Uma operação de larga escala no Morro do Vidigal, deflagrada nesta segunda-feira, 20, pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, transformou a região em um cenário de guerra, impactando não apenas a comunidade, mas todo o fluxo de uma das áreas mais turísticas da capital fluminense.

A ação tem como objetivo principal a desarticulação de lideranças do tráfico que operam na localidade, além da recuperação de veículos roubados e a apreensão de armamentos. Desde a madrugada, relatos de intensos confrontos circulam nas redes sociais, com registros de “caixas de som” da comunidade alertando os moradores sobre os perigos de circular pelas vielas.

Em virtude do protocolo de segurança, a Avenida Niemeyer chegou a ser interditada intermitentemente, porque os criminosos invadiram a rua colocando ônibus bloqueando a passagem, além de containers da Comlub. A via, que liga o Leblon a São Conrado, foi liberada por volta das 6h05, quando um comboio da Polícia Militar escoltou os motoristas que trafegavam pela região. 

Onibus é usado como barricada na Avenida Niemeyer | Foto: Reprodução/TV Globo

Nas redes sociais, vídeos mostram um helicóptero sobrevoando o Vidigal em voos rasantes durante o confronto. Em algumas filmagens é possível ouvir barulho similar a tiros enquanto a aeronave passava pela região.  

Cerca de 200 turistas que subiram o Morro Dois Irmãos para assistir ao nascer do sol foram surpreendidos pelo início dos confrontos no Vidigal. Sem rota de fuga, o grupo ficou isolado no topo do ponto turístico, já que o acesso à trilha depende da passagem pelo alto da comunidade.

Apenas por volta das 7h20, após o controle parcial da área, os visitantes puderam iniciar a descida. O retorno foi marcado por uma imagem emblemática do Rio: turistas atravessando a favela em meio a carros da polícia e veículos blindados. O episódio expõe a fragilidade da segurança pública em áreas que misturam o cotidiano de moradores, o lazer de visitantes e o domínio do crime organizado.

A operação desta segunda-feira tem como alvo central Edinaldo Pereira Souza, conhecido como “Dada”. Apontado como o líder do Comando Vermelho na região de Caraíva, no sul baiano, ele é o principal objetivo dos mandados expedidos pela Justiça.

A ação é coordenada pelo Ministério Público da Bahia e conta com o suporte operacional da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil do Rio de Janeiro. O foco da força-tarefa é desarticular a cúpula da facção responsável pela expansão do tráfico de drogas no litoral sul da Bahia.

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