Vozes femininas — Yêda Schmaltz: O lirismo como destino
25 julho 2026 às 21h00

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Elizabeth Abreu Caldeira Brito
Iêda Oscalina Schmaltz ou Yêda Schmaltz, nasceu em Tigipió (PE), em 1941. Goiás foi o território que elegeu e que a adotou como cidadã. Filha de Wilfrido Schmaltz e Maria de Lourdes Cristina Schmaltz. Ainda criança, passou a residir em Ipameri (GO), local onde seu pai nasceu. Ela é neta do poeta Demóstenes Cristino.
Formada em Letras Vernáculas e Direito, pela Universidade Federal de Goiás, Yêda dedicou-se à docência tanto na Universidade Católica de Goiás, atual PUC Goiás, quanto na Universidade Federal de Goiás (UFG).

Uma das precursoras poéticas
Ao longo de mais de três décadas de atuação, Yêda Schmaltz foi reconhecida, nacional e internacionalmente, como uma das vozes mais singulares da literatura feminina brasileira, conforme assinalam estudos críticos dedicados à sua obra. “Uma Escrita Sustentada Pela Paixão — A Poesia Erótica de Yêda Schmaltz”, de Paulo Antônio Vieira Júnior, é uma análise densa de sua poesia.
A crítica Darcy França Denófrio examinou a poesia de Yêda Schmaltz no livro “Hidrografia Lírica de Goiás I”. “Tem a escritora o mérito de ajudar a estabelecer firmemente uma tradição lírica entre nós, mulheres, tendo sido a terceira a publicar livro de poemas em Goiás, somente precedida por Leodegária de Jesus e Regina Lacerda”, anotou a professora da UFG.
“O amor é a minha consciência. Sinto-me sempre amando. Fugir do lirismo seria fugir de mim mesma” — Yêda Schmaltz
Seus livros receberam várias distinções, destacando-se: Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (melhor livro de poesia, 1985, por “Baco e Anas brasileiras”); Prêmio Remington de prosa e poesia (Rio de Janeiro, 1980); Prêmio Simón Bolívar (Fondi, Itália, 1998); Prêmio Nacional Itanhangá de Poesia (1985), além de múltiplas edições dos prêmios Hugo de Carvalho Ramos, José Décio Filho, BEG de Literatura e Cora Coralina (em Goiás).

Sua presença crítica extrapolou o texto poético: colaborou com jornais e revistas por todo o país, editou o Suplemento Cultural do jornal “Diário da Manhã”. Na direção do Instituto Goiano do Livro, reorganizou sua estrutura e criou coleções literárias que ampliaram o acesso à produção goiana, como “Karajá”, “Pali Palã”, “Supernova” e “Aldebarã”. Membro fundadora do Grupo de Escritores Novos (GEN), também integrou a Associação de Escritores de Goiás, o IPEHBC e a União Brasileira de Escritores-Seção Goiás.
Artista plural, Yêda Schmaltz transitou também pelas artes visuais, realizou exposições individuais e participou de salões, sendo reconhecida com prêmios, como o Novos Valores, da Fundação Jaime Câmara. Essa multiplicidade de linguagens reverbera em seus poemas, nos quais a visualidade e o gesto plástico se unem à dicção mitopoética.

A poeta Yêda Schmaltz na Itália
Em 1998, na Itália, o pesquisador Gian Luigi de Rosa apresentou no Istituto Italiano per gli Studi Filosofici o estudo “Yêda Schmaltz: viaggio tra il mito classico e l’universo femminile”, reconhecendo sua obra como território onde mito, subjetividade e feminino constroem uma cartografia singular.
A poesia de Yêda Schmaltz, que revisita os mitos clássicos de maneira inovadora, há de ir além de nossos dias.
Em entrevista concedida a Aída Félix de Sousa para o Jornal Opção, Yêda confessou sua afinidade visceral com o lirismo, como uma fatalidade existencial: “o amor é a minha consciência. Sinto-me sempre amando. Fugir do lirismo seria fugir de mim mesma”.

Sobre quem sobreviverá na literatura, Yêda foi categórica: “Todos aqueles que têm talento, capacidade de trabalho e uma vontade muito grande de continuar na luta. O ato da criação machuca, dói… então é escrever, ler, estudar, reinventar. Escrever para viver”.
Yêda Schmaltz publicou 19 livros, em prosa e verso. Dedicou-se à docência no Instituto de Artes da UFG até seu falecimento, aos 61 anos, em 10 de maio de 2003.
Seu legado mesclado entre o lirismo, na revisitação dos mitos clássicos, na ética da criação quanto a consciência do fazer artístico como exercício vital e o academicismo, na arte que ministrou, hão de ir além de nossos dias.
Publicações de Yêda Schmaltz
1
“Caminhos de Mim” (1964);
2
“Tempo de Semear” (1969);
3
“Secreta Ária” (1973);
4
“O Peixenauta” (1975 e 1983);
5
“A Alquimia dos Nós” (1979);
6
“Miserere” (1980);
7
“Os Procedimentos da Arte” (1983);
8
“Anima” (1984);
9
“Atalanta” (1987);
10
“A Ti Áthis” (1988);
11
“A Forma do Coração” (1990);
12
“Poesia” (1993);
13
“Prometeu Americano” (1996);
14
“Ecos: A Joia de Pandora” (1996);
15
“Rayon” (1997);
16
“Vrum” (1999);
17
“Chuva de Ouro” (2000);
18
“Urucum e Alfenins” (2002);
19
“Noiva da Água” (2006).



