Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o advogado Ariosvaldo Chaves, que também frequenta o Centro Espírita Severino Baiano na Lei de Xangô, explica acidente com fogo que acabou matando Vitor Hugo de Melo da Rocha, de 19 anos, e Sandra Cristina, de 44. Ele conta ainda que entre os participantes do evento religioso, a responsável pela casa foi a que menos se feriu. Os outros dois sobreviventes foram encaminhados ao Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) e devem receber alta nesta terça-feira, 6.

O acidente aconteceu durante um trabalho espiritual que acontece a cada sete anos. Chamado de “queima de demandas”, o trabalho tem como objetivo tirar os males que a pessoa acha que tem, como doenças e problemas familiares. “Foi um acidente, o trabalho tem como objetivo trazer amparo, uma palavra às pessoas que buscam a casa. Essa é a terceira vez que a atividade é realizada. Eles foram convidados para participar desse evento que consiste em escrever em folha de papel tudo aquilo que ela quer que queime na vida dela. Levam uma quantidade de pólvora, pegam aquela folha, fazem uma espécie de trouxinha e arremessam na fogueira”, contou o advogado.

Ariosvaldo explica ainda que no momento em que estavam sendo arremessadas as “bolinhas”, uma delas acabou abrindo e espalhando a pólvora sobre as cartas que ainda estavam no recipiente, provocando uma espécie de “explosão” de pólvora. A mãe de santo, Hugo e Sandra eram as pessoas mais próximas à labareda. As vítimas eram novatas no local e estavam participando pela primeira vez da “queima de demandas”.

Vitor teve 98% do corpo queimado e acabou morrendo no dia 1º de setembro, após ficar quatro dias internado no Hugol. Sandra, por outro lado, faleceu dois dias depois, em 3 de setembro, também no Hugol. O acidente ocorreu no dia 28 de outubro. 

“A casa trabalha há 30 anos com o evento e foi a primeira vez que aconteceu. Na hora eu estava no local, sou um frequentador. Eles estavam em um período de aprendizado chamado cambono e eram responsáveis por entregar as cartas à mãe de santo”, disse. 

Proteção

A mãe de santo, conforme o advogado, está em casa se recuperando após se “chamuscar” com a onça de fogo e calor. A responsável pela casa não se feriu de forma grave, mesmo estando próxima as vítimas fatais. De acordo com Ariosvaldo, ela estava incorporada por “Maria Padilha”, que a protegeu.

O Jornal Opção entrou em contato com o delegado Wladimir Freire, responsável pela investigação. Ele informou que as testemunhas já começaram a ser ouvidas e que os familiares das vítimas devem prestar depoimento nos próximos dias. Ao ser questionado sobre a investigação, ele informou que não irá se pronunciar no momento.