Elizabeth Abreu Caldeira Brito

Haydée Jayme Ferreira nasceu em Anápolis (GO), em 29 de junho de 1926. Foi professora, escritora, historiadora e jornalista. É filha do historiador Jarbas Jayme e da cantora lírica Maria Dinah Crispim Jayme.

Embora tenha atuado em múltiplos campos culturais, consolidou-se como uma das mais respeitadas historiadoras de Anápolis, a partir da década de 1970, sobretudo pela publicação de sua obra central, “Anápolis, Sua Vida, Seu Povo” (1981). Trata-se de uma pesquisa sobre a cidade entre o período de 1930 e 1950.

De acordo com o professor-doutor Nilson Jaime (2016),Haydée Jayme Ferreira “escreveu a história da cidade, com farta documentação, muitas fotografias e excelente narrativa”.

Elizabeth Abreu Caldeira Brito foto da capa de Dicionário Crítico das Vozes Femininas da Literatura em Goiás ok2

A crítica contemporânea reconheceu em Haydée uma voz intelectual ativa e combativa. Para o jornalista Jarbas de Oliveira, ela foi “uma das figuras mais expressivas da poesia, da historiografia e do jornalismo de Anápolis”.

A obra de Haydée Jayme Ferreira, situada no cruzamento entre história, jornalismo e literatura, exemplifica a potência da escrita como prática formativa e como instrumento de preservação da identidade coletiva

Do mesmo modo, Letícia Jury sublinha o caráter de legado do livro “Anápolis, Sua Vida, Seu Povo”, frequentemente citado em pesquisas acadêmicas e estudos sobre o município, atestando sua relevância para a história cultural regional.

Primeira-dama das letras anapolinas

Como jornalista, Haydée publicou no jornal “O Anápolis”, de 1966 a 1969. Colaborou com os periódicos “Gazeta Popular”, “Correio do Planalto”, “Folha de Goiaz”, “O Educacional”, “Tribuna de Silvânia”, “Diário da Manhã” e “O Popular”. A intelectual exerceu uma escrita de forte caráter crítico e político.

Segundo Walter Meneses, do “Diário da Manhã”, sua voz era “uma das opiniões mais respeitadas da cidade”. Haydée dedicou-se, também, ao jornalismo político.

Haydée Jayme Ferreira capa de Anápolis500 ok2

Segundo o escritor e pesquisador Nilson Jaime (2016), “em reconhecimento ao seu papel de ‘primeira-dama das letras anapolinas’, a Prefeitura de Anápolis, concede, anualmente, no dia 8 de março, dia internacional da mulher, a Medalha da Distinção de Mérito Haydée Jayme Ferreira às mulheres que se destacaram, no ano anterior, por seu trabalho e dedicação à cidade”.

Dentre as homenagens recebidas pela escritora destacam-se: Mérito da Goianidade, 1992, pela Associação Goiana de Imprensa; Diploma de Destaque Literário, do ano de 1987, pela “Gazeta Popular”; e Diploma de Honra ao Mérito, concedido pela Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, em 1988.

Conforme o genealogista e biógrafo Nilson Jaime (2016), Haydée Ferreira foi homenageada, pelo Congresso Nacional, por meio da Lei n.º 41, de 2008, que instituiu “o viaduto construído no km 435,55 da rodovia BR-153, que dá acesso à BR-414” em Anápolis (GO) “a ser denominado Viaduto Professora Haydée Jayme Ferreira”.

Haydée Jayme se transformou em “figura central na construção da identidade cultural e histórica de Anápolis. Além de sua carreira como jornalista, foi uma escritora fundamental para a historiografia local”

Contudo, Nilson Jaime ressalva: “O viaduto foi inaugurado, com pompa e circunstância. Homenagem justa e perfeita, porém, não há uma só placa ou letreiro que torne a homenagem pública, valorizando essa importante personagem da história anapolina e goiana”.

História, jornalismo e literatura

Sua voz poética está presente em várias publicações autorais, coletâneas e antologias.

A escritora integrou “Anápolis em Tempo de Poesia”, inscrevendo-se no movimento da poesia moderna goiana.

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Haydée Jayme Ferreira teve um papel forte no jornalismo de Goiás | Foto: Acervo da família

Sua obra, situada no cruzamento entre história, jornalismo e literatura, exemplifica a potência da escrita como prática formativa e como instrumento de preservação da identidade coletiva.

Haydée Jayme Ferreira faleceu no dia 2 de janeiro de 1999, aos 72 anos.

Recentemente a Câmara Municipal de Anápolis oficializou a criação da Agência de Notícias Haydée Jayme. Consta na plataforma do Instagram que é “um novo braço da Diretoria de Comunicação destinado a fortalecer a transparência e o acesso à informação sobre o Poder Legislativo. O projeto marca uma evolução na produção de conteúdo da Casa, que já atua com plataformas de texto, áudio e vídeo”.

De acordo com a diretriz do projeto, o foco é “garantir que o cidadão bem informado tenha melhores condições de questionar, sugerir e participar ativamente da vida política da cidade”.

A escolha do nome da Agência se destina a perpetuar o legado da jornalista para a história e a memória da cidade. Haydée Jayme se transformou, por sua obra, em “figura central na construção da identidade cultural e histórica de Anápolis. Além de sua carreira como jornalista nos principais veículos de sua época, foi uma escritora fundamental para a historiografia local.”

O livro “Anápolis, Sua Vida, Seu Povo”, é uma das principais referências bibliográficas sobre o patrimônio histórico e cultural da cidade de Anápolis (GO).

Publicações de Haydée Jayme Ferreira

1

“Anápolis, Sua Vida, Seu Povo” (Brasília: Senado, 1981);

2

“Nuanças de Mim” (poemas, 1987);

3

“Fogo no Bambual” (contos e crônicas, 1988);

4

“O Canto do Cisne” (poemas, 1996);

5

“O Cisne voltou a cantar” (poesia, s.d.).