O jornalista Lucas Mendes Lima denunciou ter sido vítima de homofobia por parte da ex-cunhada, que é advogada e membro da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Senador Canedo. As ofensas preconceituosas foram registradas em vídeo pela vítima chamada de “viado” e “bixa”. 

A gravação foi realizada no último sábado, 21, na casa onde o jornalista mora com os pais em Goiânia. Algumas crianças, que são sobrinhos de Lucas, também presenciaram a cena. O crime teria sido motivado, de acordo com ele, pela advogada não aceitar o fim do relacionamento com o irmão do jornalista.

“Ela invadiu minha casa, falando até pra eu sair de lá. Me expulsando. Nos dois primeiros dias tive crise de ansiedade e não conseguia dormir. Me senti um lixo, desrespeitado como ser humano e pessoa, humilhado, ofendido, me senti alguém sem poder de fala, ação, constrangido e a minha única arma na hora foi a câmera para poder ter uma prova na hora de denunciá-la”, contou. 

Lucas afirmou que houve outras ofensas além das mostradas no vídeo. Ele explicou que além dos problemas com os picos de ansiedade,  também desenvolveu déficit de atenção.

“Isso no vídeo foi só uma ponta do iceberg de tudo que ela falou. Não consegui captar isso em vídeo, as partes mais cruéis. Até mesmo me chamando de amaldiçoado, associando ao fato de ser homossexual. Quando eu me pego pensando nisso, me sinto mal e acabo desviando a minha atenção e foco nas atividades que vou fazer. Seja profissional ou pessoal”, explicou. 

Procurada, a advogada disse que “não conhece ninguém com esse nome”, se referindo a Lucas. Ao receber o vídeo e ser questionada se não é ela nas imagens a profissional respondeu: Há, estava na casa do meu sogro. Fui convidada. Essa pessoa me acusou de crime que não cometi”. Em nota, a OAB informou que está acompanhando o caso, promovendo acolhimento e orientação ao autor da denúncia. O órgão aguarda a “conclusão do inquérito policial para eventuais tomadas de medidas administrativas internas”.

O caso, inclusive, se junta às cerca de 40 denúncias de homofobia, intolerância religiosa e racismo registradas mensalmente no Grupo Especializado no Atendimento às Vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Geacri) da Polícia Civil (PC). Segundo o delegado Joaquim Adorno, titular da especializada, a tendência é de alta. 

Os casos de homofobia em Goiás, por exemplo, saltaram 163% em 2022, de acordo com o anuário da violência. O aumento também foi registrado nos casos de racismo (250%) e injúria racial (48%).

“As condutas racistas são quaisquer tipos de falas ou ações que ofendam uma pessoa pela religião, cor, etnia ou orientação sexual. A homofobia e a transfobia são condutas discriminatórias e preconceituosas que são fundadas na orientação sexual e identidade de gênero da vítima”, disse o delegado. 

Por serem considerados graves, as penas para os crimes tidos como de racismo podem variar de um a cinco anos, de acordo com Joaquim. O crime, no entanto, é inafiançável.

“Para denunciar basta procurar uma delegacia de Polícia Civil ou a Polícia Militar. Além das delegacias, a gente tem o 197 e o 190. A vítima só não vai ter uma resposta se ela não procurar a polícia”, concluiu.