”, apontam os autos do processo. O delegado Renato Mazagão Junior, declarou que não comentaria investigações em andamento. O Jornal Opção não conseguiu identificar a defesa do casal.
As apurações por suspeita de lavagem de dinheiro contra Karen Mori decorrem de sua ligação com o PCC. Ela é viúva de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como Cabelo Duro, executado em 2018 em Santos. Na época, ele chefiava a exportação de entorpecentes para a facção criminosa. A morte de Cabelo Duro integrou uma série de acertos de contas internos e repercutiu na imprensa nacional, sobretudo porque, apenas uma semana antes, ele havia assassinado dois próprios aliados da organização. Os episódios colocaram o nome de Karen Mori no centro das manchetes em todo o país.
O inquérito que investiga Karen Mori, e que agora também abrange Tiago Stabile e Samara Martins, apura se a suspeita utilizou recursos do tráfico de drogas para investir em negócios imobiliários, empresas de fachada e empreendimentos no setor de beleza.
Mori foi a responsável por injetar todo o capital inicial da Pink Lash, rede que antecedeu a criação da Wepink. Em entrevista à revista piauí, ela relatou ter aplicado 800 mil reais para abrir a primeira unidade da marca em 2017, no bairro do Cambuci, em São Paulo. O montante veio da venda de um veículo pertencente ao seu marido, na época ainda vivo. Questionada se a Pink Lash havia sido fundada com dinheiro de uma liderança da principal facção criminosa do país, Mori foi direta: “Sim”. Ela detalhou que era cliente de Samara Martins, profissional responsável por fazer seus cílios, e que propôs a sociedade com divisão igualitária de 50%. Os dados, revelados na reportagem A tigresa dos algoritmos, publicada na edição de junho da piauí, embasaram o pedido do delegado Renato Mazagão Junior para incluir Samara e Tiago no inquérito de lavagem de dinheiro.
Essas investigações sobre o casal somam-se a outro procedimento já em andamento contra a influenciadora Virginia Fonseca, conduzido pela Polícia Federal. O foco é apurar a legalidade das operações financeiras e das empresas da influenciadora, a origem dos recursos movimentados e a possível ocorrência de crimes fiscais, financeiros e de lavagem de dinheiro.
Conexões e bastidores da sociedade
Na condição de sócia, Mori participou de eventos institucionais da Pink Lash, a exemplo de uma feira de beleza realizada em junho de 2019, em São Paulo, que contou com os cantores Belo e Gracyanne Barbosa como garotos-propaganda. Registros fotográficos daquele mesmo ano também mostram Virginia Fonseca ao lado de Samara Martins e Karen Mori em um compromisso da marca. “Eu acho que encontrei a Virginia algumas vezes”, relembra Mori. A influenciadora descobriu os serviços da rede pelas redes sociais e passou a frequentar o espaço para cuidar dos cílios em troca de divulgação na internet. Com o tempo, Samara aproximou-se de Virginia, enviando presentes rotineiros. “Em 2020, quando a Virginia se mudou para Goiânia, enviamos uma poltrona rosa de presente. Também pagávamos passagem de avião para a nossa melhor funcionária ir fazer os cílios dela”, pontua Mori.
Com o passar do tempo, contudo, o relacionamento entre Mori e o casal Martins-Stabile deteriorou-se, causando o afastamento definitivo de Mori quando ambos se uniram ao empresário chinês Chaopeng Tan para fundar a Wepink, marca de cosméticos lançada em 2021 cuja linha de fragrâncias imita perfumes famosos de grifes internacionais.
“A Samara e o Stabile entraram com o marketing, a Virginia, com a divulgação dos produtos através de suas redes sociais, e o chinês, com o dinheiro”, resume Mori. A estrutura societária dividiu-se em fatias iguais de 33,3% para cada parte. As marcas Pink Lash e Wepink chegaram a operar simultaneamente até o final de 2021, momento em que Martins e Stabile exigiram o encerramento da sociedade com Mori. “Eles me falaram assim: ‘Ou você vende a sua parte para a gente ou decretamos falência.’ Eu fui usada de escada, me dispensaram quando os chineses apareceram.”
Decisão judicial
Como desdobramento da inclusão de Samara e Tiago no inquérito, a defesa de Karen Mori, representada pelo advogado Telles Rodrigo Gonçalves, requereu à Justiça a suspensão de medidas cautelares, entre elas o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
No dia 28 de julho, a juíza Paula Regina Schempf Cattan, do Foro Central Criminal da Barra Funda, em São Paulo, deferiu o pedido. Com a decisão, Mori fica desobrigada de usar tornozeleira eletrônica, desde que entregue o passaporte no prazo de cinco dias e recupera o direito de circular à noite (entre 20h e 6h), bem como durante fins de semana e feriados. Também permanece em vigor, a proibição de se ausentar do estado de São Paulo sem prévia autorização judicial.
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