Tempo de Covid: é melhor ficar em casa

Sair de casa para resolver as questões do dia a dia tornou-se um ato trabalhoso e estressante

Geraldo Lima

Especial para o Jornal Opção

Sei que há os que ainda saem de casa despreocupadíssimos como se nada de importante e perigoso estivesse acontecendo, mas o fato é que, pelo menos para mim, sair de casa para resolver as questões do dia a dia tornou-se um ato trabalhoso e estressante. São muitos os cuidados que devem ser tomados para que essa saída esteja dentro do protocolo com as medidas sanitárias adotadas para conter o avanço da Covid-19.

E é aí que o sair de casa se complica.

O ritual — para os que estão fora do grupo dos negacionistas — começa com a colocação da máscara. Até aí, tranquilo. É só escolher um dos modelitos na gaveta da cômoda [a máscara com emblema do time do coração, a máscara com as cores da Bandeira Nacional, a máscara combinando com a blusa e o sapato, a máscara indicada pelo especialista tal…], prender os elásticos atrás das orelhas [nunca pensamos que elas teriam outra utilidade senão a de sustentar as hastes dos óculos] e sair sem temor.

Pacientes com Covid em UTI no hospital Gilberto Novaes, em Manaus (AM) |
Imagem: Michael Dantas/AFP

Por falar em óculos, nestes tempos de cuidados extremos, usá-los acarreta um trabalho extra na hora de sair, principalmente se for de carro. Caso você use óculos de grau, precisará passar sabonete nas lentes para que não embacem com o hálito quente que escapa pelas bordas superiores da máscara. Aliás, esse foi um dos primeiros macetes que aprendi logo no início da pandemia, e tem me valido muito! É impressionante o grande número de MacGyvers que surge para auxiliar-nos nessas horas de aperto.

Um viva para eles!

Com máscara no rosto e óculos preparados contra embaçamento, você se lança à missão do dia.  Já na porta, quase transpondo a soleira, lembra-se de que não pegou o frasco de álcool em gel, e volta meio irritado para pegá-lo! Sim, mesmo tendo uma infinidade de recipientes e de totens contendo álcool em gel 70% em todos os estabelecimentos comerciais, clínicas médicas, clínicas veterinárias, hospitais, bancos etc., você, como cidadão prevenido, leva o seu. E faz muito bem, vai que o seu seja de melhor qualidade que os disponibilizados nesses ambientes, né? Eu, particularmente, sempre levo um vidrinho de álcool em gel no bolso ou dentro do carro. Um homem prevenido vale por dois, não é o que dizem?

Parar complicar um pouco mais o simples ato de sair, junte-se a isso outros objetos que você teria que levar, mas que, por focar nos listados acima, indispensáveis nesses dias pandêmicos, acaba se esquecendo deles, como a carteira, a chave do carro, a lista de compras, o celular, a garrafa d’água, a blusa de frio, o guarda-chuva etc. etc. Quando você consegue, enfim, cruzar o portão de casa ou a portaria do prédio, já gastou um tempo enorme e seus nervos se desgastaram um pouco mais.

Agora, pense na volta. Pense no chegar em casa vindo da padaria, do supermercado, do hospital, do laboratório, do banco, lugares onde você, inevitavelmente, cruzou com pessoas, umas usando a máscara no queixo, ou nem isso, respirou o mesmo ar que elas, sentou-se no mesmo banco que elas, sem poder manter o devido distanciamento, tocou em objetos, em embalagens. Os cuidados se redobram, mais canseira: ter que lavar alguns itens da lista de compras, aspergir álcool em outros, livrar-se das embalagens, reaproveitar outras após higienizá-las, despir-se das roupas e colocá-las logo para lavar, tomar banho.

Ou seja, outra trabalheira!

Isso, obviamente, para quem está preocupado em se proteger do coronavírus, estando ou não no grupo de risco. Preocupa-se em proteger a si mesmo e aos outros. Em outras palavras, prima por valorizar a vida.

Geraldo Lima é escritor, dramaturgo e roteirista.

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