Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal identificou grupos que planejavam ataques contra políticos e prédios públicos em Brasília. As articulações aconteciam exclusivamente pela internet e envolviam integrantes que, segundo as autoridades, sequer se conheciam pessoalmente.

As conversas eram acompanhadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e revelaram discussões sobre ataques, fabricação de explosivos e violência contra instituições. Em uma das mensagens monitoradas, integrantes defendiam a criação de uma lista de possíveis alvos para uma suposta “revolução”.

Os investigadores também encontraram referências a um ataque durante o debate do segundo turno das eleições. Uma das mensagens mencionava a intenção de explodir o prédio onde seria realizado o encontro entre os candidatos.

Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, o conteúdo identificado pelas autoridades demonstrava que os grupos ultrapassavam o discurso extremista e avançavam para o planejamento de ações violentas.

Grupos reuniam centenas de integrantes

As conversas aconteciam em dois grupos do Telegram. Um deles reunia mais de 600 pessoas e utilizava uma imagem de Adolf Hitler no perfil. Integrantes considerados mais radicalizados eram encaminhados para um segundo grupo, mais restrito, com 46 participantes.

De acordo com a investigação, nesse espaço eram compartilhadas instruções relacionadas à fabricação de artefatos explosivos e outros meios de ataque. Os integrantes também discutiam possíveis alvos, custos e quantidade de material necessária para executar as ações.

Um relatório produzido pelo Ciberlab, laboratório do Ministério da Justiça especializado no monitoramento de crimes cibernéticos, classificou o conteúdo como de alto risco. O documento apontou planejamento de violência com uso de explosivos, além da disseminação de ideologia neonazista, misoginia e incentivo a atos violentos.

O grupo também compartilhava informações sobre locais considerados estratégicos em Brasília. Entre os materiais encontrados estavam mapas de ministérios, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o delegado responsável pela investigação, os integrantes chegaram a compartilhar uma planta do Palácio do Planalto e discutir possíveis formas de acesso ao prédio.

Monitoramento identificou grupos de ódio

O Ciberlab atua no rastreamento de grupos extremistas que utilizam a internet para disseminar discursos de ódio e organizar possíveis ações criminosas. Segundo o Ministério da Justiça, o laboratório produziu, somente em 2026, 103 relatórios relacionados a mais de 50 grupos classificados como de ódio.

As investigações também identificaram recorrência de mensagens racistas, misóginas e homofóbicas nos grupos monitorados. O trabalho dos investigadores busca identificar quem está por trás de perfis anônimos e avaliar quando o discurso extremista passa a representar risco concreto de violência.

Para o ministro Wellington César Lima e Silva, o ambiente virtual se tornou uma frente importante para a prevenção de crimes e ataques extremistas.

Polícia cumpre mandados em cinco estados

Na terça-feira, 4, a Polícia Civil do Distrito Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados. Computadores e celulares foram recolhidos e serão analisados pelos investigadores.

Os suspeitos podem responder por crimes como associação criminosa, apologia e distribuição de material nazista e incitação ao crime.

A investigação continua para identificar o nível de envolvimento de cada integrante e verificar se os planos discutidos nos grupos poderiam efetivamente sair do ambiente virtual. Segundo o delegado responsável pelo caso, a polícia decidiu agir antes que os suspeitos tivessem oportunidade de colocar os planos em prática.

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